Sair da escola também é importante

* Lisiane Pereira Führ

Todo processo de aprendizagem é complexo e envolve entrega tanto por parte do professor quanto por parte dos alunos. Contudo, cada vez mais se torna difícil essa relação mútua, uma vez que muitos discentes acabam sendo desmotivados no ambiente educacional. Diante disso, cabe ao profissional da educação transformar essa realidade que dificulta o processo de ensino e aprendizagem por meio de alternativas, ou seja, de estratégias didáticas que sejam atraentes para o aluno.

Na história da educação brasileira, atividades semelhantes ao estudo do meio foram introduzidas no primeiro momento pelas escolas anarquistas com uma conotação política e libertária, uma vez que o objetivo consistia em, através da observação do meio natural e social, refletir sobre as desigualdades e buscar formas de saná-las (PONTUSCHKA, 2004); porém essa prática se perdeu com o fim das escolas anarquistas, mas foi retomada pelos escolanovistas em meados do século XX, mas tinha como objetivo básico integrar o aluno ao seu meio.

Hoje, ainda é possível observar esses equívocos e situações em que a própria Coordenação e o Corpo Docente se referem ao estudo do meio como excursão, ou passeio, o que revela a total falta de noção acerca da riqueza pedagógica que essa atividade pode proporcionar. As atividades de campo são fundamentais na construção do conhecimento científico, mesmo que ocorra de a experiência não dar muito certo naquele momento, pois quando o mesmo resultado é diferente do esperado, professor e alunos têm, diante deles, uma riquíssima oportunidade de procurarem juntos as causas da diferença. Da mesma forma, os alunos podem trocar ideias e informações, analisando os diferentes resultados que obtiveram.

As saídas de campo e as visitas de estudo são meios de chamar a atenção dos estudantes, pois são consideradas, tanto pela investigação como pelos Currículos Nacionais do Ensino Básico e do Ensino Secundário, como recursos dotados de inúmeras potencialidades educativas. Além disso, diversos estudos sugerem que os jovens, de um modo geral, gostam de saídas de campos e de visitas de estudo e aprendem muito por intermédio delas.

Nesse contexto, destaca-se a aula de campo como um importante recurso, sendo um facilitador da aprendizagem. Tendo em vista as necessidades por busca de estratégias didáticas que facilitem a relação entre professores e alunos, o trabalho fora da sala de aula tende a auxiliar na construção do conhecimento. De acordo com Lima e Assis (2005, p. 112): o trabalho de campo se configura como um recurso para o aluno compreender o lugar e o mundo, articulando a teoria à prática, através da observação e da análise do espaço vivido e concebido.

Hodson (2004) refere que o currículo escolar deve-se assentar numa conjugação de três aspectos importantes: aprender Ciência e Tecnologia; aprender sobre Ciência e Tecnologia e fazer Ciência e Tecnologia. Segundo o próprio autor, a relevância de uma educação científica e tecnológica consiste em adquirir e desenvolver um conhecimento conceitual científico e tecnológico, que torne familiares ao educando os vários tipos de tecnologias existentes na sociedade atual, mediante o desenvolvimento do conhecimento de técnicas e de métodos de natureza científica e tecnológica, atendendo à complexidade das relações estabelecidas entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. Em coerência com o que foi referido, essas atitudes devem estar associadas a um espírito empreendedor na resolução de questões problemáticas (Oliveira, 2008).

Essa mesma perspectiva é corroborada por Cachapuz et al. (2004 apud Oliveira, 2008), que tal como Perrenoud (2001 in Oliveira, 2008), considera como essencial dotar os cidadãos com competência suficiente para resolver situações totalmente inesperadas. Ele sustenta que “a Ciência inova e o saber se renova”. No seu entender, o desafio que atualmente se coloca constantemente ao sistema de ensino das sociedades modernas reside no fato de ter de se reinventar um novo conjunto de saberes básicos, os quais ele designa como sendo: ferramentas, que permitem a mudança de uma aprendizagem dirigida (…), para uma aprendizagem assistida e, desta, para uma aprendizagem autonoma, de acordo com um percurso de responsabilização crescente de cada cidadão pela construção do seu próprio saber (…)

As saídas de campo facilitam a interação dos alunos com o meio ambiente em situações reais, aguçando a busca pelo saber, além de estreitar as relações entre aluno/professor (VIVEIRO; DINIZ, 2009). Em ambiente natural, é possível agrupar e relacionar os diferentes conteúdos. Essa dependência existente entre uma parte e outra é o que possibilita uma abordagem mais ampla do assunto estudado. A metodologia em discussão proporciona aos estudantes observações diretas de fatos reais, a exploração de diversos sentidos e possibilita relacionar a teoria da sala de aula com a prática do seu cotidiano. Ela nos leva a fazer uma leitura do mundo de forma mais ampla, partindo do local para o global (BRASIL, 1997). É essa a visão de mundo que o aluno precisa ter, pois as mudanças que ocorrem e os fatos que acontecem não se dão separadamente, pois existem inter-relações, onde um acontecimento pode influenciar em outro.

Tendo em vista proporcionar aos alunos oportunidade de vivenciar essas experiências, troca de conhecimentos e novas descobertas, realizamos, no dia 18 de novembro de 2017, uma visita ao Museu de Ciências e Tecnologia da PUC–RS. Sobre o resultado dessa atividade do Mutirão, pode-se dizer que a união entre a teoria e a prática se faz cada vez mais fundamental no auxílio à aprendizagem e, segundo o próprio site da Instituição: […] tem por missão gerar, preservar e difundir o conhecimento por meio de seus acervos e exposições, contribuindo para o desenvolvimento da ciência, da educação e da cultura. A atuação do Museu como canal de difusão do conhecimento se realiza por meio de suas exposições. Elaboradas para despertar a curiosidade e o gosto pelas ciências, elas valorizam a participação do visitante que, ao se envolver em experiências lúdicas e inusitadas, torna-se protagonista de seu próprio aprendizado.

