Matemática e Raciocínio Lógico para Concursos

*Por Rodrigo Triches Panozzo

O peso da Matemática e do Raciocínio Lógico nos concursos públicos é elevado, pois, junto com a Língua Portuguesa, faz parte das disciplinas básicas de qualquer prova. Afinal, como assumir um cargo público sem saber escrever corretamente, sem saber calcular, ou sem pensar de forma mais racionalizada?

Estudar Matemática e Raciocínio Lógico exige um cuidado especial e, principalmente, exige TEMPO e DEDICAÇÃO, mas não fique aflito, basta um pouco de paciência e tudo pode ser resolvido. Muitas vezes, nossa ansiedade em resolver os problemas depressa faz com que a Matemática e o Raciocínio Lógico sejam “um grande bicho de sete cabeças”.

Depois de certo tempo, com certa experiência nós nos convencemos de que não é tão complicado assim.

E como podemos obter êxito? Frequentando aulas num curso, lendo, relendo, comparando e, é claro, praticando. Não conheço nada mais eficiente do que papel, lápis, borracha e umas boas horas pensando.

Atualmente, com a revolução da internet e dos celulares, temos a oportunidade de aproveitar nosso tempo ao máximo para os estudos, e em todo o lugar. Podemos ler algum texto, assistir a uma videoaula, analisar ou resolver provas de concursos passados, enfim, um universo de possibilidades para estudar.

Uma dica importante que gostaria de deixar é a de que você não precisa se limitar aos exercícios de uma única banca, de um único estilo de prova, procure diversificar, o importante é que seu nível intelectual na Matemática e no Raciocínio Lógico aumente, ficando igual ou acima daquilo que pretende concorrer. Alguns sites, como www.pciconcursos.com.br, https://acasadoconcurseiro.com.br, http://concursosnobrasil.com.br, www.folhadirigida.com.br, www.qconcursos.com possuem uma infinidade de provas de diversas bancas e de diversos cargos, sendo ambientes muito interessantes para o estudo. Dentre as bancas que poderá encontrar nesses sites estão CESPE, ESAF, FGV. Há também bancas com questões menos difíceis, como FUNDATEC, OBJETIVA, EXATUS. Essas bancas citadas costumam estar presentes em concursos de todas as esferas públicas.

Além disso, ao resolver uma questão, é necessário colocar-se “dentro do problema como se fosse seu” e pensar com racionalidade nas alternativas de solução.

Por isso, praticar, colocar-se frente a um exercício, um problema, e conseguir superá-lo, faz com que se sinta mais forte intelectualmente e com mais confiança – pré-requisitos importantes para quem está se preparando para um concurso. Nem é preciso dizer o quanto a concorrência é elevada em qualquer concurso e é realmente o momento daquele que está mais preparado tecnicamente e mentalmente.

ENTÃO, DESAFIE-SE!

E não pense que é necessário recorrer a memorizações de fórmulas matemáticas extensas, ou se preocupar com cálculos que produzem várias casas após a vírgula, já que nos concursos não é permitido o uso de calculadora, preocupe-se, portanto, em compreender a teoria que está por trás, a ideia, e, com isso, minimize os cálculos e esforços para a obtenção do resultado. Outro ponto importante é aprender a fazer simplificações nas fórmulas e expressões, pois isso reduzirá, e muito, o tempo gasto com cálculos. Para isso, não fuja das frações, pois quanto menos aversões a esse tipo de escrita dos nossos números você tiver, mais tempo poderá economizar numa questão, além de esgotar-se menos mentalmente.

Para finalizar, no momento de resolver um problema de Matemática ou Raciocínio Lógico, tenha atitude, leia e releia a questão até estar ciente do que precisa buscar, não faça como muitos que, mesmo antes de ler o problema, já estão reclamando.

Identifique qual teoria está ligada ao problema que precisa resolver (regra de três, funções, análise combinatória…).

Comece pelas questões mais simples e vá, gradualmente, aumentando o nível de dificuldade ao fazer exercícios e provas.

Encontre seu tempo para resolver os exercícios, já que apressar as coisas normalmente atrapalha e nos deixa ansiosos e com sentimento de incapacidade e, por fim, aprenda a fazer verificações de suas respostas. Esteja convencido de que o resultado encontrado faz sentido para o problema.

Para mim, estudar Matemática e Raciocínio Lógico é uma arte, onde a PRÁTICA leva-nos à PERFEIÇÃO.

Abraços, Profe. Rodrigo.

* Rodrigo Triches Panozzo possui graduação em Matemática pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), especialização em Estatística Aplicada pela mesma universidade e mestrado em Matemática Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É docente no Colégio Mutirão Máster nos Preparatórios para Concursos e Cursos Técnicos e no Ensino Médio do Colégio Mutirão Objetivo de Caxias do Sul.

 

Mutiaulão? O que é isso?

Por Mª Ariane Pegoraro Nuncio

Os Multiaulões têm sido um dos diferenciais do Colégio Mutirão Objetivo de Bento Gonçalves. Desde o mês de junho de 2017, estamos desenvolvendo aulas interdisciplinares em que os educadores do Colégio, em parceria com outras instituições, têm trabalhado os mais diversos temas e assuntos presentes nos vestibulares e no ENEM. Esse mesmo projeto está sendo oferecido, também, para as três séries do Ensino Médio.

A interdisciplinaridade não é um tema novo, estando no Brasil desde a Lei nº 5.692/71, mais fortemente com a Lei de Diretrizes e Bases para a educação, a Lei nº 9.394/96. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já apresentam essa estratégia como algo possível de ser trabalhado nas escolas; mas, infelizmente, no ensino da maioria das escolas, o conhecimento ainda é “individualizado e compartimentalizado como se fossem gavetas”.

Fazenda (1993) aponta que “os currículos disciplinares levam o aluno ao acúmulo de informações. Sua superação exige uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento”.

Para esse mesmo autor “o pensar interdisciplinar tenta, através do diálogo com outras formas de conhecimento, interpenetrar pelos diversos campos do saber”.

Diante dessa realidade, o nosso Colégio vem rompendo com o método tradicional, que pouco contribui para a aprendizagem dos educandos. Ao todo, foram cinco “Mutiaulões”, onde as diferentes disciplinas trabalharam em torno de um mesmo tema.

No 1º Mutiaulão, houve o encontro das disciplinas de Sociologia, Geografia, Literatura, História e Física, e os professores promoveram uma viagem ao longo do tempo, na qual os alunos puderam vivenciar os diferentes tipos de governos autocratas por meio da dramatização e da música.

O 2º Mutiaulão desvendou o pH sob a orientação do cientista maluco Deniz Básico e das assistentes Azul de Metileno e Clorofila. Dessa vez, o encontro ficou sob a responsabilidade dos professores de Química, Matemática e Biologia do Colégio. Além de encantar a galera, os docentes desvendaram o pH no aspecto físico, químico, biológico e matemático. O tema, sempre presente no ENEM e nos vestibulares, mas principalmente no nosso dia a dia, foi tratado de forma lúdica e acessível ao cotidiano de nossos alunos.

O 3º Mutiaulão ficou sob a responsabilidade dos professores de Língua Portuguesa e Biologia, e o tema da vez foi “Espiritualidade como base para o desenvolvimento sustentável”. Na oportunidade, os estudantes do ensino médio puderam fazer uma reflexão sobre a existência dos seres humanos, nossa responsabilidade com a natureza e com as futuras gerações.

O 4º encontro foi em parceria com um pré-vestibular de nossa cidade, e o assunto abordado foi “Atualidades”.

O último encontro, que encerrará esse projeto, envolverá as disciplinas de Língua Portuguesa, Geografia, Sociologia e História. Serão apresentados temas diversos que estarão presentes nas avaliações que os nossos jovens em breve enfrentarão.

Por meio dessa atividade, podemos vivenciar, na prática, a importância de trabalhar de forma diferenciada com os nossos jovens.

A seguir, fotos e relatos que mostram a alegria dos educandos e dos educadores em fazer parte desse Colégio, que vem buscando o rompimento com a forma tradicional de educar.

 

Depoimentos de alunos:

Aluna A.J. F (2º ano)

“O Mutiaulão nos proporciona vários conhecimentos de forma divertida e engraçada. Com ele, aprendemos muitas coisas que jamais pensei que existissem! Eu me divirto muito com as aulas!”

Aluno C. E. C. (1º ano)

“Os Mutiaulões são dez!”

 

Referências:

FAZENDA. Ivani.Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1993.

Mª Ariane Pegoraro Nuncio, autora deste texto, é Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Bento. Ela é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS); Especialista em Educação Inclusiva pelo Centro Universitário Metodista (IPA-RS); Especialista em Supervisão Escolar pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA) e Mestre em Educação-Ciências e Matemática, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

 

 

MENOS É MAIS!

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*Por Fábio de Oliveira Brondani

Seguidamente, nas aulas de Matemática, nota-se certa inquietação, por parte dos alunos, no que se refere à regra de sinais, especialmente quando se fala na regra da multiplicação e da divisão. Percebe-se que, por mais que se tente justificar o fato através de exemplos e de macetes há, ainda, certa resistência na assimilação. Diante desse fato, o objetivo deste artigo é justificar de um modo mais formal esta regra. Entretanto, antes desta “prova”, será apresentado, de maneira resumida, o contexto histórico do surgimento dos números. Por fim, serão apresentadas algumas situações onde pode-se perceber que, de fato, menos é mais.

Antes de falar nos sinais dos números, é preciso falar do surgimento deles. Basicamente, no início da história humana, esses surgiram com um único propósito: a necessidade de contar, ou seja, de atribuir valores e quantidades. Estima-se que o homem, há 500.000 anos atrás, já tinha a capacidade de contar. É claro que a representação desse processo não se dava através dos símbolos que hoje se utiliza (1, 2, 3, …). Cada povo desenvolvia o seu “sistema numérico”, que, muitas vezes, eram representações que continham desenhos, como é o caso do sistema de numeração utilizado pelo povo egípcio por volta de 3.300 a.C.. Um outro modo de contar, naquela época, era utilizando-se pedras ou sementes de milho, por exemplo. Essa técnica era muito utilizada por pastores para contar seu rebanho de animais. Tal técnica pode ser utilizada hoje para introduzir o conceito de números (quantidades) para as crianças no início do Ensino Fundamental. Os números que expressam quantidades, os quais são identificados hoje como 1, 2, 3, …, fazem parte do Conjunto dos Números Naturais.

Seguindo um pouco mais no tempo, no início do Renascimento, a expansão comercial começou a crescer de forma considerável. Sempre quando se fala em comércio, logo se pensa em lucros e prejuízos. Foi aí que surgiu a seguinte questão: “como pode-se representar numericamente lucros e prejuízos? ”. Diante desse problema, houve, então, a necessidade de encontrar uma resposta a essa pergunta, surgindo, assim, o conceito de número negativo. Esse conceito foi um grande problema para os matemáticos em geral. Gauss e o matemático francês Lazare Carnot escreveram artigos procurando entender esse conceito. Entretanto, foi somente no Século XIX que houve um melhor entendimento sobre esses números. Foi quando deixaram de pensar que os conceitos matemáticos não representavam coisas, mas, sim, relações entre as coisas. Com essa mudança de pensamento, pôde-se avançar nessa área.

A partir desse entendimento, foi possível, então, pensar em uma regra que estabelecesse os sinais dos números, conforme fosse o problema aplicado. Cabe ressaltar que, até chegarem a essa regra, muitos matemáticos perderam várias noites de sono. Estima-se que eles somente entraram em acordo e aceitaram a regra atual depois de cerca de 1.500 anos de muitos debates e estudos.

Como já foi dito aqui, das quatro regras existentes, três delas podem ser entendidas por intermédio de exemplos muito práticos. São as regras: adição/subtração de sinais iguais; adição/subtração de sinais diferentes e multiplicação/divisão de sinais diferentes. Para entendê-las, basta utilizar problemas que envolvam matemática financeira. Nesse caso, deve-se levar em conta que os valores positivos representam valores que cada um dispõe, enquanto que os valores negativos representam valores que cada pessoa deve. Utilizando esse raciocínio, que é bastante lúdico, é possível entender perfeitamente as regras citadas anteriormente. Diante disso, aqui será omitido a prova formal de tais regras.

Entretanto, a utilização de problemas financeiros para a interpretação das regras de sinais não se aplica na multiplicação/divisão de sinais iguais. Por exemplo, sabe-se que (-2) x (-3) = + 6. Se fosse possível a utilização desses problemas para resolver o sinal desta operação, haveria a seguinte situação: “uma dívida de 2, multiplicada por outra dívida de 3, dá um lucro de 6”. Impossível! Diante disso, segue a prova matemática (formal) de que menos com menos é mais.

 

Considere dois números reais A e B. Então é possível afirmar que (-A).(-B)= A.B. De fato:

(-A).(-B)=-[A.(-B)]=-[-A.B]=A.B

 

Com certeza, para quem é leigo no assunto, isso não quer dizer muita coisa. Apesar disso, as operações que foram utilizadas na demonstração do problema são conhecidas de todos. Em outras palavras, para mostrar que multiplicação/divisão de sinais iguais é um valor positivo, basta levar em conta as propriedades dos números que começaram a ser estudadas no 6º ano do Ensino Fundamental. Dentre elas: existência de elemento neutro, associatividade, distributividade, comutatividade e elemento simétrico. Essa é a forma matemática de se mostrar tal regra e que deixa tantas pessoas inquietas quando a observam.

     Dessa forma, o intuito deste artigo, além de mostrar que de fato “menos com menos dá mais”, é mostrar algo ainda maior, isto é, MENOS SEMPRE É MAIS!

Veja algumas situações em que isso ocorre:

1º) MENOS ódio MAIS amor;

2º) MENOS egoísmo MAIS caridade;

3º) MENOS desperdício MAIS recursos disponíveis;

4º) MENOS violência MAIS paz;

5º) MENOS preconceito MAIS liberdade de expressão.

Enfim, são tantos os exemplos em que se pode aplicar essa regra que se torna impossível elencar todos eles. Portanto, que essa regra, que gera muita dúvida e inquietação, possa levá-los a refletir sobre as diversas situações em que o mundo de hoje se encontra. Que cada um consiga aplicá-la no seu dia a dia, não apenas corretamente na Matemática, mas também enquanto pessoas de bem. Quando todos colocarem em prática o que essa regra diz, o mundo se tornará como a ciência Matemática é, ou seja, o mundo tornar-se-á perfeito. Dessa forma, as pessoas perceberão e entenderão, através da prática, que menos é mais!

Profº Fábio de Oliveira Brondani – Licenciado em Matemática pela Universidade Federal de Santa Maria UFSM, Especialista em Matemática Aplicada e Computacional pela UCS e Mestre em Matemática pela Universidade Federal de Itajubá – Área de Concentração: Equações Diferenciais Ordinárias. Docente no Colégio Mutirão Máster onde ministra as disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia_numeros.pdf

http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia%20raul%20neto.pdf

O conhecimento combate a pobreza

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*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

“Conhece-te a ti mesmo! ” já dizia Sócrates na Caixa de Presente

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* Por Ana Cristina Pütten

Gosto muito de Filosofia. Ao ministrar alguns de seus conteúdos, faz-se necessário recorrer ao método expositivo, ao menos para direcionar os educandos a uma primeira aproximação com o tema. No entanto, aprecio enriquecer minhas aulas com os espaços da cidade onde moramos, que obviamente estão em contraste com a sala de aula.

Assim como Aristóteles, gosto do ar livre com meus alunos Peripatéticos¹. Ok, não realizamos passeios nos jardins do Liceu, mas eventualmente nos jardins do Parque dos Macaquinhos, por exemplo. Em meu último encontro com a Turma M194 da Educação de Jovens e Adultos, mais precisamente no dia 06 de setembro, nossa aula não foi na tradicional sala retangular, com suas cadeiras enfileiradas, e muito menos no espaço encantado das árvores, das flores perfumadas, com os vira-latas de gravatas coloridas que acompanham seus humanos diariamente no parque. Nossa aula foi no saguão da escola, com mate, balas e rapaduras para adoçar nossa noite!

Iniciei nosso encontro mostrando uma caixa de presente. Em seguida, contei uma história. O enredo da narração estava voltado a um fato: eu tinha comprado um presente especial para mim. Comecei a provocar a curiosidade da turma. O que será que havia dentro da caixa? O que aquele objeto escondia de tão interessante?

Assim, convidei os 45 alunos, reservadamente, a abrir a caixa, desde que soubessem guardar segredo e não revelar o teor de seu conteúdo para seus colegas. O convite foi aceito; e o combinado, cumprido. Era interessante verificar as expressões de cada um: havia caras de surpresas, olhares longos, risos disfarçados e encabulados e até alguns que mantiveram semblantes severamente sérios.

No final, perguntei aos estudantes se tinham gostado do presente. Vejam algumas respostas:

– “Profª, a senhora tem bom gosto!”

– “Adorei seu presente!”

– “Nossa, muito bonito!”

– “Que presente caro profª”!

– “ Seu presente está precisando de um regime, hein? ”

– “Pois é… profª, esse presente podia ser melhor!”

O que tinha dentro da caixa era apenas um espelho. Olhar-se no espelho talvez seja uma ação costumeira, mas, mesmo assim, dá-nos uma perspectiva importante no que diz respeito à nossa existência individual. Olhar-se no espelho, enfim, é uma atividade de autoconhecimento.

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Pois bem: a Filosofia também é autoconhecimento. Quando o “conhece-te a ti mesmo” surge na História, precisamente com Sócrates, esse ensinamento expressa uma regra que significa o cuidado de si.  Nesse sentido, é preciso “ Conhecer-me a mim mesmo” para saber como modificar minha relação para comigo, para com os outros e para com o mundo. Sócrates aconselhava-nos que deveríamos nos apegar menos com as coisas materiais — como a riqueza — e menos ainda com os sentimentos efêmeros — como o poder e a fama. Ao invés disso, deveríamos “apoderarmo-nos de nós mesmos”. Você já parou para pensar nisto: que objetivo tenho de “ocupar-me comigo mesmo”?

Depois de aberta a caixa e revelado seu conteúdo, provoquei meus alunos com algumas questões existenciais, tais como:

– Quem sou eu?

– De onde vim? Para onde vou? Que importância eu tenho na vida dos que me cercam?

– Quando eu morrer, que falta farei? Qual será a minha herança para os outros?

– Qual o sentido da minha vida?

– Quais são os meus sonhos?

Enfim, a Filosofia se volta para as questões humanas, em seus comportamentos, em suas ações, nas suas ideias, crenças, em suas atitudes políticas, morais e éticas. Dessa forma, a Filosofia propõe investigar a humanidade e sua forma de existir, e, para que isso ocorra, questiona o homem, os seus valores e o mundo que o cerca. Então, a pergunta que se faz essencial: para que serve a Filosofia? Dentre as inúmeras respostas, estimo a da filósofa Marilena Chauí (2001):

“A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, os valores de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes haver investigado. ”

Seu ponto de partida é a capacidade do indivíduo de investigar, de refletir, de avaliar os atos, as posturas e a relação de si mesmo e com os outros. Refletir é, aqui, a atitude primordial, pois é o processo que o pensamento faz de si mesmo. É retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado e, por fim, colocar em questão o que já se conhece. Reflectere² em latim significa “fazer retroceder, voltar atrás”. A reflexão pode ser comparada à imagem refletida no espelho, pois há um “desdobramento” da nossa figura, ou seja, é a ação de “voltar-se para si mesmo”.

A caixa de presente foi uma dinâmica muito simples, mas foi, principalmente, uma ferramenta para provocar e despertar, criando, dessa forma, o despertar filosófico para uma nova visão de si e do mundo. É essencial que nossos alunos possam desenvolver uma consciência crítica, ascendendo à concepção ingênua e alienada sobre os fatos que compõem a realidade social e política em que estamos inseridos.

Na medida em que os estudantes compreendem a realidade que os envolvem através da reflexão, surge a necessidade maior de participação efetiva para modificar e transformar o status quo. Assim pensava Sócrates, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossas relações com os outros e com o mundo.

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¹ – Do Latim PERIPATETICUS: “relativo à filosofia de Aristóteles”, do Grego PERIPATETIKÓS, literalmente “aquele que anda ao redor”, de PERI-, “ao redor”, mais PATEIN, “caminhar, andar”. Isso porque ele tinha o hábito de ensinar enquanto caminhava com seus discípulos pelos espaços do Liceu de Atenas.

² – Fazer retroceder, voltar atrás. Refletir é, então, retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. ARANHA, Maria Lúcia Arruda de. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. p. 106.

Referências

CHAUÍ. Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática: São Paulo, 2001.

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

O QUE A SALA DE AULA REPRESENTA PARA ESTA PROFESSORA?

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* Por Márcia Toigo Angonese

Como docente de Biologia e de Química, eu vivo diariamente em sala de aula e tenho, em minha bagagem, experiências fantásticas de muita partilha de conhecimentos junto aos alunos da EJA Mutirão.

A sala de aula não é só um espaço físico de paredes e de classes, de móveis e de pessoas passivas. Percebo que esse espaço é, na verdade, nobre de oportunidades, de aprendizagens, de conhecimentos, de afetos e de trocas. Nesse lugar especial, os alunos não só aprendem assim como o professor não somente ensina.

A sala de aula é um lugar de experiências humanas, onde cada aluno que ali está tem sempre uma história pra te contar, um fato a relatar, e isso tudo enriquece as aulas de maneira incrível.

Percebo isso com grande ênfase quando trabalho com eles “Os sistemas do corpo humano”. Essa aula me enche de grandeza e de entusiasmo pelo que faço, pois existe um envolvimento grande de todos, que trazem, para o espaço da sala de aula, fatos e histórias de suas vidas.

Um dos temas mais interessante que apresento para as turmas é sobre o cuidado com a nossa saúde, com a nossa alimentação e a prevenção da diabetes. Para que o tema seja interessante para todos, busco sempre abrir um canal de comunicação, onde os alunos possam trazer suas experiências com o intuito de enriquecer o debate.

Compartilho, logo a seguir, alguns relatos dos alunos da turma M176 (EJA/noturno) referentes às aulas de Biologia/corpo humano.

 “Para mim foi muito importante o conhecimento de nosso próprio corpo. Foi bom aprender sobre o que nos deixa doente e o que podemos fazer para prevenir doenças. Essas aulas foram muito boas, pois todos participaram, interagindo em aula. Com isso, todos aprenderam. ”

 “Eu, particularmente, pelo fato de ter atrite; com as aulas, comecei a me preocupar muito mais com a saúde e com o cuidado do meu corpo. Essas aulas prenderam minha atenção. Eu sempre faço perguntas; e a professora sempre me responde. Mesmo depois, em casa, fico sempre lendo sobre a matéria. ”

“Gostei de ter aula de Biologia, porque eu estava com dúvidas sobre fazer ou não um curso de socorrista, pois eu não sabia o que fazer. Para mim foi muito importante essa aula. ”

 “Foi uma aula muito importante, interessante, com muitos debates sobre temas trazidos por nós alunos em sala de aula. Uma observação é o fato de termos pouco tempo de aula para um conteúdo que levamos para a vida inteira. ”

 “Para mim, as aulas foram muito importantes, pois aprendi muito. Eu sempre tive muitas dúvidas e curiosidades sobre o corpo humano…”

O que esse espaço-sala representa é um ambiente onde fomos capazes de ouvirmos e de sermos ouvidos. Nos tempos modernos em que tudo é realizado por máquinas, celulares e computadores em um “mundo virtual”, o momento de trocas numa sala de aula física, real, é algo incrivelmente importante, a fim de mantermos uma relação, ainda que breve, de estar presente naquele momento, o que é uma relação mais humana de partilha. Independentemente dos tipos de personalidades, de idades, de raças, ou seja, seja qual for a sua criação, é favorável que as relações sejam regadas por um solo que acondicione a troca de saberes entre alunos e professor, professor e alunos, alunos e alunos. Considerando-se, nesse sentido, professor e alunos como atores sociais, enfatiza-se a análise das situações em que eles se veem envolvidos no seu cotidiano (Sirota, 1994).

Percebo que esse sentir, nesse ambiente de sala de aula, é regado pela empatia que tenho por todos ali presentes, acolhendo a cada um, aceitando suas diferenças, suas peculiaridades, suas identidades. Isso torna as aulas muito prazerosas para ambos os lados.

A escuta ativa e o incentivo do potencial positivo também são características que marcam muito esse ambiente da sala de aula. E é nele que coloco em prática esse conselho de Cortella: “Elogia em público, corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.” Isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Esse espaço-sala é, sem dúvida, a pura expressão de cada um que ali passa e deixa sua marca (Freire).

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor sério, o professor incompetente, o professor irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, o professor sempre com raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor burocrático, o professor racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p.73).

Cada um presente no espaço-sala deixa um pouco de si e leva outro tanto para si. Todos, enfim, acabam compartilhando e contribuindo para um aprendizado mais próximo das suas realidades.

Referências:

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, (2002), op. cit., p. 73.

RESENDE, Tânia de Freitas. No interior da “caixa preta”: um estudo sociológico das interações em sala de aula. In: GT Sociologia da Educação /n.14, 2004.

SIROTA, Régine. A escola primária no cotidiano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese – Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Máster.    

Jornal escolar e o uso de tecnologias na produção textual

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*Por Kamila Girardi

Resumo

O presente artigo abrange o desenvolvimento de um projeto denominado “Jornal Escolar” e a sua aplicação em três turmas de Ensino Médio de diferentes níveis: 1ª, 2ª e 3ª séries. Descreve-se, aqui, o trabalho de produção textual, visando a prática da língua escrita através dos mais variados gêneros textuais com que os educandos tiveram contato ao longo da sua formação. A metodologia atribuída ao projeto busca quebrar paradigmas acerca das aulas tradicionais de Língua Portuguesa, promover a pesquisa, inserir a tecnologia em sala de aula e incentivar a autonomia do aluno no reconhecimento das funções comunicativas de determinados gêneros textuais, instruindo-o para a adequação do gênero à situação de comunicação. Além disso, o projeto propõe envolver todas as áreas do conhecimento.

Palavras-chave

Produção textual, tecnologias, pesquisa, autonomia.

 

I. Introdução

O projeto “Jornal Escolar” objetiva criar novos procedimentos para o ensino da Língua Portuguesa, tendo como perspectiva inicial a proposta trazida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ou seja, de que se deve trabalhar o texto como base, como o centro do estudo linguístico e, através dele, as competências comunicativas que devem ser desenvolvidas por um falante nativo apto a comunicar-se de forma clara, coerente, concisa e coesa em qualquer situação de interação social.

Com este trabalho, busco enfatizar a importância do gênero textual socialmente situado no domínio jornalístico, primando pela produção de gêneros que visam a veiculação de informações. Os gêneros textuais mais comumente utilizados em mídia jornalística impressa são bastante diversificados, por abarcarem não só a formalidade da língua, em gêneros como o editorial, a reportagem e a notícia, por exemplo, mas por suportarem e aceitarem também a informalidade em gêneros como a charge e a crônica.

O principal objetivo da aplicação da proposta “Jornal Escolar” é desenvolver a competência discursiva escrita, habilidade que entendo ser o principal motivo pelo qual o estudo da língua se faz realmente necessário, embora não seja esse o único. Além disso, o estudo da Língua Portuguesa deve estar intimamente ligado às necessidades reais dos falantes nativos em suas práticas linguísticas cotidianas.

A elaboração de um jornal escolar não só proporciona aos alunos a possibilidade de se expressarem com liberdade, como também oportuniza uma visão crítica acerca dos usos que fazemos da língua. O aluno é motivado a produzir sobre assuntos que são do seu interesse, sem imposição de um gênero textual comum, uma vez que a escolha do gênero dependerá exclusivamente da mensagem e da maneira como o aluno irá divulgá-la.

Tendo em vista a importância de se trabalhar com gêneros textuais em sala de aula, fazendo da produção textual um exercício de aprimoramento das competências linguísticas do aluno, é primordial que se reflita sobre a exploração da escrita. De acordo com Antunes (2003), a escrita é uma atividade que requer a interação entre duas pessoas: um escritor e um leitor. Para que faça sentido a elaboração de um texto, é fundamental que se leve em consideração o seu público-alvo. Ao escrevermos, fazemo-nos para que alguém leia. O jornal escolar proporciona essa interação, uma vez que a produção textual está diretamente voltada para um leitor (aquele que busca a informação). Para que o processo de escrita faça sentido para o aluno e para que o texto produzido atinja a sua função comunicativa, se faz necessário o envolvimento de um leitor no processo, pois, segundo Antunes (2003) “quem escreve, na verdade, escreve para alguém, ou seja, está em interação com outra pessoa”.

Para desenvolver um projeto de escrita, primeiramente devemos arquitetá-lo sob as seguintes perspectivas: escolha do assunto a ser tratado, os objetivos que queremos atingir ao abordarmos esse tema, o gênero adequado à situação de comunicação, a organização das ideias principais (para que o texto não seja apenas uma emaranhado de informações desconexas em entre si) e, por último, levar em consideração que haverá um leitor no processo e que o texto deve passar exatamente a mensagem pretendida pelo escritor.

Sabemos que muitos são os gêneros textuais conhecidos e outros tantos estão surgindo em decorrência dos avanços tecnológicos. De acordo com Marcuschi (2010), os meios de comunicação em massa, tais como o jornal impresso, por serem bastante presentes e ganharem destaque nas atividades de comunicação sociais reais, abrigam novos gêneros. Para Marcuschi (2010), os gêneros textuais são fenômenos históricos profundamente relacionados com a vida cultural e social, pois estabilizam as atividades de comunicação do dia a dia.

Quando da elaboração de uma mídia eclética como um jornal escolar, as possibilidades de gêneros que podem ser utilizadas são amplas. Os alunos são autores autônomos, capazes de escolher o que querem expressar da maneira como querem expressar. É claro que os gêneros textuais possuem formas pré-concebidas, mas nada impede a sua alteração para adequar à situação de comunicação.

Com a elaboração de mídia jornalística impressa, os alunos não só têm o contato com a produção textual em si, mas também com o uso de tecnologias que permitirão essa ação. Essas tecnologias, tão presentes na vida dos nossos alunos, são desmistificadas quando aliamos suas utilidades pedagógicas ao contexto de sala de aula. Sabemos que, mesmo com tantos recursos digitais, ainda é um desafio para o professor a proposta de apropriar-se deles para o trabalho, ou por falta de conhecimento de como manuseá-los, ou por não saber como introduzi-los em suas aulas de forma a suscitar conhecimento. A internet é um mundo de amplas possibilidades a serem exploradas e os aparelhos como notebooks, tablets e smartphones, devido à grande praticidade, são instrumentos que não só propiciam acesso à informação de forma imediata, como facilitam a produção de material escrito. Para um projeto que envolve tantos recursos, como a elaboração de um jornal, a tecnologia é fundamental para que o processo culmine ao resultado esperado.

II. Jornal na prática

A proposta de desenvolver um projeto para criação de um jornal escolar foi elaborada por mim e vivenciada pelas turmas de Ensino Médio com as quais trabalho em determinada escola da rede particular de ensino. A fase inicial do programa contemplou a divulgação da ideia da fabricação de um jornal em que os próprios alunos assumiriam as editorias, de acordo com seus interesses e afinidades.

A primeira ação desenvolvida foi possibilitar aos alunos o contato com a realidade de um jornal. Em um primeiro momento, convidamos uma profissional, graduada na área do jornalismo, para pormenorizar as ações desenvolvidas pelo jornalista nos meios de comunicação. A visita proporcionou uma visão ampla de como se elabora a mídia impressa, a composição da equipe de editores e revisores e o processo de criação desde a montagem até a impressão. Após os esclarecimentos da profissional convidada, os alunos tiveram contato com o material impresso, cortesia de um jornal local, para que pudessem manuseá-lo, observando suas características e, principalmente, seu conteúdo. Além da conversa com a mencionada profissional, outros dois jornalistas participaram do projeto através de vídeo previamente gravado. Um deles, editor de mídia online e, o outro, repórter e apresentador televisivo, ambos jornalistas por formação, que expuseram suas atribuições, ampliando assim, a visão dos alunos sobre a profissão e as possibilidades de atuação junto ao mercado.

A segunda ação desenvolvida, foi a mobilização das turmas para o reconhecimento da elaboração do jornal. Os alunos foram incentivados a pesquisar por diversas maneiras de projetar uma mídia impressa, estudo esse que engloba desde os gêneros textuais mais adequados ao contexto comunicativo até a simples formatação do texto no papel. Alguns sites com conteúdos voltados diretamente ao assunto foram selecionados e repassados para que os alunos pudessem, com liberdade, manuseá-los e, com autonomia, decidir sobre a utilização dos materiais disponíveis, julgando o que seria pertinente ao projeto em que estavam engajados. O envolvimento na pesquisa proporcionou segurança na atribuição das funções: alguns se sentiram mais à vontade para produzir matérias mais longas, outros para criar layouts de acordo com as editorias e, ainda, houve aqueles que utilizaram suas habilidades artísticas para elaborar gêneros mesclando texto e desenho.

Após a pesquisa de projeção da mídia impressa, a terceira ação foi a produção textual. Nessa etapa, os alunos foram incentivados a utilizar, em sala de aula, notebooks, tablets e smartphones para auxiliá-los na pesquisa e na elaboração dos textos. Comprova-se, com as atividades aqui desenvolvidas, que o uso de tecnologias em sala de aula é muito produtivo mediante planejamento e combinações previamente estabelecidas. Os smartphones, tão presentes na vida dos nossos alunos, passam a ser não só aliados da educação que permite o acesso à tecnologia, mas desmistificados pelos próprios alunos como objeto de utilidade que vai além da simples consulta a redes sociais. Para implantar o smartphone como objeto de trabalho em sala de aula, sem que isso prejudique o bom andamento das atividades, é preciso tratá-lo como equipamento de suporte à pesquisa. Além disso, para a produção de um jornal, o aluno pode utilizar o equipamento não só para a elaboração do texto, mas para diversos outros fins, como por exemplo, para captar imagens que irão acompanhar as matérias.

O momento da produção textual é, sem dúvidas, o mais importante na proposta, pois o aluno deve decidir o assunto sobre o qual irá escrever, o gênero textual mais adequado à situação comunicativa, além de demonstrar a autonomia pela busca de informações coerentes. Nessa etapa foi fundamental a orientação da professora em todos os sentidos, desde as escolhas dos temas até a produção final. É importante ressaltar que o envolvimento foi tamanho que, inclusive, foram agendados horários extraclasse para orientação de pequenos grupos, a fim de garantir a qualidade das produções textuais e a confiabilidade das informações veiculadas.

A quarta ação do projeto foi avaliação dos textos. Nessa etapa, os alunos tiram contato com as criações uns dos outros, com o intuito de criticar (positiva ou negativamente) o trabalho dos colegas e a fim de sugerir os melhoramentos necessários. Após essa socialização, todos enviaram as produções textuais para a professora, por correio eletrônico, para receber a aprovação da publicação, a revisão ortográfica e gramatical e as orientações para a retextualização.

A quinta e última ação, foi o processo de criação de título e layout, trabalho desenvolvido por alunos que se candidataram para elaborá-los. A organização dos textos foi realizada por uma equipe pré-selecionada que fez a compilação de todo o material enviado. É importante ressaltar que, durante o processo, verificou-se a adesão cada vez maior dos alunos que procuravam, de forma voluntária, maneiras de participar da projeção da mídia impressa.

III.  Resultados

A aplicação do projeto que objetivava incentivar a pesquisa, o uso de tecnologias aliado à educação, a autonomia do educando na busca por informações e a qualidade da produção textual, foi atingida com o êxito esperado.

Alguns textos publicados no jornal seguem como exemplo da boa qualidade das produções textuais dos alunos, bem como para demonstrar o nível de pesquisa em que se engajaram.

O primeiro exemplo é de autoria da aluna Pietra Dal Sasso Quintans Graça, da 3ª série do Ensino Médio:

INIMIGO OU AMIGO PÚBLICO?

Muitas pessoas, ao se depararem com embalagens que contém um símbolo amarelo com a letra “T”, perguntam-se o que esse pictograma significa e de que maneira ele interfere na alimentação. Esse “T” é utilizado para a identificação dos produtos transgênicos, ou seja, alimentos modificados geneticamente em laboratórios. Os alimentos transgênicos foram desenvolvidos com o objetivo de aumentar a resistência a pragas e doenças, para diminuir o uso de agrotóxicos favorecendo o aumento da produtividade e, consequentemente, do lucro. Porém, esse tipo de tecnologia agrícola, utilizada em muitos países, inclusive no Brasil, resultam em polêmica, pois ainda não há consenso na comunidade científica sobre a segurança desses alimentos para a saúde humana e para o meio ambiente.

O Greenpeace, uma organização global independente, cuja missão é proteger o meio ambiente e inspirar mudanças para um futuro mais verde, defende um modelo de agricultura baseado na diversidade agrícola, logo, acredita-se que o uso de transgênicos possa ser muito prejudicial para o meio ambiente e para a saúde. Dentre os principais efeitos negativos, destacam-se:

Pelo fato de serem resistentes aos agrotóxicos, o uso contínuo das sementes transgênicas leva à resistência de ervas daninhas e insetos, o que induz o agricultor a aumentar a dose dos agrotóxicos ao ano e, em consequência dessa utilização indiscriminada, acabam contaminando o solo e pondo em risco a biodiversidade.

Os transgênicos aumentam a resistência a antibióticos, pois, para poder ter certeza da eficácia da modificação genética, são introduzidos genes de bactérias resistentes a antibióticos e, com isso, o consumidor também pode se tornar resistente aos antibióticos prejudicando a saúde.

Apesar de não haver informações científicas suficientes sobre todos os efeitos dos transgênicos na saúde humana, alguns fatores puderam ser observados. Quando se insere um gene de um ser em outro, há formação de novos compostos nesse organismo, podendo ocorrer a produção de novas proteínas alergênicas ou de substâncias que provocariam efeitos tóxicos não identificados em testes preliminares.

Por outro lado, existem estudos que apontam muitos benefícios aos transgênicos e acusam o Greenpeace e demais ONGs “antitransgênicos” de apontar os riscos e impactos sem ter comprovações. Nesse contexto, os benefícios que merecem destaque são:

O arroz dourado é uma variante criada em 1999 com genes modificados para produzir um percursor da vitamina A, que pode reduzir o número de crianças que sofrem de carência dessa vitamina, que causa cegueira e problemas oculares.

Os transgênicos podem ser uma solução ao problema da fome enfrentado no mundo, pois podem levar ao aumento da produção de alimentos. Além disso, o seu custo é baixo.

Tendo em vista os prós e contras desse tipo de alimento, cabe ao consumidor eleger consumi-los ou optar pelos alimentos orgânicos. Portanto, devido à falta de comprovações sobre os malefícios e benefícios, fica clara a importância de os produtos transgênicos possuírem rótulos com informações para o consumidor. A descrição da composição do alimento e o gene que foi inserido no produto devem ser informados.

O segundo exemplo é de autoria dos alunos Ellen Ilha de Andrade e João Vítor Biazussi da Silva, da 2ª série do Ensino Médio:

A PSICOLOGIA EM QUADRINHOS

Internet, cinema, notícias, atualmente têm se destacado diversas informações curiosas do mundo geek, desde o explosivo sucesso de filmes de heróis até jogos de suicídio e palhaços macabros. Diante disso, vamos, do interessante ao mórbido, unir esses assuntos, tratar do humor e autossatisfação, nas personagens, em seu aspecto mais psicótico e perturbador. O Coringa, príncipe palhaço do crime, a princípio um simples vilão de quadrinhos do Batman, possui, no entanto, uma profundidade inimaginável.

Inimigo mortal do Homem morcego, o Coringa é comumente visto como insano, desde seus atos, seus trajes, e sua teoria de que “um dia ruim é tudo que lhe diferencia do dito normal”, até sua eterna risada e, principalmente, o motivo dela.

Para explicar as ações da personagem, ninguém melhor do que o pai da psicanálise e sua definição de ID, ego, e superego, em que o primeiro seria a parte mais primitiva do cérebro, a origem dos impulsos e desejos que não chegam a consciência ou que são por ela reprimidos, resumidamente, o princípio do prazer sem medir esforços. Em contrapartida, o superego teria a função de controle, sem visar essencialmente a moral, mas sim um ideal, uma justiça além da justiça, no caso, um herói que vai além do sistema. Tudo se torna mais claro se analisarmos a função do ego, de equilibrar os anteriores, pois a censura excessiva pode gerar respostas extremas do ID, como psicose, algo que nos quadrinhos é representado pelo Batman, que cria sua nêmese através da repreensão exagerada que causa.

Com o passar dos anos, o Coringa apresentou-se em inúmeras versões, desde um piadista brincalhão até um genocida cruel, devido a isso, naturalmente, existem gritantes diferenças entres suas aparições, o fato de, por vezes, ele quebrar a quarta parede falando diretamente com o público leitor, tal ação gerou a teoria de super sanidade, que alega que o Coringa seria, na verdade, mais ciente do mundo do que qualquer outro e, assim, saberia que tudo a sua volta tratar-se-ia de mera ficção, porém essa ideia possui falhas considerando que nem sempre ele segue o padrão de se direcionar ao público e dialogar com o mesmo. Contudo, ergueu-se um fato: o coringa não é insano nem ao menos apresenta características de insanidade, como alucinações, melancolia, paranoia ou fobias sem motivos.

O mais incrível é que, mesmo com tantas mudanças, existem sim características comuns às versões do palhaço, entre elas, destaca-se seu narcisismo, egocentrismo, falta de empatia e, principalmente, o humor. Os três primeiros muito remetem à psicopatia, tornando-o alguém não insano, mas inteligente o bastante para fingir insanidade e, o último, que é praticamente seu símbolo, deve ser analisado.

Como diria Schopenhauer, o humor é resultado da contradição, aquilo que devia ocorrer e o que ocorre. Indo além de Freud, que afirma que o humor se compara ao sonho, em que o inconsciente pode aparecer sem consequências ou censuras, o que é ainda melhor visto em sua comparação de que o sonho é a porção necessária e cotidiana de loucura do indivíduo. Em resumo, o humor seria a contradição entre verdades profundas, ideias superficiais e valores tradicionais. Com essa visão um tanto quanto niilista, pode-se trazer a seguinte percepção do filósofo Nietzsche: “eu até me permitiria uma hierarquia dos filósofos de acordo com seu riso, chegando até aqueles com a risada de ouro e supondo também que os deuses filosofam. Não duvido que saibam rir de maneira nova e sobre-humana e às custas de todas as coisas sérias”; que muito lembra uma frequente frase do coringa “It’s all a joke”, em que afirma que o mundo nada mais é a ele do que uma grande piada. Isso expõe seu niilismo, presente em todas as versões da personagem, apenas em diferentes intensidades.

 Dito isso, pode-se dividir o príncipe palhaço em três personas de acordo com as características do ID. O brincalhão, que busca saciar seus desejos; o gênio do crime, que age em resposta ao agente de repreensão; e, por último, aquele que possuiria o maior conhecimento de si e do mundo e busca mostrar as contradições da sociedade. Essa percepção nos leva a observar uma relação entre o niilismo e a atuação do ID, pois quanto mais se nega os ditos sociais, menor será a validade do superego e, por consequência, maior será a influência do ID, que pode causar forte oposição a tudo que lhe for diferente.

Após todo esse estudo, podemos encerrar o diagnóstico, caracterizando o Coringa, não como louco, mas sim como um caso de super sanidade, uma visão superior da realidade, tendo em vista que a mesma pode vir a fazer pessoas agirem como loucas ou no mínimo anormais, o que pode ser visto no caso do próprio Nietzsche que antes de seu colapso já era considerado por muitos como estranho ou até mesmo insano.

O terceiro e último exemplo é de autoria da aluna Luísa Fracalossi Reinbrecht:

Editorial – Feminismo

Nossa sociedade atual é bela, simpática, amigável e, após afirmar isso, devo alegar que somos todos mentirosos. Concordo que, às vezes, é mais fácil colocar todos os nossos problemas dentro de uma caixinha e mantê-la trancada para sempre com um cadeado enorme, mas já parou para pensar o quanto você sofre por ignorar todas essas complicações apenas pelo medo de enfrentá-las? 

Na minha opinião, um dos maiores problemas com os quais lidamos é a desigualdade. Por causa dela construímos barreiras e criamos desgosto por pessoas que são exatamente iguais a nós. Muitas vezes, deixamo-nos enganar que as injustiças só acontecem longe de onde estamos, que nunca seremos afetados, e é por isso que decidi escrever sobre esse assunto. Mais especificamente sobre a dificuldade que muitos de nós ainda têm para enxergar o mesmo potencial nos dois sexos, e o que considero ser a solução para esse problema: o feminismo.

Gostaria de pedir para que você pense em cinco mulheres que conhece e, agora, devo avisá-lo(a) que uma delas possivelmente foi, ou será estuprada durante sua vida. É duro de aceitar, mas é a verdade. Supondo-se que você assista a algum tipo de série, documentário ou até mesmo novela que dure cerca de 45 minutos, provavelmente me diria que aproveitou bem o seu tempo, que se divertiu. No entanto, preciso informá-lo(a) de que, no Brasil, durante esse curto período, quatro pessoas do sexo feminino foram violentadas e elas não podem concordar com você sobre terem se divertido, porque não pediram por isso, foram forçadas. De qualquer modo, outro fato que realmente deveria preocupar as pessoas, é que, no nosso país, a cada 1 hora e 30 minutos mais uma mulher, uma mãe, uma irmã ou uma amiga não sobrevive aos maus-tratos de um homem.

É claro que, além destas situações citadas, existem milhares de outras em que podemos ver a injustiça sendo praticada, mas gostaria que você lembrasse que não é apenas com as mulheres que isso acontece, afinal, quem nunca viu algum garoto ser motivo de risadas por demonstrar seus sentimentos, ou chorar? Por que é estranho vê-los usando roupas cor de rosa? Qual é o problema de um menino não gostar de ser agressivo?

Em todo o caso, não quero que entenda que o problema está só na sua cidade, no seu estado ou no seu país, mas no nosso mundo. Antes de sermos divididos por diferentes nacionalidades, etnias, raças e culturas, todos vivemos no mesmo planeta, todos somos humanos.

Mulheres e homens jamais serão iguais sob hipótese alguma, mas, por ambos serem pessoas e terem sentimentos do mesmo jeito, concordo com a igualdade dos sexos, concordo com o feminismo. Eu acredito que não hoje, mas algum dia poderemos fazer o bem sem demasiados esforços, e é disso que as mulheres africanas que não tem acesso à uma educação completa, precisam. É disso que as mulheres que recebem menos salário do que os homens pelo mesmo trabalho, precisam. É a humanidade de que todos nós precisamos.[1]

IV. Conclusões

O uso de tecnologias em sala de aula é cada vez mais requerido pela geração Z. Aliar-se ao que é inevitável faz com que consigamos uma aproximação maior dos nossos alunos com os objetos de estudo aos quais são submetidos e ampliemos as possibilidades de aprendizagem. Se faz necessária uma reavaliação dos processos utilizados em sala de aula, levando-se em consideração o avanço tecnológico que tivemos no mundo nos últimos vinte anos. Se resistirmos ao implantar procedimentos que condizem com a realidade dos educandos, muito provavelmente estaremos nos posicionando contra uma evolução natural. É imprescindível inserir a tecnologia em sala de aula, fazendo do seu uso parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem. As tecnologias, quando bem utilizadas, proporcionam um contato muito maior com o mundo e praticidade na busca por informações. Apropriar-se de ferramentas que dinamizem a aula, diversificar as metodologias levando em consideração a realidade do aluno e ampliar as fontes de aprendizado são elementos fundamentais para a construção do conhecimento.

V. Bibliografia

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 203, p. 44-66.

________________. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola, 2009, p.49-73.

BALTAR, R. A. Marcos. A competência discursiva através dos gêneros textuais: uma experiência com o jornal de sala de aula. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003. 149. Programa de Pós-graduação em Letras. Porto Alegre, 2003.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Gêneros textuais e ensino. São Paulo: Parábola, 2010, p. 19-38.

[1] Referências utilizadas pelos alunos:

http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2013/02/coringa-e-o-arquetipo-do-louco.html

https://www.dicio.com.br/sanidade/

http://divadoescritor.blogspot.com.br/2009/01/id-x-superego-em-batman-o-cavaleiro-das.html

http://sequart.org/magazine/64378/ladies-and-gentlemen-hobos-and-tramps-cross-eyed-mosquitoes-and-bowlegged-ants-loving-that-joker-but-which-one/

http://sequart.org/magazine/60541/peaslee-and-weiner-on-joker-serious-study-of-clown-prince-of-crime/

http://sequart.org/magazine/40157/perfect-chaos-why-the-joker-is-the-greatest-comic-book-villain/

http://sequart.org/magazine/52185/theorizing-about-the-joker-in-all-seriousness/

O que é ego, id e superego?

Resumo: ID, EGO E SUPEREGO

http://filosofia.ceseccaieiras.com.br/freud-id-ego-e-superego

Teorias de Freud – Resumo das Teorias freudianas

10 Coisas que as pessoas entendem errado sobre o Coringa!

https://sindicatonerd.com.br/conheca-o-personagem-coringa/

http://www.momentumsaga.com/2013/08/analise-do-inimigo-o-coringa.html

https://pensador.uol.com.br/autor/friedrich_nietzsche/biografia/

*Kamila Girardi: Graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade de Caxias do Sul e professora de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Mutirão de Bento Gonçalves.

O ensino de Língua Portuguesa

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*Por Alessandra Pozzer

O ensino de Língua Portuguesa vem sofrendo mudanças há alguns anos. Nessas transições, a gramática normativa foi deixada de lado para abrir espaço para o estudo dos usos da língua a partir do texto. Como bem colocam os Parâmetros Curriculares Nacionais e os Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul, a língua é a representação da cultura e viabiliza a expressividade. É por esse motivo que o Português e a Literatura são trabalhados em uma mesma disciplina no Ensino Fundamental.

Dessa forma, os professores de Língua Portuguesa utilizam o texto para direcionar seu trabalho e, a partir dele, analisar os usos da língua. É por esse motivo que Antunes (2010, p. 45) defende que, na análise de textos, tudo deve estar relacionado ao entendimento global do que é dito. Os estudos sobre os usos da língua devem partir do sentido do texto, por isso devemos nos perguntar: no que os recursos gramaticais e sintáticos contribuem para o sentido do texto?

Antunes (2010, p. 46) ainda coloca que o ensino de Português deve centrar-se na análise de textos e não em frases soltas, nas quais não cabem os princípios de funcionamentos da língua. É preciso levar em consideração o papel que a frase desempenha no texto, no que ela contribui para a compreensão do que está sendo dito, e perceber que ela pertence a um contexto comunicativo, não sendo possível isolá-la para estudo.

Para Antunes (2010, p. 47), quando falamos, ouvimos, lemos ou escrevemos, não produzimos frases soltas. Elas fazem parte de um contexto e, por isso, a análise de frases é descartada pelo ensino de língua, e a importância de se trabalhar com textos cresce cada vez mais. Deste modo, se o aluno trabalhar com frases soltas, ele não desenvolverá sua capacidade de produzir um texto com sentido ou coerência, menos ainda ampliará sua capacidade de entender textos de diferentes gêneros, sejam eles simples ou complexos.

Assim, as aulas de português devem girar em torno da análise de textos, que permitem a construção de modelos que evidenciam como os textos são constituídos e funcionam. Conforme Antunes (2010, p.49), conhecer esses modelos é essencial para a ampliação das competências comunicativas, já que nos comunicamos somente através de textos. As palavras existem em função do sujeito que faz uso delas, que pode produzir ilimitados enunciados. No texto, é isso que deve ser analisado e os alunos são levados a tomar consciência das inúmeras possibilidades que a língua oferece.

Antunes (2010, p. 50-52) aponta as seguintes finalidades para a análise dos textos nas aulas de Língua Portuguesa: promover o desenvolvimento de diferentes competências comunicativas; ampliar as capacidades de compreensão; desenvolver a capacidade de perceber as propriedades, as estratégias, os meios, os recursos, os efeitos, enfim, as regularidades implicadas no funcionamento da língua; desenvolver a capacidade de perceber, de enxergar, de identificar os fenômenos que ocorrem no texto; entender melhor certos aspectos dos processos cognitivos, linguísticos, textuais e pragmáticos envolvidos em nossas interações verbais.

Uma das maneiras de suscitar esses conhecimentos em nossos alunos é através dos questionamentos sobre o texto, nos quais é necessário explorar certos pontos que contribuirão para uma melhor compreensão do que está sendo dito e para que os estudantes percebam as possibilidades da língua.

Ferrarezi (2008, 165-210) aponta vários tópicos que estão presentes nas interações verbais, sejam elas orais ou escritas. Um deles é a polissemia, ou seja, a capacidade de um mesmo sinal gráfico assumir diferentes sentidos, aumentando suas possibilidades de uso. Esse sinal irá variar de acordo com o contexto e o cenário em que são empregados. Há também os sentidos que vão além do que foi abertamente dito, os chamados implícitos. Em uma análise, precisamos perceber os sentidos implícitos, que podem ser simples, dados como insinuações, ou mais complexos, nos quais são necessárias informações do cenário e o nosso conhecimento cultural para interpretá-los de acordo com o objetivo da pessoa que o proferiu.

Outro elemento apontado pelo autor é a ambiguidade, que é a possibilidade de um mesmo falante atribuir mais de um sentido a uma mesma sentença em um mesmo contexto e cenário. A negação é um tópico que vai além dos advérbios de negação. Ela pode ser sutil em um texto, definindo seu sentido. Como exemplo temos pedacinhos de palavras ou palavras inteiras com sentido de negação, certos tipos de afirmação, a ironia, alguns exageros e até o silêncio podem significar a negação de algo.

Ferrarezi afirma que nos clichês consta o registro do desenvolvimento cultural de uma região. É preciso conhecer a cultura onde determinada expressão idiomática ou frase feita é usada para poder utilizá-la com seu real sentido, ou compreendê-la quando aparecer em um texto. Como último tópico apontado pelo autor tem-se a metáfora, isto é, a utilização de uma expressão que apresenta um sentido costumeiro com outro sentido diverso daquele comumente conhecido. Tem como função suprir a necessidade de expressar sentidos para os quais não há expressões específicas na língua.

Para que o aluno perceba todas essas possibilidades da língua e muitas outras, se torna necessário compreender a análise de textos, como esclarece Antunes (2010, p.49):

[…] analisar textos é procurar descobrir, entre outros pontos, seu esquema de composição; sua orientação temática, seu propósito comunicativo; é procurar identificar suas partes constituintes; as funções pretendidas para cada uma delas, as relações que guardam entre si e com elementos da situação, os efeitos de sentido decorrentes de escolhas lexicais e de recursos sintáticos. É procurar descobrir o conjunto de suas regularidades, daquilo que costuma ocorrer na sua produção e circulação, apesar da imensa variedade de gêneros, propósitos, formatos, suportes em que eles podem acontecer.

Antunes (2010, p. 52) afirma que a atualidade exige pessoas capazes de atuar socialmente, com competência para a desenvoltura e que saibam se expressar com clareza e consistência nas mais variadas situações sociais. Isso mostra porque a escola e, principalmente, as aulas de Língua Portuguesa, devem reformular suas práticas, realizando-as a partir de textos e analisando-os à luz das novas teorias. Dessa forma, a metodologia irá mudar e o ensino de Português atingirá o objetivo que se espera dele: preparar o indivíduo para a efetiva inserção e participação na sociedade atual.

*Professora Alessandra Pozzer. Graduada em Letras pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e pós-graduada em Metodologia e Ensino da Língua Portuguesa pela Uninter. Professora do Mutirão Farroupilha e rede estadual de ensino. 

Referências

ANTUNES, Irandé. Análise de textos: fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino fundamental- Língua Portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998.

FERRAREZI JUNIOR, Celso. Semântica para a educação básica. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

FONTANA, N. M.; PAVIANI, N. M. S.; PRESSANTO, I. M. P. Práticas de linguagem: gêneros discursivos e interação. Caxias do Sul: Educs, 2009.

Rio Grande do Sul. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira Moderna (Inglês e Espanhol). Porto Alegre: SE/DP, 2009. v. 1.

A leitura da criança: principal ferramenta social

Profemarcia                                           

                                             *Por Márcia Elisa Soprana Silvestrin

A prática da leitura sempre nos possibilitou maior conhecimento de mundo e capacidade de garantir-nos satisfação e entendimento. Ao nascermos, já constituímos uma visão interpretativa da linguagem, pois buscamos entender os gestos e as imagens nomeados por nossos pais.

Segundo Richard Bamberger (2004, p .31), “a prontidão para a leitura é determinada em grande parte pela atmosfera literária e linguística reinante na casa da criança”. A linha do tempo é flexível, já que a tendência do ser humano é acumular vivências, interpretando-as e relacionando-as aos acontecimentos diários. A leitura de mundo é sistematizada pela família e concretizada pela escola já nos primeiros anos da educação infantil. Além disso, essa leitura se mantém por toda a vida.

Vivemos em uma sociedade letrada, onde não lemos e escrevemos apenas, mas falamos. Dessa forma, as pessoas devem demonstrar seu potencial no desenvolvimento não só da escrita como também da oralidade. É preciso, para que isso ocorra, revigorar a língua escrita, mas isso só será possível através de uma leitura direcionada, uma leitura não apenas de situações evidenciadas, mas uma leitura contextualizada, com adequação vocabular. O professor fará a ponte, o direcionamento, entre o aluno e o mundo vislumbrado e escondido por detrás das palavras. Nossos alunos precisam relacionar os textos que leem às vivências de seu dia a dia, pois, dessa forma, terminarão o desenvolvimento das suas competências básicas.

Magda Soares (1995, p. 48) afirma que “a aproximação do professor-aluno pelas classes populares significa a conquista de instrumentos imprescindíveis não só na elaboração de sua própria cultura, mas também na transformação de suas condições sociais”. O contato com a leitura e a escrita deve ser sempre significativo e prazeroso, pois busca, no mundo mágico da literatura, a ampliação do universo significativo do leitor, instrumentalizando-o para o exercício da cidadania. Como todo ser humano, também a criança tem suas preferências no que tange à modalidade literária. Dentre essas escolhas, evidenciam-se a ficção, a aventura e, principalmente, o conto de fadas.

Os textos que lemos também são diferentes e oferecem diferentes possibilidades para a transmissão da informação escrita. Essas informações podem ser encontradas nas diferentes modalidades literárias, em um relatório, em um conto, pois o conteúdo muda, restringindo a forma com que se organizam as informações e a escrita. A leitura sempre envolve a compreensão do texto escrito, sua forma, seu conteúdo e, principalmente, seu leitor, com suas expectativas e conhecimentos prévios. O leitor deve apropriar-se de habilidades de decodificação, ter objetivos, esclarecer ideias e desenvolver experiências, para evidenciar ou rejeitar inferências que o ajudarão nesse processo.

“Ler sempre foi sinônimo de prazer” desde as mais antigas civilizações. Prova disso é que, na antiga Grécia, os homens livres recebiam esse privilégio e eram respeitados pelo “saber” da sociedade.

Hoje em dia, a leitura se tornou uma ferramenta essencial e indispensável à vida em sociedade e, por isso, vem sendo discutida por vários autores e pesquisadores, levando muitos profissionais da educação a se especializarem cada vez mais na área. Parece inegável a importância da leitura e do saber ler para que os cidadãos se integrem plenamente à vida cotidiana em termos profissionais e, também, ao lazer.

À medida que o sujeito lê uma obra literária, ele vai construindo imagens que se interligam e se modificam, apoiando-se pelas pistas verbais fornecidas pelo escritor e pelos conteúdos de sua consciência, não só intelectuais, mas também emocionais trazidos pela sua experiência de vida. Para Paulo Freire (1987, p.5)

[…] a pessoa pode ler através da vasta barreira que separa o real da imaginação, pois só assim ela terá interação com os diferentes textos, compreendendo o que está escrito, e as palavras escondidas por detrás desta leitura se desvendarão. Essa relação se efetivará com outras leituras anteriormente feitas (leitura de mundo).

O grupo social não é simplesmente um todo homogêneo. Nele, habitam vontades, saberes e posicionamentos diferenciados, mas convergentes, que geram as possibilidades de relações internas e com outros grupos. Através das trocas linguísticas, o indivíduo se certifica de seu conhecimento do mundo e dos outros homens, assim como de si mesmo, ao mesmo tempo em que participa das transformações sociais.

Segundo Pretti (1974, p. 07), “ a língua é o suporte de uma dinâmica social”, ou seja, é o principal código utilizado pelo homem em sua vida.

Tendo isso em vista, pode-se afirmar que a leitura não pode e nem deve ser vista dissociada de um processo que envolve a família, a escola e o professor. À família, cabe o papel de incentivadora da criança, já que estará presente para acompanhar todo o processo evolutivo escolar dela. Na escola, a criança terá seu mundo transformado, pois é na escola que as experiências se concretizarão. O professor, conhecedor de sua importância, direcionará esse processo de compreensão e organização do texto, tendo em vista que o aprender não é um ato final, mas sim um exercício constante de renovação.

O texto, portanto, deve ser aliado de seu leitor, e é na criança que ele frutificará, pois é a criança que possui a sensibilidade de ouvir, compreender, produzir e estabelecer relações que farão a diferença para o resto de sua vida. No processo de desenvolvimento do aluno na escola, é evidente que a leitura estimulada desde muito cedo contribui, de forma muito visível, para a organização de textos coerentes, tanto em relação ao significante quanto em relação ao significado.

* Professora Márcia Elisa Soprana Silvestrin. Licenciada em Língua Portuguesa e Literatura pela UCS; Especialista em Literatura Infanto-Juvenil pela UCS; Especialista em Metodologia do Ensino pelo CESF-Farroupilha. Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Sociologia do Colégio Mutirão Farroupilha e Professora das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias na Rede Estadual de Ensino de Farroupilha.

Referências:

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. Ed Ática, 2004.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler:um tema em três artigos.44ª. Ed.São Paulo:Cortez,1982.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros.12ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

 

 

 

 

A importância da tutoria na EJA

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*Por Lisiane Führ

Há tempos a educação está em processo de evolução. Um exemplo claro é a educação na modalidade à distância (EAD), que vem se desenvolvendo cada vez mais e abrangendo diferentes áreas do conhecimento. Mas da mesma maneira como cresce e se torna cada vez mais importante, essa modalidade de ensino ainda gera questionamentos e opiniões diversas sobre. O ensino a distância requer adaptações tanto por parte do aluno quanto do professor. Ao passo que é importante para o estudante que ele desenvolva persistência e automotivação, o tutor precisa se tornar fluente com as novas tecnologias e elaborar eficientes estilos instrucionais a fim de amplificar o interesse e a motivação dos estudantes.

O principal questionamento a respeito seria se os discentes conseguem realmente acompanhar os estudos e aprender acerca deles, pelo fato de ser uma modalidade que exige autonomia e interação por parte dos alunos.

Para suprir e atender aos alunos com dificuldades é necessário o auxílio do TUTOR, que se apresenta como uma peça fundamental na trajetória escolar dos alunos – por isso o papel do tutor EAD é tido como sendo determinante para o processo de consolidação de um modelo ideal de educação. Segundo alguns autores:

Para Costa (2013) a palavra tutor pode ser atrelada aos conceitos de guia, protetor, diretor, fiscalizador, orientador, dentre outras funções, dependendo da perspectiva pedagógica adotada pelo modelo de educação a distância. Para Prado (2012) acredita que o tutor tem papel fundamental na Educação a Distância, pois garante a inter-relação personalizada e contínua do aluno no sistema e viabiliza a articulação necessária entre os elementos do processo e execução dos objetivos propostos.

Neste sentido, o apoio tutorial é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, pois realiza a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema da EaD e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação, agregando valor ao curso e mediando o ensino-aprendizagem dos educandos.

O tutor no Colégio Mutirão Máster possui papel importantíssimo e é compreendido como um dos sujeitos que participa ativamente da prática pedagógica. Suas atividades desenvolvidas a distância e ou presencialmente contribuem para o desenvolvimento dos processos de ensino, e de aprendizagem e para o acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Os alunos possuem aula presencial uma vez por semana, com professor em sala de aula, realização de provas e, além disso, contam com apoio do material pedagógico tanto na apostila física quanto no ambiente virtual, onde também realiza os exercícios e atividades complementares.

Nossos alunos contam com o serviço de tutoria, oferecido gratuitamente com o objetivo de facilitar a aprendizagem, melhorando os índices de aprovação e aproveitamento dos alunos, uma vez que o perfil dos nossos discentes é bastante diversificado e o tempo em sala de aula com a presença do professor é reduzido.

Esses números de aprovação são comprovados por pesquisas realizadas anualmente e apresentadas aos mantenedores da instituição.

No ensino semipresencial a tutoria, quando bem conduzida, assume um papel de ligação entre o aluno e a instituição de ensino, entre a tecnologia que está à disposição do aluno e o estímulo ao seu uso, uma vez que 50% da avaliação é realizada à distância através da plataforma virtual Moodle. Assim, o tutor presta atendimento àqueles alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem ou necessitem nova explicação de determinados conteúdos vistos em sala de aula, mas não somente isso. Como tutora há mais de cinco anos posso afirmar com toda certeza, que criamos uma relação de amizade e cumplicidade com cada aluno que procura o atendimento.

Conforme Cortelazzo (2008, p. 310): A interação social é o ponto de partida para uma parceria sólida e produtiva, essencial à realização de projetos que impliquem construção conjunta tanto na educação presencial quanto na modalidade à distância.

Finalizando o texto, é possível exemplificar todo o exposto com uma frase de Paulo Freire: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.

Referências:

COSTA, Maria Luisa Furlan. Educação a distância no Brasil. Maringá: Eduem, 2013.

CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo. Tutoria e autoria: novas funções provocando novos desafios na educação a distância. Revista EccoS, São Paulo, vol. 10, n. 2, p.307-325, jul-dez, 2008.

PRADO, Cláudia et al. Espaço virtual de um grupo de pesquisa: o olhar dos tutores. Rev. esc. enferm., São Paulo: USP, v. 46, n. 1, fev. 2012.

* Professora Lisiane Pereira Führ – Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós-graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Colégio Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.