Jornal escolar e o uso de tecnologias na produção textual

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*Por Kamila Girardi

Resumo

O presente artigo abrange o desenvolvimento de um projeto denominado “Jornal Escolar” e a sua aplicação em três turmas de Ensino Médio de diferentes níveis: 1ª, 2ª e 3ª séries. Descreve-se, aqui, o trabalho de produção textual, visando a prática da língua escrita através dos mais variados gêneros textuais com que os educandos tiveram contato ao longo da sua formação. A metodologia atribuída ao projeto busca quebrar paradigmas acerca das aulas tradicionais de Língua Portuguesa, promover a pesquisa, inserir a tecnologia em sala de aula e incentivar a autonomia do aluno no reconhecimento das funções comunicativas de determinados gêneros textuais, instruindo-o para a adequação do gênero à situação de comunicação. Além disso, o projeto propõe envolver todas as áreas do conhecimento.

Palavras-chave

Produção textual, tecnologias, pesquisa, autonomia.

 

I. Introdução

O projeto “Jornal Escolar” objetiva criar novos procedimentos para o ensino da Língua Portuguesa, tendo como perspectiva inicial a proposta trazida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ou seja, de que se deve trabalhar o texto como base, como o centro do estudo linguístico e, através dele, as competências comunicativas que devem ser desenvolvidas por um falante nativo apto a comunicar-se de forma clara, coerente, concisa e coesa em qualquer situação de interação social.

Com este trabalho, busco enfatizar a importância do gênero textual socialmente situado no domínio jornalístico, primando pela produção de gêneros que visam a veiculação de informações. Os gêneros textuais mais comumente utilizados em mídia jornalística impressa são bastante diversificados, por abarcarem não só a formalidade da língua, em gêneros como o editorial, a reportagem e a notícia, por exemplo, mas por suportarem e aceitarem também a informalidade em gêneros como a charge e a crônica.

O principal objetivo da aplicação da proposta “Jornal Escolar” é desenvolver a competência discursiva escrita, habilidade que entendo ser o principal motivo pelo qual o estudo da língua se faz realmente necessário, embora não seja esse o único. Além disso, o estudo da Língua Portuguesa deve estar intimamente ligado às necessidades reais dos falantes nativos em suas práticas linguísticas cotidianas.

A elaboração de um jornal escolar não só proporciona aos alunos a possibilidade de se expressarem com liberdade, como também oportuniza uma visão crítica acerca dos usos que fazemos da língua. O aluno é motivado a produzir sobre assuntos que são do seu interesse, sem imposição de um gênero textual comum, uma vez que a escolha do gênero dependerá exclusivamente da mensagem e da maneira como o aluno irá divulgá-la.

Tendo em vista a importância de se trabalhar com gêneros textuais em sala de aula, fazendo da produção textual um exercício de aprimoramento das competências linguísticas do aluno, é primordial que se reflita sobre a exploração da escrita. De acordo com Antunes (2003), a escrita é uma atividade que requer a interação entre duas pessoas: um escritor e um leitor. Para que faça sentido a elaboração de um texto, é fundamental que se leve em consideração o seu público-alvo. Ao escrevermos, fazemo-nos para que alguém leia. O jornal escolar proporciona essa interação, uma vez que a produção textual está diretamente voltada para um leitor (aquele que busca a informação). Para que o processo de escrita faça sentido para o aluno e para que o texto produzido atinja a sua função comunicativa, se faz necessário o envolvimento de um leitor no processo, pois, segundo Antunes (2003) “quem escreve, na verdade, escreve para alguém, ou seja, está em interação com outra pessoa”.

Para desenvolver um projeto de escrita, primeiramente devemos arquitetá-lo sob as seguintes perspectivas: escolha do assunto a ser tratado, os objetivos que queremos atingir ao abordarmos esse tema, o gênero adequado à situação de comunicação, a organização das ideias principais (para que o texto não seja apenas uma emaranhado de informações desconexas em entre si) e, por último, levar em consideração que haverá um leitor no processo e que o texto deve passar exatamente a mensagem pretendida pelo escritor.

Sabemos que muitos são os gêneros textuais conhecidos e outros tantos estão surgindo em decorrência dos avanços tecnológicos. De acordo com Marcuschi (2010), os meios de comunicação em massa, tais como o jornal impresso, por serem bastante presentes e ganharem destaque nas atividades de comunicação sociais reais, abrigam novos gêneros. Para Marcuschi (2010), os gêneros textuais são fenômenos históricos profundamente relacionados com a vida cultural e social, pois estabilizam as atividades de comunicação do dia a dia.

Quando da elaboração de uma mídia eclética como um jornal escolar, as possibilidades de gêneros que podem ser utilizadas são amplas. Os alunos são autores autônomos, capazes de escolher o que querem expressar da maneira como querem expressar. É claro que os gêneros textuais possuem formas pré-concebidas, mas nada impede a sua alteração para adequar à situação de comunicação.

Com a elaboração de mídia jornalística impressa, os alunos não só têm o contato com a produção textual em si, mas também com o uso de tecnologias que permitirão essa ação. Essas tecnologias, tão presentes na vida dos nossos alunos, são desmistificadas quando aliamos suas utilidades pedagógicas ao contexto de sala de aula. Sabemos que, mesmo com tantos recursos digitais, ainda é um desafio para o professor a proposta de apropriar-se deles para o trabalho, ou por falta de conhecimento de como manuseá-los, ou por não saber como introduzi-los em suas aulas de forma a suscitar conhecimento. A internet é um mundo de amplas possibilidades a serem exploradas e os aparelhos como notebooks, tablets e smartphones, devido à grande praticidade, são instrumentos que não só propiciam acesso à informação de forma imediata, como facilitam a produção de material escrito. Para um projeto que envolve tantos recursos, como a elaboração de um jornal, a tecnologia é fundamental para que o processo culmine ao resultado esperado.

II. Jornal na prática

A proposta de desenvolver um projeto para criação de um jornal escolar foi elaborada por mim e vivenciada pelas turmas de Ensino Médio com as quais trabalho em determinada escola da rede particular de ensino. A fase inicial do programa contemplou a divulgação da ideia da fabricação de um jornal em que os próprios alunos assumiriam as editorias, de acordo com seus interesses e afinidades.

A primeira ação desenvolvida foi possibilitar aos alunos o contato com a realidade de um jornal. Em um primeiro momento, convidamos uma profissional, graduada na área do jornalismo, para pormenorizar as ações desenvolvidas pelo jornalista nos meios de comunicação. A visita proporcionou uma visão ampla de como se elabora a mídia impressa, a composição da equipe de editores e revisores e o processo de criação desde a montagem até a impressão. Após os esclarecimentos da profissional convidada, os alunos tiveram contato com o material impresso, cortesia de um jornal local, para que pudessem manuseá-lo, observando suas características e, principalmente, seu conteúdo. Além da conversa com a mencionada profissional, outros dois jornalistas participaram do projeto através de vídeo previamente gravado. Um deles, editor de mídia online e, o outro, repórter e apresentador televisivo, ambos jornalistas por formação, que expuseram suas atribuições, ampliando assim, a visão dos alunos sobre a profissão e as possibilidades de atuação junto ao mercado.

A segunda ação desenvolvida, foi a mobilização das turmas para o reconhecimento da elaboração do jornal. Os alunos foram incentivados a pesquisar por diversas maneiras de projetar uma mídia impressa, estudo esse que engloba desde os gêneros textuais mais adequados ao contexto comunicativo até a simples formatação do texto no papel. Alguns sites com conteúdos voltados diretamente ao assunto foram selecionados e repassados para que os alunos pudessem, com liberdade, manuseá-los e, com autonomia, decidir sobre a utilização dos materiais disponíveis, julgando o que seria pertinente ao projeto em que estavam engajados. O envolvimento na pesquisa proporcionou segurança na atribuição das funções: alguns se sentiram mais à vontade para produzir matérias mais longas, outros para criar layouts de acordo com as editorias e, ainda, houve aqueles que utilizaram suas habilidades artísticas para elaborar gêneros mesclando texto e desenho.

Após a pesquisa de projeção da mídia impressa, a terceira ação foi a produção textual. Nessa etapa, os alunos foram incentivados a utilizar, em sala de aula, notebooks, tablets e smartphones para auxiliá-los na pesquisa e na elaboração dos textos. Comprova-se, com as atividades aqui desenvolvidas, que o uso de tecnologias em sala de aula é muito produtivo mediante planejamento e combinações previamente estabelecidas. Os smartphones, tão presentes na vida dos nossos alunos, passam a ser não só aliados da educação que permite o acesso à tecnologia, mas desmistificados pelos próprios alunos como objeto de utilidade que vai além da simples consulta a redes sociais. Para implantar o smartphone como objeto de trabalho em sala de aula, sem que isso prejudique o bom andamento das atividades, é preciso tratá-lo como equipamento de suporte à pesquisa. Além disso, para a produção de um jornal, o aluno pode utilizar o equipamento não só para a elaboração do texto, mas para diversos outros fins, como por exemplo, para captar imagens que irão acompanhar as matérias.

O momento da produção textual é, sem dúvidas, o mais importante na proposta, pois o aluno deve decidir o assunto sobre o qual irá escrever, o gênero textual mais adequado à situação comunicativa, além de demonstrar a autonomia pela busca de informações coerentes. Nessa etapa foi fundamental a orientação da professora em todos os sentidos, desde as escolhas dos temas até a produção final. É importante ressaltar que o envolvimento foi tamanho que, inclusive, foram agendados horários extraclasse para orientação de pequenos grupos, a fim de garantir a qualidade das produções textuais e a confiabilidade das informações veiculadas.

A quarta ação do projeto foi avaliação dos textos. Nessa etapa, os alunos tiram contato com as criações uns dos outros, com o intuito de criticar (positiva ou negativamente) o trabalho dos colegas e a fim de sugerir os melhoramentos necessários. Após essa socialização, todos enviaram as produções textuais para a professora, por correio eletrônico, para receber a aprovação da publicação, a revisão ortográfica e gramatical e as orientações para a retextualização.

A quinta e última ação, foi o processo de criação de título e layout, trabalho desenvolvido por alunos que se candidataram para elaborá-los. A organização dos textos foi realizada por uma equipe pré-selecionada que fez a compilação de todo o material enviado. É importante ressaltar que, durante o processo, verificou-se a adesão cada vez maior dos alunos que procuravam, de forma voluntária, maneiras de participar da projeção da mídia impressa.

III.  Resultados

A aplicação do projeto que objetivava incentivar a pesquisa, o uso de tecnologias aliado à educação, a autonomia do educando na busca por informações e a qualidade da produção textual, foi atingida com o êxito esperado.

Alguns textos publicados no jornal seguem como exemplo da boa qualidade das produções textuais dos alunos, bem como para demonstrar o nível de pesquisa em que se engajaram.

O primeiro exemplo é de autoria da aluna Pietra Dal Sasso Quintans Graça, da 3ª série do Ensino Médio:

INIMIGO OU AMIGO PÚBLICO?

Muitas pessoas, ao se depararem com embalagens que contém um símbolo amarelo com a letra “T”, perguntam-se o que esse pictograma significa e de que maneira ele interfere na alimentação. Esse “T” é utilizado para a identificação dos produtos transgênicos, ou seja, alimentos modificados geneticamente em laboratórios. Os alimentos transgênicos foram desenvolvidos com o objetivo de aumentar a resistência a pragas e doenças, para diminuir o uso de agrotóxicos favorecendo o aumento da produtividade e, consequentemente, do lucro. Porém, esse tipo de tecnologia agrícola, utilizada em muitos países, inclusive no Brasil, resultam em polêmica, pois ainda não há consenso na comunidade científica sobre a segurança desses alimentos para a saúde humana e para o meio ambiente.

O Greenpeace, uma organização global independente, cuja missão é proteger o meio ambiente e inspirar mudanças para um futuro mais verde, defende um modelo de agricultura baseado na diversidade agrícola, logo, acredita-se que o uso de transgênicos possa ser muito prejudicial para o meio ambiente e para a saúde. Dentre os principais efeitos negativos, destacam-se:

Pelo fato de serem resistentes aos agrotóxicos, o uso contínuo das sementes transgênicas leva à resistência de ervas daninhas e insetos, o que induz o agricultor a aumentar a dose dos agrotóxicos ao ano e, em consequência dessa utilização indiscriminada, acabam contaminando o solo e pondo em risco a biodiversidade.

Os transgênicos aumentam a resistência a antibióticos, pois, para poder ter certeza da eficácia da modificação genética, são introduzidos genes de bactérias resistentes a antibióticos e, com isso, o consumidor também pode se tornar resistente aos antibióticos prejudicando a saúde.

Apesar de não haver informações científicas suficientes sobre todos os efeitos dos transgênicos na saúde humana, alguns fatores puderam ser observados. Quando se insere um gene de um ser em outro, há formação de novos compostos nesse organismo, podendo ocorrer a produção de novas proteínas alergênicas ou de substâncias que provocariam efeitos tóxicos não identificados em testes preliminares.

Por outro lado, existem estudos que apontam muitos benefícios aos transgênicos e acusam o Greenpeace e demais ONGs “antitransgênicos” de apontar os riscos e impactos sem ter comprovações. Nesse contexto, os benefícios que merecem destaque são:

O arroz dourado é uma variante criada em 1999 com genes modificados para produzir um percursor da vitamina A, que pode reduzir o número de crianças que sofrem de carência dessa vitamina, que causa cegueira e problemas oculares.

Os transgênicos podem ser uma solução ao problema da fome enfrentado no mundo, pois podem levar ao aumento da produção de alimentos. Além disso, o seu custo é baixo.

Tendo em vista os prós e contras desse tipo de alimento, cabe ao consumidor eleger consumi-los ou optar pelos alimentos orgânicos. Portanto, devido à falta de comprovações sobre os malefícios e benefícios, fica clara a importância de os produtos transgênicos possuírem rótulos com informações para o consumidor. A descrição da composição do alimento e o gene que foi inserido no produto devem ser informados.

O segundo exemplo é de autoria dos alunos Ellen Ilha de Andrade e João Vítor Biazussi da Silva, da 2ª série do Ensino Médio:

A PSICOLOGIA EM QUADRINHOS

Internet, cinema, notícias, atualmente têm se destacado diversas informações curiosas do mundo geek, desde o explosivo sucesso de filmes de heróis até jogos de suicídio e palhaços macabros. Diante disso, vamos, do interessante ao mórbido, unir esses assuntos, tratar do humor e autossatisfação, nas personagens, em seu aspecto mais psicótico e perturbador. O Coringa, príncipe palhaço do crime, a princípio um simples vilão de quadrinhos do Batman, possui, no entanto, uma profundidade inimaginável.

Inimigo mortal do Homem morcego, o Coringa é comumente visto como insano, desde seus atos, seus trajes, e sua teoria de que “um dia ruim é tudo que lhe diferencia do dito normal”, até sua eterna risada e, principalmente, o motivo dela.

Para explicar as ações da personagem, ninguém melhor do que o pai da psicanálise e sua definição de ID, ego, e superego, em que o primeiro seria a parte mais primitiva do cérebro, a origem dos impulsos e desejos que não chegam a consciência ou que são por ela reprimidos, resumidamente, o princípio do prazer sem medir esforços. Em contrapartida, o superego teria a função de controle, sem visar essencialmente a moral, mas sim um ideal, uma justiça além da justiça, no caso, um herói que vai além do sistema. Tudo se torna mais claro se analisarmos a função do ego, de equilibrar os anteriores, pois a censura excessiva pode gerar respostas extremas do ID, como psicose, algo que nos quadrinhos é representado pelo Batman, que cria sua nêmese através da repreensão exagerada que causa.

Com o passar dos anos, o Coringa apresentou-se em inúmeras versões, desde um piadista brincalhão até um genocida cruel, devido a isso, naturalmente, existem gritantes diferenças entres suas aparições, o fato de, por vezes, ele quebrar a quarta parede falando diretamente com o público leitor, tal ação gerou a teoria de super sanidade, que alega que o Coringa seria, na verdade, mais ciente do mundo do que qualquer outro e, assim, saberia que tudo a sua volta tratar-se-ia de mera ficção, porém essa ideia possui falhas considerando que nem sempre ele segue o padrão de se direcionar ao público e dialogar com o mesmo. Contudo, ergueu-se um fato: o coringa não é insano nem ao menos apresenta características de insanidade, como alucinações, melancolia, paranoia ou fobias sem motivos.

O mais incrível é que, mesmo com tantas mudanças, existem sim características comuns às versões do palhaço, entre elas, destaca-se seu narcisismo, egocentrismo, falta de empatia e, principalmente, o humor. Os três primeiros muito remetem à psicopatia, tornando-o alguém não insano, mas inteligente o bastante para fingir insanidade e, o último, que é praticamente seu símbolo, deve ser analisado.

Como diria Schopenhauer, o humor é resultado da contradição, aquilo que devia ocorrer e o que ocorre. Indo além de Freud, que afirma que o humor se compara ao sonho, em que o inconsciente pode aparecer sem consequências ou censuras, o que é ainda melhor visto em sua comparação de que o sonho é a porção necessária e cotidiana de loucura do indivíduo. Em resumo, o humor seria a contradição entre verdades profundas, ideias superficiais e valores tradicionais. Com essa visão um tanto quanto niilista, pode-se trazer a seguinte percepção do filósofo Nietzsche: “eu até me permitiria uma hierarquia dos filósofos de acordo com seu riso, chegando até aqueles com a risada de ouro e supondo também que os deuses filosofam. Não duvido que saibam rir de maneira nova e sobre-humana e às custas de todas as coisas sérias”; que muito lembra uma frequente frase do coringa “It’s all a joke”, em que afirma que o mundo nada mais é a ele do que uma grande piada. Isso expõe seu niilismo, presente em todas as versões da personagem, apenas em diferentes intensidades.

 Dito isso, pode-se dividir o príncipe palhaço em três personas de acordo com as características do ID. O brincalhão, que busca saciar seus desejos; o gênio do crime, que age em resposta ao agente de repreensão; e, por último, aquele que possuiria o maior conhecimento de si e do mundo e busca mostrar as contradições da sociedade. Essa percepção nos leva a observar uma relação entre o niilismo e a atuação do ID, pois quanto mais se nega os ditos sociais, menor será a validade do superego e, por consequência, maior será a influência do ID, que pode causar forte oposição a tudo que lhe for diferente.

Após todo esse estudo, podemos encerrar o diagnóstico, caracterizando o Coringa, não como louco, mas sim como um caso de super sanidade, uma visão superior da realidade, tendo em vista que a mesma pode vir a fazer pessoas agirem como loucas ou no mínimo anormais, o que pode ser visto no caso do próprio Nietzsche que antes de seu colapso já era considerado por muitos como estranho ou até mesmo insano.

O terceiro e último exemplo é de autoria da aluna Luísa Fracalossi Reinbrecht:

Editorial – Feminismo

Nossa sociedade atual é bela, simpática, amigável e, após afirmar isso, devo alegar que somos todos mentirosos. Concordo que, às vezes, é mais fácil colocar todos os nossos problemas dentro de uma caixinha e mantê-la trancada para sempre com um cadeado enorme, mas já parou para pensar o quanto você sofre por ignorar todas essas complicações apenas pelo medo de enfrentá-las? 

Na minha opinião, um dos maiores problemas com os quais lidamos é a desigualdade. Por causa dela construímos barreiras e criamos desgosto por pessoas que são exatamente iguais a nós. Muitas vezes, deixamo-nos enganar que as injustiças só acontecem longe de onde estamos, que nunca seremos afetados, e é por isso que decidi escrever sobre esse assunto. Mais especificamente sobre a dificuldade que muitos de nós ainda têm para enxergar o mesmo potencial nos dois sexos, e o que considero ser a solução para esse problema: o feminismo.

Gostaria de pedir para que você pense em cinco mulheres que conhece e, agora, devo avisá-lo(a) que uma delas possivelmente foi, ou será estuprada durante sua vida. É duro de aceitar, mas é a verdade. Supondo-se que você assista a algum tipo de série, documentário ou até mesmo novela que dure cerca de 45 minutos, provavelmente me diria que aproveitou bem o seu tempo, que se divertiu. No entanto, preciso informá-lo(a) de que, no Brasil, durante esse curto período, quatro pessoas do sexo feminino foram violentadas e elas não podem concordar com você sobre terem se divertido, porque não pediram por isso, foram forçadas. De qualquer modo, outro fato que realmente deveria preocupar as pessoas, é que, no nosso país, a cada 1 hora e 30 minutos mais uma mulher, uma mãe, uma irmã ou uma amiga não sobrevive aos maus-tratos de um homem.

É claro que, além destas situações citadas, existem milhares de outras em que podemos ver a injustiça sendo praticada, mas gostaria que você lembrasse que não é apenas com as mulheres que isso acontece, afinal, quem nunca viu algum garoto ser motivo de risadas por demonstrar seus sentimentos, ou chorar? Por que é estranho vê-los usando roupas cor de rosa? Qual é o problema de um menino não gostar de ser agressivo?

Em todo o caso, não quero que entenda que o problema está só na sua cidade, no seu estado ou no seu país, mas no nosso mundo. Antes de sermos divididos por diferentes nacionalidades, etnias, raças e culturas, todos vivemos no mesmo planeta, todos somos humanos.

Mulheres e homens jamais serão iguais sob hipótese alguma, mas, por ambos serem pessoas e terem sentimentos do mesmo jeito, concordo com a igualdade dos sexos, concordo com o feminismo. Eu acredito que não hoje, mas algum dia poderemos fazer o bem sem demasiados esforços, e é disso que as mulheres africanas que não tem acesso à uma educação completa, precisam. É disso que as mulheres que recebem menos salário do que os homens pelo mesmo trabalho, precisam. É a humanidade de que todos nós precisamos.[1]

IV. Conclusões

O uso de tecnologias em sala de aula é cada vez mais requerido pela geração Z. Aliar-se ao que é inevitável faz com que consigamos uma aproximação maior dos nossos alunos com os objetos de estudo aos quais são submetidos e ampliemos as possibilidades de aprendizagem. Se faz necessária uma reavaliação dos processos utilizados em sala de aula, levando-se em consideração o avanço tecnológico que tivemos no mundo nos últimos vinte anos. Se resistirmos ao implantar procedimentos que condizem com a realidade dos educandos, muito provavelmente estaremos nos posicionando contra uma evolução natural. É imprescindível inserir a tecnologia em sala de aula, fazendo do seu uso parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem. As tecnologias, quando bem utilizadas, proporcionam um contato muito maior com o mundo e praticidade na busca por informações. Apropriar-se de ferramentas que dinamizem a aula, diversificar as metodologias levando em consideração a realidade do aluno e ampliar as fontes de aprendizado são elementos fundamentais para a construção do conhecimento.

V. Bibliografia

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 203, p. 44-66.

________________. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola, 2009, p.49-73.

BALTAR, R. A. Marcos. A competência discursiva através dos gêneros textuais: uma experiência com o jornal de sala de aula. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003. 149. Programa de Pós-graduação em Letras. Porto Alegre, 2003.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Gêneros textuais e ensino. São Paulo: Parábola, 2010, p. 19-38.

[1] Referências utilizadas pelos alunos:

http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2013/02/coringa-e-o-arquetipo-do-louco.html

https://www.dicio.com.br/sanidade/

http://divadoescritor.blogspot.com.br/2009/01/id-x-superego-em-batman-o-cavaleiro-das.html

http://sequart.org/magazine/64378/ladies-and-gentlemen-hobos-and-tramps-cross-eyed-mosquitoes-and-bowlegged-ants-loving-that-joker-but-which-one/

http://sequart.org/magazine/60541/peaslee-and-weiner-on-joker-serious-study-of-clown-prince-of-crime/

http://sequart.org/magazine/40157/perfect-chaos-why-the-joker-is-the-greatest-comic-book-villain/

http://sequart.org/magazine/52185/theorizing-about-the-joker-in-all-seriousness/

O que é ego, id e superego?

Resumo: ID, EGO E SUPEREGO

http://filosofia.ceseccaieiras.com.br/freud-id-ego-e-superego

Teorias de Freud – Resumo das Teorias freudianas

10 Coisas que as pessoas entendem errado sobre o Coringa!

https://sindicatonerd.com.br/conheca-o-personagem-coringa/

http://www.momentumsaga.com/2013/08/analise-do-inimigo-o-coringa.html

https://pensador.uol.com.br/autor/friedrich_nietzsche/biografia/

*Kamila Girardi: Graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade de Caxias do Sul e professora de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Mutirão de Bento Gonçalves.

