Mutiaulão? O que é isso?

Por Mª Ariane Pegoraro Nuncio

Os Multiaulões têm sido um dos diferenciais do Colégio Mutirão Objetivo de Bento Gonçalves. Desde o mês de junho de 2017, estamos desenvolvendo aulas interdisciplinares em que os educadores do Colégio, em parceria com outras instituições, têm trabalhado os mais diversos temas e assuntos presentes nos vestibulares e no ENEM. Esse mesmo projeto está sendo oferecido, também, para as três séries do Ensino Médio.

A interdisciplinaridade não é um tema novo, estando no Brasil desde a Lei nº 5.692/71, mais fortemente com a Lei de Diretrizes e Bases para a educação, a Lei nº 9.394/96. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já apresentam essa estratégia como algo possível de ser trabalhado nas escolas; mas, infelizmente, no ensino da maioria das escolas, o conhecimento ainda é “individualizado e compartimentalizado como se fossem gavetas”.

Fazenda (1993) aponta que “os currículos disciplinares levam o aluno ao acúmulo de informações. Sua superação exige uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento”.

Para esse mesmo autor “o pensar interdisciplinar tenta, através do diálogo com outras formas de conhecimento, interpenetrar pelos diversos campos do saber”.

Diante dessa realidade, o nosso Colégio vem rompendo com o método tradicional, que pouco contribui para a aprendizagem dos educandos. Ao todo, foram cinco “Mutiaulões”, onde as diferentes disciplinas trabalharam em torno de um mesmo tema.

No 1º Mutiaulão, houve o encontro das disciplinas de Sociologia, Geografia, Literatura, História e Física, e os professores promoveram uma viagem ao longo do tempo, na qual os alunos puderam vivenciar os diferentes tipos de governos autocratas por meio da dramatização e da música.

O 2º Mutiaulão desvendou o pH sob a orientação do cientista maluco Deniz Básico e das assistentes Azul de Metileno e Clorofila. Dessa vez, o encontro ficou sob a responsabilidade dos professores de Química, Matemática e Biologia do Colégio. Além de encantar a galera, os docentes desvendaram o pH no aspecto físico, químico, biológico e matemático. O tema, sempre presente no ENEM e nos vestibulares, mas principalmente no nosso dia a dia, foi tratado de forma lúdica e acessível ao cotidiano de nossos alunos.

O 3º Mutiaulão ficou sob a responsabilidade dos professores de Língua Portuguesa e Biologia, e o tema da vez foi “Espiritualidade como base para o desenvolvimento sustentável”. Na oportunidade, os estudantes do ensino médio puderam fazer uma reflexão sobre a existência dos seres humanos, nossa responsabilidade com a natureza e com as futuras gerações.

O 4º encontro foi em parceria com um pré-vestibular de nossa cidade, e o assunto abordado foi “Atualidades”.

O último encontro, que encerrará esse projeto, envolverá as disciplinas de Língua Portuguesa, Geografia, Sociologia e História. Serão apresentados temas diversos que estarão presentes nas avaliações que os nossos jovens em breve enfrentarão.

Por meio dessa atividade, podemos vivenciar, na prática, a importância de trabalhar de forma diferenciada com os nossos jovens.

A seguir, fotos e relatos que mostram a alegria dos educandos e dos educadores em fazer parte desse Colégio, que vem buscando o rompimento com a forma tradicional de educar.

 

Depoimentos de alunos:

Aluna A.J. F (2º ano)

“O Mutiaulão nos proporciona vários conhecimentos de forma divertida e engraçada. Com ele, aprendemos muitas coisas que jamais pensei que existissem! Eu me divirto muito com as aulas!”

Aluno C. E. C. (1º ano)

“Os Mutiaulões são dez!”

 

Referências:

FAZENDA. Ivani.Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1993.

Mª Ariane Pegoraro Nuncio, autora deste texto, é Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Bento. Ela é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS); Especialista em Educação Inclusiva pelo Centro Universitário Metodista (IPA-RS); Especialista em Supervisão Escolar pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA) e Mestre em Educação-Ciências e Matemática, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

 

 

As ferramentas para a aprendizagem da língua estrangeira

*Por Roberta Albuquerque

Há alguns anos, aprender uma língua estrangeira era privilégio de poucos, pois o custo disso era alto, devido à limitação de profissionais e de escolas de ensino. Poucas eram as instituições dedicadas apenas a essa modalidade e, além disso, os ensinos médio e fundamental ofereciam uma carga horária muito restrita. Para aqueles que quisessem aprender sozinhos, os chamados autodidatas, as ferramentas eram praticamente inexistentes. Hoje, felizmente, a realidade é outra. Mas será que os alunos sabem aproveitar todos os recursos existentes para a aprendizagem de outra língua? Possivelmente não, mas serão apresentadas, neste texto, algumas dicas para fortalecer a importância dessas ferramentas.

Olhando para trás, anos 1980 e 1990, é possível lembrar o nome de duas instituições que tinham propagandas em canais de televisão e as fitas cassetes “k7” para a prática da audição (auge de seu uso entre os anos 1980 e 1990). A realidade hoje, felizmente, é bem diferente, pois são inúmeras as escolas que oferecem cursos de línguas, que trabalham a escrita e a fala, ora voltada para os negócios, ora voltada para o turismo, além de oferecerem valores e condições de pagamento atrativas.

Não se pode deixar de associar a maior facilidade de acesso à língua estrangeira ao crescimento e ao desenvolvimento da tecnologia. Os computadores, “smartphones”, videogames e afins passaram a auxiliar, consideravelmente, esse processo de conhecimento. No passado, as ferramentas eram: apostila, dicionário, fita k7 e professor.

Na internet, é possível encontrar dicionários, gramáticas, exercícios, vídeos e muitas outras atividades interativas, além de cursos online. Outro meio de estudo é a televisão, que, no passado, oferecia apenas “canais abertos” nacionais e não reproduzia os diferentes filmes e séries que hoje são transmitidos pela televisão “a cabo”. O interessante é que muitos desses programas podem ser assistidos em seu idioma original, constando as legendas para facilitar a compreensão do telespectador. Também é possível configurar as legendas e os áudios em diferentes idiomas. Outro recurso interessante e divertido é o videogame, que traz uma linguagem particular, pois muitos termos dos jogos são em inglês. Dessa forma, torna-se imprescindível entender os comandos solicitados para a sobrevivência do personagem no jogo.

As músicas de maior relevância no mercado mundial são gravadas em inglês, mas será que todos entendem o que está sendo cantado? Já procuraram traduzir o significado das músicas que vocês gostam? Algumas pessoas dizem não ter tempo para isso, pois gostam apenas da melodia, mas será que esse processo de compreensão não lhes agregaria nada? Muitos equipamentos eletrônicos possuem termos em inglês, mas será que todos os conhecem, como as letras “L” e “R” dos fones de ouvido? (Left = esquerdo, Right = direito). O “mouse”, utilizado diariamente nos computadores, o “play” e o “power” dos diferentes controles; enfim, não basta apenas existirem ferramentas, se não partir da curiosidade de cada um a busca pelo entendimento.

Vários instrumentos foram mencionados, mas há um que está mais próximo de todos, tendo, atualmente, maior relevância, trata-se do telefone celular, sendo o modelo mais utilizado o chamado “smartphone” (traduzindo: telefone inteligente). Nele, é possível consultar a internet, as redes sociais, distrair-se com jogos, tirar fotos e até mesmo ligar! (hahaha). Há muitos aplicativos disponíveis nesses aparelhos, inclusive alguns direcionados para a aprendizagem de língua estrangeira; ou seja, isso está ao alcance de todos, ou melhor, na mão de todos.

Diferentes recursos foram mencionados para a facilidade de acesso e aprendizado da língua estrangeira, de modo que, se forem bem utilizados, o passo seguinte será o intercâmbio, assunto para um próximo texto. Quem dispõe dessas ferramentas e sabe utilizá-las profissionalmente estará um passo à frente dos demais.

 

Profª Roberta Albuquerque – Licenciada em Letras com habilitação em Língua Espanhola pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA e MBA em Gestão Financeira  pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha – FSG. Docente no Colégio Mutirão Máster. Ministra as disciplinas de Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhol.

O que é esse tal de “Efeito Estufa”?

20170612_183854

*Por Janaína Benetti

Por vezes, nas aulas de Física, faço uma pergunta simples aos alunos: “O Efeito Estufa é considerado bom ou ruim? ” Quase que por unanimidade, depois de alguns segundos pensando, respondem: “É ruim”. A partir daí, passo a questioná-los sobre qual ou quais fontes os levaram a pensar assim e, na maioria das vezes, obtenho como resposta que foram os noticiários.

Sabe-se que hoje em dia a mídia é formadora de muitos pré-conceitos e, por esse motivo, precisamos ficar atentos às informações que nos são passadas por ela. Tendo isso em vista, sempre sugiro que os alunos pesquisem um pouquinho mais e, como não poderia faltar, surge a pergunta: “O que é o Efeito Estufa? ”

Geralmente, essa pergunta causa um certo silêncio na aula e sei que, nesse momento, muitos, de fato, não sabem do que se trata o tal “Efeito Estufa”. Foi por esse motivo que escolhi falar sobre isso.

Pois bem: o “Efeito Estufa” é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, sendo essencial para manter a temperatura do planeta em condições ideais para a sobrevivência dos seres vivos. Se não existisse esse fenômeno, a Terra seria muito fria, o que dificultaria o desenvolvimento e a sobrevivência dos seres vivos.

Os raios solares, ao serem emitidos sobre a Terra, têm dois destinos: parte deles é absorvido pelo planeta e transformado em calor, para manter a atmosfera quente; enquanto que a outra parte é refletida e direcionada ao espaço, na forma de radiação ultravioleta.

O Efeito Estufa se dá pelo excesso de CO2 (gás carbônico) e outros gases, como o metano, na atmosfera terrestre. Eles impedem que parte desses raios voltem para o espaço, provocando, assim, uma elevação na temperatura de todo o planeta.

As altas temperaturas provocadas pelos gases do Efeito Estufa desequilibram o sistema climático da Terra e provocam a elevação do nível médio dos oceanos, o aumento da frequência das tempestades, as ondas de calor, a alteração do sistema de chuvas, entre outros problemas.

Depois de esclarecer o que é o Efeito Estufa, gosto de salientar que ele não é maléfico e que, sem ele, provavelmente não haveria vida aqui na Terra. Apesar disso, temos que ter alguns cuidados para evitarmos o excesso de gases que provocam o aquecimento global.

Para concluir o assunto, gostaria de citar um pequeno trecho do livro “Educação, convivência e ética”, de Mário Sérgio Cortella:

“Eu não moro na Amazônia, e daí que a árvore é derrubada? ” Isso diz respeito ao futuro. “No futuro, eu não vou estar, então não é problema meu. ” Eticamente é um problema meu, porque afeta outro humano.

A frase “você não vai mudar o mundo” é profundamente acomodante, porque você não vai mudar o mundo se continuar achando que ele não pode ser mudado. Mas, quando você se junta com outros que acham que dá para mudar, dá-se um passo adiante no intento de mudá-lo.

Pensando na possibilidade de mudar o mundo e, além disso, acreditando nesse ser que denominamos “Humano”, vale a pena ressaltar alguns dos cuidados que podemos ter quanto à redução do Efeito Estufa:

  • Economizar energia elétrica: não deixe luzes acesas sem necessidade; troque as lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas fluorescentes que poupam 68 Kg de CO2 por ano.
  • Evite utilizar carros como meios de transporte, dando preferência ao transporte coletivo e às bicicletas, pois um dos principais agentes poluidores da atmosfera é o automóvel.
  • Dê preferência a carros a álcool: um litro de gasolina lança 2,74 kg de CO2 na atmosfera. Agora faça os cálculos: se alguém que dirige 20 mil quilômetros em um ano, reduzir 10% desse valor, seja utilizando transporte coletivo, bicicleta ou fazendo pequenos trajetos a pé, contribuirá com a redução de pelo menos 500 kg de CO2 por ano.
  • Coma menos carne suína e bovina, pois esses animais emitem grande quantidade de metano em seus dejetos e ruminação.
  • Recicle o lixo e tenha mais cuidado ao consumir embalagens: reutilizando ou reciclando o lixo, evita-se a utilização de novos recursos naturais não-renováveis. Isso também diminui a quantidade de lixo jogado nos aterros sanitários e reduz a quantidade de metano.
  • Se você tiver um quintal em sua casa, plante árvores, de preferência nativas de sua região, pois, dessa forma, você estará contribuindo para a manutenção da fauna e, também, para a redução do aquecimento global.

*Professora Janaina Benetti – Licenciada em Matemática na Universidade de Caxias do Sul – UCS. Docente da Educação de Jovens e Adultos no Colégio Mutirão Máster nas disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

Canal do educador, Efeito Estufa. Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/efeito-estufa.htm. Acesso em: 08/10/2017.

TodaMatéria, Efeito Estufa. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/efeito-estufa/. Acesso em 07/10/2017.

O conhecimento combate a pobreza

20170516_171037 (1)

*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

“Conhece-te a ti mesmo! ” já dizia Sócrates na Caixa de Presente

foto1

* Por Ana Cristina Pütten

Gosto muito de Filosofia. Ao ministrar alguns de seus conteúdos, faz-se necessário recorrer ao método expositivo, ao menos para direcionar os educandos a uma primeira aproximação com o tema. No entanto, aprecio enriquecer minhas aulas com os espaços da cidade onde moramos, que obviamente estão em contraste com a sala de aula.

Assim como Aristóteles, gosto do ar livre com meus alunos Peripatéticos¹. Ok, não realizamos passeios nos jardins do Liceu, mas eventualmente nos jardins do Parque dos Macaquinhos, por exemplo. Em meu último encontro com a Turma M194 da Educação de Jovens e Adultos, mais precisamente no dia 06 de setembro, nossa aula não foi na tradicional sala retangular, com suas cadeiras enfileiradas, e muito menos no espaço encantado das árvores, das flores perfumadas, com os vira-latas de gravatas coloridas que acompanham seus humanos diariamente no parque. Nossa aula foi no saguão da escola, com mate, balas e rapaduras para adoçar nossa noite!

Iniciei nosso encontro mostrando uma caixa de presente. Em seguida, contei uma história. O enredo da narração estava voltado a um fato: eu tinha comprado um presente especial para mim. Comecei a provocar a curiosidade da turma. O que será que havia dentro da caixa? O que aquele objeto escondia de tão interessante?

Assim, convidei os 45 alunos, reservadamente, a abrir a caixa, desde que soubessem guardar segredo e não revelar o teor de seu conteúdo para seus colegas. O convite foi aceito; e o combinado, cumprido. Era interessante verificar as expressões de cada um: havia caras de surpresas, olhares longos, risos disfarçados e encabulados e até alguns que mantiveram semblantes severamente sérios.

No final, perguntei aos estudantes se tinham gostado do presente. Vejam algumas respostas:

– “Profª, a senhora tem bom gosto!”

– “Adorei seu presente!”

– “Nossa, muito bonito!”

– “Que presente caro profª”!

– “ Seu presente está precisando de um regime, hein? ”

– “Pois é… profª, esse presente podia ser melhor!”

O que tinha dentro da caixa era apenas um espelho. Olhar-se no espelho talvez seja uma ação costumeira, mas, mesmo assim, dá-nos uma perspectiva importante no que diz respeito à nossa existência individual. Olhar-se no espelho, enfim, é uma atividade de autoconhecimento.

foto3

Pois bem: a Filosofia também é autoconhecimento. Quando o “conhece-te a ti mesmo” surge na História, precisamente com Sócrates, esse ensinamento expressa uma regra que significa o cuidado de si.  Nesse sentido, é preciso “ Conhecer-me a mim mesmo” para saber como modificar minha relação para comigo, para com os outros e para com o mundo. Sócrates aconselhava-nos que deveríamos nos apegar menos com as coisas materiais — como a riqueza — e menos ainda com os sentimentos efêmeros — como o poder e a fama. Ao invés disso, deveríamos “apoderarmo-nos de nós mesmos”. Você já parou para pensar nisto: que objetivo tenho de “ocupar-me comigo mesmo”?

Depois de aberta a caixa e revelado seu conteúdo, provoquei meus alunos com algumas questões existenciais, tais como:

– Quem sou eu?

– De onde vim? Para onde vou? Que importância eu tenho na vida dos que me cercam?

– Quando eu morrer, que falta farei? Qual será a minha herança para os outros?

– Qual o sentido da minha vida?

– Quais são os meus sonhos?

Enfim, a Filosofia se volta para as questões humanas, em seus comportamentos, em suas ações, nas suas ideias, crenças, em suas atitudes políticas, morais e éticas. Dessa forma, a Filosofia propõe investigar a humanidade e sua forma de existir, e, para que isso ocorra, questiona o homem, os seus valores e o mundo que o cerca. Então, a pergunta que se faz essencial: para que serve a Filosofia? Dentre as inúmeras respostas, estimo a da filósofa Marilena Chauí (2001):

“A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, os valores de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes haver investigado. ”

Seu ponto de partida é a capacidade do indivíduo de investigar, de refletir, de avaliar os atos, as posturas e a relação de si mesmo e com os outros. Refletir é, aqui, a atitude primordial, pois é o processo que o pensamento faz de si mesmo. É retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado e, por fim, colocar em questão o que já se conhece. Reflectere² em latim significa “fazer retroceder, voltar atrás”. A reflexão pode ser comparada à imagem refletida no espelho, pois há um “desdobramento” da nossa figura, ou seja, é a ação de “voltar-se para si mesmo”.

A caixa de presente foi uma dinâmica muito simples, mas foi, principalmente, uma ferramenta para provocar e despertar, criando, dessa forma, o despertar filosófico para uma nova visão de si e do mundo. É essencial que nossos alunos possam desenvolver uma consciência crítica, ascendendo à concepção ingênua e alienada sobre os fatos que compõem a realidade social e política em que estamos inseridos.

Na medida em que os estudantes compreendem a realidade que os envolvem através da reflexão, surge a necessidade maior de participação efetiva para modificar e transformar o status quo. Assim pensava Sócrates, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossas relações com os outros e com o mundo.

foto2

 

¹ – Do Latim PERIPATETICUS: “relativo à filosofia de Aristóteles”, do Grego PERIPATETIKÓS, literalmente “aquele que anda ao redor”, de PERI-, “ao redor”, mais PATEIN, “caminhar, andar”. Isso porque ele tinha o hábito de ensinar enquanto caminhava com seus discípulos pelos espaços do Liceu de Atenas.

² – Fazer retroceder, voltar atrás. Refletir é, então, retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. ARANHA, Maria Lúcia Arruda de. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. p. 106.

Referências

CHAUÍ. Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática: São Paulo, 2001.

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

O QUE A SALA DE AULA REPRESENTA PARA ESTA PROFESSORA?

13659077_1105001472890887_2929048607636247039_n

* Por Márcia Toigo Angonese

Como docente de Biologia e de Química, eu vivo diariamente em sala de aula e tenho, em minha bagagem, experiências fantásticas de muita partilha de conhecimentos junto aos alunos da EJA Mutirão.

A sala de aula não é só um espaço físico de paredes e de classes, de móveis e de pessoas passivas. Percebo que esse espaço é, na verdade, nobre de oportunidades, de aprendizagens, de conhecimentos, de afetos e de trocas. Nesse lugar especial, os alunos não só aprendem assim como o professor não somente ensina.

A sala de aula é um lugar de experiências humanas, onde cada aluno que ali está tem sempre uma história pra te contar, um fato a relatar, e isso tudo enriquece as aulas de maneira incrível.

Percebo isso com grande ênfase quando trabalho com eles “Os sistemas do corpo humano”. Essa aula me enche de grandeza e de entusiasmo pelo que faço, pois existe um envolvimento grande de todos, que trazem, para o espaço da sala de aula, fatos e histórias de suas vidas.

Um dos temas mais interessante que apresento para as turmas é sobre o cuidado com a nossa saúde, com a nossa alimentação e a prevenção da diabetes. Para que o tema seja interessante para todos, busco sempre abrir um canal de comunicação, onde os alunos possam trazer suas experiências com o intuito de enriquecer o debate.

Compartilho, logo a seguir, alguns relatos dos alunos da turma M176 (EJA/noturno) referentes às aulas de Biologia/corpo humano.

 “Para mim foi muito importante o conhecimento de nosso próprio corpo. Foi bom aprender sobre o que nos deixa doente e o que podemos fazer para prevenir doenças. Essas aulas foram muito boas, pois todos participaram, interagindo em aula. Com isso, todos aprenderam. ”

 “Eu, particularmente, pelo fato de ter atrite; com as aulas, comecei a me preocupar muito mais com a saúde e com o cuidado do meu corpo. Essas aulas prenderam minha atenção. Eu sempre faço perguntas; e a professora sempre me responde. Mesmo depois, em casa, fico sempre lendo sobre a matéria. ”

“Gostei de ter aula de Biologia, porque eu estava com dúvidas sobre fazer ou não um curso de socorrista, pois eu não sabia o que fazer. Para mim foi muito importante essa aula. ”

 “Foi uma aula muito importante, interessante, com muitos debates sobre temas trazidos por nós alunos em sala de aula. Uma observação é o fato de termos pouco tempo de aula para um conteúdo que levamos para a vida inteira. ”

 “Para mim, as aulas foram muito importantes, pois aprendi muito. Eu sempre tive muitas dúvidas e curiosidades sobre o corpo humano…”

O que esse espaço-sala representa é um ambiente onde fomos capazes de ouvirmos e de sermos ouvidos. Nos tempos modernos em que tudo é realizado por máquinas, celulares e computadores em um “mundo virtual”, o momento de trocas numa sala de aula física, real, é algo incrivelmente importante, a fim de mantermos uma relação, ainda que breve, de estar presente naquele momento, o que é uma relação mais humana de partilha. Independentemente dos tipos de personalidades, de idades, de raças, ou seja, seja qual for a sua criação, é favorável que as relações sejam regadas por um solo que acondicione a troca de saberes entre alunos e professor, professor e alunos, alunos e alunos. Considerando-se, nesse sentido, professor e alunos como atores sociais, enfatiza-se a análise das situações em que eles se veem envolvidos no seu cotidiano (Sirota, 1994).

Percebo que esse sentir, nesse ambiente de sala de aula, é regado pela empatia que tenho por todos ali presentes, acolhendo a cada um, aceitando suas diferenças, suas peculiaridades, suas identidades. Isso torna as aulas muito prazerosas para ambos os lados.

A escuta ativa e o incentivo do potencial positivo também são características que marcam muito esse ambiente da sala de aula. E é nele que coloco em prática esse conselho de Cortella: “Elogia em público, corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.” Isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Esse espaço-sala é, sem dúvida, a pura expressão de cada um que ali passa e deixa sua marca (Freire).

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor sério, o professor incompetente, o professor irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, o professor sempre com raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor burocrático, o professor racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p.73).

Cada um presente no espaço-sala deixa um pouco de si e leva outro tanto para si. Todos, enfim, acabam compartilhando e contribuindo para um aprendizado mais próximo das suas realidades.

Referências:

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, (2002), op. cit., p. 73.

RESENDE, Tânia de Freitas. No interior da “caixa preta”: um estudo sociológico das interações em sala de aula. In: GT Sociologia da Educação /n.14, 2004.

SIROTA, Régine. A escola primária no cotidiano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese – Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Máster.    

Jornal escolar e o uso de tecnologias na produção textual

IMG_20160824_150757800


*Por Kamila Girardi

Resumo

O presente artigo abrange o desenvolvimento de um projeto denominado “Jornal Escolar” e a sua aplicação em três turmas de Ensino Médio de diferentes níveis: 1ª, 2ª e 3ª séries. Descreve-se, aqui, o trabalho de produção textual, visando a prática da língua escrita através dos mais variados gêneros textuais com que os educandos tiveram contato ao longo da sua formação. A metodologia atribuída ao projeto busca quebrar paradigmas acerca das aulas tradicionais de Língua Portuguesa, promover a pesquisa, inserir a tecnologia em sala de aula e incentivar a autonomia do aluno no reconhecimento das funções comunicativas de determinados gêneros textuais, instruindo-o para a adequação do gênero à situação de comunicação. Além disso, o projeto propõe envolver todas as áreas do conhecimento.

Palavras-chave

Produção textual, tecnologias, pesquisa, autonomia.

 

I. Introdução

O projeto “Jornal Escolar” objetiva criar novos procedimentos para o ensino da Língua Portuguesa, tendo como perspectiva inicial a proposta trazida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ou seja, de que se deve trabalhar o texto como base, como o centro do estudo linguístico e, através dele, as competências comunicativas que devem ser desenvolvidas por um falante nativo apto a comunicar-se de forma clara, coerente, concisa e coesa em qualquer situação de interação social.

Com este trabalho, busco enfatizar a importância do gênero textual socialmente situado no domínio jornalístico, primando pela produção de gêneros que visam a veiculação de informações. Os gêneros textuais mais comumente utilizados em mídia jornalística impressa são bastante diversificados, por abarcarem não só a formalidade da língua, em gêneros como o editorial, a reportagem e a notícia, por exemplo, mas por suportarem e aceitarem também a informalidade em gêneros como a charge e a crônica.

O principal objetivo da aplicação da proposta “Jornal Escolar” é desenvolver a competência discursiva escrita, habilidade que entendo ser o principal motivo pelo qual o estudo da língua se faz realmente necessário, embora não seja esse o único. Além disso, o estudo da Língua Portuguesa deve estar intimamente ligado às necessidades reais dos falantes nativos em suas práticas linguísticas cotidianas.

A elaboração de um jornal escolar não só proporciona aos alunos a possibilidade de se expressarem com liberdade, como também oportuniza uma visão crítica acerca dos usos que fazemos da língua. O aluno é motivado a produzir sobre assuntos que são do seu interesse, sem imposição de um gênero textual comum, uma vez que a escolha do gênero dependerá exclusivamente da mensagem e da maneira como o aluno irá divulgá-la.

Tendo em vista a importância de se trabalhar com gêneros textuais em sala de aula, fazendo da produção textual um exercício de aprimoramento das competências linguísticas do aluno, é primordial que se reflita sobre a exploração da escrita. De acordo com Antunes (2003), a escrita é uma atividade que requer a interação entre duas pessoas: um escritor e um leitor. Para que faça sentido a elaboração de um texto, é fundamental que se leve em consideração o seu público-alvo. Ao escrevermos, fazemo-nos para que alguém leia. O jornal escolar proporciona essa interação, uma vez que a produção textual está diretamente voltada para um leitor (aquele que busca a informação). Para que o processo de escrita faça sentido para o aluno e para que o texto produzido atinja a sua função comunicativa, se faz necessário o envolvimento de um leitor no processo, pois, segundo Antunes (2003) “quem escreve, na verdade, escreve para alguém, ou seja, está em interação com outra pessoa”.

Para desenvolver um projeto de escrita, primeiramente devemos arquitetá-lo sob as seguintes perspectivas: escolha do assunto a ser tratado, os objetivos que queremos atingir ao abordarmos esse tema, o gênero adequado à situação de comunicação, a organização das ideias principais (para que o texto não seja apenas uma emaranhado de informações desconexas em entre si) e, por último, levar em consideração que haverá um leitor no processo e que o texto deve passar exatamente a mensagem pretendida pelo escritor.

Sabemos que muitos são os gêneros textuais conhecidos e outros tantos estão surgindo em decorrência dos avanços tecnológicos. De acordo com Marcuschi (2010), os meios de comunicação em massa, tais como o jornal impresso, por serem bastante presentes e ganharem destaque nas atividades de comunicação sociais reais, abrigam novos gêneros. Para Marcuschi (2010), os gêneros textuais são fenômenos históricos profundamente relacionados com a vida cultural e social, pois estabilizam as atividades de comunicação do dia a dia.

Quando da elaboração de uma mídia eclética como um jornal escolar, as possibilidades de gêneros que podem ser utilizadas são amplas. Os alunos são autores autônomos, capazes de escolher o que querem expressar da maneira como querem expressar. É claro que os gêneros textuais possuem formas pré-concebidas, mas nada impede a sua alteração para adequar à situação de comunicação.

Com a elaboração de mídia jornalística impressa, os alunos não só têm o contato com a produção textual em si, mas também com o uso de tecnologias que permitirão essa ação. Essas tecnologias, tão presentes na vida dos nossos alunos, são desmistificadas quando aliamos suas utilidades pedagógicas ao contexto de sala de aula. Sabemos que, mesmo com tantos recursos digitais, ainda é um desafio para o professor a proposta de apropriar-se deles para o trabalho, ou por falta de conhecimento de como manuseá-los, ou por não saber como introduzi-los em suas aulas de forma a suscitar conhecimento. A internet é um mundo de amplas possibilidades a serem exploradas e os aparelhos como notebooks, tablets e smartphones, devido à grande praticidade, são instrumentos que não só propiciam acesso à informação de forma imediata, como facilitam a produção de material escrito. Para um projeto que envolve tantos recursos, como a elaboração de um jornal, a tecnologia é fundamental para que o processo culmine ao resultado esperado.

II. Jornal na prática

A proposta de desenvolver um projeto para criação de um jornal escolar foi elaborada por mim e vivenciada pelas turmas de Ensino Médio com as quais trabalho em determinada escola da rede particular de ensino. A fase inicial do programa contemplou a divulgação da ideia da fabricação de um jornal em que os próprios alunos assumiriam as editorias, de acordo com seus interesses e afinidades.

A primeira ação desenvolvida foi possibilitar aos alunos o contato com a realidade de um jornal. Em um primeiro momento, convidamos uma profissional, graduada na área do jornalismo, para pormenorizar as ações desenvolvidas pelo jornalista nos meios de comunicação. A visita proporcionou uma visão ampla de como se elabora a mídia impressa, a composição da equipe de editores e revisores e o processo de criação desde a montagem até a impressão. Após os esclarecimentos da profissional convidada, os alunos tiveram contato com o material impresso, cortesia de um jornal local, para que pudessem manuseá-lo, observando suas características e, principalmente, seu conteúdo. Além da conversa com a mencionada profissional, outros dois jornalistas participaram do projeto através de vídeo previamente gravado. Um deles, editor de mídia online e, o outro, repórter e apresentador televisivo, ambos jornalistas por formação, que expuseram suas atribuições, ampliando assim, a visão dos alunos sobre a profissão e as possibilidades de atuação junto ao mercado.

A segunda ação desenvolvida, foi a mobilização das turmas para o reconhecimento da elaboração do jornal. Os alunos foram incentivados a pesquisar por diversas maneiras de projetar uma mídia impressa, estudo esse que engloba desde os gêneros textuais mais adequados ao contexto comunicativo até a simples formatação do texto no papel. Alguns sites com conteúdos voltados diretamente ao assunto foram selecionados e repassados para que os alunos pudessem, com liberdade, manuseá-los e, com autonomia, decidir sobre a utilização dos materiais disponíveis, julgando o que seria pertinente ao projeto em que estavam engajados. O envolvimento na pesquisa proporcionou segurança na atribuição das funções: alguns se sentiram mais à vontade para produzir matérias mais longas, outros para criar layouts de acordo com as editorias e, ainda, houve aqueles que utilizaram suas habilidades artísticas para elaborar gêneros mesclando texto e desenho.

Após a pesquisa de projeção da mídia impressa, a terceira ação foi a produção textual. Nessa etapa, os alunos foram incentivados a utilizar, em sala de aula, notebooks, tablets e smartphones para auxiliá-los na pesquisa e na elaboração dos textos. Comprova-se, com as atividades aqui desenvolvidas, que o uso de tecnologias em sala de aula é muito produtivo mediante planejamento e combinações previamente estabelecidas. Os smartphones, tão presentes na vida dos nossos alunos, passam a ser não só aliados da educação que permite o acesso à tecnologia, mas desmistificados pelos próprios alunos como objeto de utilidade que vai além da simples consulta a redes sociais. Para implantar o smartphone como objeto de trabalho em sala de aula, sem que isso prejudique o bom andamento das atividades, é preciso tratá-lo como equipamento de suporte à pesquisa. Além disso, para a produção de um jornal, o aluno pode utilizar o equipamento não só para a elaboração do texto, mas para diversos outros fins, como por exemplo, para captar imagens que irão acompanhar as matérias.

O momento da produção textual é, sem dúvidas, o mais importante na proposta, pois o aluno deve decidir o assunto sobre o qual irá escrever, o gênero textual mais adequado à situação comunicativa, além de demonstrar a autonomia pela busca de informações coerentes. Nessa etapa foi fundamental a orientação da professora em todos os sentidos, desde as escolhas dos temas até a produção final. É importante ressaltar que o envolvimento foi tamanho que, inclusive, foram agendados horários extraclasse para orientação de pequenos grupos, a fim de garantir a qualidade das produções textuais e a confiabilidade das informações veiculadas.

A quarta ação do projeto foi avaliação dos textos. Nessa etapa, os alunos tiram contato com as criações uns dos outros, com o intuito de criticar (positiva ou negativamente) o trabalho dos colegas e a fim de sugerir os melhoramentos necessários. Após essa socialização, todos enviaram as produções textuais para a professora, por correio eletrônico, para receber a aprovação da publicação, a revisão ortográfica e gramatical e as orientações para a retextualização.

A quinta e última ação, foi o processo de criação de título e layout, trabalho desenvolvido por alunos que se candidataram para elaborá-los. A organização dos textos foi realizada por uma equipe pré-selecionada que fez a compilação de todo o material enviado. É importante ressaltar que, durante o processo, verificou-se a adesão cada vez maior dos alunos que procuravam, de forma voluntária, maneiras de participar da projeção da mídia impressa.

III.  Resultados

A aplicação do projeto que objetivava incentivar a pesquisa, o uso de tecnologias aliado à educação, a autonomia do educando na busca por informações e a qualidade da produção textual, foi atingida com o êxito esperado.

Alguns textos publicados no jornal seguem como exemplo da boa qualidade das produções textuais dos alunos, bem como para demonstrar o nível de pesquisa em que se engajaram.

O primeiro exemplo é de autoria da aluna Pietra Dal Sasso Quintans Graça, da 3ª série do Ensino Médio:

INIMIGO OU AMIGO PÚBLICO?

Muitas pessoas, ao se depararem com embalagens que contém um símbolo amarelo com a letra “T”, perguntam-se o que esse pictograma significa e de que maneira ele interfere na alimentação. Esse “T” é utilizado para a identificação dos produtos transgênicos, ou seja, alimentos modificados geneticamente em laboratórios. Os alimentos transgênicos foram desenvolvidos com o objetivo de aumentar a resistência a pragas e doenças, para diminuir o uso de agrotóxicos favorecendo o aumento da produtividade e, consequentemente, do lucro. Porém, esse tipo de tecnologia agrícola, utilizada em muitos países, inclusive no Brasil, resultam em polêmica, pois ainda não há consenso na comunidade científica sobre a segurança desses alimentos para a saúde humana e para o meio ambiente.

O Greenpeace, uma organização global independente, cuja missão é proteger o meio ambiente e inspirar mudanças para um futuro mais verde, defende um modelo de agricultura baseado na diversidade agrícola, logo, acredita-se que o uso de transgênicos possa ser muito prejudicial para o meio ambiente e para a saúde. Dentre os principais efeitos negativos, destacam-se:

Pelo fato de serem resistentes aos agrotóxicos, o uso contínuo das sementes transgênicas leva à resistência de ervas daninhas e insetos, o que induz o agricultor a aumentar a dose dos agrotóxicos ao ano e, em consequência dessa utilização indiscriminada, acabam contaminando o solo e pondo em risco a biodiversidade.

Os transgênicos aumentam a resistência a antibióticos, pois, para poder ter certeza da eficácia da modificação genética, são introduzidos genes de bactérias resistentes a antibióticos e, com isso, o consumidor também pode se tornar resistente aos antibióticos prejudicando a saúde.

Apesar de não haver informações científicas suficientes sobre todos os efeitos dos transgênicos na saúde humana, alguns fatores puderam ser observados. Quando se insere um gene de um ser em outro, há formação de novos compostos nesse organismo, podendo ocorrer a produção de novas proteínas alergênicas ou de substâncias que provocariam efeitos tóxicos não identificados em testes preliminares.

Por outro lado, existem estudos que apontam muitos benefícios aos transgênicos e acusam o Greenpeace e demais ONGs “antitransgênicos” de apontar os riscos e impactos sem ter comprovações. Nesse contexto, os benefícios que merecem destaque são:

O arroz dourado é uma variante criada em 1999 com genes modificados para produzir um percursor da vitamina A, que pode reduzir o número de crianças que sofrem de carência dessa vitamina, que causa cegueira e problemas oculares.

Os transgênicos podem ser uma solução ao problema da fome enfrentado no mundo, pois podem levar ao aumento da produção de alimentos. Além disso, o seu custo é baixo.

Tendo em vista os prós e contras desse tipo de alimento, cabe ao consumidor eleger consumi-los ou optar pelos alimentos orgânicos. Portanto, devido à falta de comprovações sobre os malefícios e benefícios, fica clara a importância de os produtos transgênicos possuírem rótulos com informações para o consumidor. A descrição da composição do alimento e o gene que foi inserido no produto devem ser informados.

O segundo exemplo é de autoria dos alunos Ellen Ilha de Andrade e João Vítor Biazussi da Silva, da 2ª série do Ensino Médio:

A PSICOLOGIA EM QUADRINHOS

Internet, cinema, notícias, atualmente têm se destacado diversas informações curiosas do mundo geek, desde o explosivo sucesso de filmes de heróis até jogos de suicídio e palhaços macabros. Diante disso, vamos, do interessante ao mórbido, unir esses assuntos, tratar do humor e autossatisfação, nas personagens, em seu aspecto mais psicótico e perturbador. O Coringa, príncipe palhaço do crime, a princípio um simples vilão de quadrinhos do Batman, possui, no entanto, uma profundidade inimaginável.

Inimigo mortal do Homem morcego, o Coringa é comumente visto como insano, desde seus atos, seus trajes, e sua teoria de que “um dia ruim é tudo que lhe diferencia do dito normal”, até sua eterna risada e, principalmente, o motivo dela.

Para explicar as ações da personagem, ninguém melhor do que o pai da psicanálise e sua definição de ID, ego, e superego, em que o primeiro seria a parte mais primitiva do cérebro, a origem dos impulsos e desejos que não chegam a consciência ou que são por ela reprimidos, resumidamente, o princípio do prazer sem medir esforços. Em contrapartida, o superego teria a função de controle, sem visar essencialmente a moral, mas sim um ideal, uma justiça além da justiça, no caso, um herói que vai além do sistema. Tudo se torna mais claro se analisarmos a função do ego, de equilibrar os anteriores, pois a censura excessiva pode gerar respostas extremas do ID, como psicose, algo que nos quadrinhos é representado pelo Batman, que cria sua nêmese através da repreensão exagerada que causa.

Com o passar dos anos, o Coringa apresentou-se em inúmeras versões, desde um piadista brincalhão até um genocida cruel, devido a isso, naturalmente, existem gritantes diferenças entres suas aparições, o fato de, por vezes, ele quebrar a quarta parede falando diretamente com o público leitor, tal ação gerou a teoria de super sanidade, que alega que o Coringa seria, na verdade, mais ciente do mundo do que qualquer outro e, assim, saberia que tudo a sua volta tratar-se-ia de mera ficção, porém essa ideia possui falhas considerando que nem sempre ele segue o padrão de se direcionar ao público e dialogar com o mesmo. Contudo, ergueu-se um fato: o coringa não é insano nem ao menos apresenta características de insanidade, como alucinações, melancolia, paranoia ou fobias sem motivos.

O mais incrível é que, mesmo com tantas mudanças, existem sim características comuns às versões do palhaço, entre elas, destaca-se seu narcisismo, egocentrismo, falta de empatia e, principalmente, o humor. Os três primeiros muito remetem à psicopatia, tornando-o alguém não insano, mas inteligente o bastante para fingir insanidade e, o último, que é praticamente seu símbolo, deve ser analisado.

Como diria Schopenhauer, o humor é resultado da contradição, aquilo que devia ocorrer e o que ocorre. Indo além de Freud, que afirma que o humor se compara ao sonho, em que o inconsciente pode aparecer sem consequências ou censuras, o que é ainda melhor visto em sua comparação de que o sonho é a porção necessária e cotidiana de loucura do indivíduo. Em resumo, o humor seria a contradição entre verdades profundas, ideias superficiais e valores tradicionais. Com essa visão um tanto quanto niilista, pode-se trazer a seguinte percepção do filósofo Nietzsche: “eu até me permitiria uma hierarquia dos filósofos de acordo com seu riso, chegando até aqueles com a risada de ouro e supondo também que os deuses filosofam. Não duvido que saibam rir de maneira nova e sobre-humana e às custas de todas as coisas sérias”; que muito lembra uma frequente frase do coringa “It’s all a joke”, em que afirma que o mundo nada mais é a ele do que uma grande piada. Isso expõe seu niilismo, presente em todas as versões da personagem, apenas em diferentes intensidades.

 Dito isso, pode-se dividir o príncipe palhaço em três personas de acordo com as características do ID. O brincalhão, que busca saciar seus desejos; o gênio do crime, que age em resposta ao agente de repreensão; e, por último, aquele que possuiria o maior conhecimento de si e do mundo e busca mostrar as contradições da sociedade. Essa percepção nos leva a observar uma relação entre o niilismo e a atuação do ID, pois quanto mais se nega os ditos sociais, menor será a validade do superego e, por consequência, maior será a influência do ID, que pode causar forte oposição a tudo que lhe for diferente.

Após todo esse estudo, podemos encerrar o diagnóstico, caracterizando o Coringa, não como louco, mas sim como um caso de super sanidade, uma visão superior da realidade, tendo em vista que a mesma pode vir a fazer pessoas agirem como loucas ou no mínimo anormais, o que pode ser visto no caso do próprio Nietzsche que antes de seu colapso já era considerado por muitos como estranho ou até mesmo insano.

O terceiro e último exemplo é de autoria da aluna Luísa Fracalossi Reinbrecht:

Editorial – Feminismo

Nossa sociedade atual é bela, simpática, amigável e, após afirmar isso, devo alegar que somos todos mentirosos. Concordo que, às vezes, é mais fácil colocar todos os nossos problemas dentro de uma caixinha e mantê-la trancada para sempre com um cadeado enorme, mas já parou para pensar o quanto você sofre por ignorar todas essas complicações apenas pelo medo de enfrentá-las? 

Na minha opinião, um dos maiores problemas com os quais lidamos é a desigualdade. Por causa dela construímos barreiras e criamos desgosto por pessoas que são exatamente iguais a nós. Muitas vezes, deixamo-nos enganar que as injustiças só acontecem longe de onde estamos, que nunca seremos afetados, e é por isso que decidi escrever sobre esse assunto. Mais especificamente sobre a dificuldade que muitos de nós ainda têm para enxergar o mesmo potencial nos dois sexos, e o que considero ser a solução para esse problema: o feminismo.

Gostaria de pedir para que você pense em cinco mulheres que conhece e, agora, devo avisá-lo(a) que uma delas possivelmente foi, ou será estuprada durante sua vida. É duro de aceitar, mas é a verdade. Supondo-se que você assista a algum tipo de série, documentário ou até mesmo novela que dure cerca de 45 minutos, provavelmente me diria que aproveitou bem o seu tempo, que se divertiu. No entanto, preciso informá-lo(a) de que, no Brasil, durante esse curto período, quatro pessoas do sexo feminino foram violentadas e elas não podem concordar com você sobre terem se divertido, porque não pediram por isso, foram forçadas. De qualquer modo, outro fato que realmente deveria preocupar as pessoas, é que, no nosso país, a cada 1 hora e 30 minutos mais uma mulher, uma mãe, uma irmã ou uma amiga não sobrevive aos maus-tratos de um homem.

É claro que, além destas situações citadas, existem milhares de outras em que podemos ver a injustiça sendo praticada, mas gostaria que você lembrasse que não é apenas com as mulheres que isso acontece, afinal, quem nunca viu algum garoto ser motivo de risadas por demonstrar seus sentimentos, ou chorar? Por que é estranho vê-los usando roupas cor de rosa? Qual é o problema de um menino não gostar de ser agressivo?

Em todo o caso, não quero que entenda que o problema está só na sua cidade, no seu estado ou no seu país, mas no nosso mundo. Antes de sermos divididos por diferentes nacionalidades, etnias, raças e culturas, todos vivemos no mesmo planeta, todos somos humanos.

Mulheres e homens jamais serão iguais sob hipótese alguma, mas, por ambos serem pessoas e terem sentimentos do mesmo jeito, concordo com a igualdade dos sexos, concordo com o feminismo. Eu acredito que não hoje, mas algum dia poderemos fazer o bem sem demasiados esforços, e é disso que as mulheres africanas que não tem acesso à uma educação completa, precisam. É disso que as mulheres que recebem menos salário do que os homens pelo mesmo trabalho, precisam. É a humanidade de que todos nós precisamos.[1]

IV. Conclusões

O uso de tecnologias em sala de aula é cada vez mais requerido pela geração Z. Aliar-se ao que é inevitável faz com que consigamos uma aproximação maior dos nossos alunos com os objetos de estudo aos quais são submetidos e ampliemos as possibilidades de aprendizagem. Se faz necessária uma reavaliação dos processos utilizados em sala de aula, levando-se em consideração o avanço tecnológico que tivemos no mundo nos últimos vinte anos. Se resistirmos ao implantar procedimentos que condizem com a realidade dos educandos, muito provavelmente estaremos nos posicionando contra uma evolução natural. É imprescindível inserir a tecnologia em sala de aula, fazendo do seu uso parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem. As tecnologias, quando bem utilizadas, proporcionam um contato muito maior com o mundo e praticidade na busca por informações. Apropriar-se de ferramentas que dinamizem a aula, diversificar as metodologias levando em consideração a realidade do aluno e ampliar as fontes de aprendizado são elementos fundamentais para a construção do conhecimento.

V. Bibliografia

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro e interação. São Paulo: Parábola, 203, p. 44-66.

________________. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola, 2009, p.49-73.

BALTAR, R. A. Marcos. A competência discursiva através dos gêneros textuais: uma experiência com o jornal de sala de aula. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003. 149. Programa de Pós-graduação em Letras. Porto Alegre, 2003.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: Gêneros textuais e ensino. São Paulo: Parábola, 2010, p. 19-38.

[1] Referências utilizadas pelos alunos:

http://psicologia-ro.blogspot.com.br/2013/02/coringa-e-o-arquetipo-do-louco.html

https://www.dicio.com.br/sanidade/

http://divadoescritor.blogspot.com.br/2009/01/id-x-superego-em-batman-o-cavaleiro-das.html

http://sequart.org/magazine/64378/ladies-and-gentlemen-hobos-and-tramps-cross-eyed-mosquitoes-and-bowlegged-ants-loving-that-joker-but-which-one/

http://sequart.org/magazine/60541/peaslee-and-weiner-on-joker-serious-study-of-clown-prince-of-crime/

http://sequart.org/magazine/40157/perfect-chaos-why-the-joker-is-the-greatest-comic-book-villain/

http://sequart.org/magazine/52185/theorizing-about-the-joker-in-all-seriousness/

O que é ego, id e superego?

Resumo: ID, EGO E SUPEREGO

http://filosofia.ceseccaieiras.com.br/freud-id-ego-e-superego

Teorias de Freud – Resumo das Teorias freudianas

10 Coisas que as pessoas entendem errado sobre o Coringa!

https://sindicatonerd.com.br/conheca-o-personagem-coringa/

http://www.momentumsaga.com/2013/08/analise-do-inimigo-o-coringa.html

https://pensador.uol.com.br/autor/friedrich_nietzsche/biografia/

*Kamila Girardi: Graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade de Caxias do Sul e professora de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Mutirão de Bento Gonçalves.

Qual é a sua?

20161004_215008

*Por Lucia Caroline Cornely

A sala de aula é um ambiente de diversidade, com variedade de indivíduos em diferentes fases de desenvolvimento e conhecimento. Essas características definem as inteligências predominantes em cada um deles. Mas para começar, o que é inteligência?

Inúmeros são os conceitos de inteligência. Os famosos testes de QI são focados em compreensão lógico-matemática e por muito tempo definiram a inteligência e a burrice. O conceito se modifica com Daniel Goleman e a percepção de uma inteligência emocional, que culmina nas inteligências múltiplas. Para Gardner (apud RODRIGUES, 2015): Inteligência é a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais”.

A teoria das Inteligências Múltiplas(IM) surgiu com Gardner (1994). Ele afirma que todos os indivíduos são inteligentes e que dentre as nove inteligências catalogadas haverá duas inteligências em destaque e uma inteligência pouco desenvolvida.

 As habilidades predominantes nos indivíduos são resultado da valorização cultural e social de determinada habilidade. Em uma região tipicamente boêmia é valorizada a musicalidade, enquanto em um ambiente acadêmico o mais importante é a produção científica.

As IM’s trazem outro tema importante para debate: a raridade de superdotados e a desmistificação das pessoas com deficiência, porque afinal todos temos habilidades mais e menos desenvolvidas.

As IM são atualmente nove, mas isso pode mudar, pois é uma classificação de percepção de habilidades e o próprio Gardner renova periodicamente sua teoria. São elas:

1) Lógico-matemática: Trata-se da sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. Habilidade para lidar com uma linha de raciocínio, levantar hipóteses, trabalhar com manipulação de símbolos. Mais presente em matemáticos, físicos e diversas pessoas que lidam com raciocínios lógicos e matemática.

2) Linguística: Sensibilidade para o significado das palavras e funções da linguagem,sensibilidade para usar a linguagem de forma apropriada para transmitir ideias. Facilidade para aprender idiomas. Mais presente em poetas, escritores e diversas pessoas que usam a linguagem de forma efetiva.

3) Espacial: Percepção do mundo visual e espacial, pensar de maneira tridimensional, criar, transformar e modificar imagens, se localizar e localizar objetos no espaço. Mais presente em arquitetos, escultores, navegadores e diversas pessoas que operam com o espaço.

4) Corporal cinestésica (ou físicocinestésica): Capacidade de controlar o corpo de forma fina, com coordenação, precisão e habilidade. Mais presente em atletas, dançarinos e diversos artistas.

5) Interpessoal: Capacidade de interagir de forma efetiva com outras pessoas, responder apropriadamente aos temperamentos, humores, motivação, compreender e motivar. Mais presente em políticos, vendedores, professores, líderes e diversar pessoas que trabalham com motivação.

6) Intrapessoal: Capacidade de entender a si mesmo, lidar com seus desejos e sonhos, direcionar a própria vida de forma efetiva. É o correlativo interno da inteligência interpessoal.

7) Musical: Habilidade para produzir e apreciar ritmos, tocar instrumentos e compor.

8) Natural: Sensibilidade com a natureza, para o entendimento da mesma e

desenvolvimento de habilidades biológicas.

9) Existencial:Capacidades filosóficas, refletir sobre a existencia e a vida.

A existência e classificação de inteligências é um importante fator de conhecimento para o educador em sala de aula, pois ainda hoje as habilidades mais valorizadas e recompensadas nas escolas são a linguística e lógico-matemática, vide carga horária das disciplinas valorizadas desigualmente. Qual a necessidade de quatro períodos de matemática e apenas um período de artes?

É necessário repensar a prática educativa de forma inclusiva. Para alguém com a predominância corporal cinestésica torna-se uma tortura cinco horas ouvindo alguém falar.  Desta forma devemos aproveitar todas as estruturas disponíveis para aumentar o grupo a qual chega o conhecimento. Uma pequena animação resumindo o conteúdo atinge mais educandos que uma explicação oral, por exemplo.

Urge a necessidade de reformarmos o sistema educacional, repensar a forma de ensinar, melhorar as estruturas educacionais públicas para impulsionarmos uma educação efetiva e de qualidade que inclua a todos.

*Professora com bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS). Docente no Mutirão Farroupilha na área das Humanas, e também na rede estadual de ensino.

Referências:

GARDNER, Howard. Estruturas da mente. A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre. Artes Médicas, 1994.

RODRIGUES, Letícia Gomes. Um Estudo sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas. Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: < http://www.gradadm.ifsc.usp.br/dados/20152/SLC0631-1/Trabalho_tipos_inteligencia.pdf>

TOGLATIAN, Marco. Teoria das inteligências múltiplas. Disponível em:

<http://www.togatlian.pro.br/docs/pos/unesa/inteligencias.pdf>.

 

Os benefícios dos produtos orgânicos para a saúde humana e meio ambiente

fabi

* Por Fabiane Menegotto

Os produtos orgânicos são cultivados sem a utilização de agrotóxicos, adubos químicos ou outras substâncias tóxicas, evitando assim a contaminação do meio ambiente e principalmente dos alimentos produzidos. Desta forma, a agricultura orgânica busca preservar a biodiversidade, garantir os ciclos e as atividades biológicas do solo, preservar os lençóis freáticos e tratar os ecossistemas com mais equilíbrio.

O Ministério da agricultura (2017) informa em seu site que o objetivo principal da produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida com proteção ao meio ambiente.  “O uso indiscriminado de agrotóxicos pode comprometer a qualidade da água para abastecimento, o solo, os alimentos e a manutenção da vida aquática selvagem. Isso ocorre porque eles alcançam os recursos hídricos ao serem aplicados sobre superfícies inclinadas, pois, quando chove, as águas arrastam as partículas dos compostos dos agrotóxicos contidos nos solos tratados, poluindo rios, lagos e mares.” (Fogaça, 2016).

Um produto só pode ser considerado orgânico se for cultivado respeitando às leis e passando pelos processos de certificação. Além destas normas de produção, o comércio de produtos orgânicos também é regulamentado pelo governo federal, e esse controle depende da relação de confiança entre produtores e consumidores e dos sistemas de controle de qualidade. A ANVISA (2001), Agência Nacional de Vigilância Sanitária, iniciou um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que são consumidos pela população.

As pessoas cada vez mais se tornam cientes dos malefícios que os agrotóxicos nos alimentos oferecem para sua saúde, e gradativamente começam a buscar alternativas para uma alimentação mais saudável. E é neste contexto que os alimentos orgânicos, com seu apelo ambiental e sendo saudáveis, vem sendo uma opção de mudança de hábito de vida.

Uma vez que a produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida, há também uma preocupação com a proteção do meio ambiente. Sua principal característica é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou qualquer tipo de substância sintética que agridam o ecossistema. Um alimento orgânico contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

Um estudo da ABRASCO (2015), Associação Brasileira de Saúde Coletiva, informa que o brasileiro consome em média 12 litros de agrotóxicos por ano e afirma que houve um crescimento de 288% no uso de agrotóxicos no Brasil entre os anos de 2000 a 2012. Este estudo revelou ainda, que esses alimentos estão contaminados por substâncias não permitidas para o cultivo ou ultrapassaram o limite máximo aceitável de pesticidas. O que prejudica a saúde humana e degrada o ambiente alterando a composição da flora e fauna.

“O trabalho agrícola é uma das ocupações mais perigosas da atualidade. Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agrotóxicos, que estão relacionados a intoxicações agudas, doenças crônicas, problemas reprodutivos e danos ambientais.” (Abrasco, 2015)

Os problemas causados por intoxicação de agrotóxicos vão desde tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, irritações no nariz, garganta e olhos. Até problemas mais graves, como tumores, convulsões e paralisias, podendo levando à morte.

A mudança de implantação da alimentação orgânica, no dia a dia de cada um, beneficiaria não só a saúde das pessoas, bem como a manutenção dos recursos naturais. Reduzir os danos causados ao meio ambiente com atitudes simples é uma forma de preservar o meio ambiente.  Consumir alimentos produzidos sem agrotóxicos e de forma sustentável promovendo a qualidade de vida é uma forma de amenizar os danos causados ao ecossistema. Afinal, preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele.

Fabiane Menegotto é  licenciada em Ciências Biológicas – Habilitação em Química, Física e Matemática pela Universidade de Caxias do Sul – UCS/RS e atua como professora do Mutirão Farroupilha.

Referências

ABRASCO. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

Disponível em: http://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wp-content/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf. Acessado em: 19/07/2017

ANVISA. Agrotóxico. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/agrotoxicos . Acesso em 19/07/2017

FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Poluição das águas por rejeitos da agricultura; Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/quimica/poluicao-das-aguas-por-rejeitos-agricultura.htm. Acesso em 21/07/2017

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Produtos orgânicos. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/o-que-sao-organicos  Acesso em 19/07/2017

 

Meu filho não consegue aprender na escola. E agora, o que fazer?

dai

*Por Daiane Bandeira de Assunção Marin

No âmbito escolar muitas são as “queixas” dos pais sobre o processo de aprendizagem dos filhos. As maiores frustrações ocorrem quando os estudantes não conseguem aprender o “conteúdo” exposto na escola, e então começam as perturbações que cercam as famílias, e os questionamentos de práxis: Por que meu filho não aprende? Será que tem algum problema ou doença? Vamos levá-lo ao médico? Talvez ele resolva com um remédio…

Mas afinal, porque muitos indivíduos não conseguem aprender ou compreender o que o professor está tentando ensinar?

Esta questão abrange um campo da educação e saúde pouco conhecida, mas que vem sendo exercida desde a década de 70 no Brasil, chamada Psicopedagogia. Seu profissional é o psicopedagogo, que pode auxiliar nas respostas as perguntas mencionadas no início do texto.

Podemos definir Psicopedagogia de acordo com o Código de Ética do Psicopedagogo, Capítulo I Artigo 1º: “A Psicopedagogia é um campo de atuação em Educação e Saúde que se ocupa do processo de aprendizagem considerando o sujeito, a família, a escola, a sociedade e o contexto sócio-histórico, utilizando procedimentos próprios, fundamentados em diferentes referenciais teóricos.”

Essa área da saúde e educação é interdisciplinar, ou seja, precisa atuar e interagir juntamente com outras áreas e seus profissionais: neurologistas, médicos, psicólogos, professores, pedagogos, fonoaudiólogos, entre outros. E claro, em primeiro lugar interagir diretamente com a escola. Em conjunto pode-se obter um resultado relevante junto ao individuo.

Bossa pode nos definir melhor a psicopedagogia: “É uma nova área de atuação profissional que busca uma identidade, e que requer uma formação de nível interdisciplinar, o que já é sugerido no próprio termo Psicopedagogia”. (Bossa, 1995, p.31).

O objeto de estudo pode ter dois enfoques, preventivo e terapêutico.  O primeiro tem como objeto de estudo o ser humano em processo de desenvolvimento está sempre em processo constante de construção de conhecimento. O segundo realiza a análise e tratamento nas dificuldades de aprendizagem do individuo. Normalmente, não generalizando, os pais, ao se depararem com as dificuldades de aprendizagem dos seus filhos, podem seguir duas linhas de pensamento: contratar todos os profissionais possíveis da área da saúde para que esses possam achar uma solução para o “problema” de seus filhos ou então simplesmente culpar a instituição de ensino na qual seu filho está inserido, por não ter uma metodologia de ensino adequada e competente.

Entendemos as aflições dos pais, mas antes de “culpar” alguém pelo baixo desenvolvimento de aprendizagem dos nossos filhos, precisamos entender e compreender o que ocasiona de fato essa dificuldade no aprendizado.

Como citado acima, a psicopedagogia tem por objetivo analisar, ou seja, observar e compreender algo que vai muito além de um olhar apenas ou de julgamento precipitado. A psicopedagogia analisa o que está implícito.  O psicopedagogo deve “garimpar” as informações no ser humano, buscar entender a relação do aprendiz com a aprendizagem, pesquisar o seu estilo cognitivo. Afinal, somos seres que aprendemos, temos significações inconscientes. Bossa nos explica com clareza o papel do diagnóstico feito pelos profissionais: “O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito.”( Bossa, 1994 p. 74)

Outro aspecto bastante importante no processo de aprendizagem do individuo é compreender que seu primeiro vínculo afetivo é a família, e esta tem um papel importante e primordial na educação e aprendizagem da criança. Portanto, em alguns casos o “fracasso” escolar pode sim estar relacionado com o vínculo familiar. Souza nos define isso: “[…] fatores da vida psíquica da criança podem atrapalhar o bom desenvolvimento dos processos cognitivos, e sua relação com a aquisição de conhecimentos e com a família, na medida em que atitudes parentais influenciam sobremaneira a relação da criança com o conhecimento.”( Souza, 1995, p.58)

Portanto, para responder a questão que usei como título dessa publicação veja que vários aspectos devem ser analisados, e que hoje o psicopedagogo, é essencial no processo de aprendizagem dos alunos com dificuldades.

Não podemos apenas como docente e instituição definir que o aluno é um “problema” sem ao menos entender e analisar qual o gerador desse problema, e a partir disso solucionar.

Para conhecimento, no momento o Projeto de Lei 3124/97 do Deputado Federal Barbosa Neto, busca regulamentar a profissão de Psicopedagogo, tendo em vista que o trabalho de outras e da atual gestão da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), tem amparo legal no Código Brasileiro de Ocupação. Isto quer dizer que já existe a ocupação de Psicopedagogo, porém, não é suficiente. Faz-se necessário que esta profissão seja regulamentada.

Professora Daiane Bandeira Assunção Marin. Graduada com Licenciatura Plena em Letras pela Universidade de Caxias do Sul em 2010. Professora e tutora na Instituição de Ensino Mutirão, atualmente aluna da pós graduação em Psicopedagogia pela Universidade Caxias do Sul – CARVI Bento Gonçalves. 

Referências

BOSSA, Nádia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.

BRASIL. Projeto de Lei 10.891. Disponível em http://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 25 de julho de 2005.

SOUZA, Audrey Setton Lopes. Pensando a inibição intelectual: perspectiva psicanalítica e proposta diagnóstica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.