O conhecimento combate a pobreza

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*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

Os benefícios dos produtos orgânicos para a saúde humana e meio ambiente

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* Por Fabiane Menegotto

Os produtos orgânicos são cultivados sem a utilização de agrotóxicos, adubos químicos ou outras substâncias tóxicas, evitando assim a contaminação do meio ambiente e principalmente dos alimentos produzidos. Desta forma, a agricultura orgânica busca preservar a biodiversidade, garantir os ciclos e as atividades biológicas do solo, preservar os lençóis freáticos e tratar os ecossistemas com mais equilíbrio.

O Ministério da agricultura (2017) informa em seu site que o objetivo principal da produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida com proteção ao meio ambiente.  “O uso indiscriminado de agrotóxicos pode comprometer a qualidade da água para abastecimento, o solo, os alimentos e a manutenção da vida aquática selvagem. Isso ocorre porque eles alcançam os recursos hídricos ao serem aplicados sobre superfícies inclinadas, pois, quando chove, as águas arrastam as partículas dos compostos dos agrotóxicos contidos nos solos tratados, poluindo rios, lagos e mares.” (Fogaça, 2016).

Um produto só pode ser considerado orgânico se for cultivado respeitando às leis e passando pelos processos de certificação. Além destas normas de produção, o comércio de produtos orgânicos também é regulamentado pelo governo federal, e esse controle depende da relação de confiança entre produtores e consumidores e dos sistemas de controle de qualidade. A ANVISA (2001), Agência Nacional de Vigilância Sanitária, iniciou um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que são consumidos pela população.

As pessoas cada vez mais se tornam cientes dos malefícios que os agrotóxicos nos alimentos oferecem para sua saúde, e gradativamente começam a buscar alternativas para uma alimentação mais saudável. E é neste contexto que os alimentos orgânicos, com seu apelo ambiental e sendo saudáveis, vem sendo uma opção de mudança de hábito de vida.

Uma vez que a produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida, há também uma preocupação com a proteção do meio ambiente. Sua principal característica é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou qualquer tipo de substância sintética que agridam o ecossistema. Um alimento orgânico contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

Um estudo da ABRASCO (2015), Associação Brasileira de Saúde Coletiva, informa que o brasileiro consome em média 12 litros de agrotóxicos por ano e afirma que houve um crescimento de 288% no uso de agrotóxicos no Brasil entre os anos de 2000 a 2012. Este estudo revelou ainda, que esses alimentos estão contaminados por substâncias não permitidas para o cultivo ou ultrapassaram o limite máximo aceitável de pesticidas. O que prejudica a saúde humana e degrada o ambiente alterando a composição da flora e fauna.

“O trabalho agrícola é uma das ocupações mais perigosas da atualidade. Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agrotóxicos, que estão relacionados a intoxicações agudas, doenças crônicas, problemas reprodutivos e danos ambientais.” (Abrasco, 2015)

Os problemas causados por intoxicação de agrotóxicos vão desde tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, irritações no nariz, garganta e olhos. Até problemas mais graves, como tumores, convulsões e paralisias, podendo levando à morte.

A mudança de implantação da alimentação orgânica, no dia a dia de cada um, beneficiaria não só a saúde das pessoas, bem como a manutenção dos recursos naturais. Reduzir os danos causados ao meio ambiente com atitudes simples é uma forma de preservar o meio ambiente.  Consumir alimentos produzidos sem agrotóxicos e de forma sustentável promovendo a qualidade de vida é uma forma de amenizar os danos causados ao ecossistema. Afinal, preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele.

Fabiane Menegotto é  licenciada em Ciências Biológicas – Habilitação em Química, Física e Matemática pela Universidade de Caxias do Sul – UCS/RS e atua como professora do Mutirão Farroupilha.

Referências

ABRASCO. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

Disponível em: http://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wp-content/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf. Acessado em: 19/07/2017

ANVISA. Agrotóxico. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/agrotoxicos . Acesso em 19/07/2017

FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Poluição das águas por rejeitos da agricultura; Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/quimica/poluicao-das-aguas-por-rejeitos-agricultura.htm. Acesso em 21/07/2017

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Produtos orgânicos. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/o-que-sao-organicos  Acesso em 19/07/2017

 

Se nada der certo…

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*Por Ana Cristina Pütten (abraçada na nossa querida Tia Inês)

Este ano é muito especial para a história cristã. Em 31 de outubro, comemoram-se os 500 anos da Reforma Luterana ou Reforma Protestante. Na Alemanha de 1517, Martin Lutero causou uma revolução social e política que se disseminou em vários países pelo mundo. Ao se deparar com a venda das indulgências, começou a contestar a igreja Católica, afirmando seu distanciamento e hipocrisia em relação aos ensinamentos de Cristo. A história é responsável pelo respeito que dedico a essa instituição protestante e sou simpatizante da mesma, apesar de não ser batizada em sua doutrina. Assim, conhecendo um pouco dessa religião, garanto a vocês que Lutero deve estar se remexendo no caixão depois do recreio temático da escola Instituto Evangélico de Novo Hamburgo (IENH): “Se nada der certo”!

Confesso que estou incomodada, desconfortável com o evento, porque ética é a garantia de credibilidade nos valores de uma escola. Para uma instituição de ensino ser decente, exige-se convivência social, empenho pedagógico, amorosidade, empatia, companheirismo e, acima de tudo, o valor do respeito. Respeito é uma palavra com origem no latim: respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. Veja que linda é essa ideia de algo que merece um segundo olhar e, consequentemente, uma ação de consideração e reverência. Mas o que ocorreu no dia 17 de maio foi justamente o contrário. O elitismo, a cultura dos privilegiados sobre as profissões dignas, mas que não carregam diplomas, demonstra preconceito, deboche e, acima de tudo, a inferiorização de algumas categorias de trabalhadores, tais como faxineiras, domésticas, garis, atendentes do Mc Donalds, entre outros.

No Mutirão, temos uma profissional de sucesso que é referência para a maioria dos colegas que integram o Instituto Cultural e Desportivo Mutirão Ltda. A colaboradora Agnes Legramanti, apesar de possuir um nome bonito de descendência francesa, fala e escreve muito bem o italiano. Possui 82 anos, sendo que 45 deles estão sendo dedicados à nossa escola. Suas habilidades e competências na função para a qual é contratada são de causar inveja. Ela possui a excelência que toda empresa deseja. Ela é comprometida, responsável e, além de tudo isso, conta com uma pontualidade inglesa, sendo uma funcionária impecável. Ela é conhecida carinhosamente como Tia Inês. Seu cargo? Auxiliar de Higienização.

Tia Inês é uma pessoa incrível. Apesar de pequena em tamanho (1 metro e meio, não tenho certeza), ela é gigante em comprometimento e eficiência. Por causa dela, semanalmente, temos dois dias sagrados na minha opinião. A quinta-feira é santa: ela faz um lanchinho especial para a nossa equipe. Pão novinho e fresco, com chimia de uva que ela mesma cozinha e mel. Também temos a sexta-feira santa: as bomboniéres de cada setor ficam cheias de balinhas e guloseimas para adoçar os nossos dias. Se alguém está doente, lá vem ela, com chazinhos e xaropes milagrosos. Dificuldades na vida privada? Basta deixar o nome completo em um pedacinho de papel. Ela levará para as “Carmelitas” rezarem por você. E quando ela aparece na minha sala de aula com chimarrão? Meus alunos deliram de felicidade, principalmente nestes últimos dias frios e úmidos. A Tia Inês nos aquece com sua amorosidade. Ela nos alimenta. Não enche apenas o nosso estômago, mas nossa alma com vida. Ela cuida, protege, tem uma empatia enorme pelos seus semelhantes, é solidária e fraterna. Ela é uma das profissionais mais dignas, honestas e éticas que conheço. O meu dia sempre fica melhor com seu abraço diário. Esqueci de comentar: aos 82 anos, ela ainda é educadora. Sim, é professora de catequese!

Resumidamente contei um pouquinho do “case de sucesso” da Senhora Legramanti. Sabe por quê? Não importa a sua profissão, desde que você possa desempenhá-la com dignidade, prazer e honradez. Conheço professores diplomados como mestres e doutores, mas que não possuem a capacidade afetiva, didática e corajosa com seus alunos. Médicos que possuem aversão de seus pacientes e que reclamam de cumprir a carga horária de trabalho contratual. Basta olhar os grevistas em Caxias do Sul e o abandono das UBS de nossa cidade. Engenheiros que não conseguem ir além do seu mundo de esquadros e cálculos. Enfim, os profissionais existem não para servir a si mesmos, mas para servir ao coletivo, à sociedade. E se você não tem esse entendimento, porque acha que sua classe social é mais importante do que as outras, ou que o vestibular é a porta de entrada para o seu sucesso, meu amigo, cuidado! Certamente você já está fadado ao fracasso.

Reflito e analiso muito a postura do IENH. Em nota, a escola pediu desculpas pelo “mal-entendido”. Como assim? Já dizia nosso querido Paulo Freire: “todo projeto pedagógico é um ato político”. Não existe a possibilidade de uma neutralidade neste caso. Está muito clara a intenção dessa atividade. Finalizo com o pensamento de Leandro Karnal em suas redes sociais: “Queria tranquilizar a tanta gente que se preocupa se os professores de humanas transformaram os alunos em militantes de esquerda. Observem as fotos na internet e durmam tranquilos. Nenhuma mudança social deriva de um projeto escolar que, depois de doze anos de ensino médio e fundamental, consegue ter essa ideia ruim. E se tudo der errado no Brasil? Teremos o Brasil como ele é…”

Se nada der certo?

Bem… por aqui continuarei a inspirar-me na Tia Inês. Ela sabe como deixar a vida melhor para aqueles que a cercam!

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar