O que é esse tal de “Efeito Estufa”?

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*Por Janaína Benetti

Por vezes, nas aulas de Física, faço uma pergunta simples aos alunos: “O Efeito Estufa é considerado bom ou ruim? ” Quase que por unanimidade, depois de alguns segundos pensando, respondem: “É ruim”. A partir daí, passo a questioná-los sobre qual ou quais fontes os levaram a pensar assim e, na maioria das vezes, obtenho como resposta que foram os noticiários.

Sabe-se que hoje em dia a mídia é formadora de muitos pré-conceitos e, por esse motivo, precisamos ficar atentos às informações que nos são passadas por ela. Tendo isso em vista, sempre sugiro que os alunos pesquisem um pouquinho mais e, como não poderia faltar, surge a pergunta: “O que é o Efeito Estufa? ”

Geralmente, essa pergunta causa um certo silêncio na aula e sei que, nesse momento, muitos, de fato, não sabem do que se trata o tal “Efeito Estufa”. Foi por esse motivo que escolhi falar sobre isso.

Pois bem: o “Efeito Estufa” é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, sendo essencial para manter a temperatura do planeta em condições ideais para a sobrevivência dos seres vivos. Se não existisse esse fenômeno, a Terra seria muito fria, o que dificultaria o desenvolvimento e a sobrevivência dos seres vivos.

Os raios solares, ao serem emitidos sobre a Terra, têm dois destinos: parte deles é absorvido pelo planeta e transformado em calor, para manter a atmosfera quente; enquanto que a outra parte é refletida e direcionada ao espaço, na forma de radiação ultravioleta.

O Efeito Estufa se dá pelo excesso de CO2 (gás carbônico) e outros gases, como o metano, na atmosfera terrestre. Eles impedem que parte desses raios voltem para o espaço, provocando, assim, uma elevação na temperatura de todo o planeta.

As altas temperaturas provocadas pelos gases do Efeito Estufa desequilibram o sistema climático da Terra e provocam a elevação do nível médio dos oceanos, o aumento da frequência das tempestades, as ondas de calor, a alteração do sistema de chuvas, entre outros problemas.

Depois de esclarecer o que é o Efeito Estufa, gosto de salientar que ele não é maléfico e que, sem ele, provavelmente não haveria vida aqui na Terra. Apesar disso, temos que ter alguns cuidados para evitarmos o excesso de gases que provocam o aquecimento global.

Para concluir o assunto, gostaria de citar um pequeno trecho do livro “Educação, convivência e ética”, de Mário Sérgio Cortella:

“Eu não moro na Amazônia, e daí que a árvore é derrubada? ” Isso diz respeito ao futuro. “No futuro, eu não vou estar, então não é problema meu. ” Eticamente é um problema meu, porque afeta outro humano.

A frase “você não vai mudar o mundo” é profundamente acomodante, porque você não vai mudar o mundo se continuar achando que ele não pode ser mudado. Mas, quando você se junta com outros que acham que dá para mudar, dá-se um passo adiante no intento de mudá-lo.

Pensando na possibilidade de mudar o mundo e, além disso, acreditando nesse ser que denominamos “Humano”, vale a pena ressaltar alguns dos cuidados que podemos ter quanto à redução do Efeito Estufa:

  • Economizar energia elétrica: não deixe luzes acesas sem necessidade; troque as lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas fluorescentes que poupam 68 Kg de CO2 por ano.
  • Evite utilizar carros como meios de transporte, dando preferência ao transporte coletivo e às bicicletas, pois um dos principais agentes poluidores da atmosfera é o automóvel.
  • Dê preferência a carros a álcool: um litro de gasolina lança 2,74 kg de CO2 na atmosfera. Agora faça os cálculos: se alguém que dirige 20 mil quilômetros em um ano, reduzir 10% desse valor, seja utilizando transporte coletivo, bicicleta ou fazendo pequenos trajetos a pé, contribuirá com a redução de pelo menos 500 kg de CO2 por ano.
  • Coma menos carne suína e bovina, pois esses animais emitem grande quantidade de metano em seus dejetos e ruminação.
  • Recicle o lixo e tenha mais cuidado ao consumir embalagens: reutilizando ou reciclando o lixo, evita-se a utilização de novos recursos naturais não-renováveis. Isso também diminui a quantidade de lixo jogado nos aterros sanitários e reduz a quantidade de metano.
  • Se você tiver um quintal em sua casa, plante árvores, de preferência nativas de sua região, pois, dessa forma, você estará contribuindo para a manutenção da fauna e, também, para a redução do aquecimento global.

*Professora Janaina Benetti – Licenciada em Matemática na Universidade de Caxias do Sul – UCS. Docente da Educação de Jovens e Adultos no Colégio Mutirão Máster nas disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

Canal do educador, Efeito Estufa. Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/efeito-estufa.htm. Acesso em: 08/10/2017.

TodaMatéria, Efeito Estufa. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/efeito-estufa/. Acesso em 07/10/2017.

Os benefícios dos produtos orgânicos para a saúde humana e meio ambiente

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* Por Fabiane Menegotto

Os produtos orgânicos são cultivados sem a utilização de agrotóxicos, adubos químicos ou outras substâncias tóxicas, evitando assim a contaminação do meio ambiente e principalmente dos alimentos produzidos. Desta forma, a agricultura orgânica busca preservar a biodiversidade, garantir os ciclos e as atividades biológicas do solo, preservar os lençóis freáticos e tratar os ecossistemas com mais equilíbrio.

O Ministério da agricultura (2017) informa em seu site que o objetivo principal da produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida com proteção ao meio ambiente.  “O uso indiscriminado de agrotóxicos pode comprometer a qualidade da água para abastecimento, o solo, os alimentos e a manutenção da vida aquática selvagem. Isso ocorre porque eles alcançam os recursos hídricos ao serem aplicados sobre superfícies inclinadas, pois, quando chove, as águas arrastam as partículas dos compostos dos agrotóxicos contidos nos solos tratados, poluindo rios, lagos e mares.” (Fogaça, 2016).

Um produto só pode ser considerado orgânico se for cultivado respeitando às leis e passando pelos processos de certificação. Além destas normas de produção, o comércio de produtos orgânicos também é regulamentado pelo governo federal, e esse controle depende da relação de confiança entre produtores e consumidores e dos sistemas de controle de qualidade. A ANVISA (2001), Agência Nacional de Vigilância Sanitária, iniciou um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que são consumidos pela população.

As pessoas cada vez mais se tornam cientes dos malefícios que os agrotóxicos nos alimentos oferecem para sua saúde, e gradativamente começam a buscar alternativas para uma alimentação mais saudável. E é neste contexto que os alimentos orgânicos, com seu apelo ambiental e sendo saudáveis, vem sendo uma opção de mudança de hábito de vida.

Uma vez que a produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida, há também uma preocupação com a proteção do meio ambiente. Sua principal característica é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou qualquer tipo de substância sintética que agridam o ecossistema. Um alimento orgânico contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

Um estudo da ABRASCO (2015), Associação Brasileira de Saúde Coletiva, informa que o brasileiro consome em média 12 litros de agrotóxicos por ano e afirma que houve um crescimento de 288% no uso de agrotóxicos no Brasil entre os anos de 2000 a 2012. Este estudo revelou ainda, que esses alimentos estão contaminados por substâncias não permitidas para o cultivo ou ultrapassaram o limite máximo aceitável de pesticidas. O que prejudica a saúde humana e degrada o ambiente alterando a composição da flora e fauna.

“O trabalho agrícola é uma das ocupações mais perigosas da atualidade. Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agrotóxicos, que estão relacionados a intoxicações agudas, doenças crônicas, problemas reprodutivos e danos ambientais.” (Abrasco, 2015)

Os problemas causados por intoxicação de agrotóxicos vão desde tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, irritações no nariz, garganta e olhos. Até problemas mais graves, como tumores, convulsões e paralisias, podendo levando à morte.

A mudança de implantação da alimentação orgânica, no dia a dia de cada um, beneficiaria não só a saúde das pessoas, bem como a manutenção dos recursos naturais. Reduzir os danos causados ao meio ambiente com atitudes simples é uma forma de preservar o meio ambiente.  Consumir alimentos produzidos sem agrotóxicos e de forma sustentável promovendo a qualidade de vida é uma forma de amenizar os danos causados ao ecossistema. Afinal, preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele.

Fabiane Menegotto é  licenciada em Ciências Biológicas – Habilitação em Química, Física e Matemática pela Universidade de Caxias do Sul – UCS/RS e atua como professora do Mutirão Farroupilha.

Referências

ABRASCO. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

Disponível em: http://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wp-content/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf. Acessado em: 19/07/2017

ANVISA. Agrotóxico. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/agrotoxicos . Acesso em 19/07/2017

FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Poluição das águas por rejeitos da agricultura; Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/quimica/poluicao-das-aguas-por-rejeitos-agricultura.htm. Acesso em 21/07/2017

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Produtos orgânicos. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/o-que-sao-organicos  Acesso em 19/07/2017