Sair da escola também é importante

* Lisiane Pereira Führ

Todo processo de aprendizagem é complexo e envolve entrega tanto por parte do professor quanto por parte dos alunos. Contudo, cada vez mais se torna difícil essa relação mútua, uma vez que muitos discentes acabam sendo desmotivados no ambiente educacional. Diante disso, cabe ao profissional da educação transformar essa realidade que dificulta o processo de ensino e aprendizagem por meio de alternativas, ou seja, de estratégias didáticas que sejam atraentes para o aluno.

Na história da educação brasileira, atividades semelhantes ao estudo do meio foram introduzidas no primeiro momento pelas escolas anarquistas com uma conotação política e libertária, uma vez que o objetivo consistia em, através da observação do meio natural e social, refletir sobre as desigualdades e buscar formas de saná-las (PONTUSCHKA, 2004); porém essa prática se perdeu com o fim das escolas anarquistas, mas foi retomada pelos escolanovistas em meados do século XX, mas tinha como objetivo básico integrar o aluno ao seu meio.

Hoje, ainda é possível observar esses equívocos e situações em que a própria Coordenação e o Corpo Docente se referem ao estudo do meio como excursão, ou passeio, o que revela a total falta de noção acerca da riqueza pedagógica que essa atividade pode proporcionar. As atividades de campo são fundamentais na construção do conhecimento científico, mesmo que ocorra de a experiência não dar muito certo naquele momento, pois quando o mesmo resultado é diferente do esperado, professor e alunos têm, diante deles, uma riquíssima oportunidade de procurarem juntos as causas da diferença. Da mesma forma, os alunos podem trocar ideias e informações, analisando os diferentes resultados que obtiveram.

As saídas de campo e as visitas de estudo são meios de chamar a atenção dos estudantes, pois são consideradas, tanto pela investigação como pelos Currículos Nacionais do Ensino Básico e do Ensino Secundário, como recursos dotados de inúmeras potencialidades educativas. Além disso, diversos estudos sugerem que os jovens, de um modo geral, gostam de saídas de campos e de visitas de estudo e aprendem muito por intermédio delas.

Nesse contexto, destaca-se a aula de campo como um importante recurso, sendo um facilitador da aprendizagem. Tendo em vista as necessidades por busca de estratégias didáticas que facilitem a relação entre professores e alunos, o trabalho fora da sala de aula tende a auxiliar na construção do conhecimento. De acordo com Lima e Assis (2005, p. 112): o trabalho de campo se configura como um recurso para o aluno compreender o lugar e o mundo, articulando a teoria à prática, através da observação e da análise do espaço vivido e concebido.

Hodson (2004) refere que o currículo escolar deve-se assentar numa conjugação de três aspectos importantes: aprender Ciência e Tecnologia; aprender sobre Ciência e Tecnologia e fazer Ciência e Tecnologia. Segundo o próprio autor, a relevância de uma educação científica e tecnológica consiste em adquirir e desenvolver um conhecimento conceitual científico e tecnológico, que torne familiares ao educando os vários tipos de tecnologias existentes na sociedade atual, mediante o desenvolvimento do conhecimento de técnicas e de métodos de natureza científica e tecnológica, atendendo à complexidade das relações estabelecidas entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. Em coerência com o que foi referido, essas atitudes devem estar associadas a um espírito empreendedor na resolução de questões problemáticas (Oliveira, 2008).

Essa mesma perspectiva é corroborada por Cachapuz et al. (2004 apud Oliveira, 2008), que tal como Perrenoud (2001 in Oliveira, 2008), considera como essencial dotar os cidadãos com competência suficiente para resolver situações totalmente inesperadas. Ele sustenta que “a Ciência inova e o saber se renova”. No seu entender, o desafio que atualmente se coloca constantemente ao sistema de ensino das sociedades modernas reside no fato de ter de se reinventar um novo conjunto de saberes básicos, os quais ele designa como sendo: ferramentas, que permitem a mudança de uma aprendizagem dirigida (…), para uma aprendizagem assistida e, desta, para uma aprendizagem autonoma, de acordo com um percurso de responsabilização crescente de cada cidadão pela construção do seu próprio saber (…)

As saídas de campo facilitam a interação dos alunos com o meio ambiente em situações reais, aguçando a busca pelo saber, além de estreitar as relações entre aluno/professor (VIVEIRO; DINIZ, 2009). Em ambiente natural, é possível agrupar e relacionar os diferentes conteúdos. Essa dependência existente entre uma parte e outra é o que possibilita uma abordagem mais ampla do assunto estudado. A metodologia em discussão proporciona aos estudantes observações diretas de fatos reais, a exploração de diversos sentidos e possibilita relacionar a teoria da sala de aula com a prática do seu cotidiano. Ela nos leva a fazer uma leitura do mundo de forma mais ampla, partindo do local para o global (BRASIL, 1997). É essa a visão de mundo que o aluno precisa ter, pois as mudanças que ocorrem e os fatos que acontecem não se dão separadamente, pois existem inter-relações, onde um acontecimento pode influenciar em outro.

Tendo em vista proporcionar aos alunos oportunidade de vivenciar essas experiências, troca de conhecimentos e novas descobertas, realizamos, no dia 18 de novembro de 2017, uma visita ao Museu de Ciências e Tecnologia da PUC–RS. Sobre o resultado dessa atividade do Mutirão, pode-se dizer que a união entre a teoria e a prática se faz cada vez mais fundamental no auxílio à aprendizagem e, segundo o próprio site da Instituição: […] tem por missão gerar, preservar e difundir o conhecimento por meio de seus acervos e exposições, contribuindo para o desenvolvimento da ciência, da educação e da cultura. A atuação do Museu como canal de difusão do conhecimento se realiza por meio de suas exposições. Elaboradas para despertar a curiosidade e o gosto pelas ciências, elas valorizam a participação do visitante que, ao se envolver em experiências lúdicas e inusitadas, torna-se protagonista de seu próprio aprendizado.

Alunos em visita ao MCT – PUC/RS

* Professora Lisiane Pereira Führ – Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós-graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Colégio Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.

A Língua Portuguesa pode modificar o nosso modo de viver em sociedade

*Jeferson Carvalho

Sempre quando ministro aulas de língua portuguesa, refiro aos meus alunos a verdadeira importância da efetivação comunicativa, enquanto falantes que somos; no entanto, da mesma maneira, enfatizo que a Língua que escrevemos deve ser estruturada pelas regras vigentes, seguindo preceitos gramaticais e, assim, ser comum a todos. Para tanto, não deve transgredir as normatizações e igualmente ser efetiva.

Nas minhas aulas, conto algumas situações (causos) em que a Língua escrita pode causar algum tipo de constrangimentos ou até mesmo desvios de entendimento entre os interlocutores.

Em janeiro de 2015, uma situação curiosa ocorreu na Paraíba, um cartaz feito por uma loja de eletrodomésticos anunciava: “Oferta imperdível Chip Vivo R$ 1 com aparelho”. Um cliente entrou na loja e pediu quatro aparelhos ao custo de R$ 4,00, porém os funcionários do estabelecimento se negaram a vendê-los, e o caso foi parar na delegacia do município. A verdadeira intenção do cartaz era informar que, na compra de um aparelho celular, o chip daquela operadora de telefonia custaria R$ 1,00. Situações como essa evidenciam a necessidade de se preocupar em estabelecer uma comunicação bem articulada em todas as situações a fim de evitar interpretações equivocadas, independentemente da área em que se atua.

Não é raro, nos dias de hoje, depararmo-nos com frases e textos mal escritos, com erros gramaticais e de concordância. Embora a tecnologia tenha facilitado o dia a dia das pessoas, com a expansão da internet, os “tropeços” na língua portuguesa tornaram-se mais habituais, o que antes ficava apenas na fala, agora se intensificou na escrita. Pare para avaliar isto um instante: é muito provável que você já tenha recebido um e-mail confuso e visualizado erros bárbaros relacionados à língua portuguesa em uma apresentação de slides ou nas redes sociais.

Assim como o cuidado com a escrita é imprescindível, essencial também é estar atento à linguagem oral. Costumeiramente, as pessoas se confundem no emprego de certos termos da língua portuguesa, entre os clássicos estão “mortandela” ao invés de mortadela; “mendingo” para mendigo; “iorgute” no lugar de iogurte; e “vasculhante” ao invés de basculante. Em um universo composto por pessoas cada vez mais críticas, ao pronunciar expressões como essas, a atenção é desviada e, com isso, a credibilidade e a inteligência são colocadas à prova, principalmente no âmbito profissional.

Todas essas situações demonstram que estar atento ao português não deve ser exclusividade dos profissionais da área de comunicação. Embora a expressão língua portuguesa pareça estar relacionada apenas a uma disciplina, ela está presente em todos os âmbitos e, quando bem dominada, pode facilitar situações do dia a dia – entre elas a interpretação de problemas matemáticos ou de raciocínio lógico, além da correta compreensão do que as pessoas falaram ou escreveram. Preocupar-se em estudar a língua portuguesa ao longo da vida permite desfrutar dos benefícios do conhecimento e minimiza as chances de cometer deslizes que podem ser irremediáveis. Use a língua portuguesa como se fosse uma roupa(gem), em que, a partir da escola das palavras e da situação (formal ou informal), não haja prejuízo para a comunicação e, principalmente, para sua imagem pessoal.

Referências

  • BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999);
  • Paulo Freire. Extensão ou comunicação?. Paz e Terra, 2001. ISBN 978-85-219-0427-4.
  • VILARINHO, Sabrina. “Semântica”; Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/portugues/semantica.htm>. Acesso em: 10 de novembro de 2017.

*Professor  Jeferson Carvalho é licenciado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/RS0 e tem especialização em Leitura e Dinâmica de Aprendizagem pela mesma universidade. É professor do Mutirão EJA,  preparatórios para concursos e oficinas de Redação.  

Matemática e Raciocínio Lógico para Concursos

*Por Rodrigo Triches Panozzo

O peso da Matemática e do Raciocínio Lógico nos concursos públicos é elevado, pois, junto com a Língua Portuguesa, faz parte das disciplinas básicas de qualquer prova. Afinal, como assumir um cargo público sem saber escrever corretamente, sem saber calcular, ou sem pensar de forma mais racionalizada?

Estudar Matemática e Raciocínio Lógico exige um cuidado especial e, principalmente, exige TEMPO e DEDICAÇÃO, mas não fique aflito, basta um pouco de paciência e tudo pode ser resolvido. Muitas vezes, nossa ansiedade em resolver os problemas depressa faz com que a Matemática e o Raciocínio Lógico sejam “um grande bicho de sete cabeças”.

Depois de certo tempo, com certa experiência nós nos convencemos de que não é tão complicado assim.

E como podemos obter êxito? Frequentando aulas num curso, lendo, relendo, comparando e, é claro, praticando. Não conheço nada mais eficiente do que papel, lápis, borracha e umas boas horas pensando.

Atualmente, com a revolução da internet e dos celulares, temos a oportunidade de aproveitar nosso tempo ao máximo para os estudos, e em todo o lugar. Podemos ler algum texto, assistir a uma videoaula, analisar ou resolver provas de concursos passados, enfim, um universo de possibilidades para estudar.

Uma dica importante que gostaria de deixar é a de que você não precisa se limitar aos exercícios de uma única banca, de um único estilo de prova, procure diversificar, o importante é que seu nível intelectual na Matemática e no Raciocínio Lógico aumente, ficando igual ou acima daquilo que pretende concorrer. Alguns sites, como www.pciconcursos.com.br, https://acasadoconcurseiro.com.br, http://concursosnobrasil.com.br, www.folhadirigida.com.br, www.qconcursos.com possuem uma infinidade de provas de diversas bancas e de diversos cargos, sendo ambientes muito interessantes para o estudo. Dentre as bancas que poderá encontrar nesses sites estão CESPE, ESAF, FGV. Há também bancas com questões menos difíceis, como FUNDATEC, OBJETIVA, EXATUS. Essas bancas citadas costumam estar presentes em concursos de todas as esferas públicas.

Além disso, ao resolver uma questão, é necessário colocar-se “dentro do problema como se fosse seu” e pensar com racionalidade nas alternativas de solução.

Por isso, praticar, colocar-se frente a um exercício, um problema, e conseguir superá-lo, faz com que se sinta mais forte intelectualmente e com mais confiança – pré-requisitos importantes para quem está se preparando para um concurso. Nem é preciso dizer o quanto a concorrência é elevada em qualquer concurso e é realmente o momento daquele que está mais preparado tecnicamente e mentalmente.

ENTÃO, DESAFIE-SE!

E não pense que é necessário recorrer a memorizações de fórmulas matemáticas extensas, ou se preocupar com cálculos que produzem várias casas após a vírgula, já que nos concursos não é permitido o uso de calculadora, preocupe-se, portanto, em compreender a teoria que está por trás, a ideia, e, com isso, minimize os cálculos e esforços para a obtenção do resultado. Outro ponto importante é aprender a fazer simplificações nas fórmulas e expressões, pois isso reduzirá, e muito, o tempo gasto com cálculos. Para isso, não fuja das frações, pois quanto menos aversões a esse tipo de escrita dos nossos números você tiver, mais tempo poderá economizar numa questão, além de esgotar-se menos mentalmente.

Para finalizar, no momento de resolver um problema de Matemática ou Raciocínio Lógico, tenha atitude, leia e releia a questão até estar ciente do que precisa buscar, não faça como muitos que, mesmo antes de ler o problema, já estão reclamando.

Identifique qual teoria está ligada ao problema que precisa resolver (regra de três, funções, análise combinatória…).

Comece pelas questões mais simples e vá, gradualmente, aumentando o nível de dificuldade ao fazer exercícios e provas.

Encontre seu tempo para resolver os exercícios, já que apressar as coisas normalmente atrapalha e nos deixa ansiosos e com sentimento de incapacidade e, por fim, aprenda a fazer verificações de suas respostas. Esteja convencido de que o resultado encontrado faz sentido para o problema.

Para mim, estudar Matemática e Raciocínio Lógico é uma arte, onde a PRÁTICA leva-nos à PERFEIÇÃO.

Abraços, Profe. Rodrigo.

* Rodrigo Triches Panozzo possui graduação em Matemática pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), especialização em Estatística Aplicada pela mesma universidade e mestrado em Matemática Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É docente no Colégio Mutirão Máster nos Preparatórios para Concursos e Cursos Técnicos e no Ensino Médio do Colégio Mutirão Objetivo de Caxias do Sul.

 

Mutiaulão? O que é isso?

Por Mª Ariane Pegoraro Nuncio

Os Multiaulões têm sido um dos diferenciais do Colégio Mutirão Objetivo de Bento Gonçalves. Desde o mês de junho de 2017, estamos desenvolvendo aulas interdisciplinares em que os educadores do Colégio, em parceria com outras instituições, têm trabalhado os mais diversos temas e assuntos presentes nos vestibulares e no ENEM. Esse mesmo projeto está sendo oferecido, também, para as três séries do Ensino Médio.

A interdisciplinaridade não é um tema novo, estando no Brasil desde a Lei nº 5.692/71, mais fortemente com a Lei de Diretrizes e Bases para a educação, a Lei nº 9.394/96. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já apresentam essa estratégia como algo possível de ser trabalhado nas escolas; mas, infelizmente, no ensino da maioria das escolas, o conhecimento ainda é “individualizado e compartimentalizado como se fossem gavetas”.

Fazenda (1993) aponta que “os currículos disciplinares levam o aluno ao acúmulo de informações. Sua superação exige uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento”.

Para esse mesmo autor “o pensar interdisciplinar tenta, através do diálogo com outras formas de conhecimento, interpenetrar pelos diversos campos do saber”.

Diante dessa realidade, o nosso Colégio vem rompendo com o método tradicional, que pouco contribui para a aprendizagem dos educandos. Ao todo, foram cinco “Mutiaulões”, onde as diferentes disciplinas trabalharam em torno de um mesmo tema.

No 1º Mutiaulão, houve o encontro das disciplinas de Sociologia, Geografia, Literatura, História e Física, e os professores promoveram uma viagem ao longo do tempo, na qual os alunos puderam vivenciar os diferentes tipos de governos autocratas por meio da dramatização e da música.

O 2º Mutiaulão desvendou o pH sob a orientação do cientista maluco Deniz Básico e das assistentes Azul de Metileno e Clorofila. Dessa vez, o encontro ficou sob a responsabilidade dos professores de Química, Matemática e Biologia do Colégio. Além de encantar a galera, os docentes desvendaram o pH no aspecto físico, químico, biológico e matemático. O tema, sempre presente no ENEM e nos vestibulares, mas principalmente no nosso dia a dia, foi tratado de forma lúdica e acessível ao cotidiano de nossos alunos.

O 3º Mutiaulão ficou sob a responsabilidade dos professores de Língua Portuguesa e Biologia, e o tema da vez foi “Espiritualidade como base para o desenvolvimento sustentável”. Na oportunidade, os estudantes do ensino médio puderam fazer uma reflexão sobre a existência dos seres humanos, nossa responsabilidade com a natureza e com as futuras gerações.

O 4º encontro foi em parceria com um pré-vestibular de nossa cidade, e o assunto abordado foi “Atualidades”.

O último encontro, que encerrará esse projeto, envolverá as disciplinas de Língua Portuguesa, Geografia, Sociologia e História. Serão apresentados temas diversos que estarão presentes nas avaliações que os nossos jovens em breve enfrentarão.

Por meio dessa atividade, podemos vivenciar, na prática, a importância de trabalhar de forma diferenciada com os nossos jovens.

A seguir, fotos e relatos que mostram a alegria dos educandos e dos educadores em fazer parte desse Colégio, que vem buscando o rompimento com a forma tradicional de educar.

 

Depoimentos de alunos:

Aluna A.J. F (2º ano)

“O Mutiaulão nos proporciona vários conhecimentos de forma divertida e engraçada. Com ele, aprendemos muitas coisas que jamais pensei que existissem! Eu me divirto muito com as aulas!”

Aluno C. E. C. (1º ano)

“Os Mutiaulões são dez!”

 

Referências:

FAZENDA. Ivani.Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1993.

Mª Ariane Pegoraro Nuncio, autora deste texto, é Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Bento. Ela é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS); Especialista em Educação Inclusiva pelo Centro Universitário Metodista (IPA-RS); Especialista em Supervisão Escolar pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA) e Mestre em Educação-Ciências e Matemática, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

 

 

As ferramentas para a aprendizagem da língua estrangeira

*Por Roberta Albuquerque

Há alguns anos, aprender uma língua estrangeira era privilégio de poucos, pois o custo disso era alto, devido à limitação de profissionais e de escolas de ensino. Poucas eram as instituições dedicadas apenas a essa modalidade e, além disso, os ensinos médio e fundamental ofereciam uma carga horária muito restrita. Para aqueles que quisessem aprender sozinhos, os chamados autodidatas, as ferramentas eram praticamente inexistentes. Hoje, felizmente, a realidade é outra. Mas será que os alunos sabem aproveitar todos os recursos existentes para a aprendizagem de outra língua? Possivelmente não, mas serão apresentadas, neste texto, algumas dicas para fortalecer a importância dessas ferramentas.

Olhando para trás, anos 1980 e 1990, é possível lembrar o nome de duas instituições que tinham propagandas em canais de televisão e as fitas cassetes “k7” para a prática da audição (auge de seu uso entre os anos 1980 e 1990). A realidade hoje, felizmente, é bem diferente, pois são inúmeras as escolas que oferecem cursos de línguas, que trabalham a escrita e a fala, ora voltada para os negócios, ora voltada para o turismo, além de oferecerem valores e condições de pagamento atrativas.

Não se pode deixar de associar a maior facilidade de acesso à língua estrangeira ao crescimento e ao desenvolvimento da tecnologia. Os computadores, “smartphones”, videogames e afins passaram a auxiliar, consideravelmente, esse processo de conhecimento. No passado, as ferramentas eram: apostila, dicionário, fita k7 e professor.

Na internet, é possível encontrar dicionários, gramáticas, exercícios, vídeos e muitas outras atividades interativas, além de cursos online. Outro meio de estudo é a televisão, que, no passado, oferecia apenas “canais abertos” nacionais e não reproduzia os diferentes filmes e séries que hoje são transmitidos pela televisão “a cabo”. O interessante é que muitos desses programas podem ser assistidos em seu idioma original, constando as legendas para facilitar a compreensão do telespectador. Também é possível configurar as legendas e os áudios em diferentes idiomas. Outro recurso interessante e divertido é o videogame, que traz uma linguagem particular, pois muitos termos dos jogos são em inglês. Dessa forma, torna-se imprescindível entender os comandos solicitados para a sobrevivência do personagem no jogo.

As músicas de maior relevância no mercado mundial são gravadas em inglês, mas será que todos entendem o que está sendo cantado? Já procuraram traduzir o significado das músicas que vocês gostam? Algumas pessoas dizem não ter tempo para isso, pois gostam apenas da melodia, mas será que esse processo de compreensão não lhes agregaria nada? Muitos equipamentos eletrônicos possuem termos em inglês, mas será que todos os conhecem, como as letras “L” e “R” dos fones de ouvido? (Left = esquerdo, Right = direito). O “mouse”, utilizado diariamente nos computadores, o “play” e o “power” dos diferentes controles; enfim, não basta apenas existirem ferramentas, se não partir da curiosidade de cada um a busca pelo entendimento.

Vários instrumentos foram mencionados, mas há um que está mais próximo de todos, tendo, atualmente, maior relevância, trata-se do telefone celular, sendo o modelo mais utilizado o chamado “smartphone” (traduzindo: telefone inteligente). Nele, é possível consultar a internet, as redes sociais, distrair-se com jogos, tirar fotos e até mesmo ligar! (hahaha). Há muitos aplicativos disponíveis nesses aparelhos, inclusive alguns direcionados para a aprendizagem de língua estrangeira; ou seja, isso está ao alcance de todos, ou melhor, na mão de todos.

Diferentes recursos foram mencionados para a facilidade de acesso e aprendizado da língua estrangeira, de modo que, se forem bem utilizados, o passo seguinte será o intercâmbio, assunto para um próximo texto. Quem dispõe dessas ferramentas e sabe utilizá-las profissionalmente estará um passo à frente dos demais.

 

Profª Roberta Albuquerque – Licenciada em Letras com habilitação em Língua Espanhola pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA e MBA em Gestão Financeira  pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha – FSG. Docente no Colégio Mutirão Máster. Ministra as disciplinas de Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhol.

O que é esse tal de “Efeito Estufa”?

20170612_183854

*Por Janaína Benetti

Por vezes, nas aulas de Física, faço uma pergunta simples aos alunos: “O Efeito Estufa é considerado bom ou ruim? ” Quase que por unanimidade, depois de alguns segundos pensando, respondem: “É ruim”. A partir daí, passo a questioná-los sobre qual ou quais fontes os levaram a pensar assim e, na maioria das vezes, obtenho como resposta que foram os noticiários.

Sabe-se que hoje em dia a mídia é formadora de muitos pré-conceitos e, por esse motivo, precisamos ficar atentos às informações que nos são passadas por ela. Tendo isso em vista, sempre sugiro que os alunos pesquisem um pouquinho mais e, como não poderia faltar, surge a pergunta: “O que é o Efeito Estufa? ”

Geralmente, essa pergunta causa um certo silêncio na aula e sei que, nesse momento, muitos, de fato, não sabem do que se trata o tal “Efeito Estufa”. Foi por esse motivo que escolhi falar sobre isso.

Pois bem: o “Efeito Estufa” é um fenômeno natural de aquecimento térmico da Terra, sendo essencial para manter a temperatura do planeta em condições ideais para a sobrevivência dos seres vivos. Se não existisse esse fenômeno, a Terra seria muito fria, o que dificultaria o desenvolvimento e a sobrevivência dos seres vivos.

Os raios solares, ao serem emitidos sobre a Terra, têm dois destinos: parte deles é absorvido pelo planeta e transformado em calor, para manter a atmosfera quente; enquanto que a outra parte é refletida e direcionada ao espaço, na forma de radiação ultravioleta.

O Efeito Estufa se dá pelo excesso de CO2 (gás carbônico) e outros gases, como o metano, na atmosfera terrestre. Eles impedem que parte desses raios voltem para o espaço, provocando, assim, uma elevação na temperatura de todo o planeta.

As altas temperaturas provocadas pelos gases do Efeito Estufa desequilibram o sistema climático da Terra e provocam a elevação do nível médio dos oceanos, o aumento da frequência das tempestades, as ondas de calor, a alteração do sistema de chuvas, entre outros problemas.

Depois de esclarecer o que é o Efeito Estufa, gosto de salientar que ele não é maléfico e que, sem ele, provavelmente não haveria vida aqui na Terra. Apesar disso, temos que ter alguns cuidados para evitarmos o excesso de gases que provocam o aquecimento global.

Para concluir o assunto, gostaria de citar um pequeno trecho do livro “Educação, convivência e ética”, de Mário Sérgio Cortella:

“Eu não moro na Amazônia, e daí que a árvore é derrubada? ” Isso diz respeito ao futuro. “No futuro, eu não vou estar, então não é problema meu. ” Eticamente é um problema meu, porque afeta outro humano.

A frase “você não vai mudar o mundo” é profundamente acomodante, porque você não vai mudar o mundo se continuar achando que ele não pode ser mudado. Mas, quando você se junta com outros que acham que dá para mudar, dá-se um passo adiante no intento de mudá-lo.

Pensando na possibilidade de mudar o mundo e, além disso, acreditando nesse ser que denominamos “Humano”, vale a pena ressaltar alguns dos cuidados que podemos ter quanto à redução do Efeito Estufa:

  • Economizar energia elétrica: não deixe luzes acesas sem necessidade; troque as lâmpadas incandescentes pelas lâmpadas fluorescentes que poupam 68 Kg de CO2 por ano.
  • Evite utilizar carros como meios de transporte, dando preferência ao transporte coletivo e às bicicletas, pois um dos principais agentes poluidores da atmosfera é o automóvel.
  • Dê preferência a carros a álcool: um litro de gasolina lança 2,74 kg de CO2 na atmosfera. Agora faça os cálculos: se alguém que dirige 20 mil quilômetros em um ano, reduzir 10% desse valor, seja utilizando transporte coletivo, bicicleta ou fazendo pequenos trajetos a pé, contribuirá com a redução de pelo menos 500 kg de CO2 por ano.
  • Coma menos carne suína e bovina, pois esses animais emitem grande quantidade de metano em seus dejetos e ruminação.
  • Recicle o lixo e tenha mais cuidado ao consumir embalagens: reutilizando ou reciclando o lixo, evita-se a utilização de novos recursos naturais não-renováveis. Isso também diminui a quantidade de lixo jogado nos aterros sanitários e reduz a quantidade de metano.
  • Se você tiver um quintal em sua casa, plante árvores, de preferência nativas de sua região, pois, dessa forma, você estará contribuindo para a manutenção da fauna e, também, para a redução do aquecimento global.

*Professora Janaina Benetti – Licenciada em Matemática na Universidade de Caxias do Sul – UCS. Docente da Educação de Jovens e Adultos no Colégio Mutirão Máster nas disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

Canal do educador, Efeito Estufa. Disponível em: http://educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-ensino/efeito-estufa.htm. Acesso em: 08/10/2017.

TodaMatéria, Efeito Estufa. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/efeito-estufa/. Acesso em 07/10/2017.

MENOS É MAIS!

10806316_847311651974608_1480719626856497271_n

*Por Fábio de Oliveira Brondani

Seguidamente, nas aulas de Matemática, nota-se certa inquietação, por parte dos alunos, no que se refere à regra de sinais, especialmente quando se fala na regra da multiplicação e da divisão. Percebe-se que, por mais que se tente justificar o fato através de exemplos e de macetes há, ainda, certa resistência na assimilação. Diante desse fato, o objetivo deste artigo é justificar de um modo mais formal esta regra. Entretanto, antes desta “prova”, será apresentado, de maneira resumida, o contexto histórico do surgimento dos números. Por fim, serão apresentadas algumas situações onde pode-se perceber que, de fato, menos é mais.

Antes de falar nos sinais dos números, é preciso falar do surgimento deles. Basicamente, no início da história humana, esses surgiram com um único propósito: a necessidade de contar, ou seja, de atribuir valores e quantidades. Estima-se que o homem, há 500.000 anos atrás, já tinha a capacidade de contar. É claro que a representação desse processo não se dava através dos símbolos que hoje se utiliza (1, 2, 3, …). Cada povo desenvolvia o seu “sistema numérico”, que, muitas vezes, eram representações que continham desenhos, como é o caso do sistema de numeração utilizado pelo povo egípcio por volta de 3.300 a.C.. Um outro modo de contar, naquela época, era utilizando-se pedras ou sementes de milho, por exemplo. Essa técnica era muito utilizada por pastores para contar seu rebanho de animais. Tal técnica pode ser utilizada hoje para introduzir o conceito de números (quantidades) para as crianças no início do Ensino Fundamental. Os números que expressam quantidades, os quais são identificados hoje como 1, 2, 3, …, fazem parte do Conjunto dos Números Naturais.

Seguindo um pouco mais no tempo, no início do Renascimento, a expansão comercial começou a crescer de forma considerável. Sempre quando se fala em comércio, logo se pensa em lucros e prejuízos. Foi aí que surgiu a seguinte questão: “como pode-se representar numericamente lucros e prejuízos? ”. Diante desse problema, houve, então, a necessidade de encontrar uma resposta a essa pergunta, surgindo, assim, o conceito de número negativo. Esse conceito foi um grande problema para os matemáticos em geral. Gauss e o matemático francês Lazare Carnot escreveram artigos procurando entender esse conceito. Entretanto, foi somente no Século XIX que houve um melhor entendimento sobre esses números. Foi quando deixaram de pensar que os conceitos matemáticos não representavam coisas, mas, sim, relações entre as coisas. Com essa mudança de pensamento, pôde-se avançar nessa área.

A partir desse entendimento, foi possível, então, pensar em uma regra que estabelecesse os sinais dos números, conforme fosse o problema aplicado. Cabe ressaltar que, até chegarem a essa regra, muitos matemáticos perderam várias noites de sono. Estima-se que eles somente entraram em acordo e aceitaram a regra atual depois de cerca de 1.500 anos de muitos debates e estudos.

Como já foi dito aqui, das quatro regras existentes, três delas podem ser entendidas por intermédio de exemplos muito práticos. São as regras: adição/subtração de sinais iguais; adição/subtração de sinais diferentes e multiplicação/divisão de sinais diferentes. Para entendê-las, basta utilizar problemas que envolvam matemática financeira. Nesse caso, deve-se levar em conta que os valores positivos representam valores que cada um dispõe, enquanto que os valores negativos representam valores que cada pessoa deve. Utilizando esse raciocínio, que é bastante lúdico, é possível entender perfeitamente as regras citadas anteriormente. Diante disso, aqui será omitido a prova formal de tais regras.

Entretanto, a utilização de problemas financeiros para a interpretação das regras de sinais não se aplica na multiplicação/divisão de sinais iguais. Por exemplo, sabe-se que (-2) x (-3) = + 6. Se fosse possível a utilização desses problemas para resolver o sinal desta operação, haveria a seguinte situação: “uma dívida de 2, multiplicada por outra dívida de 3, dá um lucro de 6”. Impossível! Diante disso, segue a prova matemática (formal) de que menos com menos é mais.

 

Considere dois números reais A e B. Então é possível afirmar que (-A).(-B)= A.B. De fato:

(-A).(-B)=-[A.(-B)]=-[-A.B]=A.B

 

Com certeza, para quem é leigo no assunto, isso não quer dizer muita coisa. Apesar disso, as operações que foram utilizadas na demonstração do problema são conhecidas de todos. Em outras palavras, para mostrar que multiplicação/divisão de sinais iguais é um valor positivo, basta levar em conta as propriedades dos números que começaram a ser estudadas no 6º ano do Ensino Fundamental. Dentre elas: existência de elemento neutro, associatividade, distributividade, comutatividade e elemento simétrico. Essa é a forma matemática de se mostrar tal regra e que deixa tantas pessoas inquietas quando a observam.

     Dessa forma, o intuito deste artigo, além de mostrar que de fato “menos com menos dá mais”, é mostrar algo ainda maior, isto é, MENOS SEMPRE É MAIS!

Veja algumas situações em que isso ocorre:

1º) MENOS ódio MAIS amor;

2º) MENOS egoísmo MAIS caridade;

3º) MENOS desperdício MAIS recursos disponíveis;

4º) MENOS violência MAIS paz;

5º) MENOS preconceito MAIS liberdade de expressão.

Enfim, são tantos os exemplos em que se pode aplicar essa regra que se torna impossível elencar todos eles. Portanto, que essa regra, que gera muita dúvida e inquietação, possa levá-los a refletir sobre as diversas situações em que o mundo de hoje se encontra. Que cada um consiga aplicá-la no seu dia a dia, não apenas corretamente na Matemática, mas também enquanto pessoas de bem. Quando todos colocarem em prática o que essa regra diz, o mundo se tornará como a ciência Matemática é, ou seja, o mundo tornar-se-á perfeito. Dessa forma, as pessoas perceberão e entenderão, através da prática, que menos é mais!

Profº Fábio de Oliveira Brondani – Licenciado em Matemática pela Universidade Federal de Santa Maria UFSM, Especialista em Matemática Aplicada e Computacional pela UCS e Mestre em Matemática pela Universidade Federal de Itajubá – Área de Concentração: Equações Diferenciais Ordinárias. Docente no Colégio Mutirão Máster onde ministra as disciplinas de Matemática e Física.

Fontes:

http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia_numeros.pdf

http://www.mat.ufrgs.br/~vclotilde/disciplinas/html/historia%20raul%20neto.pdf

O conhecimento combate a pobreza

20170516_171037 (1)

*Por Anderson Sousa

Uma das funções da Educação de que gosto muito e que nos foi colocada pela UNESCO (o órgão das Nações Unidas para a educação, ciência e cultura) diz que: “a educação ajuda a combater a pobreza e capacita as pessoas com o conhecimento, as habilidades e a confiança de que precisam para construir um futuro melhor”.

Em nossas aulas de Ciências Humanas com os alunos da EJA no Mutirão Máster, trabalhamos essa definição, principalmente no que diz respeito ao combate à pobreza – mas a pobreza à qual me refiro aqui não é a pobreza financeira, mas sim a pobreza de conhecimento.

É de extrema importância que o aluno do Ensino Médio, hoje, entenda que o curso que ele faz é o que o próprio nome se propõe a ser, ou seja, um Ensino de caráter MÉDIO. Assim sendo, a importância de se “ter estudo” ultrapassou a barreira da ideia de “Médio”. Sua importância aumentou vertiginosamente com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, particularmente nas últimas décadas do Século XX.

O Mundo de hoje nos dá, de maneira surpreendente, o acesso ao conhecimento. Entretanto, veja só: ele nos dá o acesso ao conhecimento, mas isso não quer dizer que ele faz você INTRODUZIR o conhecimento dentro de si. Adquirir conhecimento vai muito além de apenas ter acesso a ele. Como professores, temos a responsabilidade de trabalhar esses “acessos” que os alunos possuem juntamente com a informação que eles recebem.

Certa vez, uma aluna chegou até mim numa aula e relatou-me das dificuldades que ela tinha em relação ao acesso à internet para fazer boas pesquisas. Essa aluna era ótima leitora, tinha acessibilidade às informações virtuais, mas reconhecia as suas limitações quanto a fazer uma boa pesquisa. Isso tudo numa época em que uma pesquisa virtual pode começar simplesmente digitando algo numa “caixinha do Google”. Entretanto, vemos, nesse caso, como em tantos outros, que uma boa pesquisa, um bom acesso à informação que trará conhecimento, é muito mais do que a tal “caixinha”, e isso a aluna em questão entendia muito bem.
Atualmente, o mundo dito “Globalizado” e o “Mercado de Trabalho” exigem muito mais do que isso, uma vez que há a necessidade de se frequentar cursos e fazer constantes aperfeiçoamentos. Apesar disso, não podemos esquecer de que as práticas dos grupos e a experiência acumulada pelas pessoas ao longo da vida também servem para aumentar sua produtividade e conquistar novas oportunidades.

Segundo uma reportagem produzida pelo Programa “Fantástico” da Rede Globo de Televisão: “Há cem anos, oito de cada dez brasileiros eram analfabetos. O simples fato de saber ler e escrever já garantia um emprego razoável. Foi só a partir da década de 1940 que as empresas passaram a exigir o diploma do curso primário. Quinze anos depois, a exigência passou a ser o ginásio completo. Hoje, as nossas crianças, que aprendem a digitar em casa sozinhas, talvez não entendam por que seus avós tiveram que aprender a digitar num curso que durava seis meses. As empresas exigiam o diploma de datilografia. Lá pela metade dos anos 1960, só um em cada cinco mil brasileiros tinha um Curso Superior. A partir da década de 1970, começou a proliferação de Faculdades no Brasil. De repente, um diploma – de qualquer faculdade, mesmo desconhecida – começou a ser um grande diferencial e a garantia a um ótimo emprego. Na década de 1980, quando a Faculdade já havia deixado de ser privilégio de uma minoria, o diferencial passou a ser um curso de inglês. Na década de 1990, o conhecimento da informática. Nos últimos 10 anos, uma pós-graduação, ou um MBA, que é uma pós-graduação com um nome mais sonoro.

Na década de 1960, um jovem precisava de 3.000 horas de estudo para conseguir um emprego, ganhando três salários-mínimos por mês. Hoje, para conseguir o mesmo emprego, ganhando os mesmos três salários-mínimos, um jovem precisa de 12.000 horas de estudo. Quatro vezes mais tempo estudando, para ganhar a mesma coisa. Isso é justo? Isso é a realidade do mercado de trabalho. Quem não tem condições de fazer um MBA caríssimo pode fazer cursos de curta duração, pois isso mostra disposição e interesse em aprender. E as empresas valorizam esse esforço. Portanto, estudar é preciso. Isso é regra no mercado de trabalho do século 21. E vale para quem tem 15 anos ou para quem tem 50 anos.”

Pode-se afirmar que o conhecimento evolui a cada dia. A tecnologia oportuniza, hoje, inúmeros processos e inúmeras trocas de informações. Ela também nos trouxe a rapidez e a praticidade. Hoje, é necessário ter pessoas preparadas para lidar com o avanço, por isso é muito importante investir em treinamentos e estudos constantemente.

Portanto: nunca desanime!

A história já provou que “o conhecimento é poder em potencial”, mas que só se torna em “poder de fato” quando comunicado ao universo e transformado em ação. O ser humano com conhecimento torna-se mais crítico com o mundo que lhe cerca e sabe melhor selecionar as informações. Essa é, portanto, uma das grandes vantagens de adquirir conhecimento e sair da pobreza intelectual. Quanto mais sabemos, mais poder teremos. Poder, no sentido mais amplo, não significa apenas “ser chefe”, pois quem conhece mais sempre escolhe o melhor. Quem conhece mais amplia sua visão do mundo, pois possui mais subsídios e não se deixa levar pela primeira impressão dos fatos. Francis Bacon já preconizava: “Conhecimento é poder”.

Para um acadêmico, hoje, ou um estudante de curso técnico, é importante que ele saiba que o emprego não é eterno. O emprego sempre existe “por enquanto”, mas, para quem for profissional, sempre haverá uma oportunidade de trabalho. O resultado profissional passa pelo crescimento do conhecimento. Quem tem o desejo de crescer, de se profissional e de realizar seus sonhos pessoais não deve poupar esforços ao adquirir o máximo de conhecimento que puder obter.

Talvez para um aluno, hoje, seja cansativo, muitas vezes até enfadonho, estudar; mas é importante que ele saiba que o “Conhecimento” adquirido vale cada sacrifício. Portanto, assim como digo aos meus alunos da EJA, digo a quem estiver lendo este texto: “Busque conhecimento sempre e, assim, você se tornará um ser humano mais completo e mais crítico. Desse modo, dificilmente você será enganado por essa sociedade cheia de informações úteis, mas que também são fúteis”.

* Professor Anderson Sousa – Licenciado em História pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Docente do Colégio Mutirão Máster.

“Conhece-te a ti mesmo! ” já dizia Sócrates na Caixa de Presente

foto1

* Por Ana Cristina Pütten

Gosto muito de Filosofia. Ao ministrar alguns de seus conteúdos, faz-se necessário recorrer ao método expositivo, ao menos para direcionar os educandos a uma primeira aproximação com o tema. No entanto, aprecio enriquecer minhas aulas com os espaços da cidade onde moramos, que obviamente estão em contraste com a sala de aula.

Assim como Aristóteles, gosto do ar livre com meus alunos Peripatéticos¹. Ok, não realizamos passeios nos jardins do Liceu, mas eventualmente nos jardins do Parque dos Macaquinhos, por exemplo. Em meu último encontro com a Turma M194 da Educação de Jovens e Adultos, mais precisamente no dia 06 de setembro, nossa aula não foi na tradicional sala retangular, com suas cadeiras enfileiradas, e muito menos no espaço encantado das árvores, das flores perfumadas, com os vira-latas de gravatas coloridas que acompanham seus humanos diariamente no parque. Nossa aula foi no saguão da escola, com mate, balas e rapaduras para adoçar nossa noite!

Iniciei nosso encontro mostrando uma caixa de presente. Em seguida, contei uma história. O enredo da narração estava voltado a um fato: eu tinha comprado um presente especial para mim. Comecei a provocar a curiosidade da turma. O que será que havia dentro da caixa? O que aquele objeto escondia de tão interessante?

Assim, convidei os 45 alunos, reservadamente, a abrir a caixa, desde que soubessem guardar segredo e não revelar o teor de seu conteúdo para seus colegas. O convite foi aceito; e o combinado, cumprido. Era interessante verificar as expressões de cada um: havia caras de surpresas, olhares longos, risos disfarçados e encabulados e até alguns que mantiveram semblantes severamente sérios.

No final, perguntei aos estudantes se tinham gostado do presente. Vejam algumas respostas:

– “Profª, a senhora tem bom gosto!”

– “Adorei seu presente!”

– “Nossa, muito bonito!”

– “Que presente caro profª”!

– “ Seu presente está precisando de um regime, hein? ”

– “Pois é… profª, esse presente podia ser melhor!”

O que tinha dentro da caixa era apenas um espelho. Olhar-se no espelho talvez seja uma ação costumeira, mas, mesmo assim, dá-nos uma perspectiva importante no que diz respeito à nossa existência individual. Olhar-se no espelho, enfim, é uma atividade de autoconhecimento.

foto3

Pois bem: a Filosofia também é autoconhecimento. Quando o “conhece-te a ti mesmo” surge na História, precisamente com Sócrates, esse ensinamento expressa uma regra que significa o cuidado de si.  Nesse sentido, é preciso “ Conhecer-me a mim mesmo” para saber como modificar minha relação para comigo, para com os outros e para com o mundo. Sócrates aconselhava-nos que deveríamos nos apegar menos com as coisas materiais — como a riqueza — e menos ainda com os sentimentos efêmeros — como o poder e a fama. Ao invés disso, deveríamos “apoderarmo-nos de nós mesmos”. Você já parou para pensar nisto: que objetivo tenho de “ocupar-me comigo mesmo”?

Depois de aberta a caixa e revelado seu conteúdo, provoquei meus alunos com algumas questões existenciais, tais como:

– Quem sou eu?

– De onde vim? Para onde vou? Que importância eu tenho na vida dos que me cercam?

– Quando eu morrer, que falta farei? Qual será a minha herança para os outros?

– Qual o sentido da minha vida?

– Quais são os meus sonhos?

Enfim, a Filosofia se volta para as questões humanas, em seus comportamentos, em suas ações, nas suas ideias, crenças, em suas atitudes políticas, morais e éticas. Dessa forma, a Filosofia propõe investigar a humanidade e sua forma de existir, e, para que isso ocorra, questiona o homem, os seus valores e o mundo que o cerca. Então, a pergunta que se faz essencial: para que serve a Filosofia? Dentre as inúmeras respostas, estimo a da filósofa Marilena Chauí (2001):

“A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, os valores de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes haver investigado. ”

Seu ponto de partida é a capacidade do indivíduo de investigar, de refletir, de avaliar os atos, as posturas e a relação de si mesmo e com os outros. Refletir é, aqui, a atitude primordial, pois é o processo que o pensamento faz de si mesmo. É retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado e, por fim, colocar em questão o que já se conhece. Reflectere² em latim significa “fazer retroceder, voltar atrás”. A reflexão pode ser comparada à imagem refletida no espelho, pois há um “desdobramento” da nossa figura, ou seja, é a ação de “voltar-se para si mesmo”.

A caixa de presente foi uma dinâmica muito simples, mas foi, principalmente, uma ferramenta para provocar e despertar, criando, dessa forma, o despertar filosófico para uma nova visão de si e do mundo. É essencial que nossos alunos possam desenvolver uma consciência crítica, ascendendo à concepção ingênua e alienada sobre os fatos que compõem a realidade social e política em que estamos inseridos.

Na medida em que os estudantes compreendem a realidade que os envolvem através da reflexão, surge a necessidade maior de participação efetiva para modificar e transformar o status quo. Assim pensava Sócrates, pois, quando cuidamos de nós mesmos, modificamos nossas relações com os outros e com o mundo.

foto2

 

¹ – Do Latim PERIPATETICUS: “relativo à filosofia de Aristóteles”, do Grego PERIPATETIKÓS, literalmente “aquele que anda ao redor”, de PERI-, “ao redor”, mais PATEIN, “caminhar, andar”. Isso porque ele tinha o hábito de ensinar enquanto caminhava com seus discípulos pelos espaços do Liceu de Atenas.

² – Fazer retroceder, voltar atrás. Refletir é, então, retomar o próprio pensamento, pensar o já pensado, voltar para si mesmo e colocar em questão o que já se conhece. ARANHA, Maria Lúcia Arruda de. Filosofia da Educação. São Paulo: Moderna, 1996. p. 106.

Referências

CHAUÍ. Marilena. Convite à Filosofia. Editora Ática: São Paulo, 2001.

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Cursista na Especialização em Educação: Espaços e Possibilidades para a Formação Continuada, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense. Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar

O QUE A SALA DE AULA REPRESENTA PARA ESTA PROFESSORA?

13659077_1105001472890887_2929048607636247039_n

* Por Márcia Toigo Angonese

Como docente de Biologia e de Química, eu vivo diariamente em sala de aula e tenho, em minha bagagem, experiências fantásticas de muita partilha de conhecimentos junto aos alunos da EJA Mutirão.

A sala de aula não é só um espaço físico de paredes e de classes, de móveis e de pessoas passivas. Percebo que esse espaço é, na verdade, nobre de oportunidades, de aprendizagens, de conhecimentos, de afetos e de trocas. Nesse lugar especial, os alunos não só aprendem assim como o professor não somente ensina.

A sala de aula é um lugar de experiências humanas, onde cada aluno que ali está tem sempre uma história pra te contar, um fato a relatar, e isso tudo enriquece as aulas de maneira incrível.

Percebo isso com grande ênfase quando trabalho com eles “Os sistemas do corpo humano”. Essa aula me enche de grandeza e de entusiasmo pelo que faço, pois existe um envolvimento grande de todos, que trazem, para o espaço da sala de aula, fatos e histórias de suas vidas.

Um dos temas mais interessante que apresento para as turmas é sobre o cuidado com a nossa saúde, com a nossa alimentação e a prevenção da diabetes. Para que o tema seja interessante para todos, busco sempre abrir um canal de comunicação, onde os alunos possam trazer suas experiências com o intuito de enriquecer o debate.

Compartilho, logo a seguir, alguns relatos dos alunos da turma M176 (EJA/noturno) referentes às aulas de Biologia/corpo humano.

 “Para mim foi muito importante o conhecimento de nosso próprio corpo. Foi bom aprender sobre o que nos deixa doente e o que podemos fazer para prevenir doenças. Essas aulas foram muito boas, pois todos participaram, interagindo em aula. Com isso, todos aprenderam. ”

 “Eu, particularmente, pelo fato de ter atrite; com as aulas, comecei a me preocupar muito mais com a saúde e com o cuidado do meu corpo. Essas aulas prenderam minha atenção. Eu sempre faço perguntas; e a professora sempre me responde. Mesmo depois, em casa, fico sempre lendo sobre a matéria. ”

“Gostei de ter aula de Biologia, porque eu estava com dúvidas sobre fazer ou não um curso de socorrista, pois eu não sabia o que fazer. Para mim foi muito importante essa aula. ”

 “Foi uma aula muito importante, interessante, com muitos debates sobre temas trazidos por nós alunos em sala de aula. Uma observação é o fato de termos pouco tempo de aula para um conteúdo que levamos para a vida inteira. ”

 “Para mim, as aulas foram muito importantes, pois aprendi muito. Eu sempre tive muitas dúvidas e curiosidades sobre o corpo humano…”

O que esse espaço-sala representa é um ambiente onde fomos capazes de ouvirmos e de sermos ouvidos. Nos tempos modernos em que tudo é realizado por máquinas, celulares e computadores em um “mundo virtual”, o momento de trocas numa sala de aula física, real, é algo incrivelmente importante, a fim de mantermos uma relação, ainda que breve, de estar presente naquele momento, o que é uma relação mais humana de partilha. Independentemente dos tipos de personalidades, de idades, de raças, ou seja, seja qual for a sua criação, é favorável que as relações sejam regadas por um solo que acondicione a troca de saberes entre alunos e professor, professor e alunos, alunos e alunos. Considerando-se, nesse sentido, professor e alunos como atores sociais, enfatiza-se a análise das situações em que eles se veem envolvidos no seu cotidiano (Sirota, 1994).

Percebo que esse sentir, nesse ambiente de sala de aula, é regado pela empatia que tenho por todos ali presentes, acolhendo a cada um, aceitando suas diferenças, suas peculiaridades, suas identidades. Isso torna as aulas muito prazerosas para ambos os lados.

A escuta ativa e o incentivo do potencial positivo também são características que marcam muito esse ambiente da sala de aula. E é nele que coloco em prática esse conselho de Cortella: “Elogia em público, corrija em particular. Um sábio orienta sem ofender e ensina sem humilhar.” Isso auxilia muito no processo de ensino e aprendizagem desses alunos. Esse espaço-sala é, sem dúvida, a pura expressão de cada um que ali passa e deixa sua marca (Freire).

“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, o professor sério, o professor incompetente, o professor irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, o professor sempre com raiva do mundo e das pessoas, o professor frio, o professor burocrático, o professor racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca” (FREIRE, 2002, p.73).

Cada um presente no espaço-sala deixa um pouco de si e leva outro tanto para si. Todos, enfim, acabam compartilhando e contribuindo para um aprendizado mais próximo das suas realidades.

Referências:

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

FREIRE, (2002), op. cit., p. 73.

RESENDE, Tânia de Freitas. No interior da “caixa preta”: um estudo sociológico das interações em sala de aula. In: GT Sociologia da Educação /n.14, 2004.

SIROTA, Régine. A escola primária no cotidiano. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese – Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Máster.