Língua estrangeira, o que eu tenho a ver com isso?

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Por Roberta Albuquerque

A pergunta acima, facilmente pode ser ouvida quando se fala na aprendizagem de uma língua estrangeira; alguns alunos, quando iniciam os estudos, costumam indagar: “professora, eu não sei nem o português, quanto mais outro idioma”. De fato, o português não é uma das línguas mais fáceis, porém outras línguas não são, necessariamente, mais difíceis. No entanto, que diferença poderá fazer na vida das pessoas, o domínio de um segundo idioma? Já é possível afirmar: muita! Porém, vejamos a seguir alguns pontos possíveis para esclarecimentos.

A cidade de Caxias do Sul é a segunda maior, em número de habitantes, do estado do Rio Grande do Sul (479.236 habitantes, conforme dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2016), partindo dessa informação, pode-se fazer um questionamento: o que contribui para o desenvolvimento da cidade e consequentemente, aumento da população, se há outras cidades da serra, com o mesmo perfil geográfico? A resposta é fácil: a indústria. O município conta com muitas empresas (25.929 empresas atuantes, conforme dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2016), atraindo migrantes de outras localidades. Mais uma pergunta: o que levou essas empresas a se tornarem grandes? Certamente, o trabalho focado, contendo estratégias relevantes para o seu desenvolvimento; porém ainda há algo mais….

Muitas dessas empresas, ou melhor, as maiores, não se detém ao mercado nacional (compra e venda de produtos de empresas resididas no país), elas comercializam os seus produtos com outros países, pois quanto maior o leque de clientes, maior a possibilidade de venda e faturamento, a chamada exportação; a qual tem uma grande representatividade nos resultados financeiros.

A exportação se dá, através de algo muito simples, mas para muitos, não tão óbvia: a comunicação, a qual é realizada entre o contato de vendedores e compradores. Para que se possa efetuar a venda, o funcionário precisa saber se comunicar em outra língua, até porque o português não é um dos idiomas mais falados no mundo. O inglês é considerado o idioma de negócios, tendo em vista a relevância do mercado financeiro Americano (Estados Unidos); porém no Brasil, o espanhol também possui grande notoriedade, principalmente devido ao Mercosul (Mercado Comum do Sul – organização intergovernamental, entre os países: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

Se para a venda de produtos, a comunicação precisa existir, as pessoas precisam estar habilitadas a praticá-la. Para que isso ocorra, é necessário muito estudo, partindo do ensino regular e prosseguindo em cursos especializados. É possível notar o crescimento de escolas de idiomas nos últimos anos, demonstrando muita competitividade no mercado, com propostas diversificadas, focadas na escrita e conversação. Há também ferramentas disponíveis na internet e televisão a cabo. Desse modo, pode-se afirmar que é viável aprender outras línguas.

Hoje, a língua estrangeira ainda pode ser vista por muitos, como apenas opcional, porém não é; pois se os funcionários de uma grande empresa, não a soubesse, talvez essa empresa não fosse titulada como “grande”. Voltando ao nosso cenário, Caxias do Sul; se as empresas não tivessem um faturamento relevante, empregariam menos pessoas, pagariam menos impostos para o município, estado e governo federal, e consequentemente, a qualidade de vida que se tem, seria inferior. Melhor seria, se todos os impostos tivessem a sua destinação adequada, pois o resultado melhor refletiria; mas retomando a pergunta inicial, o que eu tenho a ver com isso? Tudo, pois se ninguém souber outra língua, o crescimento e desenvolvimento financeiro deixará de acontecer, pois o Brasil, infelizmente, não é autossuficiente.

Profª Roberta Albuquerque – Licenciada em Letras com habilitação em Língua Espanhola pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA e MBA em Gestão Financeira  pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha – FSG. Docente no Colégio Mutirão Máster. Ministra as disciplinas de Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhol.

Referências

http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?codmun=430510 07/05/2017 17:51

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado_Comum_do_Sul 07/05/2017 17:53

 

O uso da linguagem para a “geração net”

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*Por¹ Alessandra Pozzer

² Daiane Bandeira de Assunção Marin

A linguagem é a forma que utilizamos para nos comunicarmos uns com os outros em diferentes grupos sociais e ambientes. Possuímos formas diferentes de linguagem: escrita, oral e visual. Para este texto nos delimitaremos com a escrita.

Neste sentido, foi através dela que o ser humano criou uma forma de registrar suas ideias e de se comunicar, e, portanto, é especial porque permite que a vida que levamos hoje seja conhecida historicamente por aqueles que virão depois de nós, pelos nossos descendentes, segundo Godman (1991, p.31): a escrita é o resultado da expansão da cultura para além da tradição oral, para preservar esta cultura e passá-la a gerações futuras.

 Desta forma, é na escola que o aluno se apropria do conhecimento historicamente construído, sendo a escrita um instrumento de registro da memória cultural, política, artística e social de um povo. O ambiente educativo tem como finalidade formar pessoas que escrevam bem. A sociedade atual, exigi esta competência e é neste espaço que envolve conhecer as formas mais adequadas para os propósitos da língua escrita, como as normas próprias, regras de ortografia, pontuação, concordância, regência e acentuação que precisam ser compreendidas e apreendidas pelos educandos.

No cenário contemporâneo, com os avanços tecnológicos em uma velocidade jamais vista nos últimos tempos, há a necessidade de uma escrita que acompanhe este processo, conforme Amaral descreve: “a linguagem adotada no mundo virtual requer habilidades de escrita rápida para esta geração net, o que cria uma solução intermediária de comunicação, provocando muita preocupação aos estudiosos” (AMARAL, 2003, p.31). Mediante essa afirmação, podemos observar que a diferenciação da linguagem formal e informal não está muito clara para essa nova “geração net”.

No mundo virtual, por exemplo, em chats de conversa, redes sociais como WhatsApp, Facebook e Twitter outros recursos além da língua escrita são utilizados. É o caso dos chamados emoticons³, que para Pereira e Moura (2005, p.76):

São utilizados, pelos interlocutores, com o objetivo de representar, durante a dinâmica do diálogo que se trava, as manifestações discursivas que ocorrem normalmente numa situação de conversa oral face a face.

Esses são mecanismos que podem manifestar emoções, pensamentos e sentimentos de alegria, raiva, amor e facilitam a vida dos indivíduos, uma vez que eles não precisam mais recorrer à língua escrita para se expressarem. Por esse motivo, a geração net não se preocupa em diferenciar a linguagem escrita a ser utilizada virtualmente e aquela utilizada em contextos formais. Talvez, por não saberem a diferença entre uma e outra.

A linguagem formal é aquela regida pelas normas gramaticais e que nos é cobrada em diferentes situações, como: vestibulares, concursos, entrevistas de trabalho, trabalhos acadêmicos, etc. Já a linguagem informal não se preocupa com as normas gramaticais, sendo utilizada em conversas entre amigos e demais situações que não exigem a norma padrão da língua.

É responsabilidade da escola motivar e incentivar os estudantes a conhecer a linguagem escrita formal, e isso não é apenas uma incumbência dos professores de Língua Portuguesa, e sim uma prática interdisciplinar, como já descreve o significado dessa palavra no dicionário Aurélio: “que implica relações entre várias disciplinas e áreas de conhecimento; que é comum a várias disciplinas. ”

Sendo assim, é de suma importância saber a diferença entre as linguagens e saber em quais contextos devemos utilizar cada uma delas. Certamente, em algum momento, seja profissional, seja na vida social, a formalidade da escrita será exigida. É essencial orientar a nova geração net sobre o uso do “internetês”4 que pode causar limitações no vocabulário, dificuldade de articulação das frases, dificuldade de raciocínio e que pode atrapalhar a interpretação e a capacidade de leitura.

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³ Os emoticons são ícones formados por parênteses, pontos, vírgulas e outros símbolos do teclado. Eles representam carinhas desenhadas na horizontal, e denotam emoções.

4 Internetês é um neologismo (de: Internet + sufixo ês) que designa a linguagem utilizada no meio virtual, em que “as palavras foram abreviadas até o ponto de se transformarem em uma única expressão, duas ou no máximo cinco letras”, onde há “um desmoronamento da pontuação e da acentuação”

¹ Professora  Alessandra Pozzer – Licenciada em Letras pela UCS (Caxias do Sul – RS); Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira pela Uninter. Professora da área das Linguagens do Colégio Mutirão Farroupilha.

² Professora Daiane Bandeira de Assunção Marin – Licenciada em Letras pela UCS (Caxias do Sul – RS). Professora da área das Linguagens do Colégio Mutirão Farroupilha e Tutora da Educação de Jovens e Adultos na mesma unidade de ensino.

Referências

 AMARAL, Sérgio Ferreira. Internet: novos valores, novos comportamentos. São Paulo: Cortez, 2003.

Interdisciplinar. Dicionário Aurélio. Disponível em: https://dicionariodoaurelio.com/interdisciplinar, acesso: 25/10/2016

GOODMAN, Kenneth. Unidade na leitura: um modelo psicolinguístico transacional. Letras de Hoje, Porto Alegre: Edipucrs, 1991.

PEREIRA, A.P.M.S.; MOURA, M. Z. da S. A produção discursiva nas salas de bate-papo: formas e características processuais. Belo   Horizonte: Autentica, 2005.

 

O Professor frente às Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação

anablog

*  Por Ana Cristina Pütten

 Indiscutivelmente a tecnologia já faz parte do nosso quotidiano. Isto significa que precisamos observar, rever e analisar os atuais ambientes educacionais e inseri-la neste espaço explorando as possibilidades que nos oferece. Não podemos aceitar em pleno século XXI uma escola com características do século passado, precisamos inová-la e trilhar para as constantes mudanças. Moran (2013, p. 27) alerta: “As mudanças que estão acontecendo na sociedade, mediadas pelas tecnologias, são de tal magnitude que implicam em reinventar a Educação como um todo, em todos os níveis e de todas as formas”.

No entanto, sabemos que as Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC´s são ferramentas preciosas e influenciam a vida das pessoas em diversas esferas, sejam elas no profissional, social e familiar. A questão é a seguinte: Por que seria diferente com a Educação? É evidente que precisamos reinventá-la, pois se continuarmos com status quo estaremos caminhando a passos largos para a manutenção do insucesso escolar.

A maioria das escolas em nosso país mantém o ensino tradicional. A intensa utilização de recursos como: textos, folhas de exercícios, a utilização de quadros negros e giz, livros, aulas expositivas, “decoreba” de conteúdos, temas e provas faz com que diariamente este processo se repita na maioria dos espaços educativos. Afinal, como pode uma escola que carrega consigo os nativos digitais¹ se manter atrativa, desafiadora se as velhas práticas e metodologias antiquadas já não são suficientes para atender a realidade dos nossos educandos?

Para responder este questionamento, inicialmente podemos analisar o papel do professor e avaliação permanente de sua prática pedagógica. Existe naturalmente uma resistência velada por parte de alguns docentes, principalmente para os imigrantes digitais². Moran (2013, p.89) em seus estudos com as TIC´s na Educação, observa a cultura escolar tradicional com dificuldades de aceitar este novo contexto de inovações tecnológicas, enfrentando com lentidão este processo e principalmente com os receios, limitações e objeções por parte de alguns docentes. Segundo ele:

Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora.

 

Desta forma, o educador não pode ser aquele que apenas desvenda causas de problemas no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Tão pouco ser aquele que cria práticas e métodos para a solução de tais problemas, mas sim, aquele que sugere formas de minimizar as dificuldades surgidas a cada dia, buscando novas práticas de ensino, e aqui, é essencial agregar o uso das novas tecnologias.

Existe um forte debate e “murmurinhos” por aí que os computadores e internet substituirão o professor. Calma pessoal! Isto nunca irá acontecer, pois ensinar é um ato de subjetividade, de orientação, de despertar potencialidades, de amor. O Educador é aquele profissional insubstituível, responsável pela formação social, intelectual e cultural de cada um de nós, características estas, inexistentes em máquinas, softwares, hardwares e aplicativos!

Assim, não precisamos, por exemplo, supervalorizar as tecnologias, ou na contramão, subestimá-las. Precisamos sim, integra-las e equilibrar o seu uso em nossa prática pedagógica, caso contrário, em ambas as situações serão imprecisas.

Na realidade o professor precisa permanentemente colocar-se no papel de aprendiz. Pois é neste contexto de renovar, reavaliar, (re)encantar a sua prática pedagógica que se torna um grande mestre. Segundo Demo (2004, p.54) em relação ao professor do século XXI:

Os novos tempos acarretam novos reptos, entre eles saber desconstruir-se de maneira permanente, para ressuscitar todos os dias. Professor acabado é algo fútil. Manter-se aprendendo sempre é sua glória, mais que sua sina. Tem o compromisso de trazer para o aluno o que há de melhor no mundo do conhecimento e da tecnologia, para poder aprimorar sempre as oportunidades de aprender.

Desta forma, precisamos continuar sendo pesquisadores, permanecer estudando, se especializando, nada é mais significativo e brilhante que o jardim do conhecimento. Somente assim, iremos motivar e inspirar nossos alunos. Para Rubem Alves (1999, p.24):

O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujos sonhos estão cheios de jardins. O que faz um jardim são os sonhos do jardineiro.

Para finalizar, sejamos professores jardineiros, cujos pensamentos estejam cheios de jardins. Vamos florir a vida dos nossos alunos, eis o nosso grande compromisso e missão!

¹ O conceito de nativos digitais foi cunhado pelo educador e pesquisador Marc Prensky (2001) para descrever a geração de jovens nascidos a partir da disponibilidade de informações rápidas e acessíveis na grande rede de computadores – a Web.

²Imigrante Digital: conceito utilizado pelo educador e pesquisador Marc Prensky (2001) para as pessoas que não nasceram no mundo digital e que estão se adaptando e/ou agregando em suas vidas os aspectos das novas tecnologias.

 

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Coordenadora Pedagógica do Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar.  

Referências

ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência: o dilema da Educação. Loyola. SP, 1999.

DEMO, Pedro. Revista Brasileira de Docência, Ensino e Pesquisa em Educação Física – ISSN 2175-8093 – Vol. 1, n. 1, p.53-75, Agosto/2009. Disponível: http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/artigos/tics/80-388-1-PB.pdf. Acesso: 13/10/2016.

MORAN, José. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 21ª ed, Papirus, São Paulo: 2013

___________. A Educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 5ª Ed. Campinas: Papirus, 2013