Mutiaulão? O que é isso?

Por Mª Ariane Pegoraro Nuncio

Os Multiaulões têm sido um dos diferenciais do Colégio Mutirão Objetivo de Bento Gonçalves. Desde o mês de junho de 2017, estamos desenvolvendo aulas interdisciplinares em que os educadores do Colégio, em parceria com outras instituições, têm trabalhado os mais diversos temas e assuntos presentes nos vestibulares e no ENEM. Esse mesmo projeto está sendo oferecido, também, para as três séries do Ensino Médio.

A interdisciplinaridade não é um tema novo, estando no Brasil desde a Lei nº 5.692/71, mais fortemente com a Lei de Diretrizes e Bases para a educação, a Lei nº 9.394/96. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já apresentam essa estratégia como algo possível de ser trabalhado nas escolas; mas, infelizmente, no ensino da maioria das escolas, o conhecimento ainda é “individualizado e compartimentalizado como se fossem gavetas”.

Fazenda (1993) aponta que “os currículos disciplinares levam o aluno ao acúmulo de informações. Sua superação exige uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento”.

Para esse mesmo autor “o pensar interdisciplinar tenta, através do diálogo com outras formas de conhecimento, interpenetrar pelos diversos campos do saber”.

Diante dessa realidade, o nosso Colégio vem rompendo com o método tradicional, que pouco contribui para a aprendizagem dos educandos. Ao todo, foram cinco “Mutiaulões”, onde as diferentes disciplinas trabalharam em torno de um mesmo tema.

No 1º Mutiaulão, houve o encontro das disciplinas de Sociologia, Geografia, Literatura, História e Física, e os professores promoveram uma viagem ao longo do tempo, na qual os alunos puderam vivenciar os diferentes tipos de governos autocratas por meio da dramatização e da música.

O 2º Mutiaulão desvendou o pH sob a orientação do cientista maluco Deniz Básico e das assistentes Azul de Metileno e Clorofila. Dessa vez, o encontro ficou sob a responsabilidade dos professores de Química, Matemática e Biologia do Colégio. Além de encantar a galera, os docentes desvendaram o pH no aspecto físico, químico, biológico e matemático. O tema, sempre presente no ENEM e nos vestibulares, mas principalmente no nosso dia a dia, foi tratado de forma lúdica e acessível ao cotidiano de nossos alunos.

O 3º Mutiaulão ficou sob a responsabilidade dos professores de Língua Portuguesa e Biologia, e o tema da vez foi “Espiritualidade como base para o desenvolvimento sustentável”. Na oportunidade, os estudantes do ensino médio puderam fazer uma reflexão sobre a existência dos seres humanos, nossa responsabilidade com a natureza e com as futuras gerações.

O 4º encontro foi em parceria com um pré-vestibular de nossa cidade, e o assunto abordado foi “Atualidades”.

O último encontro, que encerrará esse projeto, envolverá as disciplinas de Língua Portuguesa, Geografia, Sociologia e História. Serão apresentados temas diversos que estarão presentes nas avaliações que os nossos jovens em breve enfrentarão.

Por meio dessa atividade, podemos vivenciar, na prática, a importância de trabalhar de forma diferenciada com os nossos jovens.

A seguir, fotos e relatos que mostram a alegria dos educandos e dos educadores em fazer parte desse Colégio, que vem buscando o rompimento com a forma tradicional de educar.

 

Depoimentos de alunos:

Aluna A.J. F (2º ano)

“O Mutiaulão nos proporciona vários conhecimentos de forma divertida e engraçada. Com ele, aprendemos muitas coisas que jamais pensei que existissem! Eu me divirto muito com as aulas!”

Aluno C. E. C. (1º ano)

“Os Mutiaulões são dez!”

 

Referências:

FAZENDA. Ivani.Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1993.

Mª Ariane Pegoraro Nuncio, autora deste texto, é Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Bento. Ela é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS); Especialista em Educação Inclusiva pelo Centro Universitário Metodista (IPA-RS); Especialista em Supervisão Escolar pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA) e Mestre em Educação-Ciências e Matemática, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

 

 

O que é esse tal de “Efeito Estufa”?

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*Por Janaína Benetti

Por vezes, nas aulas de Física, faço uma pergunta simples aos alunos: “O Efeito Estufa é considerado bom ou ruim? ” Quase que por unanimidade, depois de alguns segundos pensando, respondem: “É ruim”. A partir daí, passo a questioná-los sobre qual ou quais fontes os levaram a pensar assim e, na maioria das vezes, obtenho como resposta que foram os noticiários.

Sabe-se que hoje em dia a mídia é formadora de muitos pré-conceitos e, por esse motivo, precisamos ficar atentos às informações que nos são passadas por ela. Tendo isso em vista, sempre sugiro que os alunos pesquisem um pouquinho mais e, como não poderia faltar, surge a pergunta: “O que é o Efeito Estufa? ”

Geralmente, essa pergunta causa um certo silêncio na aula e sei que, nesse momento, muitos, de fato, não sabem do que se trata o tal “Efeito Estufa”. Foi por esse motivo que escolhi falar sobre isso.

Pois bem: o “Efeito Estufa” é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, sendo essencial para manter a temperatura do planeta em condições ideais para a sobrevivência dos seres vivos. Se não existisse esse fenômeno, a Terra seria muito fria, o que dificultaria o desenvolvimento e a sobrevivência dos seres vivos.

Os raios solares, ao serem emitidos sobre a Terra, têm dois destinos: parte deles é absorvido pelo planeta e transformado em calor, para manter a atmosfera quente; enquanto que a outra parte é refletida e direcionada ao espaço, na forma de radiação ultravioleta.

O Efeito Estufa se dá pelo excesso de CO2 (gás carbônico) e outros gases, como o metano, na atmosfera terrestre. Eles impedem que parte desses raios voltem para o espaço, provocando, assim, uma elevação na temperatura de todo o planeta.

As altas temperaturas provocadas pelos gases do Efeito Estufa desequilibram o sistema climático da Terra e provocam a elevação do nível médio dos oceanos, o aumento da frequência das tempestades, as ondas de calor, a alteração do sistema de chuvas, entre outros problemas.

Depois de esclarecer o que é o Efeito Estufa, gosto de salientar que ele não é maléfico e que, sem ele, provavelmente não haveria vida aqui na Terra. Apesar disso, temos que ter alguns cuidados para evitarmos o excesso de gases que provocam o aquecimento global.

Para concluir o assunto, gostaria de citar um pequeno trecho do livro “Educação, convivência e ética”, de Mário Sérgio Cortella:

“Eu não moro na Amazônia, e daí que a árvore é derrubada? ” Isso diz respeito ao futuro. “No futuro, eu não vou estar, então não é problema meu. ” Eticamente é um problema meu, porque afeta outro humano.

A frase “você não vai mudar o mundo” é profundamente acomodante, porque você não vai mudar o mundo se continuar achando que ele não pode ser mudado. Mas, quando você se junta com outros que acham que dá para mudar, dá-se um passo adiante no intento de mudá-lo.

Pensando na possibilidade de mudar o mundo e, além disso, acreditando nesse ser que denominamos “Humano”, vale a pena ressaltar alguns dos cuidados que podemos ter quanto à redução do Efeito Estufa:

  • Economizar energia elétrica: não deixe luzes acesas sem necessidade; troque as lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas fluorescentes que poupam 68 Kg de CO2 por ano.
  • Evite utilizar carros como meios de transporte, dando preferência ao transporte coletivo e às bicicletas, pois um dos principais agentes poluidores da atmosfera é o automóvel.
  • Dê preferência a carros a álcool: um litro de gasolina lança 2,74 kg de CO2 na atmosfera. Agora faça os cálculos: se alguém que dirige 20 mil quilômetros em um ano, reduzir 10% desse valor, seja utilizando transporte coletivo, bicicleta ou fazendo pequenos trajetos a pé, contribuirá com a redução de pelo menos 500 kg de CO2 por ano.
  • Coma menos carne suína e bovina, pois esses animais emitem grande quantidade de metano em seus dejetos e ruminação.
  • Recicle o lixo e tenha mais cuidado ao consumir embalagens: reutilizando ou reciclando o lixo, evita-se a utilização de novos recursos naturais não-renováveis. Isso também diminui a quantidade de lixo jogado nos aterros sanitários e reduz a quantidade de metano.
  • Se você tiver um quintal em sua casa, plante árvores, de preferência nativas de sua região, pois, dessa forma, você estará contribuindo para a manutenção da fauna e, também, para a redução do aquecimento global.

*Professora Janaina Benetti – Licenciada em Matemática na Universidade de Caxias do Sul – UCS. Docente da Educação de Jovens e Adultos no Colégio Mutirão Máster nas disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

Canal do educador, Efeito Estufa. Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/efeito-estufa.htm. Acesso em: 08/10/2017.

TodaMatéria, Efeito Estufa. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/efeito-estufa/. Acesso em 07/10/2017.

MENOS É MAIS!

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*Por Fábio de Oliveira Brondani

Seguidamente, nas aulas de Matemática, nota-se certa inquietação, por parte dos alunos, no que se refere à regra de sinais, especialmente quando se fala na regra da multiplicação e da divisão. Percebe-se que, por mais que se tente justificar o fato através de exemplos e de macetes há, ainda, certa resistência na assimilação. Diante desse fato, o objetivo deste artigo é justificar de um modo mais formal esta regra. Entretanto, antes desta “prova”, será apresentado, de maneira resumida, o contexto histórico do surgimento dos números. Por fim, serão apresentadas algumas situações onde pode-se perceber que, de fato, menos é mais.

Antes de falar nos sinais dos números, é preciso falar do surgimento deles. Basicamente, no início da história humana, esses surgiram com um único propósito: a necessidade de contar, ou seja, de atribuir valores e quantidades. Estima-se que o homem, há 500.000 anos atrás, já tinha a capacidade de contar. É claro que a representação desse processo não se dava através dos símbolos que hoje se utiliza (1, 2, 3, …). Cada povo desenvolvia o seu “sistema numérico”, que, muitas vezes, eram representações que continham desenhos, como é o caso do sistema de numeração utilizado pelo povo egípcio por volta de 3.300 a.C.. Um outro modo de contar, naquela época, era utilizando-se pedras ou sementes de milho, por exemplo. Essa técnica era muito utilizada por pastores para contar seu rebanho de animais. Tal técnica pode ser utilizada hoje para introduzir o conceito de números (quantidades) para as crianças no início do Ensino Fundamental. Os números que expressam quantidades, os quais são identificados hoje como 1, 2, 3, …, fazem parte do Conjunto dos Números Naturais.

Seguindo um pouco mais no tempo, no início do Renascimento, a expansão comercial começou a crescer de forma considerável. Sempre quando se fala em comércio, logo se pensa em lucros e prejuízos. Foi aí que surgiu a seguinte questão: “como pode-se representar numericamente lucros e prejuízos? ”. Diante desse problema, houve, então, a necessidade de encontrar uma resposta a essa pergunta, surgindo, assim, o conceito de número negativo. Esse conceito foi um grande problema para os matemáticos em geral. Gauss e o matemático francês Lazare Carnot escreveram artigos procurando entender esse conceito. Entretanto, foi somente no Século XIX que houve um melhor entendimento sobre esses números. Foi quando deixaram de pensar que os conceitos matemáticos não representavam coisas, mas, sim, relações entre as coisas. Com essa mudança de pensamento, pôde-se avançar nessa área.

A partir desse entendimento, foi possível, então, pensar em uma regra que estabelecesse os sinais dos números, conforme fosse o problema aplicado. Cabe ressaltar que, até chegarem a essa regra, muitos matemáticos perderam várias noites de sono. Estima-se que eles somente entraram em acordo e aceitaram a regra atual depois de cerca de 1.500 anos de muitos debates e estudos.

Como já foi dito aqui, das quatro regras existentes, três delas podem ser entendidas por intermédio de exemplos muito práticos. São as regras: adição/subtração de sinais iguais; adição/subtração de sinais diferentes e multiplicação/divisão de sinais diferentes. Para entendê-las, basta utilizar problemas que envolvam matemática financeira. Nesse caso, deve-se levar em conta que os valores positivos representam valores que cada um dispõe, enquanto que os valores negativos representam valores que cada pessoa deve. Utilizando esse raciocínio, que é bastante lúdico, é possível entender perfeitamente as regras citadas anteriormente. Diante disso, aqui será omitido a prova formal de tais regras.

Entretanto, a utilização de problemas financeiros para a interpretação das regras de sinais não se aplica na multiplicação/divisão de sinais iguais. Por exemplo, sabe-se que (-2) x (-3) = + 6. Se fosse possível a utilização desses problemas para resolver o sinal desta operação, haveria a seguinte situação: “uma dívida de 2, multiplicada por outra dívida de 3, dá um lucro de 6”. Impossível! Diante disso, segue a prova matemática (formal) de que menos com menos é mais.

 

Considere dois números reais A e B. Então é possível afirmar que (-A).(-B)= A.B. De fato:

(-A).(-B)=-[A.(-B)]=-[-A.B]=A.B

 

Com certeza, para quem é leigo no assunto, isso não quer dizer muita coisa. Apesar disso, as operações que foram utilizadas na demonstração do problema são conhecidas de todos. Em outras palavras, para mostrar que multiplicação/divisão de sinais iguais é um valor positivo, basta levar em conta as propriedades dos números que começaram a ser estudadas no 6º ano do Ensino Fundamental. Dentre elas: existência de elemento neutro, associatividade, distributividade, comutatividade e elemento simétrico. Essa é a forma matemática de se mostrar tal regra e que deixa tantas pessoas inquietas quando a observam.

     Dessa forma, o intuito deste artigo, além de mostrar que de fato “menos com menos dá mais”, é mostrar algo ainda maior, isto é, MENOS SEMPRE É MAIS!

Veja algumas situações em que isso ocorre:

1º) MENOS ódio MAIS amor;

2º) MENOS egoísmo MAIS caridade;

3º) MENOS desperdício MAIS recursos disponíveis;

4º) MENOS violência MAIS paz;

5º) MENOS preconceito MAIS liberdade de expressão.

Enfim, são tantos os exemplos em que se pode aplicar essa regra que se torna impossível elencar todos eles. Portanto, que essa regra, que gera muita dúvida e inquietação, possa levá-los a refletir sobre as diversas situações em que o mundo de hoje se encontra. Que cada um consiga aplicá-la no seu dia a dia, não apenas corretamente na Matemática, mas também enquanto pessoas de bem. Quando todos colocarem em prática o que essa regra diz, o mundo se tornará como a ciência Matemática é, ou seja, o mundo tornar-se-á perfeito. Dessa forma, as pessoas perceberão e entenderão, através da prática, que menos é mais!

Profº Fábio de Oliveira Brondani – Licenciado em Matemática pela Universidade Federal de Santa Maria UFSM, Especialista em Matemática Aplicada e Computacional pela UCS e Mestre em Matemática pela Universidade Federal de Itajubá – Área de Concentração: Equações Diferenciais Ordinárias. Docente no Colégio Mutirão Máster onde ministra as disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia_numeros.pdf

http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia%20raul%20neto.pdf

O conhecimento combate a pobreza

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*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

“Conhece-te a ti mesmo! ” já dizia Sócrates na Caixa de Presente

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* Por Ana Cristina Pütten

Gosto muito de Filosofia. Ao ministrar alguns de seus conteúdos, faz-se necessário recorrer ao método expositivo, ao menos para direcionar os educandos a uma primeira aproximação com o tema. No entanto, aprecio enriquecer minhas aulas com os espaços da cidade onde moramos, que obviamente estão em contraste com a sala de aula.

Assim como Aristóteles, gosto do ar livre com meus alunos Peripatéticos¹. Ok, não realizamos passeios nos jardins do Liceu, mas eventualmente nos jardins do Parque dos Macaquinhos, por exemplo. Em meu último encontro com a Turma M194 da Educação de Jovens e Adultos, mais precisamente no dia 06 de setembro, nossa aula não foi na tradicional sala retangular, com suas cadeiras enfileiradas, e muito menos no espaço encantado das árvores, das flores perfumadas, com os vira-latas de gravatas coloridas que acompanham seus humanos diariamente no parque. Nossa aula foi no saguão da escola, com mate, balas e rapaduras para adoçar nossa noite!

Iniciei nosso encontro mostrando uma caixa de presente. Em seguida, contei uma história. O enredo da narração estava voltado a um fato: eu tinha comprado um presente especial para mim. Comecei a provocar a curiosidade da turma. O que será que havia dentro da caixa? O que aquele objeto escondia de tão interessante?

Assim, convidei os 45 alunos, reservadamente, a abrir a caixa, desde que soubessem guardar segredo e não revelar o teor de seu conteúdo para seus colegas. O convite foi aceito; e o combinado, cumprido. Era interessante verificar as expressões de cada um: havia caras de surpresas, olhares longos, risos disfarçados e encabulados e até alguns que mantiveram semblantes severamente sérios.

No final, perguntei aos estudantes se tinham gostado do presente. Vejam algumas respostas:

– “Profª, a senhora tem bom gosto!”

– “Adorei seu presente!”

– “Nossa, muito bonito!”

– “Que presente caro profª”!

– “ Seu presente está precisando de um regime, hein? ”

– “Pois é… profª, esse presente podia ser melhor!”

O que tinha dentro da caixa era apenas um espelho. Olhar-se no espelho talvez seja uma ação costumeira, mas, mesmo assim, dá-nos uma perspectiva importante no que diz respeito à nossa existência individual. Olhar-se no espelho, enfim, é uma atividade de autoconhecimento.

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Pois bem: a Filosofia também é autoconhecimento. Quando o “conhece-te a ti mesmo” surge na História, precisamente com Sócrates, esse ensinamento expressa uma regra que significa o cuidado de si.  Nesse sentido, é preciso “ Conhecer-me a mim mesmo” para saber como modificar minha relação para comigo, para com os outros e para com o mundo. Sócrates aconselhava-nos que deveríamos nos apegar menos com as coisas materiais — como a riqueza — e menos ainda com os sentimentos efêmeros — como o poder e a fama. Ao invés disso, deveríamos “apoderarmo-nos de nós mesmos”. Você já parou para pensar nisto: que objetivo tenho de “ocupar-me comigo mesmo”?

Depois de aberta a caixa e revelado seu conteúdo, provoquei meus alunos com algumas questões existenciais, tais como:

– Quem sou eu?

– De onde vim? Para onde vou? Que importância eu tenho na vida dos que me cercam?

– Quando eu morrer, que falta farei? Qual será a minha herança para os outros?

– Qual o sentido da minha vida?

– Quais são os meus sonhos?

Enfim, a Filosofia se volta para as questões humanas, em seus comportamentos, em suas ações, nas suas ideias, crenças, em suas atitudes políticas, morais e éticas. Dessa forma, a Filosofia propõe investigar a humanidade e sua forma de existir, e, para que isso ocorra, questiona o homem, os seus valores e o mundo que o cerca. Então, a pergunta que se faz essencial: para que serve a Filosofia? Dentre as inúmeras respostas, estimo a da filósofa Marilena Chauí (2001):

“A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, os valores de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes haver investigado. ”

Seu ponto de partida é a capacidade do indivíduo de investigar, de refletir, de avaliar os atos, as posturas e a relação de si mesmo e com os outros. Refletir é, aqui, a atitude primordial, pois é o processo que o pensamento faz de si mesmo. É retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado e, por fim, colocar em questão o que já se conhece. Reflectere² em latim significa “fazer retroceder, voltar atrás”. A reflexão pode ser comparada à imagem refletida no espelho, pois há um “desdobramento” da nossa figura, ou seja, é a ação de “voltar-se para si mesmo”.

A caixa de presente foi uma dinâmica muito simples, mas foi, principalmente, uma ferramenta para provocar e despertar, criando, dessa forma, o despertar filosófico para uma nova visão de si e do mundo. É essencial que nossos alunos possam desenvolver uma consciência crítica, ascendendo à concepção ingênua e alienada sobre os fatos que compõem a realidade social e política em que estamos inseridos.

Na medida em que os estudantes compreendem a realidade que os envolvem através da reflexão, surge a necessidade maior de participação efetiva para modificar e transformar o status quo. Assim pensava Sócrates, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossas relações com os outros e com o mundo.

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¹ – Do Latim PERIPATETICUS: “relativo à filosofia de Aristóteles”, do Grego PERIPATETIKÓS, literalmente “aquele que anda ao redor”, de PERI-, “ao redor”, mais PATEIN, “caminhar, andar”. Isso porque ele tinha o hábito de ensinar enquanto caminhava com seus discípulos pelos espaços do Liceu de Atenas.

² – Fazer retroceder, voltar atrás. Refletir é, então, retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. ARANHA, Maria Lúcia Arruda de. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. p. 106.

Referências

CHAUÍ. Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática: São Paulo, 2001.

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

O QUE A SALA DE AULA REPRESENTA PARA ESTA PROFESSORA?

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* Por Márcia Toigo Angonese

Como docente de Biologia e de Química, eu vivo diariamente em sala de aula e tenho, em minha bagagem, experiências fantásticas de muita partilha de conhecimentos junto aos alunos da EJA Mutirão.

A sala de aula não é só um espaço físico de paredes e de classes, de móveis e de pessoas passivas. Percebo que esse espaço é, na verdade, nobre de oportunidades, de aprendizagens, de conhecimentos, de afetos e de trocas. Nesse lugar especial, os alunos não só aprendem assim como o professor não somente ensina.

A sala de aula é um lugar de experiências humanas, onde cada aluno que ali está tem sempre uma história pra te contar, um fato a relatar, e isso tudo enriquece as aulas de maneira incrível.

Percebo isso com grande ênfase quando trabalho com eles “Os sistemas do corpo humano”. Essa aula me enche de grandeza e de entusiasmo pelo que faço, pois existe um envolvimento grande de todos, que trazem, para o espaço da sala de aula, fatos e histórias de suas vidas.

Um dos temas mais interessante que apresento para as turmas é sobre o cuidado com a nossa saúde, com a nossa alimentação e a prevenção da diabetes. Para que o tema seja interessante para todos, busco sempre abrir um canal de comunicação, onde os alunos possam trazer suas experiências com o intuito de enriquecer o debate.

Compartilho, logo a seguir, alguns relatos dos alunos da turma M176 (EJA/noturno) referentes às aulas de Biologia/corpo humano.

 “Para mim foi muito importante o conhecimento de nosso próprio corpo. Foi bom aprender sobre o que nos deixa doente e o que podemos fazer para prevenir doenças. Essas aulas foram muito boas, pois todos participaram, interagindo em aula. Com isso, todos aprenderam. ”

 “Eu, particularmente, pelo fato de ter atrite; com as aulas, comecei a me preocupar muito mais com a saúde e com o cuidado do meu corpo. Essas aulas prenderam minha atenção. Eu sempre faço perguntas; e a professora sempre me responde. Mesmo depois, em casa, fico sempre lendo sobre a matéria. ”

“Gostei de ter aula de Biologia, porque eu estava com dúvidas sobre fazer ou não um curso de socorrista, pois eu não sabia o que fazer. Para mim foi muito importante essa aula. ”

 “Foi uma aula muito importante, interessante, com muitos debates sobre temas trazidos por nós alunos em sala de aula. Uma observação é o fato de termos pouco tempo de aula para um conteúdo que levamos para a vida inteira. ”

 “Para mim, as aulas foram muito importantes, pois aprendi muito. Eu sempre tive muitas dúvidas e curiosidades sobre o corpo humano…”

O que esse espaço-sala representa é um ambiente onde fomos capazes de ouvirmos e de sermos ouvidos. Nos tempos modernos em que tudo é realizado por máquinas, celulares e computadores em um “mundo virtual”, o momento de trocas numa sala de aula física, real, é algo incrivelmente importante, a fim de mantermos uma relação, ainda que breve, de estar presente naquele momento, o que é uma relação mais humana de partilha. Independentemente dos tipos de personalidades, de idades, de raças, ou seja, seja qual for a sua criação, é favorável que as relações sejam regadas por um solo que acondicione a troca de saberes entre alunos e professor, professor e alunos, alunos e alunos. Considerando-se, nesse sentido, professor e alunos como atores sociais, enfatiza-se a análise das situações em que eles se veem envolvidos no seu cotidiano (Sirota, 1994).

Percebo que esse sentir, nesse ambiente de sala de aula, é regado pela empatia que tenho por todos ali presentes, acolhendo a cada um, aceitando suas diferenças, suas peculiaridades, suas identidades. Isso torna as aulas muito prazerosas para ambos os lados.

A escuta ativa e o incentivo do potencial positivo também são características que marcam muito esse ambiente da sala de aula. E é nele que coloco em prática esse conselho de Cortella: “Elogia em público, corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.” Isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Esse espaço-sala é, sem dúvida, a pura expressão de cada um que ali passa e deixa sua marca (Freire).

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor sério, o professor incompetente, o professor irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, o professor sempre com raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor burocrático, o professor racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p.73).

Cada um presente no espaço-sala deixa um pouco de si e leva outro tanto para si. Todos, enfim, acabam compartilhando e contribuindo para um aprendizado mais próximo das suas realidades.

Referências:

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, (2002), op. cit., p. 73.

RESENDE, Tânia de Freitas. No interior da “caixa preta”: um estudo sociológico das interações em sala de aula. In: GT Sociologia da Educação /n.14, 2004.

SIROTA, Régine. A escola primária no cotidiano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese – Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Máster.    

O ensino de Língua Portuguesa

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*Por Alessandra Pozzer

O ensino de Língua Portuguesa vem sofrendo mudanças há alguns anos. Nessas transições, a gramática normativa foi deixada de lado para abrir espaço para o estudo dos usos da língua a partir do texto. Como bem colocam os Parâmetros Curriculares Nacionais e os Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul, a língua é a representação da cultura e viabiliza a expressividade. É por esse motivo que o Português e a Literatura são trabalhados em uma mesma disciplina no Ensino Fundamental.

Dessa forma, os professores de Língua Portuguesa utilizam o texto para direcionar seu trabalho e, a partir dele, analisar os usos da língua. É por esse motivo que Antunes (2010, p. 45) defende que, na análise de textos, tudo deve estar relacionado ao entendimento global do que é dito. Os estudos sobre os usos da língua devem partir do sentido do texto, por isso devemos nos perguntar: no que os recursos gramaticais e sintáticos contribuem para o sentido do texto?

Antunes (2010, p. 46) ainda coloca que o ensino de Português deve centrar-se na análise de textos e não em frases soltas, nas quais não cabem os princípios de funcionamentos da língua. É preciso levar em consideração o papel que a frase desempenha no texto, no que ela contribui para a compreensão do que está sendo dito, e perceber que ela pertence a um contexto comunicativo, não sendo possível isolá-la para estudo.

Para Antunes (2010, p. 47), quando falamos, ouvimos, lemos ou escrevemos, não produzimos frases soltas. Elas fazem parte de um contexto e, por isso, a análise de frases é descartada pelo ensino de língua, e a importância de se trabalhar com textos cresce cada vez mais. Deste modo, se o aluno trabalhar com frases soltas, ele não desenvolverá sua capacidade de produzir um texto com sentido ou coerência, menos ainda ampliará sua capacidade de entender textos de diferentes gêneros, sejam eles simples ou complexos.

Assim, as aulas de português devem girar em torno da análise de textos, que permitem a construção de modelos que evidenciam como os textos são constituídos e funcionam. Conforme Antunes (2010, p.49), conhecer esses modelos é essencial para a ampliação das competências comunicativas, já que nos comunicamos somente através de textos. As palavras existem em função do sujeito que faz uso delas, que pode produzir ilimitados enunciados. No texto, é isso que deve ser analisado e os alunos são levados a tomar consciência das inúmeras possibilidades que a língua oferece.

Antunes (2010, p. 50-52) aponta as seguintes finalidades para a análise dos textos nas aulas de Língua Portuguesa: promover o desenvolvimento de diferentes competências comunicativas; ampliar as capacidades de compreensão; desenvolver a capacidade de perceber as propriedades, as estratégias, os meios, os recursos, os efeitos, enfim, as regularidades implicadas no funcionamento da língua; desenvolver a capacidade de perceber, de enxergar, de identificar os fenômenos que ocorrem no texto; entender melhor certos aspectos dos processos cognitivos, linguísticos, textuais e pragmáticos envolvidos em nossas interações verbais.

Uma das maneiras de suscitar esses conhecimentos em nossos alunos é através dos questionamentos sobre o texto, nos quais é necessário explorar certos pontos que contribuirão para uma melhor compreensão do que está sendo dito e para que os estudantes percebam as possibilidades da língua.

Ferrarezi (2008, 165-210) aponta vários tópicos que estão presentes nas interações verbais, sejam elas orais ou escritas. Um deles é a polissemia, ou seja, a capacidade de um mesmo sinal gráfico assumir diferentes sentidos, aumentando suas possibilidades de uso. Esse sinal irá variar de acordo com o contexto e o cenário em que são empregados. Há também os sentidos que vão além do que foi abertamente dito, os chamados implícitos. Em uma análise, precisamos perceber os sentidos implícitos, que podem ser simples, dados como insinuações, ou mais complexos, nos quais são necessárias informações do cenário e o nosso conhecimento cultural para interpretá-los de acordo com o objetivo da pessoa que o proferiu.

Outro elemento apontado pelo autor é a ambiguidade, que é a possibilidade de um mesmo falante atribuir mais de um sentido a uma mesma sentença em um mesmo contexto e cenário. A negação é um tópico que vai além dos advérbios de negação. Ela pode ser sutil em um texto, definindo seu sentido. Como exemplo temos pedacinhos de palavras ou palavras inteiras com sentido de negação, certos tipos de afirmação, a ironia, alguns exageros e até o silêncio podem significar a negação de algo.

Ferrarezi afirma que nos clichês consta o registro do desenvolvimento cultural de uma região. É preciso conhecer a cultura onde determinada expressão idiomática ou frase feita é usada para poder utilizá-la com seu real sentido, ou compreendê-la quando aparecer em um texto. Como último tópico apontado pelo autor tem-se a metáfora, isto é, a utilização de uma expressão que apresenta um sentido costumeiro com outro sentido diverso daquele comumente conhecido. Tem como função suprir a necessidade de expressar sentidos para os quais não há expressões específicas na língua.

Para que o aluno perceba todas essas possibilidades da língua e muitas outras, se torna necessário compreender a análise de textos, como esclarece Antunes (2010, p.49):

[…] analisar textos é procurar descobrir, entre outros pontos, seu esquema de composição; sua orientação temática, seu propósito comunicativo; é procurar identificar suas partes constituintes; as funções pretendidas para cada uma delas, as relações que guardam entre si e com elementos da situação, os efeitos de sentido decorrentes de escolhas lexicais e de recursos sintáticos. É procurar descobrir o conjunto de suas regularidades, daquilo que costuma ocorrer na sua produção e circulação, apesar da imensa variedade de gêneros, propósitos, formatos, suportes em que eles podem acontecer.

Antunes (2010, p. 52) afirma que a atualidade exige pessoas capazes de atuar socialmente, com competência para a desenvoltura e que saibam se expressar com clareza e consistência nas mais variadas situações sociais. Isso mostra porque a escola e, principalmente, as aulas de Língua Portuguesa, devem reformular suas práticas, realizando-as a partir de textos e analisando-os à luz das novas teorias. Dessa forma, a metodologia irá mudar e o ensino de Português atingirá o objetivo que se espera dele: preparar o indivíduo para a efetiva inserção e participação na sociedade atual.

*Professora Alessandra Pozzer. Graduada em Letras pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e pós-graduada em Metodologia e Ensino da Língua Portuguesa pela Uninter. Professora do Mutirão Farroupilha e rede estadual de ensino. 

Referências

ANTUNES, Irandé. Análise de textos: fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino fundamental- Língua Portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998.

FERRAREZI JUNIOR, Celso. Semântica para a educação básica. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

FONTANA, N. M.; PAVIANI, N. M. S.; PRESSANTO, I. M. P. Práticas de linguagem: gêneros discursivos e interação. Caxias do Sul: Educs, 2009.

Rio Grande do Sul. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira Moderna (Inglês e Espanhol). Porto Alegre: SE/DP, 2009. v. 1.

A leitura da criança: principal ferramenta social

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                                             *Por Márcia Elisa Soprana Silvestrin

A prática da leitura sempre nos possibilitou maior conhecimento de mundo e capacidade de garantir-nos satisfação e entendimento. Ao nascermos, já constituímos uma visão interpretativa da linguagem, pois buscamos entender os gestos e as imagens nomeados por nossos pais.

Segundo Richard Bamberger (2004, p .31), “a prontidão para a leitura é determinada em grande parte pela atmosfera literária e linguística reinante na casa da criança”. A linha do tempo é flexível, já que a tendência do ser humano é acumular vivências, interpretando-as e relacionando-as aos acontecimentos diários. A leitura de mundo é sistematizada pela família e concretizada pela escola já nos primeiros anos da educação infantil. Além disso, essa leitura se mantém por toda a vida.

Vivemos em uma sociedade letrada, onde não lemos e escrevemos apenas, mas falamos. Dessa forma, as pessoas devem demonstrar seu potencial no desenvolvimento não só da escrita como também da oralidade. É preciso, para que isso ocorra, revigorar a língua escrita, mas isso só será possível através de uma leitura direcionada, uma leitura não apenas de situações evidenciadas, mas uma leitura contextualizada, com adequação vocabular. O professor fará a ponte, o direcionamento, entre o aluno e o mundo vislumbrado e escondido por detrás das palavras. Nossos alunos precisam relacionar os textos que leem às vivências de seu dia a dia, pois, dessa forma, terminarão o desenvolvimento das suas competências básicas.

Magda Soares (1995, p. 48) afirma que “a aproximação do professor-aluno pelas classes populares significa a conquista de instrumentos imprescindíveis não só na elaboração de sua própria cultura, mas também na transformação de suas condições sociais”. O contato com a leitura e a escrita deve ser sempre significativo e prazeroso, pois busca, no mundo mágico da literatura, a ampliação do universo significativo do leitor, instrumentalizando-o para o exercício da cidadania. Como todo ser humano, também a criança tem suas preferências no que tange à modalidade literária. Dentre essas escolhas, evidenciam-se a ficção, a aventura e, principalmente, o conto de fadas.

Os textos que lemos também são diferentes e oferecem diferentes possibilidades para a transmissão da informação escrita. Essas informações podem ser encontradas nas diferentes modalidades literárias, em um relatório, em um conto, pois o conteúdo muda, restringindo a forma com que se organizam as informações e a escrita. A leitura sempre envolve a compreensão do texto escrito, sua forma, seu conteúdo e, principalmente, seu leitor, com suas expectativas e conhecimentos prévios. O leitor deve apropriar-se de habilidades de decodificação, ter objetivos, esclarecer ideias e desenvolver experiências, para evidenciar ou rejeitar inferências que o ajudarão nesse processo.

“Ler sempre foi sinônimo de prazer” desde as mais antigas civilizações. Prova disso é que, na antiga Grécia, os homens livres recebiam esse privilégio e eram respeitados pelo “saber” da sociedade.

Hoje em dia, a leitura se tornou uma ferramenta essencial e indispensável à vida em sociedade e, por isso, vem sendo discutida por vários autores e pesquisadores, levando muitos profissionais da educação a se especializarem cada vez mais na área. Parece inegável a importância da leitura e do saber ler para que os cidadãos se integrem plenamente à vida cotidiana em termos profissionais e, também, ao lazer.

À medida que o sujeito lê uma obra literária, ele vai construindo imagens que se interligam e se modificam, apoiando-se pelas pistas verbais fornecidas pelo escritor e pelos conteúdos de sua consciência, não só intelectuais, mas também emocionais trazidos pela sua experiência de vida. Para Paulo Freire (1987, p.5)

[…] a pessoa pode ler através da vasta barreira que separa o real da imaginação, pois só assim ela terá interação com os diferentes textos, compreendendo o que está escrito, e as palavras escondidas por detrás desta leitura se desvendarão. Essa relação se efetivará com outras leituras anteriormente feitas (leitura de mundo).

O grupo social não é simplesmente um todo homogêneo. Nele, habitam vontades, saberes e posicionamentos diferenciados, mas convergentes, que geram as possibilidades de relações internas e com outros grupos. Através das trocas linguísticas, o indivíduo se certifica de seu conhecimento do mundo e dos outros homens, assim como de si mesmo, ao mesmo tempo em que participa das transformações sociais.

Segundo Pretti (1974, p. 07), “ a língua é o suporte de uma dinâmica social”, ou seja, é o principal código utilizado pelo homem em sua vida.

Tendo isso em vista, pode-se afirmar que a leitura não pode e nem deve ser vista dissociada de um processo que envolve a família, a escola e o professor. À família, cabe o papel de incentivadora da criança, já que estará presente para acompanhar todo o processo evolutivo escolar dela. Na escola, a criança terá seu mundo transformado, pois é na escola que as experiências se concretizarão. O professor, conhecedor de sua importância, direcionará esse processo de compreensão e organização do texto, tendo em vista que o aprender não é um ato final, mas sim um exercício constante de renovação.

O texto, portanto, deve ser aliado de seu leitor, e é na criança que ele frutificará, pois é a criança que possui a sensibilidade de ouvir, compreender, produzir e estabelecer relações que farão a diferença para o resto de sua vida. No processo de desenvolvimento do aluno na escola, é evidente que a leitura estimulada desde muito cedo contribui, de forma muito visível, para a organização de textos coerentes, tanto em relação ao significante quanto em relação ao significado.

* Professora Márcia Elisa Soprana Silvestrin. Licenciada em Língua Portuguesa e Literatura pela UCS; Especialista em Literatura Infanto-Juvenil pela UCS; Especialista em Metodologia do Ensino pelo CESF-Farroupilha. Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Sociologia do Colégio Mutirão Farroupilha e Professora das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias na Rede Estadual de Ensino de Farroupilha.

Referências:

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. Ed Ática, 2004.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler:um tema em três artigos.44ª. Ed.São Paulo:Cortez,1982.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros.12ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

 

 

 

 

Se nada der certo…

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*Por Ana Cristina Pütten (abraçada na nossa querida Tia Inês)

Este ano é muito especial para a história cristã. Em 31 de outubro, comemoram-se os 500 anos da Reforma Luterana ou Reforma Protestante. Na Alemanha de 1517, Martin Lutero causou uma revolução social e política que se disseminou em vários países pelo mundo. Ao se deparar com a venda das indulgências, começou a contestar a igreja Católica, afirmando seu distanciamento e hipocrisia em relação aos ensinamentos de Cristo. A história é responsável pelo respeito que dedico a essa instituição protestante e sou simpatizante da mesma, apesar de não ser batizada em sua doutrina. Assim, conhecendo um pouco dessa religião, garanto a vocês que Lutero deve estar se remexendo no caixão depois do recreio temático da escola Instituto Evangélico de Novo Hamburgo (IENH): “Se nada der certo”!

Confesso que estou incomodada, desconfortável com o evento, porque ética é a garantia de credibilidade nos valores de uma escola. Para uma instituição de ensino ser decente, exige-se convivência social, empenho pedagógico, amorosidade, empatia, companheirismo e, acima de tudo, o valor do respeito. Respeito é uma palavra com origem no latim: respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. Veja que linda é essa ideia de algo que merece um segundo olhar e, consequentemente, uma ação de consideração e reverência. Mas o que ocorreu no dia 17 de maio foi justamente o contrário. O elitismo, a cultura dos privilegiados sobre as profissões dignas, mas que não carregam diplomas, demonstra preconceito, deboche e, acima de tudo, a inferiorização de algumas categorias de trabalhadores, tais como faxineiras, domésticas, garis, atendentes do Mc Donalds, entre outros.

No Mutirão, temos uma profissional de sucesso que é referência para a maioria dos colegas que integram o Instituto Cultural e Desportivo Mutirão Ltda. A colaboradora Agnes Legramanti, apesar de possuir um nome bonito de descendência francesa, fala e escreve muito bem o italiano. Possui 82 anos, sendo que 45 deles estão sendo dedicados à nossa escola. Suas habilidades e competências na função para a qual é contratada são de causar inveja. Ela possui a excelência que toda empresa deseja. Ela é comprometida, responsável e, além de tudo isso, conta com uma pontualidade inglesa, sendo uma funcionária impecável. Ela é conhecida carinhosamente como Tia Inês. Seu cargo? Auxiliar de Higienização.

Tia Inês é uma pessoa incrível. Apesar de pequena em tamanho (1 metro e meio, não tenho certeza), ela é gigante em comprometimento e eficiência. Por causa dela, semanalmente, temos dois dias sagrados na minha opinião. A quinta-feira é santa: ela faz um lanchinho especial para a nossa equipe. Pão novinho e fresco, com chimia de uva que ela mesma cozinha e mel. Também temos a sexta-feira santa: as bomboniéres de cada setor ficam cheias de balinhas e guloseimas para adoçar os nossos dias. Se alguém está doente, lá vem ela, com chazinhos e xaropes milagrosos. Dificuldades na vida privada? Basta deixar o nome completo em um pedacinho de papel. Ela levará para as “Carmelitas” rezarem por você. E quando ela aparece na minha sala de aula com chimarrão? Meus alunos deliram de felicidade, principalmente nestes últimos dias frios e úmidos. A Tia Inês nos aquece com sua amorosidade. Ela nos alimenta. Não enche apenas o nosso estômago, mas nossa alma com vida. Ela cuida, protege, tem uma empatia enorme pelos seus semelhantes, é solidária e fraterna. Ela é uma das profissionais mais dignas, honestas e éticas que conheço. O meu dia sempre fica melhor com seu abraço diário. Esqueci de comentar: aos 82 anos, ela ainda é educadora. Sim, é professora de catequese!

Resumidamente contei um pouquinho do “case de sucesso” da Senhora Legramanti. Sabe por quê? Não importa a sua profissão, desde que você possa desempenhá-la com dignidade, prazer e honradez. Conheço professores diplomados como mestres e doutores, mas que não possuem a capacidade afetiva, didática e corajosa com seus alunos. Médicos que possuem aversão de seus pacientes e que reclamam de cumprir a carga horária de trabalho contratual. Basta olhar os grevistas em Caxias do Sul e o abandono das UBS de nossa cidade. Engenheiros que não conseguem ir além do seu mundo de esquadros e cálculos. Enfim, os profissionais existem não para servir a si mesmos, mas para servir ao coletivo, à sociedade. E se você não tem esse entendimento, porque acha que sua classe social é mais importante do que as outras, ou que o vestibular é a porta de entrada para o seu sucesso, meu amigo, cuidado! Certamente você já está fadado ao fracasso.

Reflito e analiso muito a postura do IENH. Em nota, a escola pediu desculpas pelo “mal-entendido”. Como assim? Já dizia nosso querido Paulo Freire: “todo projeto pedagógico é um ato político”. Não existe a possibilidade de uma neutralidade neste caso. Está muito clara a intenção dessa atividade. Finalizo com o pensamento de Leandro Karnal em suas redes sociais: “Queria tranquilizar a tanta gente que se preocupa se os professores de humanas transformaram os alunos em militantes de esquerda. Observem as fotos na internet e durmam tranquilos. Nenhuma mudança social deriva de um projeto escolar que, depois de doze anos de ensino médio e fundamental, consegue ter essa ideia ruim. E se tudo der errado no Brasil? Teremos o Brasil como ele é…”

Se nada der certo?

Bem… por aqui continuarei a inspirar-me na Tia Inês. Ela sabe como deixar a vida melhor para aqueles que a cercam!

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

 

 

Educar o olhar para ver o meio ambiente como inteiro

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*Por Márcia Toigo Angonese

“Isto sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família… Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra. O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia, ele faz a si mesmo.” –  TED PERRY, inspirado no Chefe Seatle

Quando entro em uma sala de aula para falar sobre ecologia, relações intraespecífica ou interespecífica e relação do homem com o meio ambiente, sempre compartilho desta visão que tenho de nós SERES HUMANOS:

“Nós, seres humanos, estamos fazendo estágio para ser verdadeiramente Humanos.”

Pois nossas atitudes e forma de agir aqui, nesta biosfera, nos faz pensar desta forma. Esta constatação vem de um olhar para este Humano (nós) e como se relacionam com o meio ambiente em que vivem.  Muitos nem se quer param para pensar que não somos separados deste meio e sim somos e fazemos parte desta inter-relação com todos os seres vivos.

Somos sim, um dos fios desta grande teia, a teia da vida. Precisamos ser mais conscientes e ter mais responsabilidade com as ações que praticamos, sejam elas com seres da mesma espécie, humano para com o humano, sejam de espécies diferentes.

Parafraseando Fritjof Capra “Ecologia profunda vê o ser humano inserido nela e não situado acima ou fora dela”.

Não podemos nos perceber fora deste ambiente onde o ambiente sempre é olhado como algo diferente dos humanos. Então, como educadora da área de Ciências Biológicas, sinto que compartilhar deste olhar, deste sentir, por menor que seja poderá trazer um lampejo de luz para com nossos alunos.

Somos seres em constante evolução, assim como tudo no universo. Engano nosso acreditar que já estamos perfeitos, estamos prontos, o caminho é de aprendizagem e aprimoramento constante até chegarmos quem sabe um dia à perfeição.

Quando nosso olhar estiver treinado a ver tudo por inteiro e não fragmentado ou desconectado, neste momento nos tornaremos consciente de fato e germinará dentro de cada pessoa, um ser mais íntegro, mais verdadeiro com as leis da natureza. Será neste momento que passaremos de estagiários neste processo evolutivo para verdadeiramente “Seres Humanos”, humanos por inteiros.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese –  Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Mutirão Máster.    

 Referência

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Editora Cultrix São Paulo, 1996.