Sair da escola também é importante

* Lisiane Pereira Führ

Todo processo de aprendizagem é complexo e envolve entrega tanto por parte do professor quanto por parte dos alunos. Contudo, cada vez mais se torna difícil essa relação mútua, uma vez que muitos discentes acabam sendo desmotivados no ambiente educacional. Diante disso, cabe ao profissional da educação transformar essa realidade que dificulta o processo de ensino e aprendizagem por meio de alternativas, ou seja, de estratégias didáticas que sejam atraentes para o aluno.

Na história da educação brasileira, atividades semelhantes ao estudo do meio foram introduzidas no primeiro momento pelas escolas anarquistas com uma conotação política e libertária, uma vez que o objetivo consistia em, através da observação do meio natural e social, refletir sobre as desigualdades e buscar formas de saná-las (PONTUSCHKA, 2004); porém essa prática se perdeu com o fim das escolas anarquistas, mas foi retomada pelos escolanovistas em meados do século XX, mas tinha como objetivo básico integrar o aluno ao seu meio.

Hoje, ainda é possível observar esses equívocos e situações em que a própria Coordenação e o Corpo Docente se referem ao estudo do meio como excursão, ou passeio, o que revela a total falta de noção acerca da riqueza pedagógica que essa atividade pode proporcionar. As atividades de campo são fundamentais na construção do conhecimento científico, mesmo que ocorra de a experiência não dar muito certo naquele momento, pois quando o mesmo resultado é diferente do esperado, professor e alunos têm, diante deles, uma riquíssima oportunidade de procurarem juntos as causas da diferença. Da mesma forma, os alunos podem trocar ideias e informações, analisando os diferentes resultados que obtiveram.

As saídas de campo e as visitas de estudo são meios de chamar a atenção dos estudantes, pois são consideradas, tanto pela investigação como pelos Currículos Nacionais do Ensino Básico e do Ensino Secundário, como recursos dotados de inúmeras potencialidades educativas. Além disso, diversos estudos sugerem que os jovens, de um modo geral, gostam de saídas de campos e de visitas de estudo e aprendem muito por intermédio delas.

Nesse contexto, destaca-se a aula de campo como um importante recurso, sendo um facilitador da aprendizagem. Tendo em vista as necessidades por busca de estratégias didáticas que facilitem a relação entre professores e alunos, o trabalho fora da sala de aula tende a auxiliar na construção do conhecimento. De acordo com Lima e Assis (2005, p. 112): o trabalho de campo se configura como um recurso para o aluno compreender o lugar e o mundo, articulando a teoria à prática, através da observação e da análise do espaço vivido e concebido.

Hodson (2004) refere que o currículo escolar deve-se assentar numa conjugação de três aspectos importantes: aprender Ciência e Tecnologia; aprender sobre Ciência e Tecnologia e fazer Ciência e Tecnologia. Segundo o próprio autor, a relevância de uma educação científica e tecnológica consiste em adquirir e desenvolver um conhecimento conceitual científico e tecnológico, que torne familiares ao educando os vários tipos de tecnologias existentes na sociedade atual, mediante o desenvolvimento do conhecimento de técnicas e de métodos de natureza científica e tecnológica, atendendo à complexidade das relações estabelecidas entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. Em coerência com o que foi referido, essas atitudes devem estar associadas a um espírito empreendedor na resolução de questões problemáticas (Oliveira, 2008).

Essa mesma perspectiva é corroborada por Cachapuz et al. (2004 apud Oliveira, 2008), que tal como Perrenoud (2001 in Oliveira, 2008), considera como essencial dotar os cidadãos com competência suficiente para resolver situações totalmente inesperadas. Ele sustenta que “a Ciência inova e o saber se renova”. No seu entender, o desafio que atualmente se coloca constantemente ao sistema de ensino das sociedades modernas reside no fato de ter de se reinventar um novo conjunto de saberes básicos, os quais ele designa como sendo: ferramentas, que permitem a mudança de uma aprendizagem dirigida (…), para uma aprendizagem assistida e, desta, para uma aprendizagem autonoma, de acordo com um percurso de responsabilização crescente de cada cidadão pela construção do seu próprio saber (…)

As saídas de campo facilitam a interação dos alunos com o meio ambiente em situações reais, aguçando a busca pelo saber, além de estreitar as relações entre aluno/professor (VIVEIRO; DINIZ, 2009). Em ambiente natural, é possível agrupar e relacionar os diferentes conteúdos. Essa dependência existente entre uma parte e outra é o que possibilita uma abordagem mais ampla do assunto estudado. A metodologia em discussão proporciona aos estudantes observações diretas de fatos reais, a exploração de diversos sentidos e possibilita relacionar a teoria da sala de aula com a prática do seu cotidiano. Ela nos leva a fazer uma leitura do mundo de forma mais ampla, partindo do local para o global (BRASIL, 1997). É essa a visão de mundo que o aluno precisa ter, pois as mudanças que ocorrem e os fatos que acontecem não se dão separadamente, pois existem inter-relações, onde um acontecimento pode influenciar em outro.

Tendo em vista proporcionar aos alunos oportunidade de vivenciar essas experiências, troca de conhecimentos e novas descobertas, realizamos, no dia 18 de novembro de 2017, uma visita ao Museu de Ciências e Tecnologia da PUC–RS. Sobre o resultado dessa atividade do Mutirão, pode-se dizer que a união entre a teoria e a prática se faz cada vez mais fundamental no auxílio à aprendizagem e, segundo o próprio site da Instituição: […] tem por missão gerar, preservar e difundir o conhecimento por meio de seus acervos e exposições, contribuindo para o desenvolvimento da ciência, da educação e da cultura. A atuação do Museu como canal de difusão do conhecimento se realiza por meio de suas exposições. Elaboradas para despertar a curiosidade e o gosto pelas ciências, elas valorizam a participação do visitante que, ao se envolver em experiências lúdicas e inusitadas, torna-se protagonista de seu próprio aprendizado.

Alunos em visita ao MCT – PUC/RS

* Professora Lisiane Pereira Führ – Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós-graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Colégio Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.

A Língua Portuguesa pode modificar o nosso modo de viver em sociedade

*Jeferson Carvalho

Sempre quando ministro aulas de língua portuguesa, refiro aos meus alunos a verdadeira importância da efetivação comunicativa, enquanto falantes que somos; no entanto, da mesma maneira, enfatizo que a Língua que escrevemos deve ser estruturada pelas regras vigentes, seguindo preceitos gramaticais e, assim, ser comum a todos. Para tanto, não deve transgredir as normatizações e igualmente ser efetiva.

Nas minhas aulas, conto algumas situações (causos) em que a Língua escrita pode causar algum tipo de constrangimentos ou até mesmo desvios de entendimento entre os interlocutores.

Em janeiro de 2015, uma situação curiosa ocorreu na Paraíba, um cartaz feito por uma loja de eletrodomésticos anunciava: “Oferta imperdível Chip Vivo R$ 1 com aparelho”. Um cliente entrou na loja e pediu quatro aparelhos ao custo de R$ 4,00, porém os funcionários do estabelecimento se negaram a vendê-los, e o caso foi parar na delegacia do município. A verdadeira intenção do cartaz era informar que, na compra de um aparelho celular, o chip daquela operadora de telefonia custaria R$ 1,00. Situações como essa evidenciam a necessidade de se preocupar em estabelecer uma comunicação bem articulada em todas as situações a fim de evitar interpretações equivocadas, independentemente da área em que se atua.

Não é raro, nos dias de hoje, depararmo-nos com frases e textos mal escritos, com erros gramaticais e de concordância. Embora a tecnologia tenha facilitado o dia a dia das pessoas, com a expansão da internet, os “tropeços” na língua portuguesa tornaram-se mais habituais, o que antes ficava apenas na fala, agora se intensificou na escrita. Pare para avaliar isto um instante: é muito provável que você já tenha recebido um e-mail confuso e visualizado erros bárbaros relacionados à língua portuguesa em uma apresentação de slides ou nas redes sociais.

Assim como o cuidado com a escrita é imprescindível, essencial também é estar atento à linguagem oral. Costumeiramente, as pessoas se confundem no emprego de certos termos da língua portuguesa, entre os clássicos estão “mortandela” ao invés de mortadela; “mendingo” para mendigo; “iorgute” no lugar de iogurte; e “vasculhante” ao invés de basculante. Em um universo composto por pessoas cada vez mais críticas, ao pronunciar expressões como essas, a atenção é desviada e, com isso, a credibilidade e a inteligência são colocadas à prova, principalmente no âmbito profissional.

Todas essas situações demonstram que estar atento ao português não deve ser exclusividade dos profissionais da área de comunicação. Embora a expressão língua portuguesa pareça estar relacionada apenas a uma disciplina, ela está presente em todos os âmbitos e, quando bem dominada, pode facilitar situações do dia a dia – entre elas a interpretação de problemas matemáticos ou de raciocínio lógico, além da correta compreensão do que as pessoas falaram ou escreveram. Preocupar-se em estudar a língua portuguesa ao longo da vida permite desfrutar dos benefícios do conhecimento e minimiza as chances de cometer deslizes que podem ser irremediáveis. Use a língua portuguesa como se fosse uma roupa(gem), em que, a partir da escola das palavras e da situação (formal ou informal), não haja prejuízo para a comunicação e, principalmente, para sua imagem pessoal.

Referências

  • BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999);
  • Paulo Freire. Extensão ou comunicação?. Paz e Terra, 2001. ISBN 978-85-219-0427-4.
  • VILARINHO, Sabrina. “Semântica”; Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/portugues/semantica.htm>. Acesso em: 10 de novembro de 2017.

*Professor  Jeferson Carvalho é licenciado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/RS0 e tem especialização em Leitura e Dinâmica de Aprendizagem pela mesma universidade. É professor do Mutirão EJA,  preparatórios para concursos e oficinas de Redação.  

Matemática e Raciocínio Lógico para Concursos

*Por Rodrigo Triches Panozzo

O peso da Matemática e do Raciocínio Lógico nos concursos públicos é elevado, pois, junto com a Língua Portuguesa, faz parte das disciplinas básicas de qualquer prova. Afinal, como assumir um cargo público sem saber escrever corretamente, sem saber calcular, ou sem pensar de forma mais racionalizada?

Estudar Matemática e Raciocínio Lógico exige um cuidado especial e, principalmente, exige TEMPO e DEDICAÇÃO, mas não fique aflito, basta um pouco de paciência e tudo pode ser resolvido. Muitas vezes, nossa ansiedade em resolver os problemas depressa faz com que a Matemática e o Raciocínio Lógico sejam “um grande bicho de sete cabeças”.

Depois de certo tempo, com certa experiência nós nos convencemos de que não é tão complicado assim.

E como podemos obter êxito? Frequentando aulas num curso, lendo, relendo, comparando e, é claro, praticando. Não conheço nada mais eficiente do que papel, lápis, borracha e umas boas horas pensando.

Atualmente, com a revolução da internet e dos celulares, temos a oportunidade de aproveitar nosso tempo ao máximo para os estudos, e em todo o lugar. Podemos ler algum texto, assistir a uma videoaula, analisar ou resolver provas de concursos passados, enfim, um universo de possibilidades para estudar.

Uma dica importante que gostaria de deixar é a de que você não precisa se limitar aos exercícios de uma única banca, de um único estilo de prova, procure diversificar, o importante é que seu nível intelectual na Matemática e no Raciocínio Lógico aumente, ficando igual ou acima daquilo que pretende concorrer. Alguns sites, como www.pciconcursos.com.br, https://acasadoconcurseiro.com.br, http://concursosnobrasil.com.br, www.folhadirigida.com.br, www.qconcursos.com possuem uma infinidade de provas de diversas bancas e de diversos cargos, sendo ambientes muito interessantes para o estudo. Dentre as bancas que poderá encontrar nesses sites estão CESPE, ESAF, FGV. Há também bancas com questões menos difíceis, como FUNDATEC, OBJETIVA, EXATUS. Essas bancas citadas costumam estar presentes em concursos de todas as esferas públicas.

Além disso, ao resolver uma questão, é necessário colocar-se “dentro do problema como se fosse seu” e pensar com racionalidade nas alternativas de solução.

Por isso, praticar, colocar-se frente a um exercício, um problema, e conseguir superá-lo, faz com que se sinta mais forte intelectualmente e com mais confiança – pré-requisitos importantes para quem está se preparando para um concurso. Nem é preciso dizer o quanto a concorrência é elevada em qualquer concurso e é realmente o momento daquele que está mais preparado tecnicamente e mentalmente.

ENTÃO, DESAFIE-SE!

E não pense que é necessário recorrer a memorizações de fórmulas matemáticas extensas, ou se preocupar com cálculos que produzem várias casas após a vírgula, já que nos concursos não é permitido o uso de calculadora, preocupe-se, portanto, em compreender a teoria que está por trás, a ideia, e, com isso, minimize os cálculos e esforços para a obtenção do resultado. Outro ponto importante é aprender a fazer simplificações nas fórmulas e expressões, pois isso reduzirá, e muito, o tempo gasto com cálculos. Para isso, não fuja das frações, pois quanto menos aversões a esse tipo de escrita dos nossos números você tiver, mais tempo poderá economizar numa questão, além de esgotar-se menos mentalmente.

Para finalizar, no momento de resolver um problema de Matemática ou Raciocínio Lógico, tenha atitude, leia e releia a questão até estar ciente do que precisa buscar, não faça como muitos que, mesmo antes de ler o problema, já estão reclamando.

Identifique qual teoria está ligada ao problema que precisa resolver (regra de três, funções, análise combinatória…).

Comece pelas questões mais simples e vá, gradualmente, aumentando o nível de dificuldade ao fazer exercícios e provas.

Encontre seu tempo para resolver os exercícios, já que apressar as coisas normalmente atrapalha e nos deixa ansiosos e com sentimento de incapacidade e, por fim, aprenda a fazer verificações de suas respostas. Esteja convencido de que o resultado encontrado faz sentido para o problema.

Para mim, estudar Matemática e Raciocínio Lógico é uma arte, onde a PRÁTICA leva-nos à PERFEIÇÃO.

Abraços, Profe. Rodrigo.

* Rodrigo Triches Panozzo possui graduação em Matemática pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), especialização em Estatística Aplicada pela mesma universidade e mestrado em Matemática Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É docente no Colégio Mutirão Máster nos Preparatórios para Concursos e Cursos Técnicos e no Ensino Médio do Colégio Mutirão Objetivo de Caxias do Sul.

 

Mutiaulão? O que é isso?

Por Mª Ariane Pegoraro Nuncio

Os Multiaulões têm sido um dos diferenciais do Colégio Mutirão Objetivo de Bento Gonçalves. Desde o mês de junho de 2017, estamos desenvolvendo aulas interdisciplinares em que os educadores do Colégio, em parceria com outras instituições, têm trabalhado os mais diversos temas e assuntos presentes nos vestibulares e no ENEM. Esse mesmo projeto está sendo oferecido, também, para as três séries do Ensino Médio.

A interdisciplinaridade não é um tema novo, estando no Brasil desde a Lei nº 5.692/71, mais fortemente com a Lei de Diretrizes e Bases para a educação, a Lei nº 9.394/96. Os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já apresentam essa estratégia como algo possível de ser trabalhado nas escolas; mas, infelizmente, no ensino da maioria das escolas, o conhecimento ainda é “individualizado e compartimentalizado como se fossem gavetas”.

Fazenda (1993) aponta que “os currículos disciplinares levam o aluno ao acúmulo de informações. Sua superação exige uma mudança de atitude perante o problema do conhecimento”.

Para esse mesmo autor “o pensar interdisciplinar tenta, através do diálogo com outras formas de conhecimento, interpenetrar pelos diversos campos do saber”.

Diante dessa realidade, o nosso Colégio vem rompendo com o método tradicional, que pouco contribui para a aprendizagem dos educandos. Ao todo, foram cinco “Mutiaulões”, onde as diferentes disciplinas trabalharam em torno de um mesmo tema.

No 1º Mutiaulão, houve o encontro das disciplinas de Sociologia, Geografia, Literatura, História e Física, e os professores promoveram uma viagem ao longo do tempo, na qual os alunos puderam vivenciar os diferentes tipos de governos autocratas por meio da dramatização e da música.

O 2º Mutiaulão desvendou o pH sob a orientação do cientista maluco Deniz Básico e das assistentes Azul de Metileno e Clorofila. Dessa vez, o encontro ficou sob a responsabilidade dos professores de Química, Matemática e Biologia do Colégio. Além de encantar a galera, os docentes desvendaram o pH no aspecto físico, químico, biológico e matemático. O tema, sempre presente no ENEM e nos vestibulares, mas principalmente no nosso dia a dia, foi tratado de forma lúdica e acessível ao cotidiano de nossos alunos.

O 3º Mutiaulão ficou sob a responsabilidade dos professores de Língua Portuguesa e Biologia, e o tema da vez foi “Espiritualidade como base para o desenvolvimento sustentável”. Na oportunidade, os estudantes do ensino médio puderam fazer uma reflexão sobre a existência dos seres humanos, nossa responsabilidade com a natureza e com as futuras gerações.

O 4º encontro foi em parceria com um pré-vestibular de nossa cidade, e o assunto abordado foi “Atualidades”.

O último encontro, que encerrará esse projeto, envolverá as disciplinas de Língua Portuguesa, Geografia, Sociologia e História. Serão apresentados temas diversos que estarão presentes nas avaliações que os nossos jovens em breve enfrentarão.

Por meio dessa atividade, podemos vivenciar, na prática, a importância de trabalhar de forma diferenciada com os nossos jovens.

A seguir, fotos e relatos que mostram a alegria dos educandos e dos educadores em fazer parte desse Colégio, que vem buscando o rompimento com a forma tradicional de educar.

 

Depoimentos de alunos:

Aluna A.J. F (2º ano)

“O Mutiaulão nos proporciona vários conhecimentos de forma divertida e engraçada. Com ele, aprendemos muitas coisas que jamais pensei que existissem! Eu me divirto muito com as aulas!”

Aluno C. E. C. (1º ano)

“Os Mutiaulões são dez!”

 

Referências:

FAZENDA. Ivani.Práticas Interdisciplinares na Escola. São Paulo: Cortez, 1993.

Mª Ariane Pegoraro Nuncio, autora deste texto, é Coordenadora Pedagógica do Colégio Mutirão Bento. Ela é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS); Especialista em Educação Inclusiva pelo Centro Universitário Metodista (IPA-RS); Especialista em Supervisão Escolar pela Faculdade Estadual de Educação Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA) e Mestre em Educação-Ciências e Matemática, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS).

 

 

As ferramentas para a aprendizagem da língua estrangeira

*Por Roberta Albuquerque

Há alguns anos, aprender uma língua estrangeira era privilégio de poucos, pois o custo disso era alto, devido à limitação de profissionais e de escolas de ensino. Poucas eram as instituições dedicadas apenas a essa modalidade e, além disso, os ensinos médio e fundamental ofereciam uma carga horária muito restrita. Para aqueles que quisessem aprender sozinhos, os chamados autodidatas, as ferramentas eram praticamente inexistentes. Hoje, felizmente, a realidade é outra. Mas será que os alunos sabem aproveitar todos os recursos existentes para a aprendizagem de outra língua? Possivelmente não, mas serão apresentadas, neste texto, algumas dicas para fortalecer a importância dessas ferramentas.

Olhando para trás, anos 1980 e 1990, é possível lembrar o nome de duas instituições que tinham propagandas em canais de televisão e as fitas cassetes “k7” para a prática da audição (auge de seu uso entre os anos 1980 e 1990). A realidade hoje, felizmente, é bem diferente, pois são inúmeras as escolas que oferecem cursos de línguas, que trabalham a escrita e a fala, ora voltada para os negócios, ora voltada para o turismo, além de oferecerem valores e condições de pagamento atrativas.

Não se pode deixar de associar a maior facilidade de acesso à língua estrangeira ao crescimento e ao desenvolvimento da tecnologia. Os computadores, “smartphones”, videogames e afins passaram a auxiliar, consideravelmente, esse processo de conhecimento. No passado, as ferramentas eram: apostila, dicionário, fita k7 e professor.

Na internet, é possível encontrar dicionários, gramáticas, exercícios, vídeos e muitas outras atividades interativas, além de cursos online. Outro meio de estudo é a televisão, que, no passado, oferecia apenas “canais abertos” nacionais e não reproduzia os diferentes filmes e séries que hoje são transmitidos pela televisão “a cabo”. O interessante é que muitos desses programas podem ser assistidos em seu idioma original, constando as legendas para facilitar a compreensão do telespectador. Também é possível configurar as legendas e os áudios em diferentes idiomas. Outro recurso interessante e divertido é o videogame, que traz uma linguagem particular, pois muitos termos dos jogos são em inglês. Dessa forma, torna-se imprescindível entender os comandos solicitados para a sobrevivência do personagem no jogo.

As músicas de maior relevância no mercado mundial são gravadas em inglês, mas será que todos entendem o que está sendo cantado? Já procuraram traduzir o significado das músicas que vocês gostam? Algumas pessoas dizem não ter tempo para isso, pois gostam apenas da melodia, mas será que esse processo de compreensão não lhes agregaria nada? Muitos equipamentos eletrônicos possuem termos em inglês, mas será que todos os conhecem, como as letras “L” e “R” dos fones de ouvido? (Left = esquerdo, Right = direito). O “mouse”, utilizado diariamente nos computadores, o “play” e o “power” dos diferentes controles; enfim, não basta apenas existirem ferramentas, se não partir da curiosidade de cada um a busca pelo entendimento.

Vários instrumentos foram mencionados, mas há um que está mais próximo de todos, tendo, atualmente, maior relevância, trata-se do telefone celular, sendo o modelo mais utilizado o chamado “smartphone” (traduzindo: telefone inteligente). Nele, é possível consultar a internet, as redes sociais, distrair-se com jogos, tirar fotos e até mesmo ligar! (hahaha). Há muitos aplicativos disponíveis nesses aparelhos, inclusive alguns direcionados para a aprendizagem de língua estrangeira; ou seja, isso está ao alcance de todos, ou melhor, na mão de todos.

Diferentes recursos foram mencionados para a facilidade de acesso e aprendizado da língua estrangeira, de modo que, se forem bem utilizados, o passo seguinte será o intercâmbio, assunto para um próximo texto. Quem dispõe dessas ferramentas e sabe utilizá-las profissionalmente estará um passo à frente dos demais.

 

Profª Roberta Albuquerque – Licenciada em Letras com habilitação em Língua Espanhola pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA e MBA em Gestão Financeira  pelo Centro Universitário da Serra Gaúcha – FSG. Docente no Colégio Mutirão Máster. Ministra as disciplinas de Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhol.