O que é esse tal de “Efeito Estufa”?

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*Por Janaína Benetti

Por vezes, nas aulas de Física, faço uma pergunta simples aos alunos: “O Efeito Estufa é considerado bom ou ruim? ” Quase que por unanimidade, depois de alguns segundos pensando, respondem: “É ruim”. A partir daí, passo a questioná-los sobre qual ou quais fontes os levaram a pensar assim e, na maioria das vezes, obtenho como resposta que foram os noticiários.

Sabe-se que hoje em dia a mídia é formadora de muitos pré-conceitos e, por esse motivo, precisamos ficar atentos às informações que nos são passadas por ela. Tendo isso em vista, sempre sugiro que os alunos pesquisem um pouquinho mais e, como não poderia faltar, surge a pergunta: “O que é o Efeito Estufa? ”

Geralmente, essa pergunta causa um certo silêncio na aula e sei que, nesse momento, muitos, de fato, não sabem do que se trata o tal “Efeito Estufa”. Foi por esse motivo que escolhi falar sobre isso.

Pois bem: o “Efeito Estufa” é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, sendo essencial para manter a temperatura do planeta em condições ideais para a sobrevivência dos seres vivos. Se não existisse esse fenômeno, a Terra seria muito fria, o que dificultaria o desenvolvimento e a sobrevivência dos seres vivos.

Os raios solares, ao serem emitidos sobre a Terra, têm dois destinos: parte deles é absorvido pelo planeta e transformado em calor, para manter a atmosfera quente; enquanto que a outra parte é refletida e direcionada ao espaço, na forma de radiação ultravioleta.

O Efeito Estufa se dá pelo excesso de CO2 (gás carbônico) e outros gases, como o metano, na atmosfera terrestre. Eles impedem que parte desses raios voltem para o espaço, provocando, assim, uma elevação na temperatura de todo o planeta.

As altas temperaturas provocadas pelos gases do Efeito Estufa desequilibram o sistema climático da Terra e provocam a elevação do nível médio dos oceanos, o aumento da frequência das tempestades, as ondas de calor, a alteração do sistema de chuvas, entre outros problemas.

Depois de esclarecer o que é o Efeito Estufa, gosto de salientar que ele não é maléfico e que, sem ele, provavelmente não haveria vida aqui na Terra. Apesar disso, temos que ter alguns cuidados para evitarmos o excesso de gases que provocam o aquecimento global.

Para concluir o assunto, gostaria de citar um pequeno trecho do livro “Educação, convivência e ética”, de Mário Sérgio Cortella:

“Eu não moro na Amazônia, e daí que a árvore é derrubada? ” Isso diz respeito ao futuro. “No futuro, eu não vou estar, então não é problema meu. ” Eticamente é um problema meu, porque afeta outro humano.

A frase “você não vai mudar o mundo” é profundamente acomodante, porque você não vai mudar o mundo se continuar achando que ele não pode ser mudado. Mas, quando você se junta com outros que acham que dá para mudar, dá-se um passo adiante no intento de mudá-lo.

Pensando na possibilidade de mudar o mundo e, além disso, acreditando nesse ser que denominamos “Humano”, vale a pena ressaltar alguns dos cuidados que podemos ter quanto à redução do Efeito Estufa:

  • Economizar energia elétrica: não deixe luzes acesas sem necessidade; troque as lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas fluorescentes que poupam 68 Kg de CO2 por ano.
  • Evite utilizar carros como meios de transporte, dando preferência ao transporte coletivo e às bicicletas, pois um dos principais agentes poluidores da atmosfera é o automóvel.
  • Dê preferência a carros a álcool: um litro de gasolina lança 2,74 kg de CO2 na atmosfera. Agora faça os cálculos: se alguém que dirige 20 mil quilômetros em um ano, reduzir 10% desse valor, seja utilizando transporte coletivo, bicicleta ou fazendo pequenos trajetos a pé, contribuirá com a redução de pelo menos 500 kg de CO2 por ano.
  • Coma menos carne suína e bovina, pois esses animais emitem grande quantidade de metano em seus dejetos e ruminação.
  • Recicle o lixo e tenha mais cuidado ao consumir embalagens: reutilizando ou reciclando o lixo, evita-se a utilização de novos recursos naturais não-renováveis. Isso também diminui a quantidade de lixo jogado nos aterros sanitários e reduz a quantidade de metano.
  • Se você tiver um quintal em sua casa, plante árvores, de preferência nativas de sua região, pois, dessa forma, você estará contribuindo para a manutenção da fauna e, também, para a redução do aquecimento global.

*Professora Janaina Benetti – Licenciada em Matemática na Universidade de Caxias do Sul – UCS. Docente da Educação de Jovens e Adultos no Colégio Mutirão Máster nas disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

Canal do educador, Efeito Estufa. Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/efeito-estufa.htm. Acesso em: 08/10/2017.

TodaMatéria, Efeito Estufa. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/efeito-estufa/. Acesso em 07/10/2017.

O conhecimento combate a pobreza

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*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

“Conhece-te a ti mesmo! ” já dizia Sócrates na Caixa de Presente

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* Por Ana Cristina Pütten

Gosto muito de Filosofia. Ao ministrar alguns de seus conteúdos, faz-se necessário recorrer ao método expositivo, ao menos para direcionar os educandos a uma primeira aproximação com o tema. No entanto, aprecio enriquecer minhas aulas com os espaços da cidade onde moramos, que obviamente estão em contraste com a sala de aula.

Assim como Aristóteles, gosto do ar livre com meus alunos Peripatéticos¹. Ok, não realizamos passeios nos jardins do Liceu, mas eventualmente nos jardins do Parque dos Macaquinhos, por exemplo. Em meu último encontro com a Turma M194 da Educação de Jovens e Adultos, mais precisamente no dia 06 de setembro, nossa aula não foi na tradicional sala retangular, com suas cadeiras enfileiradas, e muito menos no espaço encantado das árvores, das flores perfumadas, com os vira-latas de gravatas coloridas que acompanham seus humanos diariamente no parque. Nossa aula foi no saguão da escola, com mate, balas e rapaduras para adoçar nossa noite!

Iniciei nosso encontro mostrando uma caixa de presente. Em seguida, contei uma história. O enredo da narração estava voltado a um fato: eu tinha comprado um presente especial para mim. Comecei a provocar a curiosidade da turma. O que será que havia dentro da caixa? O que aquele objeto escondia de tão interessante?

Assim, convidei os 45 alunos, reservadamente, a abrir a caixa, desde que soubessem guardar segredo e não revelar o teor de seu conteúdo para seus colegas. O convite foi aceito; e o combinado, cumprido. Era interessante verificar as expressões de cada um: havia caras de surpresas, olhares longos, risos disfarçados e encabulados e até alguns que mantiveram semblantes severamente sérios.

No final, perguntei aos estudantes se tinham gostado do presente. Vejam algumas respostas:

– “Profª, a senhora tem bom gosto!”

– “Adorei seu presente!”

– “Nossa, muito bonito!”

– “Que presente caro profª”!

– “ Seu presente está precisando de um regime, hein? ”

– “Pois é… profª, esse presente podia ser melhor!”

O que tinha dentro da caixa era apenas um espelho. Olhar-se no espelho talvez seja uma ação costumeira, mas, mesmo assim, dá-nos uma perspectiva importante no que diz respeito à nossa existência individual. Olhar-se no espelho, enfim, é uma atividade de autoconhecimento.

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Pois bem: a Filosofia também é autoconhecimento. Quando o “conhece-te a ti mesmo” surge na História, precisamente com Sócrates, esse ensinamento expressa uma regra que significa o cuidado de si.  Nesse sentido, é preciso “ Conhecer-me a mim mesmo” para saber como modificar minha relação para comigo, para com os outros e para com o mundo. Sócrates aconselhava-nos que deveríamos nos apegar menos com as coisas materiais — como a riqueza — e menos ainda com os sentimentos efêmeros — como o poder e a fama. Ao invés disso, deveríamos “apoderarmo-nos de nós mesmos”. Você já parou para pensar nisto: que objetivo tenho de “ocupar-me comigo mesmo”?

Depois de aberta a caixa e revelado seu conteúdo, provoquei meus alunos com algumas questões existenciais, tais como:

– Quem sou eu?

– De onde vim? Para onde vou? Que importância eu tenho na vida dos que me cercam?

– Quando eu morrer, que falta farei? Qual será a minha herança para os outros?

– Qual o sentido da minha vida?

– Quais são os meus sonhos?

Enfim, a Filosofia se volta para as questões humanas, em seus comportamentos, em suas ações, nas suas ideias, crenças, em suas atitudes políticas, morais e éticas. Dessa forma, a Filosofia propõe investigar a humanidade e sua forma de existir, e, para que isso ocorra, questiona o homem, os seus valores e o mundo que o cerca. Então, a pergunta que se faz essencial: para que serve a Filosofia? Dentre as inúmeras respostas, estimo a da filósofa Marilena Chauí (2001):

“A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, os valores de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes haver investigado. ”

Seu ponto de partida é a capacidade do indivíduo de investigar, de refletir, de avaliar os atos, as posturas e a relação de si mesmo e com os outros. Refletir é, aqui, a atitude primordial, pois é o processo que o pensamento faz de si mesmo. É retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado e, por fim, colocar em questão o que já se conhece. Reflectere² em latim significa “fazer retroceder, voltar atrás”. A reflexão pode ser comparada à imagem refletida no espelho, pois há um “desdobramento” da nossa figura, ou seja, é a ação de “voltar-se para si mesmo”.

A caixa de presente foi uma dinâmica muito simples, mas foi, principalmente, uma ferramenta para provocar e despertar, criando, dessa forma, o despertar filosófico para uma nova visão de si e do mundo. É essencial que nossos alunos possam desenvolver uma consciência crítica, ascendendo à concepção ingênua e alienada sobre os fatos que compõem a realidade social e política em que estamos inseridos.

Na medida em que os estudantes compreendem a realidade que os envolvem através da reflexão, surge a necessidade maior de participação efetiva para modificar e transformar o status quo. Assim pensava Sócrates, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossas relações com os outros e com o mundo.

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¹ – Do Latim PERIPATETICUS: “relativo à filosofia de Aristóteles”, do Grego PERIPATETIKÓS, literalmente “aquele que anda ao redor”, de PERI-, “ao redor”, mais PATEIN, “caminhar, andar”. Isso porque ele tinha o hábito de ensinar enquanto caminhava com seus discípulos pelos espaços do Liceu de Atenas.

² – Fazer retroceder, voltar atrás. Refletir é, então, retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. ARANHA, Maria Lúcia Arruda de. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. p. 106.

Referências

CHAUÍ. Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática: São Paulo, 2001.

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

O QUE A SALA DE AULA REPRESENTA PARA ESTA PROFESSORA?

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* Por Márcia Toigo Angonese

Como docente de Biologia e de Química, eu vivo diariamente em sala de aula e tenho, em minha bagagem, experiências fantásticas de muita partilha de conhecimentos junto aos alunos da EJA Mutirão.

A sala de aula não é só um espaço físico de paredes e de classes, de móveis e de pessoas passivas. Percebo que esse espaço é, na verdade, nobre de oportunidades, de aprendizagens, de conhecimentos, de afetos e de trocas. Nesse lugar especial, os alunos não só aprendem assim como o professor não somente ensina.

A sala de aula é um lugar de experiências humanas, onde cada aluno que ali está tem sempre uma história pra te contar, um fato a relatar, e isso tudo enriquece as aulas de maneira incrível.

Percebo isso com grande ênfase quando trabalho com eles “Os sistemas do corpo humano”. Essa aula me enche de grandeza e de entusiasmo pelo que faço, pois existe um envolvimento grande de todos, que trazem, para o espaço da sala de aula, fatos e histórias de suas vidas.

Um dos temas mais interessante que apresento para as turmas é sobre o cuidado com a nossa saúde, com a nossa alimentação e a prevenção da diabetes. Para que o tema seja interessante para todos, busco sempre abrir um canal de comunicação, onde os alunos possam trazer suas experiências com o intuito de enriquecer o debate.

Compartilho, logo a seguir, alguns relatos dos alunos da turma M176 (EJA/noturno) referentes às aulas de Biologia/corpo humano.

 “Para mim foi muito importante o conhecimento de nosso próprio corpo. Foi bom aprender sobre o que nos deixa doente e o que podemos fazer para prevenir doenças. Essas aulas foram muito boas, pois todos participaram, interagindo em aula. Com isso, todos aprenderam. ”

 “Eu, particularmente, pelo fato de ter atrite; com as aulas, comecei a me preocupar muito mais com a saúde e com o cuidado do meu corpo. Essas aulas prenderam minha atenção. Eu sempre faço perguntas; e a professora sempre me responde. Mesmo depois, em casa, fico sempre lendo sobre a matéria. ”

“Gostei de ter aula de Biologia, porque eu estava com dúvidas sobre fazer ou não um curso de socorrista, pois eu não sabia o que fazer. Para mim foi muito importante essa aula. ”

 “Foi uma aula muito importante, interessante, com muitos debates sobre temas trazidos por nós alunos em sala de aula. Uma observação é o fato de termos pouco tempo de aula para um conteúdo que levamos para a vida inteira. ”

 “Para mim, as aulas foram muito importantes, pois aprendi muito. Eu sempre tive muitas dúvidas e curiosidades sobre o corpo humano…”

O que esse espaço-sala representa é um ambiente onde fomos capazes de ouvirmos e de sermos ouvidos. Nos tempos modernos em que tudo é realizado por máquinas, celulares e computadores em um “mundo virtual”, o momento de trocas numa sala de aula física, real, é algo incrivelmente importante, a fim de mantermos uma relação, ainda que breve, de estar presente naquele momento, o que é uma relação mais humana de partilha. Independentemente dos tipos de personalidades, de idades, de raças, ou seja, seja qual for a sua criação, é favorável que as relações sejam regadas por um solo que acondicione a troca de saberes entre alunos e professor, professor e alunos, alunos e alunos. Considerando-se, nesse sentido, professor e alunos como atores sociais, enfatiza-se a análise das situações em que eles se veem envolvidos no seu cotidiano (Sirota, 1994).

Percebo que esse sentir, nesse ambiente de sala de aula, é regado pela empatia que tenho por todos ali presentes, acolhendo a cada um, aceitando suas diferenças, suas peculiaridades, suas identidades. Isso torna as aulas muito prazerosas para ambos os lados.

A escuta ativa e o incentivo do potencial positivo também são características que marcam muito esse ambiente da sala de aula. E é nele que coloco em prática esse conselho de Cortella: “Elogia em público, corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.” Isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Esse espaço-sala é, sem dúvida, a pura expressão de cada um que ali passa e deixa sua marca (Freire).

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor sério, o professor incompetente, o professor irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, o professor sempre com raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor burocrático, o professor racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p.73).

Cada um presente no espaço-sala deixa um pouco de si e leva outro tanto para si. Todos, enfim, acabam compartilhando e contribuindo para um aprendizado mais próximo das suas realidades.

Referências:

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, (2002), op. cit., p. 73.

RESENDE, Tânia de Freitas. No interior da “caixa preta”: um estudo sociológico das interações em sala de aula. In: GT Sociologia da Educação /n.14, 2004.

SIROTA, Régine. A escola primária no cotidiano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese – Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Máster.    

Qual é a sua?

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*Por Lucia Caroline Cornely

A sala de aula é um ambiente de diversidade, com variedade de indivíduos em diferentes fases de desenvolvimento e conhecimento. Essas características definem as inteligências predominantes em cada um deles. Mas para começar, o que é inteligência?

Inúmeros são os conceitos de inteligência. Os famosos testes de QI são focados em compreensão lógico-matemática e por muito tempo definiram a inteligência e a burrice. O conceito se modifica com Daniel Goleman e a percepção de uma inteligência emocional, que culmina nas inteligências múltiplas. Para Gardner (apud RODRIGUES, 2015): Inteligência é a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais”.

A teoria das Inteligências Múltiplas(IM) surgiu com Gardner (1994). Ele afirma que todos os indivíduos são inteligentes e que dentre as nove inteligências catalogadas haverá duas inteligências em destaque e uma inteligência pouco desenvolvida.

 As habilidades predominantes nos indivíduos são resultado da valorização cultural e social de determinada habilidade. Em uma região tipicamente boêmia é valorizada a musicalidade, enquanto em um ambiente acadêmico o mais importante é a produção científica.

As IM’s trazem outro tema importante para debate: a raridade de superdotados e a desmistificação das pessoas com deficiência, porque afinal todos temos habilidades mais e menos desenvolvidas.

As IM são atualmente nove, mas isso pode mudar, pois é uma classificação de percepção de habilidades e o próprio Gardner renova periodicamente sua teoria. São elas:

1) Lógico-matemática: Trata-se da sensibilidade para padrões, ordem e sistematização. Habilidade para lidar com uma linha de raciocínio, levantar hipóteses, trabalhar com manipulação de símbolos. Mais presente em matemáticos, físicos e diversas pessoas que lidam com raciocínios lógicos e matemática.

2) Linguística: Sensibilidade para o significado das palavras e funções da linguagem,sensibilidade para usar a linguagem de forma apropriada para transmitir ideias. Facilidade para aprender idiomas. Mais presente em poetas, escritores e diversas pessoas que usam a linguagem de forma efetiva.

3) Espacial: Percepção do mundo visual e espacial, pensar de maneira tridimensional, criar, transformar e modificar imagens, se localizar e localizar objetos no espaço. Mais presente em arquitetos, escultores, navegadores e diversas pessoas que operam com o espaço.

4) Corporal cinestésica (ou físicocinestésica): Capacidade de controlar o corpo de forma fina, com coordenação, precisão e habilidade. Mais presente em atletas, dançarinos e diversos artistas.

5) Interpessoal: Capacidade de interagir de forma efetiva com outras pessoas, responder apropriadamente aos temperamentos, humores, motivação, compreender e motivar. Mais presente em políticos, vendedores, professores, líderes e diversar pessoas que trabalham com motivação.

6) Intrapessoal: Capacidade de entender a si mesmo, lidar com seus desejos e sonhos, direcionar a própria vida de forma efetiva. É o correlativo interno da inteligência interpessoal.

7) Musical: Habilidade para produzir e apreciar ritmos, tocar instrumentos e compor.

8) Natural: Sensibilidade com a natureza, para o entendimento da mesma e

desenvolvimento de habilidades biológicas.

9) Existencial:Capacidades filosóficas, refletir sobre a existencia e a vida.

A existência e classificação de inteligências é um importante fator de conhecimento para o educador em sala de aula, pois ainda hoje as habilidades mais valorizadas e recompensadas nas escolas são a linguística e lógico-matemática, vide carga horária das disciplinas valorizadas desigualmente. Qual a necessidade de quatro períodos de matemática e apenas um período de artes?

É necessário repensar a prática educativa de forma inclusiva. Para alguém com a predominância corporal cinestésica torna-se uma tortura cinco horas ouvindo alguém falar.  Desta forma devemos aproveitar todas as estruturas disponíveis para aumentar o grupo a qual chega o conhecimento. Uma pequena animação resumindo o conteúdo atinge mais educandos que uma explicação oral, por exemplo.

Urge a necessidade de reformarmos o sistema educacional, repensar a forma de ensinar, melhorar as estruturas educacionais públicas para impulsionarmos uma educação efetiva e de qualidade que inclua a todos.

*Professora com bacharelado e licenciatura em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS). Docente no Mutirão Farroupilha na área das Humanas, e também na rede estadual de ensino.

Referências:

GARDNER, Howard. Estruturas da mente. A Teoria das Inteligências Múltiplas. Porto Alegre. Artes Médicas, 1994.

RODRIGUES, Letícia Gomes. Um Estudo sobre a Teoria das Inteligências Múltiplas. Universidade de São Paulo, 2015. Disponível em: < http://www.gradadm.ifsc.usp.br/dados/20152/SLC0631-1/Trabalho_tipos_inteligencia.pdf>

TOGLATIAN, Marco. Teoria das inteligências múltiplas. Disponível em:

<http://www.togatlian.pro.br/docs/pos/unesa/inteligencias.pdf>.

 

Os benefícios dos produtos orgânicos para a saúde humana e meio ambiente

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* Por Fabiane Menegotto

Os produtos orgânicos são cultivados sem a utilização de agrotóxicos, adubos químicos ou outras substâncias tóxicas, evitando assim a contaminação do meio ambiente e principalmente dos alimentos produzidos. Desta forma, a agricultura orgânica busca preservar a biodiversidade, garantir os ciclos e as atividades biológicas do solo, preservar os lençóis freáticos e tratar os ecossistemas com mais equilíbrio.

O Ministério da agricultura (2017) informa em seu site que o objetivo principal da produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida com proteção ao meio ambiente.  “O uso indiscriminado de agrotóxicos pode comprometer a qualidade da água para abastecimento, o solo, os alimentos e a manutenção da vida aquática selvagem. Isso ocorre porque eles alcançam os recursos hídricos ao serem aplicados sobre superfícies inclinadas, pois, quando chove, as águas arrastam as partículas dos compostos dos agrotóxicos contidos nos solos tratados, poluindo rios, lagos e mares.” (Fogaça, 2016).

Um produto só pode ser considerado orgânico se for cultivado respeitando às leis e passando pelos processos de certificação. Além destas normas de produção, o comércio de produtos orgânicos também é regulamentado pelo governo federal, e esse controle depende da relação de confiança entre produtores e consumidores e dos sistemas de controle de qualidade. A ANVISA (2001), Agência Nacional de Vigilância Sanitária, iniciou um Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que são consumidos pela população.

As pessoas cada vez mais se tornam cientes dos malefícios que os agrotóxicos nos alimentos oferecem para sua saúde, e gradativamente começam a buscar alternativas para uma alimentação mais saudável. E é neste contexto que os alimentos orgânicos, com seu apelo ambiental e sendo saudáveis, vem sendo uma opção de mudança de hábito de vida.

Uma vez que a produção de produtos orgânicos é promover a qualidade de vida, há também uma preocupação com a proteção do meio ambiente. Sua principal característica é não utilizar agrotóxicos, adubos químicos ou qualquer tipo de substância sintética que agridam o ecossistema. Um alimento orgânico contempla o uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais, respeitando as relações sociais e culturais.

Um estudo da ABRASCO (2015), Associação Brasileira de Saúde Coletiva, informa que o brasileiro consome em média 12 litros de agrotóxicos por ano e afirma que houve um crescimento de 288% no uso de agrotóxicos no Brasil entre os anos de 2000 a 2012. Este estudo revelou ainda, que esses alimentos estão contaminados por substâncias não permitidas para o cultivo ou ultrapassaram o limite máximo aceitável de pesticidas. O que prejudica a saúde humana e degrada o ambiente alterando a composição da flora e fauna.

“O trabalho agrícola é uma das ocupações mais perigosas da atualidade. Dentre os vários riscos ocupacionais, destacam-se os agrotóxicos, que estão relacionados a intoxicações agudas, doenças crônicas, problemas reprodutivos e danos ambientais.” (Abrasco, 2015)

Os problemas causados por intoxicação de agrotóxicos vão desde tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, irritações no nariz, garganta e olhos. Até problemas mais graves, como tumores, convulsões e paralisias, podendo levando à morte.

A mudança de implantação da alimentação orgânica, no dia a dia de cada um, beneficiaria não só a saúde das pessoas, bem como a manutenção dos recursos naturais. Reduzir os danos causados ao meio ambiente com atitudes simples é uma forma de preservar o meio ambiente.  Consumir alimentos produzidos sem agrotóxicos e de forma sustentável promovendo a qualidade de vida é uma forma de amenizar os danos causados ao ecossistema. Afinal, preservar o meio ambiente é fundamental para manter a saúde do planeta e de todos os seres vivos que moram nele.

Fabiane Menegotto é  licenciada em Ciências Biológicas – Habilitação em Química, Física e Matemática pela Universidade de Caxias do Sul – UCS/RS e atua como professora do Mutirão Farroupilha.

Referências

ABRASCO. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

Disponível em: http://www.abrasco.org.br/dossieagrotoxicos/wp-content/uploads/2013/10/DossieAbrasco_2015_web.pdf. Acessado em: 19/07/2017

ANVISA. Agrotóxico. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/agrotoxicos . Acesso em 19/07/2017

FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Poluição das águas por rejeitos da agricultura; Brasil Escola. Disponível em: http://brasilescola.uol.com.br/quimica/poluicao-das-aguas-por-rejeitos-agricultura.htm. Acesso em 21/07/2017

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Produtos orgânicos. Disponível em: http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sustentabilidade/organicos/o-que-sao-organicos  Acesso em 19/07/2017

 

O ensino de Língua Portuguesa

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*Por Alessandra Pozzer

O ensino de Língua Portuguesa vem sofrendo mudanças há alguns anos. Nessas transições, a gramática normativa foi deixada de lado para abrir espaço para o estudo dos usos da língua a partir do texto. Como bem colocam os Parâmetros Curriculares Nacionais e os Referenciais Curriculares do Rio Grande do Sul, a língua é a representação da cultura e viabiliza a expressividade. É por esse motivo que o Português e a Literatura são trabalhados em uma mesma disciplina no Ensino Fundamental.

Dessa forma, os professores de Língua Portuguesa utilizam o texto para direcionar seu trabalho e, a partir dele, analisar os usos da língua. É por esse motivo que Antunes (2010, p. 45) defende que, na análise de textos, tudo deve estar relacionado ao entendimento global do que é dito. Os estudos sobre os usos da língua devem partir do sentido do texto, por isso devemos nos perguntar: no que os recursos gramaticais e sintáticos contribuem para o sentido do texto?

Antunes (2010, p. 46) ainda coloca que o ensino de Português deve centrar-se na análise de textos e não em frases soltas, nas quais não cabem os princípios de funcionamentos da língua. É preciso levar em consideração o papel que a frase desempenha no texto, no que ela contribui para a compreensão do que está sendo dito, e perceber que ela pertence a um contexto comunicativo, não sendo possível isolá-la para estudo.

Para Antunes (2010, p. 47), quando falamos, ouvimos, lemos ou escrevemos, não produzimos frases soltas. Elas fazem parte de um contexto e, por isso, a análise de frases é descartada pelo ensino de língua, e a importância de se trabalhar com textos cresce cada vez mais. Deste modo, se o aluno trabalhar com frases soltas, ele não desenvolverá sua capacidade de produzir um texto com sentido ou coerência, menos ainda ampliará sua capacidade de entender textos de diferentes gêneros, sejam eles simples ou complexos.

Assim, as aulas de português devem girar em torno da análise de textos, que permitem a construção de modelos que evidenciam como os textos são constituídos e funcionam. Conforme Antunes (2010, p.49), conhecer esses modelos é essencial para a ampliação das competências comunicativas, já que nos comunicamos somente através de textos. As palavras existem em função do sujeito que faz uso delas, que pode produzir ilimitados enunciados. No texto, é isso que deve ser analisado e os alunos são levados a tomar consciência das inúmeras possibilidades que a língua oferece.

Antunes (2010, p. 50-52) aponta as seguintes finalidades para a análise dos textos nas aulas de Língua Portuguesa: promover o desenvolvimento de diferentes competências comunicativas; ampliar as capacidades de compreensão; desenvolver a capacidade de perceber as propriedades, as estratégias, os meios, os recursos, os efeitos, enfim, as regularidades implicadas no funcionamento da língua; desenvolver a capacidade de perceber, de enxergar, de identificar os fenômenos que ocorrem no texto; entender melhor certos aspectos dos processos cognitivos, linguísticos, textuais e pragmáticos envolvidos em nossas interações verbais.

Uma das maneiras de suscitar esses conhecimentos em nossos alunos é através dos questionamentos sobre o texto, nos quais é necessário explorar certos pontos que contribuirão para uma melhor compreensão do que está sendo dito e para que os estudantes percebam as possibilidades da língua.

Ferrarezi (2008, 165-210) aponta vários tópicos que estão presentes nas interações verbais, sejam elas orais ou escritas. Um deles é a polissemia, ou seja, a capacidade de um mesmo sinal gráfico assumir diferentes sentidos, aumentando suas possibilidades de uso. Esse sinal irá variar de acordo com o contexto e o cenário em que são empregados. Há também os sentidos que vão além do que foi abertamente dito, os chamados implícitos. Em uma análise, precisamos perceber os sentidos implícitos, que podem ser simples, dados como insinuações, ou mais complexos, nos quais são necessárias informações do cenário e o nosso conhecimento cultural para interpretá-los de acordo com o objetivo da pessoa que o proferiu.

Outro elemento apontado pelo autor é a ambiguidade, que é a possibilidade de um mesmo falante atribuir mais de um sentido a uma mesma sentença em um mesmo contexto e cenário. A negação é um tópico que vai além dos advérbios de negação. Ela pode ser sutil em um texto, definindo seu sentido. Como exemplo temos pedacinhos de palavras ou palavras inteiras com sentido de negação, certos tipos de afirmação, a ironia, alguns exageros e até o silêncio podem significar a negação de algo.

Ferrarezi afirma que nos clichês consta o registro do desenvolvimento cultural de uma região. É preciso conhecer a cultura onde determinada expressão idiomática ou frase feita é usada para poder utilizá-la com seu real sentido, ou compreendê-la quando aparecer em um texto. Como último tópico apontado pelo autor tem-se a metáfora, isto é, a utilização de uma expressão que apresenta um sentido costumeiro com outro sentido diverso daquele comumente conhecido. Tem como função suprir a necessidade de expressar sentidos para os quais não há expressões específicas na língua.

Para que o aluno perceba todas essas possibilidades da língua e muitas outras, se torna necessário compreender a análise de textos, como esclarece Antunes (2010, p.49):

[…] analisar textos é procurar descobrir, entre outros pontos, seu esquema de composição; sua orientação temática, seu propósito comunicativo; é procurar identificar suas partes constituintes; as funções pretendidas para cada uma delas, as relações que guardam entre si e com elementos da situação, os efeitos de sentido decorrentes de escolhas lexicais e de recursos sintáticos. É procurar descobrir o conjunto de suas regularidades, daquilo que costuma ocorrer na sua produção e circulação, apesar da imensa variedade de gêneros, propósitos, formatos, suportes em que eles podem acontecer.

Antunes (2010, p. 52) afirma que a atualidade exige pessoas capazes de atuar socialmente, com competência para a desenvoltura e que saibam se expressar com clareza e consistência nas mais variadas situações sociais. Isso mostra porque a escola e, principalmente, as aulas de Língua Portuguesa, devem reformular suas práticas, realizando-as a partir de textos e analisando-os à luz das novas teorias. Dessa forma, a metodologia irá mudar e o ensino de Português atingirá o objetivo que se espera dele: preparar o indivíduo para a efetiva inserção e participação na sociedade atual.

*Professora Alessandra Pozzer. Graduada em Letras pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e pós-graduada em Metodologia e Ensino da Língua Portuguesa pela Uninter. Professora do Mutirão Farroupilha e rede estadual de ensino. 

Referências

ANTUNES, Irandé. Análise de textos: fundamentos e práticas. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do Ensino fundamental- Língua Portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998.

FERRAREZI JUNIOR, Celso. Semântica para a educação básica. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

FONTANA, N. M.; PAVIANI, N. M. S.; PRESSANTO, I. M. P. Práticas de linguagem: gêneros discursivos e interação. Caxias do Sul: Educs, 2009.

Rio Grande do Sul. Secretaria de Estado da Educação. Departamento Pedagógico. Referenciais Curriculares do Estado do Rio Grande do Sul: Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira Moderna (Inglês e Espanhol). Porto Alegre: SE/DP, 2009. v. 1.

A importância da tutoria na EJA

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*Por Lisiane Führ

Há tempos a educação está em processo de evolução. Um exemplo claro é a educação na modalidade à distância (EAD), que vem se desenvolvendo cada vez mais e abrangendo diferentes áreas do conhecimento. Mas da mesma maneira como cresce e se torna cada vez mais importante, essa modalidade de ensino ainda gera questionamentos e opiniões diversas sobre. O ensino a distância requer adaptações tanto por parte do aluno quanto do professor. Ao passo que é importante para o estudante que ele desenvolva persistência e automotivação, o tutor precisa se tornar fluente com as novas tecnologias e elaborar eficientes estilos instrucionais a fim de amplificar o interesse e a motivação dos estudantes.

O principal questionamento a respeito seria se os discentes conseguem realmente acompanhar os estudos e aprender acerca deles, pelo fato de ser uma modalidade que exige autonomia e interação por parte dos alunos.

Para suprir e atender aos alunos com dificuldades é necessário o auxílio do TUTOR, que se apresenta como uma peça fundamental na trajetória escolar dos alunos – por isso o papel do tutor EAD é tido como sendo determinante para o processo de consolidação de um modelo ideal de educação. Segundo alguns autores:

Para Costa (2013) a palavra tutor pode ser atrelada aos conceitos de guia, protetor, diretor, fiscalizador, orientador, dentre outras funções, dependendo da perspectiva pedagógica adotada pelo modelo de educação a distância. Para Prado (2012) acredita que o tutor tem papel fundamental na Educação a Distância, pois garante a inter-relação personalizada e contínua do aluno no sistema e viabiliza a articulação necessária entre os elementos do processo e execução dos objetivos propostos.

Neste sentido, o apoio tutorial é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, pois realiza a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que intervêm no sistema da EaD e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e avaliação, agregando valor ao curso e mediando o ensino-aprendizagem dos educandos.

O tutor no Colégio Mutirão Máster possui papel importantíssimo e é compreendido como um dos sujeitos que participa ativamente da prática pedagógica. Suas atividades desenvolvidas a distância e ou presencialmente contribuem para o desenvolvimento dos processos de ensino, e de aprendizagem e para o acompanhamento e avaliação do projeto político pedagógico para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Os alunos possuem aula presencial uma vez por semana, com professor em sala de aula, realização de provas e, além disso, contam com apoio do material pedagógico tanto na apostila física quanto no ambiente virtual, onde também realiza os exercícios e atividades complementares.

Nossos alunos contam com o serviço de tutoria, oferecido gratuitamente com o objetivo de facilitar a aprendizagem, melhorando os índices de aprovação e aproveitamento dos alunos, uma vez que o perfil dos nossos discentes é bastante diversificado e o tempo em sala de aula com a presença do professor é reduzido.

Esses números de aprovação são comprovados por pesquisas realizadas anualmente e apresentadas aos mantenedores da instituição.

No ensino semipresencial a tutoria, quando bem conduzida, assume um papel de ligação entre o aluno e a instituição de ensino, entre a tecnologia que está à disposição do aluno e o estímulo ao seu uso, uma vez que 50% da avaliação é realizada à distância através da plataforma virtual Moodle. Assim, o tutor presta atendimento àqueles alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem ou necessitem nova explicação de determinados conteúdos vistos em sala de aula, mas não somente isso. Como tutora há mais de cinco anos posso afirmar com toda certeza, que criamos uma relação de amizade e cumplicidade com cada aluno que procura o atendimento.

Conforme Cortelazzo (2008, p. 310): A interação social é o ponto de partida para uma parceria sólida e produtiva, essencial à realização de projetos que impliquem construção conjunta tanto na educação presencial quanto na modalidade à distância.

Finalizando o texto, é possível exemplificar todo o exposto com uma frase de Paulo Freire: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.

Referências:

COSTA, Maria Luisa Furlan. Educação a distância no Brasil. Maringá: Eduem, 2013.

CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo. Tutoria e autoria: novas funções provocando novos desafios na educação a distância. Revista EccoS, São Paulo, vol. 10, n. 2, p.307-325, jul-dez, 2008.

PRADO, Cláudia et al. Espaço virtual de um grupo de pesquisa: o olhar dos tutores. Rev. esc. enferm., São Paulo: USP, v. 46, n. 1, fev. 2012.

* Professora Lisiane Pereira Führ – Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós-graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Colégio Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.

Se nada der certo…

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*Por Ana Cristina Pütten (abraçada na nossa querida Tia Inês)

Este ano é muito especial para a história cristã. Em 31 de outubro, comemoram-se os 500 anos da Reforma Luterana ou Reforma Protestante. Na Alemanha de 1517, Martin Lutero causou uma revolução social e política que se disseminou em vários países pelo mundo. Ao se deparar com a venda das indulgências, começou a contestar a igreja Católica, afirmando seu distanciamento e hipocrisia em relação aos ensinamentos de Cristo. A história é responsável pelo respeito que dedico a essa instituição protestante e sou simpatizante da mesma, apesar de não ser batizada em sua doutrina. Assim, conhecendo um pouco dessa religião, garanto a vocês que Lutero deve estar se remexendo no caixão depois do recreio temático da escola Instituto Evangélico de Novo Hamburgo (IENH): “Se nada der certo”!

Confesso que estou incomodada, desconfortável com o evento, porque ética é a garantia de credibilidade nos valores de uma escola. Para uma instituição de ensino ser decente, exige-se convivência social, empenho pedagógico, amorosidade, empatia, companheirismo e, acima de tudo, o valor do respeito. Respeito é uma palavra com origem no latim: respectus, particípio passado de respicere, “olhar outra vez”, de re-, “de novo”, mais specere, “olhar”. Veja que linda é essa ideia de algo que merece um segundo olhar e, consequentemente, uma ação de consideração e reverência. Mas o que ocorreu no dia 17 de maio foi justamente o contrário. O elitismo, a cultura dos privilegiados sobre as profissões dignas, mas que não carregam diplomas, demonstra preconceito, deboche e, acima de tudo, a inferiorização de algumas categorias de trabalhadores, tais como faxineiras, domésticas, garis, atendentes do Mc Donalds, entre outros.

No Mutirão, temos uma profissional de sucesso que é referência para a maioria dos colegas que integram o Instituto Cultural e Desportivo Mutirão Ltda. A colaboradora Agnes Legramanti, apesar de possuir um nome bonito de descendência francesa, fala e escreve muito bem o italiano. Possui 82 anos, sendo que 45 deles estão sendo dedicados à nossa escola. Suas habilidades e competências na função para a qual é contratada são de causar inveja. Ela possui a excelência que toda empresa deseja. Ela é comprometida, responsável e, além de tudo isso, conta com uma pontualidade inglesa, sendo uma funcionária impecável. Ela é conhecida carinhosamente como Tia Inês. Seu cargo? Auxiliar de Higienização.

Tia Inês é uma pessoa incrível. Apesar de pequena em tamanho (1 metro e meio, não tenho certeza), ela é gigante em comprometimento e eficiência. Por causa dela, semanalmente, temos dois dias sagrados na minha opinião. A quinta-feira é santa: ela faz um lanchinho especial para a nossa equipe. Pão novinho e fresco, com chimia de uva que ela mesma cozinha e mel. Também temos a sexta-feira santa: as bomboniéres de cada setor ficam cheias de balinhas e guloseimas para adoçar os nossos dias. Se alguém está doente, lá vem ela, com chazinhos e xaropes milagrosos. Dificuldades na vida privada? Basta deixar o nome completo em um pedacinho de papel. Ela levará para as “Carmelitas” rezarem por você. E quando ela aparece na minha sala de aula com chimarrão? Meus alunos deliram de felicidade, principalmente nestes últimos dias frios e úmidos. A Tia Inês nos aquece com sua amorosidade. Ela nos alimenta. Não enche apenas o nosso estômago, mas nossa alma com vida. Ela cuida, protege, tem uma empatia enorme pelos seus semelhantes, é solidária e fraterna. Ela é uma das profissionais mais dignas, honestas e éticas que conheço. O meu dia sempre fica melhor com seu abraço diário. Esqueci de comentar: aos 82 anos, ela ainda é educadora. Sim, é professora de catequese!

Resumidamente contei um pouquinho do “case de sucesso” da Senhora Legramanti. Sabe por quê? Não importa a sua profissão, desde que você possa desempenhá-la com dignidade, prazer e honradez. Conheço professores diplomados como mestres e doutores, mas que não possuem a capacidade afetiva, didática e corajosa com seus alunos. Médicos que possuem aversão de seus pacientes e que reclamam de cumprir a carga horária de trabalho contratual. Basta olhar os grevistas em Caxias do Sul e o abandono das UBS de nossa cidade. Engenheiros que não conseguem ir além do seu mundo de esquadros e cálculos. Enfim, os profissionais existem não para servir a si mesmos, mas para servir ao coletivo, à sociedade. E se você não tem esse entendimento, porque acha que sua classe social é mais importante do que as outras, ou que o vestibular é a porta de entrada para o seu sucesso, meu amigo, cuidado! Certamente você já está fadado ao fracasso.

Reflito e analiso muito a postura do IENH. Em nota, a escola pediu desculpas pelo “mal-entendido”. Como assim? Já dizia nosso querido Paulo Freire: “todo projeto pedagógico é um ato político”. Não existe a possibilidade de uma neutralidade neste caso. Está muito clara a intenção dessa atividade. Finalizo com o pensamento de Leandro Karnal em suas redes sociais: “Queria tranquilizar a tanta gente que se preocupa se os professores de humanas transformaram os alunos em militantes de esquerda. Observem as fotos na internet e durmam tranquilos. Nenhuma mudança social deriva de um projeto escolar que, depois de doze anos de ensino médio e fundamental, consegue ter essa ideia ruim. E se tudo der errado no Brasil? Teremos o Brasil como ele é…”

Se nada der certo?

Bem… por aqui continuarei a inspirar-me na Tia Inês. Ela sabe como deixar a vida melhor para aqueles que a cercam!

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

 

 

A Teoria de Controle e o Estudo de Matrizes

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Por Fábio de Oliveira Brondani

No material didático de Matemática II da Educação de Jovens e Adultos, especificamente no módulo II, é abordado um tema bastante utilizado na Matemática em geral, o estudo de Matrizes. Basicamente, esse conceito surgiu aproximadamente no séc. II a.C., mas por algum motivo, não foi aprofundado. E, somente, no final do séc. XVII e meados do séc. XVIII, voltou a reaparecer e, ainda hoje, possibilita a conclusão de resultados fantásticos.

É de conhecimento de todos que, uma matriz nada mais é que uma tabela, composta por linhas (horizontais) e colunas (verticais), sendo que cada elemento dessa tabela pertence a uma única linha e a uma única coluna. Como exemplos, pode-se citar as planilhas do Excel, tabelas de classificação de um campeonato de futebol, o boletim de desempenho escolar, entre tantos outros.

O início deste estudo está intimamente relacionado com a tentativa de resolução de sistemas lineares. Os babilônios estudaram problemas que levam a resolução de sistemas lineares com duas equações e duas variáveis. Mas, foram os chineses que se aproximaram mais do conceito de Matriz. Uma prova disso pode ser encontrada no texto “Os Nove Capítulos da Arte Matemática”, escrito na dinastia Han, em que aparecem alguns exemplos relacionados a este tema. No entanto, o objetivo deste artigo não é resgatar fatos históricos relacionados ao surgimento desse conceito, mas sim, apresentar uma aplicação bem recente dele, conhecida como Teoria de Controle.

A Teoria Matemática de Controle ou simplesmente Teoria de Controle é largamente aplicada na área da Engenharia. Historicamente, as ideias de sistemas de controle estão presentes desde a Grécia Antiga. Mas a Teoria de Controle tem como marco inicial, a publicação do trabalho “On Governors” de James C Maxwell, em 1868, um importante artigo científico que trata de um regulador centrífugo, isto é, um dispositivo que controla a velocidade de rotação de uma máquina de forma a manter a velocidade constante, independentemente da carga mecânica ou das condições de operação. Por exemplo, pode-se citar as máquinas a vapor, onde se regula a admissão de vapor nos cilindros. Cabe ressaltar que para a época, essa descoberta foi considerada um grande avanço, visto que antes da Revolução Industrial, as máquinas que predominavam na indústria eram a vapor.

Com a publicação desse resultado, muitos cientistas da época começaram a ter interesse por esse assunto e passaram a obter resultados significativos sobre ele, mas nas décadas de 1960 e 1970 houve um grande desenvolvimento de uma teoria estrutural dos sistemas de controle. Nessa teoria, os conceitos de controlabilidade e observabilidade tornaram-se conceitos-chaves. A partir desses conceitos, a indústria tecnológica começou a se desenvolver de forma impressionante, houve um avanço no que diz respeito a lançamentos de satélites e foguetes, um grande desenvolvimento da robótica, bem como a modalidade de piloto automático nos aviões em geral. Tudo devido ao fato de que a Teoria de Controle busca estudar, basicamente, a estabilidade.

Toda essa teoria, que é muito recente, foi construída tendo como base a Teoria de Matrizes. É claro que é um estudo aprofundado, mas tudo começa com definições que a apostila do curso, no referido módulo, aborda. Ou seja, operações de matrizes e cálculo de determinantes. Logo, a ideia que se ouve, frequentemente, sobre inaplicabilidade dos conhecimentos estudados, nas aulas de Matemática em geral, não se aplica. Como se pode ver, conceitos que geralmente não se confere a devida importância podem ser peças-chaves para a resolução de problemas, podendo inclusive transformar o mundo.

Portanto, pode-se dizer que o desenvolvimento tecnológico mundial está relacionado de forma bem íntima com o desenvolvimento da Matemática, como é o caso da Teoria de Controle. Ela é a ciência que dá suporte a muitas outras e que ajuda a solucionar problemas em geral.

Para concluir, segue a descrição dessa teoria na página do IMPA – Instituto de Matemática Pura e Aplicada:

“A Teoria de Controle tem contribuído de maneira fundamental para o progresso tecnológico em diversas áreas, nas últimas décadas. Ela tem tido um grande impacto mesmo em áreas tais como biologia e economia. A teoria clássica (sistemas de controle automático) tem sido amplamente utilizada na sociedade moderna, desde simples aplicações, como no controle de temperatura de refrigeradores, até em sistemas altamente sofisticados, como em aviões e satélites. Vale salientar, como um marco em aplicação tecnológica, que a Teoria de Controle foi fundamental no sucesso do projeto Apollo, no desenvolvimento dos jatos F-16, e mais recentemente no continuado sucesso do ônibus espacial americano e outros programas espaciais”.

Profº Fábio de Oliveira Brondani – Licenciado em Matemática pela Universidade Federal de Santa Maria UFSM, Especialista em Matemática Aplicada e Computacional pela UCS e Mestre em Matemática pela Universidade Federal de Itajubá – Área de Concentração: Equações Diferenciais Ordinárias. Docente no Colégio Mutirão Máster onde ministra as disciplinas de Matemática e Física.

Referências:

www.impa.br (Acesso em: 13/05/2017)

– Brondani, F., Controle de Ciclos Limites em Sistemas de Controle Lineares em Malha Fechada, 2016.