Alunos em visita ao MCT – PUC/RS

* Professora Lisiane Pereira Führ – Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós-graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Colégio Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.

A Língua Portuguesa pode modificar o nosso modo de viver em sociedade

*Jeferson Carvalho

Sempre quando ministro aulas de língua portuguesa, refiro aos meus alunos a verdadeira importância da efetivação comunicativa, enquanto falantes que somos; no entanto, da mesma maneira, enfatizo que a Língua que escrevemos deve ser estruturada pelas regras vigentes, seguindo preceitos gramaticais e, assim, ser comum a todos. Para tanto, não deve transgredir as normatizações e igualmente ser efetiva.

Nas minhas aulas, conto algumas situações (causos) em que a Língua escrita pode causar algum tipo de constrangimentos ou até mesmo desvios de entendimento entre os interlocutores.

Em janeiro de 2015, uma situação curiosa ocorreu na Paraíba, um cartaz feito por uma loja de eletrodomésticos anunciava: “Oferta imperdível Chip Vivo R$ 1 com aparelho”. Um cliente entrou na loja e pediu quatro aparelhos ao custo de R$ 4,00, porém os funcionários do estabelecimento se negaram a vendê-los, e o caso foi parar na delegacia do município. A verdadeira intenção do cartaz era informar que, na compra de um aparelho celular, o chip daquela operadora de telefonia custaria R$ 1,00. Situações como essa evidenciam a necessidade de se preocupar em estabelecer uma comunicação bem articulada em todas as situações a fim de evitar interpretações equivocadas, independentemente da área em que se atua.

Não é raro, nos dias de hoje, depararmo-nos com frases e textos mal escritos, com erros gramaticais e de concordância. Embora a tecnologia tenha facilitado o dia a dia das pessoas, com a expansão da internet, os “tropeços” na língua portuguesa tornaram-se mais habituais, o que antes ficava apenas na fala, agora se intensificou na escrita. Pare para avaliar isto um instante: é muito provável que você já tenha recebido um e-mail confuso e visualizado erros bárbaros relacionados à língua portuguesa em uma apresentação de slides ou nas redes sociais.

Assim como o cuidado com a escrita é imprescindível, essencial também é estar atento à linguagem oral. Costumeiramente, as pessoas se confundem no emprego de certos termos da língua portuguesa, entre os clássicos estão “mortandela” ao invés de mortadela; “mendingo” para mendigo; “iorgute” no lugar de iogurte; e “vasculhante” ao invés de basculante. Em um universo composto por pessoas cada vez mais críticas, ao pronunciar expressões como essas, a atenção é desviada e, com isso, a credibilidade e a inteligência são colocadas à prova, principalmente no âmbito profissional.

Todas essas situações demonstram que estar atento ao português não deve ser exclusividade dos profissionais da área de comunicação. Embora a expressão língua portuguesa pareça estar relacionada apenas a uma disciplina, ela está presente em todos os âmbitos e, quando bem dominada, pode facilitar situações do dia a dia – entre elas a interpretação de problemas matemáticos ou de raciocínio lógico, além da correta compreensão do que as pessoas falaram ou escreveram. Preocupar-se em estudar a língua portuguesa ao longo da vida permite desfrutar dos benefícios do conhecimento e minimiza as chances de cometer deslizes que podem ser irremediáveis. Use a língua portuguesa como se fosse uma roupa(gem), em que, a partir da escola das palavras e da situação (formal ou informal), não haja prejuízo para a comunicação e, principalmente, para sua imagem pessoal.

Referências

  • BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999);
  • Paulo Freire. Extensão ou comunicação?. Paz e Terra, 2001. ISBN 978-85-219-0427-4.
  • VILARINHO, Sabrina. “Semântica”; Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/portugues/semantica.htm>. Acesso em: 10 de novembro de 2017.

*Professor  Jeferson Carvalho é licenciado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/RS0 e tem especialização em Leitura e Dinâmica de Aprendizagem pela mesma universidade. É professor do Mutirão EJA,  preparatórios para concursos e oficinas de Redação.  

O conhecimento combate a pobreza

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*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

O QUE A SALA DE AULA REPRESENTA PARA ESTA PROFESSORA?

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* Por Márcia Toigo Angonese

Como docente de Biologia e de Química, eu vivo diariamente em sala de aula e tenho, em minha bagagem, experiências fantásticas de muita partilha de conhecimentos junto aos alunos da EJA Mutirão.

A sala de aula não é só um espaço físico de paredes e de classes, de móveis e de pessoas passivas. Percebo que esse espaço é, na verdade, nobre de oportunidades, de aprendizagens, de conhecimentos, de afetos e de trocas. Nesse lugar especial, os alunos não só aprendem assim como o professor não somente ensina.

A sala de aula é um lugar de experiências humanas, onde cada aluno que ali está tem sempre uma história pra te contar, um fato a relatar, e isso tudo enriquece as aulas de maneira incrível.

Percebo isso com grande ênfase quando trabalho com eles “Os sistemas do corpo humano”. Essa aula me enche de grandeza e de entusiasmo pelo que faço, pois existe um envolvimento grande de todos, que trazem, para o espaço da sala de aula, fatos e histórias de suas vidas.

Um dos temas mais interessante que apresento para as turmas é sobre o cuidado com a nossa saúde, com a nossa alimentação e a prevenção da diabetes. Para que o tema seja interessante para todos, busco sempre abrir um canal de comunicação, onde os alunos possam trazer suas experiências com o intuito de enriquecer o debate.

Compartilho, logo a seguir, alguns relatos dos alunos da turma M176 (EJA/noturno) referentes às aulas de Biologia/corpo humano.

 “Para mim foi muito importante o conhecimento de nosso próprio corpo. Foi bom aprender sobre o que nos deixa doente e o que podemos fazer para prevenir doenças. Essas aulas foram muito boas, pois todos participaram, interagindo em aula. Com isso, todos aprenderam. ”

 “Eu, particularmente, pelo fato de ter atrite; com as aulas, comecei a me preocupar muito mais com a saúde e com o cuidado do meu corpo. Essas aulas prenderam minha atenção. Eu sempre faço perguntas; e a professora sempre me responde. Mesmo depois, em casa, fico sempre lendo sobre a matéria. ”

“Gostei de ter aula de Biologia, porque eu estava com dúvidas sobre fazer ou não um curso de socorrista, pois eu não sabia o que fazer. Para mim foi muito importante essa aula. ”

 “Foi uma aula muito importante, interessante, com muitos debates sobre temas trazidos por nós alunos em sala de aula. Uma observação é o fato de termos pouco tempo de aula para um conteúdo que levamos para a vida inteira. ”

 “Para mim, as aulas foram muito importantes, pois aprendi muito. Eu sempre tive muitas dúvidas e curiosidades sobre o corpo humano…”

O que esse espaço-sala representa é um ambiente onde fomos capazes de ouvirmos e de sermos ouvidos. Nos tempos modernos em que tudo é realizado por máquinas, celulares e computadores em um “mundo virtual”, o momento de trocas numa sala de aula física, real, é algo incrivelmente importante, a fim de mantermos uma relação, ainda que breve, de estar presente naquele momento, o que é uma relação mais humana de partilha. Independentemente dos tipos de personalidades, de idades, de raças, ou seja, seja qual for a sua criação, é favorável que as relações sejam regadas por um solo que acondicione a troca de saberes entre alunos e professor, professor e alunos, alunos e alunos. Considerando-se, nesse sentido, professor e alunos como atores sociais, enfatiza-se a análise das situações em que eles se veem envolvidos no seu cotidiano (Sirota, 1994).

Percebo que esse sentir, nesse ambiente de sala de aula, é regado pela empatia que tenho por todos ali presentes, acolhendo a cada um, aceitando suas diferenças, suas peculiaridades, suas identidades. Isso torna as aulas muito prazerosas para ambos os lados.

A escuta ativa e o incentivo do potencial positivo também são características que marcam muito esse ambiente da sala de aula. E é nele que coloco em prática esse conselho de Cortella: “Elogia em público, corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.” Isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Esse espaço-sala é, sem dúvida, a pura expressão de cada um que ali passa e deixa sua marca (Freire).

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor sério, o professor incompetente, o professor irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, o professor sempre com raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor burocrático, o professor racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p.73).

Cada um presente no espaço-sala deixa um pouco de si e leva outro tanto para si. Todos, enfim, acabam compartilhando e contribuindo para um aprendizado mais próximo das suas realidades.

Referências:

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, (2002), op. cit., p. 73.

RESENDE, Tânia de Freitas. No interior da “caixa preta”: um estudo sociológico das interações em sala de aula. In: GT Sociologia da Educação /n.14, 2004.

SIROTA, Régine. A escola primária no cotidiano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese – Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Máster.    

Qual é a sua?

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*Por Lucia Caroline Cornely

A sala de aula é um ambiente de diversidade, com variedade de indivíduos em diferentes fases de desenvolvimento e conhecimento. Essas características definem as inteligências predominantes em cada um deles. Mas para começar, o que é inteligência?

Inúmeros são os conceitos de inteligência. Os famosos testes de QI são focados em compreensão lógico-matemática e por muito tempo definiram a inteligência e a burrice. O conceito se modifica com Daniel Goleman e a percepção de uma inteligência emocional, que culmina nas inteligências múltiplas. Para Gardner (apud RODRIGUES, 2015): Inteligência é a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais”.

A teoria das Inteligências Múltiplas(IM) surgiu com Gardner (1994). Ele afirma que todos os indivíduos são inteligentes e que dentre as nove inteligências catalogadas haverá duas inteligências em destaque e uma inteligência pouco desenvolvida.

 As habilidades predominantes nos indivíduos são resultado da valorização cultural e social de determinada habilidade. Em uma região tipicamente boêmia é valorizada a musicalidade, enquanto em um ambiente acadêmico o mais importante é a produção científica.

As IM’s trazem outro tema importante para debate: a raridade de superdotados e a desmistificação das pessoas com deficiência, porque afinal todos temos habilidades mais e menos desenvolvidas.

As IM são atualmente nove, mas isso pode mudar, pois é uma classificação de percepção de habilidades e o próprio Gardner renova periodicamente sua teoria. São elas:

1) Lógico-matemática: Trata-se da sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. Habilidade para lidar com uma linha de raciocínio, levantar hipóteses, trabalhar com manipulação de símbolos. Mais presente em matemáticos, físicos e diversas pessoas que lidam com raciocínios lógicos e matemática.

2) Linguística: Sensibilidade para o significado das palavras e funções da linguagem,sensibilidade para usar a linguagem de forma apropriada para transmitir ideias. Facilidade para aprender idiomas. Mais presente em poetas, escritores e diversas pessoas que usam a linguagem de forma efetiva.

3) Espacial: Percepção do mundo visual e espacial, pensar de maneira tridimensional, criar, transformar e modificar imagens, se localizar e localizar objetos no espaço. Mais presente em arquitetos, escultores, navegadores e diversas pessoas que operam com o espaço.

4) Corporal cinestésica (ou físicocinestésica): Capacidade de controlar o corpo de forma fina, com coordenação, precisão e habilidade. Mais presente em atletas, dançarinos e diversos artistas.

5) Interpessoal: Capacidade de interagir de forma efetiva com outras pessoas, responder apropriadamente aos temperamentos, humores, motivação, compreender e motivar. Mais presente em políticos, vendedores, professores, líderes e diversar pessoas que trabalham com motivação.

6) Intrapessoal: Capacidade de entender a si mesmo, lidar com seus desejos e sonhos, direcionar a própria vida de forma efetiva. É o correlativo interno da inteligência interpessoal.

7) Musical: Habilidade para produzir e apreciar ritmos, tocar instrumentos e compor.

8) Natural: Sensibilidade com a natureza, para o entendimento da mesma e

desenvolvimento de habilidades biológicas.

9) Existencial:Capacidades filosóficas, refletir sobre a existencia e a vida.

A existência e classificação de inteligências é um importante fator de conhecimento para o educador em sala de aula, pois ainda hoje as habilidades mais valorizadas e recompensadas nas escolas são a linguística e lógico-matemática, vide carga horária das disciplinas valorizadas desigualmente. Qual a necessidade de quatro períodos de matemática e apenas um período de artes?

É necessário repensar a prática educativa de forma inclusiva. Para alguém com a predominância corporal cinestésica torna-se uma tortura cinco horas ouvindo alguém falar.  Desta forma devemos aproveitar todas as estruturas disponíveis para aumentar o grupo a qual chega o conhecimento. Uma pequena animação resumindo o conteúdo atinge mais educandos que uma explicação oral, por exemplo.

Urge a necessidade de reformarmos o sistema educacional, repensar a forma de ensinar, melhorar as estruturas educacionais públicas para impulsionarmos uma educação efetiva e de qualidade que inclua a todos.

*Professora com bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS). Docente no Mutirão Farroupilha na área das Humanas, e também na rede estadual de ensino.

Referências:

GARDNER, Howard. Estruturas da mente. A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre. Artes Médicas, 1994.

RODRIGUES, Letícia Gomes. Um Estudo sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas. Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: < http://www.gradadm.ifsc.usp.br/dados/20152/SLC0631-1/Trabalho_tipos_inteligencia.pdf>

TOGLATIAN, Marco. Teoria das inteligências múltiplas. Disponível em:

<http://www.togatlian.pro.br/docs/pos/unesa/inteligencias.pdf>.

 

Os benefícios dos produtos orgânicos para a saúde humana e meio ambiente

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* Por Fabiane Menegotto

Os produtos orgânicos são cultivados sem a utilização de agrotóxicos, adubos químicos ou outras substâncias tóxicas, evitando assim a contaminação do meio ambiente e principalmente dos alimentos produzidos. Desta forma, a agricultura orgânica busca preservar a biodiversidade, garantir os ciclos e as atividades biológicas do solo, preservar os lençóis freáticos e tratar os ecossistemas com mais equilíbrio.

O Ministério da agricultura (2017) informa em seu site que o objetivo principal da produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida com proteção ao meio ambiente.  “O uso indiscriminado de agrotóxicos pode comprometer a qualidade da água para abastecimento, o solo, os alimentos e a manutenção da vida aquática selvagem. Isso ocorre porque eles alcançam os recursos hídricos ao serem aplicados sobre superfícies inclinadas, pois, quando chove, as águas arrastam as partículas dos compostos dos agrotóxicos contidos nos solos tratados, poluindo rios, lagos e mares.” (Fogaça, 2016).

Um produto só pode ser considerado orgânico se for cultivado respeitando às leis e passando pelos processos de certificação. Além destas normas de produção, o comércio de produtos orgânicos também é regulamentado pelo governo federal, e esse controle depende da relação de confiança entre produtores e consumidores e dos sistemas de controle de qualidade. A ANVISA (2001), Agência Nacional de Vigilância Sanitária, iniciou um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que são consumidos pela população.

As pessoas cada vez mais se tornam cientes dos malefícios que os agrotóxicos nos alimentos oferecem para sua saúde, e gradativamente começam a buscar alternativas para uma alimentação mais saudável. E é neste contexto que os alimentos orgânicos, com seu apelo ambiental e sendo saudáveis, vem sendo uma opção de mudança de hábito de vida.

Uma vez que a produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida, há também uma preocupação com a proteção do meio ambiente. Sua principal característica é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou qualquer tipo de substância sintética que agridam o ecossistema. Um alimento orgânico contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

Um estudo da ABRASCO (2015), Associação Brasileira de Saúde Coletiva, informa que o brasileiro consome em média 12 litros de agrotóxicos por ano e afirma que houve um crescimento de 288% no uso de agrotóxicos no Brasil entre os anos de 2000 a 2012. Este estudo revelou ainda, que esses alimentos estão contaminados por substâncias não permitidas para o cultivo ou ultrapassaram o limite máximo aceitável de pesticidas. O que prejudica a saúde humana e degrada o ambiente alterando a composição da flora e fauna.

“O trabalho agrícola é uma das ocupações mais perigosas da atualidade. Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agrotóxicos, que estão relacionados a intoxicações agudas, doenças crônicas, problemas reprodutivos e danos ambientais.” (Abrasco, 2015)

Os problemas causados por intoxicação de agrotóxicos vão desde tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, irritações no nariz, garganta e olhos. Até problemas mais graves, como tumores, convulsões e paralisias, podendo levando à morte.

A mudança de implantação da alimentação orgânica, no dia a dia de cada um, beneficiaria não só a saúde das pessoas, bem como a manutenção dos recursos naturais. Reduzir os danos causados ao meio ambiente com atitudes simples é uma forma de preservar o meio ambiente.  Consumir alimentos produzidos sem agrotóxicos e de forma sustentável promovendo a qualidade de vida é uma forma de amenizar os danos causados ao ecossistema. Afinal, preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele.

Fabiane Menegotto é  licenciada em Ciências Biológicas – Habilitação em Química, Física e Matemática pela Universidade de Caxias do Sul – UCS/RS e atua como professora do Mutirão Farroupilha.

Referências

ABRASCO. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

Disponível em: http://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wp-content/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf. Acessado em: 19/07/2017

ANVISA. Agrotóxico. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/agrotoxicos . Acesso em 19/07/2017

FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Poluição das águas por rejeitos da agricultura; Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/quimica/poluicao-das-aguas-por-rejeitos-agricultura.htm. Acesso em 21/07/2017

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Produtos orgânicos. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/o-que-sao-organicos  Acesso em 19/07/2017

 

Meu filho não consegue aprender na escola. E agora, o que fazer?

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*Por Daiane Bandeira de Assunção Marin

No âmbito escolar muitas são as “queixas” dos pais sobre o processo de aprendizagem dos filhos. As maiores frustrações ocorrem quando os estudantes não conseguem aprender o “conteúdo” exposto na escola, e então começam as perturbações que cercam as famílias, e os questionamentos de práxis: Por que meu filho não aprende? Será que tem algum problema ou doença? Vamos levá-lo ao médico? Talvez ele resolva com um remédio…

Mas afinal, porque muitos indivíduos não conseguem aprender ou compreender o que o professor está tentando ensinar?

Esta questão abrange um campo da educação e saúde pouco conhecida, mas que vem sendo exercida desde a década de 70 no Brasil, chamada Psicopedagogia. Seu profissional é o psicopedagogo, que pode auxiliar nas respostas as perguntas mencionadas no início do texto.

Podemos definir Psicopedagogia de acordo com o Código de Ética do Psicopedagogo, Capítulo I Artigo 1º: “A Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação e Saúde que se ocupa do processo de aprendizagem considerando o sujeito, a família, a escola, a sociedade e o contexto sócio-histórico, utilizando procedimentos próprios, fundamentados em diferentes referenciais teóricos.”

Essa área da saúde e educação é interdisciplinar, ou seja, precisa atuar e interagir juntamente com outras áreas e seus profissionais: neurologistas, médicos, psicólogos, professores, pedagogos, fonoaudiólogos, entre outros. E claro, em primeiro lugar interagir diretamente com a escola. Em conjunto pode-se obter um resultado relevante junto ao individuo.

Bossa pode nos definir melhor a psicopedagogia: “É uma nova área de atuação profissional que busca uma identidade, e que requer uma formação de nível interdisciplinar, o que já é sugerido no próprio termo Psicopedagogia”. (Bossa, 1995, p.31).

O objeto de estudo pode ter dois enfoques, preventivo e terapêutico.  O primeiro tem como objeto de estudo o ser humano em processo de desenvolvimento está sempre em processo constante de construção de conhecimento. O segundo realiza a análise e tratamento nas dificuldades de aprendizagem do individuo. Normalmente, não generalizando, os pais, ao se depararem com as dificuldades de aprendizagem dos seus filhos, podem seguir duas linhas de pensamento: contratar todos os profissionais possíveis da área da saúde para que esses possam achar uma solução para o “problema” de seus filhos ou então simplesmente culpar a instituição de ensino na qual seu filho está inserido, por não ter uma metodologia de ensino adequada e competente.

Entendemos as aflições dos pais, mas antes de “culpar” alguém pelo baixo desenvolvimento de aprendizagem dos nossos filhos, precisamos entender e compreender o que ocasiona de fato essa dificuldade no aprendizado.

Como citado acima, a psicopedagogia tem por objetivo analisar, ou seja, observar e compreender algo que vai muito além de um olhar apenas ou de julgamento precipitado. A psicopedagogia analisa o que está implícito.  O psicopedagogo deve “garimpar” as informações no ser humano, buscar entender a relação do aprendiz com a aprendizagem, pesquisar o seu estilo cognitivo. Afinal, somos seres que aprendemos, temos significações inconscientes. Bossa nos explica com clareza o papel do diagnóstico feito pelos profissionais: “O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito.”( Bossa, 1994 p. 74)

Outro aspecto bastante importante no processo de aprendizagem do individuo é compreender que seu primeiro vínculo afetivo é a família, e esta tem um papel importante e primordial na educação e aprendizagem da criança. Portanto, em alguns casos o “fracasso” escolar pode sim estar relacionado com o vínculo familiar. Souza nos define isso: “[…] fatores da vida psíquica da criança podem atrapalhar o bom desenvolvimento dos processos cognitivos, e sua relação com a aquisição de conhecimentos e com a família, na medida em que atitudes parentais influenciam sobremaneira a relação da criança com o conhecimento.”( Souza, 1995, p.58)

Portanto, para responder a questão que usei como título dessa publicação veja que vários aspectos devem ser analisados, e que hoje o psicopedagogo, é essencial no processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades.

Não podemos apenas como docente e instituição definir que o aluno é um “problema” sem ao menos entender e analisar qual o gerador desse problema, e a partir disso solucionar.

Para conhecimento, no momento o Projeto de Lei 3124/97 do Deputado Federal Barbosa Neto, busca regulamentar a profissão de Psicopedagogo, tendo em vista que o trabalho de outras e da atual gestão da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), tem amparo legal no Código Brasileiro de Ocupação. Isto quer dizer que já existe a ocupação de Psicopedagogo, porém, não é suficiente. Faz-se necessário que esta profissão seja regulamentada.

Professora Daiane Bandeira Assunção Marin. Graduada com Licenciatura Plena em Letras pela Universidade de Caxias do Sul em 2010. Professora e tutora na Instituição de Ensino Mutirão, atualmente aluna da pós graduação em Psicopedagogia pela Universidade Caxias do Sul – CARVI Bento Gonçalves. 

Referências

BOSSA, Nádia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.

BRASIL. Projeto de Lei 10.891. Disponível em http://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 25 de julho de 2005.

SOUZA, Audrey Setton Lopes. Pensando a inibição intelectual: perspectiva psicanalítica e proposta diagnóstica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.

 

 

 

A leitura da criança: principal ferramenta social

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                                             *Por Márcia Elisa Soprana Silvestrin

A prática da leitura sempre nos possibilitou maior conhecimento de mundo e capacidade de garantir-nos satisfação e entendimento. Ao nascermos, já constituímos uma visão interpretativa da linguagem, pois buscamos entender os gestos e as imagens nomeados por nossos pais.

Segundo Richard Bamberger (2004, p .31), “a prontidão para a leitura é determinada em grande parte pela atmosfera literária e linguística reinante na casa da criança”. A linha do tempo é flexível, já que a tendência do ser humano é acumular vivências, interpretando-as e relacionando-as aos acontecimentos diários. A leitura de mundo é sistematizada pela família e concretizada pela escola já nos primeiros anos da educação infantil. Além disso, essa leitura se mantém por toda a vida.

Vivemos em uma sociedade letrada, onde não lemos e escrevemos apenas, mas falamos. Dessa forma, as pessoas devem demonstrar seu potencial no desenvolvimento não só da escrita como também da oralidade. É preciso, para que isso ocorra, revigorar a língua escrita, mas isso só será possível através de uma leitura direcionada, uma leitura não apenas de situações evidenciadas, mas uma leitura contextualizada, com adequação vocabular. O professor fará a ponte, o direcionamento, entre o aluno e o mundo vislumbrado e escondido por detrás das palavras. Nossos alunos precisam relacionar os textos que leem às vivências de seu dia a dia, pois, dessa forma, terminarão o desenvolvimento das suas competências básicas.

Magda Soares (1995, p. 48) afirma que “a aproximação do professor-aluno pelas classes populares significa a conquista de instrumentos imprescindíveis não só na elaboração de sua própria cultura, mas também na transformação de suas condições sociais”. O contato com a leitura e a escrita deve ser sempre significativo e prazeroso, pois busca, no mundo mágico da literatura, a ampliação do universo significativo do leitor, instrumentalizando-o para o exercício da cidadania. Como todo ser humano, também a criança tem suas preferências no que tange à modalidade literária. Dentre essas escolhas, evidenciam-se a ficção, a aventura e, principalmente, o conto de fadas.

Os textos que lemos também são diferentes e oferecem diferentes possibilidades para a transmissão da informação escrita. Essas informações podem ser encontradas nas diferentes modalidades literárias, em um relatório, em um conto, pois o conteúdo muda, restringindo a forma com que se organizam as informações e a escrita. A leitura sempre envolve a compreensão do texto escrito, sua forma, seu conteúdo e, principalmente, seu leitor, com suas expectativas e conhecimentos prévios. O leitor deve apropriar-se de habilidades de decodificação, ter objetivos, esclarecer ideias e desenvolver experiências, para evidenciar ou rejeitar inferências que o ajudarão nesse processo.

“Ler sempre foi sinônimo de prazer” desde as mais antigas civilizações. Prova disso é que, na antiga Grécia, os homens livres recebiam esse privilégio e eram respeitados pelo “saber” da sociedade.

Hoje em dia, a leitura se tornou uma ferramenta essencial e indispensável à vida em sociedade e, por isso, vem sendo discutida por vários autores e pesquisadores, levando muitos profissionais da educação a se especializarem cada vez mais na área. Parece inegável a importância da leitura e do saber ler para que os cidadãos se integrem plenamente à vida cotidiana em termos profissionais e, também, ao lazer.

À medida que o sujeito lê uma obra literária, ele vai construindo imagens que se interligam e se modificam, apoiando-se pelas pistas verbais fornecidas pelo escritor e pelos conteúdos de sua consciência, não só intelectuais, mas também emocionais trazidos pela sua experiência de vida. Para Paulo Freire (1987, p.5)

[…] a pessoa pode ler através da vasta barreira que separa o real da imaginação, pois só assim ela terá interação com os diferentes textos, compreendendo o que está escrito, e as palavras escondidas por detrás desta leitura se desvendarão. Essa relação se efetivará com outras leituras anteriormente feitas (leitura de mundo).

O grupo social não é simplesmente um todo homogêneo. Nele, habitam vontades, saberes e posicionamentos diferenciados, mas convergentes, que geram as possibilidades de relações internas e com outros grupos. Através das trocas linguísticas, o indivíduo se certifica de seu conhecimento do mundo e dos outros homens, assim como de si mesmo, ao mesmo tempo em que participa das transformações sociais.

Segundo Pretti (1974, p. 07), “ a língua é o suporte de uma dinâmica social”, ou seja, é o principal código utilizado pelo homem em sua vida.

Tendo isso em vista, pode-se afirmar que a leitura não pode e nem deve ser vista dissociada de um processo que envolve a família, a escola e o professor. À família, cabe o papel de incentivadora da criança, já que estará presente para acompanhar todo o processo evolutivo escolar dela. Na escola, a criança terá seu mundo transformado, pois é na escola que as experiências se concretizarão. O professor, conhecedor de sua importância, direcionará esse processo de compreensão e organização do texto, tendo em vista que o aprender não é um ato final, mas sim um exercício constante de renovação.

O texto, portanto, deve ser aliado de seu leitor, e é na criança que ele frutificará, pois é a criança que possui a sensibilidade de ouvir, compreender, produzir e estabelecer relações que farão a diferença para o resto de sua vida. No processo de desenvolvimento do aluno na escola, é evidente que a leitura estimulada desde muito cedo contribui, de forma muito visível, para a organização de textos coerentes, tanto em relação ao significante quanto em relação ao significado.

* Professora Márcia Elisa Soprana Silvestrin. Licenciada em Língua Portuguesa e Literatura pela UCS; Especialista em Literatura Infanto-Juvenil pela UCS; Especialista em Metodologia do Ensino pelo CESF-Farroupilha. Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Sociologia do Colégio Mutirão Farroupilha e Professora das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias na Rede Estadual de Ensino de Farroupilha.

Referências:

BAMBERGER, Richard. Como incentivar o hábito da leitura. Ed Ática, 2004.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler:um tema em três artigos.44ª. Ed.São Paulo:Cortez,1982.

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros.12ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

 

 

 

 

A importância da tutoria na EJA

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*Por Lisiane Führ

Há tempos a educação está em processo de evolução. Um exemplo claro é a educação na modalidade à distância (EAD), que vem se desenvolvendo cada vez mais e abrangendo diferentes áreas do conhecimento. Mas da mesma maneira como cresce e se torna cada vez mais importante, essa modalidade de ensino ainda gera questionamentos e opiniões diversas sobre. O ensino a distância requer adaptações tanto por parte do aluno quanto do professor. Ao passo que é importante para o estudante que ele desenvolva persistência e automotivação, o tutor precisa se tornar fluente com as novas tecnologias e elaborar eficientes estilos instrucionais a fim de amplificar o interesse e a motivação dos estudantes.

O principal questionamento a respeito seria se os discentes conseguem realmente acompanhar os estudos e aprender acerca deles, pelo fato de ser uma modalidade que exige autonomia e interação por parte dos alunos.

Para suprir e atender aos alunos com dificuldades é necessário o auxílio do TUTOR, que se apresenta como uma peça fundamental na trajetória escolar dos alunos – por isso o papel do tutor EAD é tido como sendo determinante para o processo de consolidação de um modelo ideal de educação. Segundo alguns autores:

Para Costa (2013) a palavra tutor pode ser atrelada aos conceitos de guia, protetor, diretor, fiscalizador, orientador, dentre outras funções, dependendo da perspectiva pedagógica adotada pelo modelo de educação a distância. Para Prado (2012) acredita que o tutor tem papel fundamental na Educação a Distância, pois garante a inter-relação personalizada e contínua do aluno no sistema e viabiliza a articulação necessária entre os elementos do processo e execução dos objetivos propostos.

Neste sentido, o apoio tutorial é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, pois realiza a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema da EaD e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação, agregando valor ao curso e mediando o ensino-aprendizagem dos educandos.

O tutor no Colégio Mutirão Máster possui papel importantíssimo e é compreendido como um dos sujeitos que participa ativamente da prática pedagógica. Suas atividades desenvolvidas a distância e ou presencialmente contribuem para o desenvolvimento dos processos de ensino, e de aprendizagem e para o acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Os alunos possuem aula presencial uma vez por semana, com professor em sala de aula, realização de provas e, além disso, contam com apoio do material pedagógico tanto na apostila física quanto no ambiente virtual, onde também realiza os exercícios e atividades complementares.

Nossos alunos contam com o serviço de tutoria, oferecido gratuitamente com o objetivo de facilitar a aprendizagem, melhorando os índices de aprovação e aproveitamento dos alunos, uma vez que o perfil dos nossos discentes é bastante diversificado e o tempo em sala de aula com a presença do professor é reduzido.

Esses números de aprovação são comprovados por pesquisas realizadas anualmente e apresentadas aos mantenedores da instituição.

No ensino semipresencial a tutoria, quando bem conduzida, assume um papel de ligação entre o aluno e a instituição de ensino, entre a tecnologia que está à disposição do aluno e o estímulo ao seu uso, uma vez que 50% da avaliação é realizada à distância através da plataforma virtual Moodle. Assim, o tutor presta atendimento àqueles alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem ou necessitem nova explicação de determinados conteúdos vistos em sala de aula, mas não somente isso. Como tutora há mais de cinco anos posso afirmar com toda certeza, que criamos uma relação de amizade e cumplicidade com cada aluno que procura o atendimento.

Conforme Cortelazzo (2008, p. 310): A interação social é o ponto de partida para uma parceria sólida e produtiva, essencial à realização de projetos que impliquem construção conjunta tanto na educação presencial quanto na modalidade à distância.

Finalizando o texto, é possível exemplificar todo o exposto com uma frase de Paulo Freire: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.

Referências:

COSTA, Maria Luisa Furlan. Educação a distância no Brasil. Maringá: Eduem, 2013.

CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo. Tutoria e autoria: novas funções provocando novos desafios na educação a distância. Revista EccoS, São Paulo, vol. 10, n. 2, p.307-325, jul-dez, 2008.

PRADO, Cláudia et al. Espaço virtual de um grupo de pesquisa: o olhar dos tutores. Rev. esc. enferm., São Paulo: USP, v. 46, n. 1, fev. 2012.

* Professora Lisiane Pereira Führ – Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós-graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Colégio Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.

Se nada der certo…

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*Por Ana Cristina Pütten (abraçada na nossa querida Tia Inês)

Este ano é muito especial para a história cristã. Em 31 de outubro, comemoram-se os 500 anos da Reforma Luterana ou Reforma Protestante. Na Alemanha de 1517, Martin Lutero causou uma revolução social e política que se disseminou em vários países pelo mundo. Ao se deparar com a venda das indulgências, começou a contestar a igreja Católica, afirmando seu distanciamento e hipocrisia em relação aos ensinamentos de Cristo. A história é responsável pelo respeito que dedico a essa instituição protestante e sou simpatizante da mesma, apesar de não ser batizada em sua doutrina. Assim, conhecendo um pouco dessa religião, garanto a vocês que Lutero deve estar se remexendo no caixão depois do recreio temático da escola Instituto Evangélico de Novo Hamburgo (IENH): “Se nada der certo”!

Confesso que estou incomodada, desconfortável com o evento, porque ética é a garantia de credibilidade nos valores de uma escola. Para uma instituição de ensino ser decente, exige-se convivência social, empenho pedagógico, amorosidade, empatia, companheirismo e, acima de tudo, o valor do respeito. Respeito é uma palavra com origem no latim: respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. Veja que linda é essa ideia de algo que merece um segundo olhar e, consequentemente, uma ação de consideração e reverência. Mas o que ocorreu no dia 17 de maio foi justamente o contrário. O elitismo, a cultura dos privilegiados sobre as profissões dignas, mas que não carregam diplomas, demonstra preconceito, deboche e, acima de tudo, a inferiorização de algumas categorias de trabalhadores, tais como faxineiras, domésticas, garis, atendentes do Mc Donalds, entre outros.

No Mutirão, temos uma profissional de sucesso que é referência para a maioria dos colegas que integram o Instituto Cultural e Desportivo Mutirão Ltda. A colaboradora Agnes Legramanti, apesar de possuir um nome bonito de descendência francesa, fala e escreve muito bem o italiano. Possui 82 anos, sendo que 45 deles estão sendo dedicados à nossa escola. Suas habilidades e competências na função para a qual é contratada são de causar inveja. Ela possui a excelência que toda empresa deseja. Ela é comprometida, responsável e, além de tudo isso, conta com uma pontualidade inglesa, sendo uma funcionária impecável. Ela é conhecida carinhosamente como Tia Inês. Seu cargo? Auxiliar de Higienização.

Tia Inês é uma pessoa incrível. Apesar de pequena em tamanho (1 metro e meio, não tenho certeza), ela é gigante em comprometimento e eficiência. Por causa dela, semanalmente, temos dois dias sagrados na minha opinião. A quinta-feira é santa: ela faz um lanchinho especial para a nossa equipe. Pão novinho e fresco, com chimia de uva que ela mesma cozinha e mel. Também temos a sexta-feira santa: as bomboniéres de cada setor ficam cheias de balinhas e guloseimas para adoçar os nossos dias. Se alguém está doente, lá vem ela, com chazinhos e xaropes milagrosos. Dificuldades na vida privada? Basta deixar o nome completo em um pedacinho de papel. Ela levará para as “Carmelitas” rezarem por você. E quando ela aparece na minha sala de aula com chimarrão? Meus alunos deliram de felicidade, principalmente nestes últimos dias frios e úmidos. A Tia Inês nos aquece com sua amorosidade. Ela nos alimenta. Não enche apenas o nosso estômago, mas nossa alma com vida. Ela cuida, protege, tem uma empatia enorme pelos seus semelhantes, é solidária e fraterna. Ela é uma das profissionais mais dignas, honestas e éticas que conheço. O meu dia sempre fica melhor com seu abraço diário. Esqueci de comentar: aos 82 anos, ela ainda é educadora. Sim, é professora de catequese!

Resumidamente contei um pouquinho do “case de sucesso” da Senhora Legramanti. Sabe por quê? Não importa a sua profissão, desde que você possa desempenhá-la com dignidade, prazer e honradez. Conheço professores diplomados como mestres e doutores, mas que não possuem a capacidade afetiva, didática e corajosa com seus alunos. Médicos que possuem aversão de seus pacientes e que reclamam de cumprir a carga horária de trabalho contratual. Basta olhar os grevistas em Caxias do Sul e o abandono das UBS de nossa cidade. Engenheiros que não conseguem ir além do seu mundo de esquadros e cálculos. Enfim, os profissionais existem não para servir a si mesmos, mas para servir ao coletivo, à sociedade. E se você não tem esse entendimento, porque acha que sua classe social é mais importante do que as outras, ou que o vestibular é a porta de entrada para o seu sucesso, meu amigo, cuidado! Certamente você já está fadado ao fracasso.

Reflito e analiso muito a postura do IENH. Em nota, a escola pediu desculpas pelo “mal-entendido”. Como assim? Já dizia nosso querido Paulo Freire: “todo projeto pedagógico é um ato político”. Não existe a possibilidade de uma neutralidade neste caso. Está muito clara a intenção dessa atividade. Finalizo com o pensamento de Leandro Karnal em suas redes sociais: “Queria tranquilizar a tanta gente que se preocupa se os professores de humanas transformaram os alunos em militantes de esquerda. Observem as fotos na internet e durmam tranquilos. Nenhuma mudança social deriva de um projeto escolar que, depois de doze anos de ensino médio e fundamental, consegue ter essa ideia ruim. E se tudo der errado no Brasil? Teremos o Brasil como ele é…”

Se nada der certo?

Bem… por aqui continuarei a inspirar-me na Tia Inês. Ela sabe como deixar a vida melhor para aqueles que a cercam!

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar