Educar o olhar para ver o meio ambiente como inteiro

marcia

*Por Márcia Toigo Angonese

“Isto sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família… Tudo o que acontece com a Terra, acontece com os filhos e filhas da Terra. O homem não tece a teia da vida; ele é apenas um fio. Tudo o que faz à teia, ele faz a si mesmo.” –  TED PERRY, inspirado no Chefe Seatle

Quando entro em uma sala de aula para falar sobre ecologia, relações intraespecífica ou interespecífica e relação do homem com o meio ambiente, sempre compartilho desta visão que tenho de nós SERES HUMANOS:

“Nós, seres humanos, estamos fazendo estágio para ser verdadeiramente Humanos.”

Pois nossas atitudes e forma de agir aqui, nesta biosfera, nos faz pensar desta forma. Esta constatação vem de um olhar para este Humano (nós) e como se relacionam com o meio ambiente em que vivem.  Muitos nem se quer param para pensar que não somos separados deste meio e sim somos e fazemos parte desta inter-relação com todos os seres vivos.

Somos sim, um dos fios desta grande teia, a teia da vida. Precisamos ser mais conscientes e ter mais responsabilidade com as ações que praticamos, sejam elas com seres da mesma espécie, humano para com o humano, sejam de espécies diferentes.

Parafraseando Fritjof Capra “Ecologia profunda vê o ser humano inserido nela e não situado acima ou fora dela”.

Não podemos nos perceber fora deste ambiente onde o ambiente sempre é olhado como algo diferente dos humanos. Então, como educadora da área de Ciências Biológicas, sinto que compartilhar deste olhar, deste sentir, por menor que seja poderá trazer um lampejo de luz para com nossos alunos.

Somos seres em constante evolução, assim como tudo no universo. Engano nosso acreditar que já estamos perfeitos, estamos prontos, o caminho é de aprendizagem e aprimoramento constante até chegarmos quem sabe um dia à perfeição.

Quando nosso olhar estiver treinado a ver tudo por inteiro e não fragmentado ou desconectado, neste momento nos tornaremos consciente de fato e germinará dentro de cada pessoa, um ser mais íntegro, mais verdadeiro com as leis da natureza. Será neste momento que passaremos de estagiários neste processo evolutivo para verdadeiramente “Seres Humanos”, humanos por inteiros.

* Prof.ª Marcia Toigo Angonese –  Licenciada em Ciências Biológicas. Professora de Biologia e Química do Mutirão Máster.    

 Referência

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Editora Cultrix São Paulo, 1996.

 

 

O estudo da literatura em sala de aula

servletrecuperafoto

* Por Kamila Girardi

As metodologias comumente utilizadas pelos professores para o ensino de literatura nas escolas vêm ganhando ênfase nas discussões teóricas sobre o assunto. Tradicionalmente, a literatura que aprendemos e ensinamos tem o seu foco no estudo dos períodos literários, aproximando-se muito mais da disciplina de história do que dos conhecimentos da língua. Assim, deixa de lado o mais importante dos elementos da disciplina: o contato com o texto literário e o seu entendimento.

O professor, preocupado com a quantidade de assuntos que deve abordar durante o ano letivo, muitas vezes, detém-se apenas aos aspectos superficiais dos textos. Geralmente, enfatiza as características comuns ao movimento literário em questão e cita outros autores e obras que fizeram parte da mesma escola. Essa maneira de ensinar literatura desestimula o aluno a ler textos literários, pois ele não consegue entender a essência do verdadeiro sentido que esses textos carregam.

Oliveira (2010), em “O ensino pragmático da literatura”, afirma que o impasse começa na divisão do ensino de língua portuguesa em três outras disciplinas: português, literatura e redação. Todas essas três matérias são peças de um mesmo quebra-cabeça e somente quando juntamos todas elas é que podemos enxergar com clareza qual é o seu real propósito. O autor ressalta ainda que o brasileiro não simpatiza com o texto literário e atribui isso a dois fatores: o primeiro é o conteúdo da disciplina e o segundo é a má-formação do professor de português para o ensino de literatura.

Para Oliveira (2010), a literatura, ensinada através dos movimentos literários, demonstra uma visão cronológica dos períodos e a aproxima muito da disciplina de história, distanciando-se assim de seu real objetivo. Devemos lembrar que a literatura, segundo o autor, serve, principalmente, para que o estudante desenvolva a sua capacidade de usar a língua. Outra problemática, de suma relevância, que o autor destaca, é que os alunos, geralmente adolescentes, são forçados a ler obras que requerem maturidade, desestimulando-os à leitura dos textos literários. Cabe ao professor ajudar o aluno a desvendar a complexidade das obras, amparando-os nas dificuldades em compreendê-las.

Cosson (2010), em “O espaço da literatura em sala de aula”, destaca que durante muito tempo a literatura foi utilizada, em sala de aula, para o domínio da norma culta da língua, estabelecendo fortes relações entre a escola, a língua e a sociedade, apresentando-se, assim, como a essência da formação humanista. Porém, a expansão cultural e a priorização da formação técnica e científica acabaram por redefinir o papel social da leitura e da literatura, acarretando no encurtamento da sua presença em sala de aula.

A exploração do texto literário na escola, para Cosson (2010), parte da interrogação e da admiração por parte do aluno, o que significa que ele está disposto a discutir sobre o texto, estimulado a buscar sua compreensão para, então, desenvolver uma interpretação. Além disso, cada aluno percebe o texto de uma maneira diferente, que pode variar de acordo com a faixa etária, comunidade em que vive, seu conhecimento de mundo, entre outros. A mediação do professor, em todos os casos, é fundamental para que haja compreensão das diferentes percepções. O professor é aquele que contribui para a formação do leitor, por isso deve aproveitar cada oportunidade para despertar o interesse dos alunos pela leitura e pela literatura.

Segundo Oliveira (2010), muitas vezes o aluno é desestimulado a procurar textos literários para uma leitura prazerosa, pois muitos professores, e livros didáticos utilizados nas escolas, recorrem ao texto como pretexto para ensinar gramática. Para o autor, o aluno acaba lembrando-se de determinado escritor ou texto de forma negativa, rotulando-o de acordo com o estudo da função gramatical atribuída à unidade, sem levar em conta a riqueza de sua estética e de seu conteúdo. Essa forma de ensino equivocada, Oliveira (2010) atribui à falta de uma boa formação dos professores de literatura, criticando os cursos de Letras por não possuírem, em suas grades curriculares, uma disciplina específica para que o licenciado aprenda a ensinar literatura.

Mas afinal, qual é a importância de ensinar literatura e estimular os alunos a lerem textos literários? Que serventia possui a literatura para a formação do aluno? De acordo com Oliveira (2010), é papel do professor despertar o interesse dos alunos pela leitura de textos literários, mostrando-lhes qual sua real serventia. Primeiramente, o autor ressalta que o maior benefício da leitura é o desenvolvimento intelectual do estudante. Além disso, contribui para o desenvolvimento das competências comunicativas, uma vez que o texto literário é um baú cheio de tesouros, onde descobrimos novas palavras e novos usos para elas. A literatura contribui, também, para manter a língua em exercício, para ampliar os conhecimentos de mundo dos alunos e para instigá-los a desenvolver o hábito de realizar leituras críticas, seja de textos literários ou não literários.

Para Ramos e Zanolla (2008), o leitor interage com o texto literário, estrutura linguística, com a finalidade de construir sentido, sendo crucial para essa construção que se conheça o seu funcionamento, uma vez que o leitor terá que enfrentar, diante das leituras, dificuldades cada vez que se deparar com diferentes estruturas e funcionamentos. As obras literárias possuem diferentes recursos linguísticos que criam efeitos estilísticos e possibilitam a atribuição de vários sentidos a elas. Cabe ressaltar, que os autores destacam a literatura como responsável pelo desenvolvimento de competências de leitura e escrita e como aquela que permite ao sujeito refletir acerca da condição humana. Ler nos faz mais humanos e possibilita conhecer melhor os outros e a nós mesmos.

É responsabilidade do professor contribuir para a formação de indivíduos letrados. Ler um texto não terá nenhum significado para o aluno se ele não alcançar a compreensão necessária para interpretá-lo. A literatura deve ser apresentada como um mundo a parte, o qual permite viver experiências incríveis. Cabe ao docente planejar suas aulas de forma criativa, utilizando recursos diversos para despertar a curiosidade do aluno, instigando-o, assim, a interessar-se pela literatura. No ensino médio, as leituras complexas de obras mais maduras fazem com que o aluno acabe não gostando de ler textos literários, pois não consegue entendê-los. O papel do professor é ajudar o aluno a compreender suas leituras, estimulando-o, assim, a procurar por outros textos, o que consequentemente irá influenciá-lo a buscar, com o tempo, as leituras de maior complexidade.

* Kamila Girardi: Graduada em Licenciatura Plena em Letras pela Universidade de Caxias do Sul e professora de Língua Portuguesa e Literatura do Colégio Mutirão de Bento Gonçalves.

Referências Bibliográficas:

OLIVEIRA, Luciano Amaral. O ensino pragmático da Literatura. In:__. Coisas que todo professor de português precisa saber: a teoria na prática. São Paulo: Parábola, 2010.

MACIEL, Rildo Cosson. O espaço da literatura na sala de aula. In:__ Literatura: ensino fundamental. Brasília: Ministério da Educação, 2010.

RAMOS, Flávia Brichetto; ZANOLLA, Taciana. Repensado a aula de Literatura no Ensino Médio: a interação texto-leitor como centro. In:__ Cadernos do aplicação. Porto Alegre: 2008.

 

 

 

 

 

Um só planeta, um futuro comum: é o desafio do século XXI

20161103_140008

*Por Lisiane Pereira Führ

Hoje, não se tem mais dúvidas de que existe uma mudança em curso ocorrendo a nível global. Nossas pegadas, nossos rastros no planeta deixaram marcas profundas na natureza e no meio ambiente resultando numa alteração climática de amplas consequências, bem como no empobrecimento generalizado de tudo que se refere ao patrimônio natural mundial.

A maior parte dos seres humanos esqueceu que também fazem parte da natureza, e seguimos trilhando nossa marca para o progresso sem olhar para os lados. Sem olhar para o futuro.

É incontestável que a responsabilidade dos países ricos é maior e histórica. E também não é menos verdade que o desenvolvimento precisa se expressar de uma nova forma. Mas qual é o preço que devemos pagar por esse desenvolvimento, por esse progresso?

Chaminés e veículos, símbolos do século XX, agora mostram o terrível outro lado da moeda: o aquecimento global. A emissão de gases provenientes do nosso progresso alterou a química do céu, destruindo a camada de ozônio em algumas regiões do planeta e piorando o aquecimento global.

Como algumas sociedades encontram-se engajadas em programas ambientais para minimizar as consequências desses avanços sociais, as empresas estão se vendo obrigadas a cada vez mais melhorarem seus produtos sem que haja prejuízo ambiental.

Mas, é possível, que uma empresa que usa química intoxicante proclame-se sustentável, como é o caso dos fabricantes de cigarros? Isso acontece porque não nos inteiramos de como são feitos alguns produtos que usamos em nosso cotidiano. Somos vítimas vivas e passivas de um processo de intoxicação em larga escala.

Pode um governo que aposta todas as suas fichas na exploração de combustível fóssil professar a sustentabilidade? Os gases do efeito estufa, provenientes da queima de combustíveis fósseis, são os principais causadores do efeito estufa e dos desequilíbrios no clima. Infelizmente muitas vezes deixamos as questões ambientais de lado para saciar nosso consumismo:

         “O carro continua sendo, depois da mulher ou depois do homem, a paixão do ser humano. Quem já tem, quer trocar todo ano; quem não tem, quer ter o primeiro. Às vezes, o cidadão pensa em ter o primeiro carro antes de ter a primeira mulher”.

(SILVA, Luís Inácio Lula da. Brasília, 15 de julho de 2009)

Sustentável não é sinônimo de ser verde em detrimento da variável econômica. Ser sustentável é ser capaz de gerar equilíbrio econômico, ambiental e social, permitindo a continuidade do negócio em longo prazo e não é somente em grandes ações e em grandes empreendimentos que podemos promover a sustentabilidade de forma efetiva, desde as fábricas de fundo de quintal até as multinacionais têm condições de tornarem-se sustentáveis sem prejudicar sua produção.

Um dos ramos empresariais que menos investe nisso é o da indústria farmacêutica e da beleza. E isso pode ser provado se observarmos a maneira como seus produtos são testados antes de serem lançados para venda. Por exemplo:

  • Teste de irritação dos olhos: mede a ação nociva dos ingredientes químicos encontrados em produtos de limpeza e em cosméticos. Os produtos são aplicados diretamente nos olhos dos animais conscientes (mais utilizados: coelhos por serem mais baratos, fáceis de manusear e terem os olhos grandes). Para evitar automutilação, os coelhos são imobilizados, mas não são anestesiados. Embora 72 horas sejam suficientes para a obtenção do resultado, a prova pode durar até 18 dias. As reações observadas incluem processos inflamatórios das pálpebras e íris, úlceras, hemorragias ou mesmo cegueira.
  • Teste de Draize de irritação Dermal: observar reações como sinais de enrijecimento cutâneo, úlceras, edemas. Animal imobilizado enquanto substâncias são aplicadas em peles raspadas e feridas.
  • Teste LD 50 (Lethal Dose 50%): mede toxicidade. O animal ingere a substância a ser testada por meio de uma sonda no estômago e pode levar à morte do animal por perfuração no órgão. Efeitos observados: dores angustiantes, convulsões, diarreia, dispneia, emagrecimento, sangramento nos olhos e boca, lesões pulmonares, renais e hepáticas, coma e morte.

Durante nosso dia a dia, muitas vezes não nos damos ao trabalho de pesquisar sobre os produtos que consumimos, seja pela correria do nosso cotidiano, pela falta de informação ou até mesmo de vontade, estímulo para isso.

Mas, que preço estamos dispostos a pagar por isso? O preço do produto vale os riscos que ele traz para esta e para as próximas gerações? Dramas climáticos atingem a todos. Chuva ácida cai sobre todas as cabeças. Contaminação dos alimentos afeta todas as saúdes. Nada mais democrático que os problemas ambientais. Recaem sobre os ricos, pobres, crianças e idosos, negros, brancos e amarelos. Judeus, protestantes, católicos, budistas, muçulmanos, homens e mulheres. Sobre todos os seres vivos.

*Bacharel e Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), pós graduada em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pela UNINTER, atua como docente de Biologia e Química no Mutirão Máster. Além de docente, é tutora EaD na mesma instituição.