O uso da linguagem para a “geração net”

20161025_212311

*Por¹ Alessandra Pozzer

² Daiane Bandeira de Assunção Marin

A linguagem é a forma que utilizamos para nos comunicarmos uns com os outros em diferentes grupos sociais e ambientes. Possuímos formas diferentes de linguagem: escrita, oral e visual. Para este texto nos delimitaremos com a escrita.

Neste sentido, foi através dela que o ser humano criou uma forma de registrar suas ideias e de se comunicar, e, portanto, é especial porque permite que a vida que levamos hoje seja conhecida historicamente por aqueles que virão depois de nós, pelos nossos descendentes, segundo Godman (1991, p.31): a escrita é o resultado da expansão da cultura para além da tradição oral, para preservar esta cultura e passá-la a gerações futuras.

 Desta forma, é na escola que o aluno se apropria do conhecimento historicamente construído, sendo a escrita um instrumento de registro da memória cultural, política, artística e social de um povo. O ambiente educativo tem como finalidade formar pessoas que escrevam bem. A sociedade atual, exigi esta competência e é neste espaço que envolve conhecer as formas mais adequadas para os propósitos da língua escrita, como as normas próprias, regras de ortografia, pontuação, concordância, regência e acentuação que precisam ser compreendidas e apreendidas pelos educandos.

No cenário contemporâneo, com os avanços tecnológicos em uma velocidade jamais vista nos últimos tempos, há a necessidade de uma escrita que acompanhe este processo, conforme Amaral descreve: “a linguagem adotada no mundo virtual requer habilidades de escrita rápida para esta geração net, o que cria uma solução intermediária de comunicação, provocando muita preocupação aos estudiosos” (AMARAL, 2003, p.31). Mediante essa afirmação, podemos observar que a diferenciação da linguagem formal e informal não está muito clara para essa nova “geração net”.

No mundo virtual, por exemplo, em chats de conversa, redes sociais como WhatsApp, Facebook e Twitter outros recursos além da língua escrita são utilizados. É o caso dos chamados emoticons³, que para Pereira e Moura (2005, p.76):

São utilizados, pelos interlocutores, com o objetivo de representar, durante a dinâmica do diálogo que se trava, as manifestações discursivas que ocorrem normalmente numa situação de conversa oral face a face.

Esses são mecanismos que podem manifestar emoções, pensamentos e sentimentos de alegria, raiva, amor e facilitam a vida dos indivíduos, uma vez que eles não precisam mais recorrer à língua escrita para se expressarem. Por esse motivo, a geração net não se preocupa em diferenciar a linguagem escrita a ser utilizada virtualmente e aquela utilizada em contextos formais. Talvez, por não saberem a diferença entre uma e outra.

A linguagem formal é aquela regida pelas normas gramaticais e que nos é cobrada em diferentes situações, como: vestibulares, concursos, entrevistas de trabalho, trabalhos acadêmicos, etc. Já a linguagem informal não se preocupa com as normas gramaticais, sendo utilizada em conversas entre amigos e demais situações que não exigem a norma padrão da língua.

É responsabilidade da escola motivar e incentivar os estudantes a conhecer a linguagem escrita formal, e isso não é apenas uma incumbência dos professores de Língua Portuguesa, e sim uma prática interdisciplinar, como já descreve o significado dessa palavra no dicionário Aurélio: “que implica relações entre várias disciplinas e áreas de conhecimento; que é comum a várias disciplinas. ”

Sendo assim, é de suma importância saber a diferença entre as linguagens e saber em quais contextos devemos utilizar cada uma delas. Certamente, em algum momento, seja profissional, seja na vida social, a formalidade da escrita será exigida. É essencial orientar a nova geração net sobre o uso do “internetês”4 que pode causar limitações no vocabulário, dificuldade de articulação das frases, dificuldade de raciocínio e que pode atrapalhar a interpretação e a capacidade de leitura.

_________________________________

³ Os emoticons são ícones formados por parênteses, pontos, vírgulas e outros símbolos do teclado. Eles representam carinhas desenhadas na horizontal, e denotam emoções.

4 Internetês é um neologismo (de: Internet + sufixo ês) que designa a linguagem utilizada no meio virtual, em que “as palavras foram abreviadas até o ponto de se transformarem em uma única expressão, duas ou no máximo cinco letras”, onde há “um desmoronamento da pontuação e da acentuação”

¹ Professora  Alessandra Pozzer – Licenciada em Letras pela UCS (Caxias do Sul – RS); Especialista em Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e Estrangeira pela Uninter. Professora da área das Linguagens do Colégio Mutirão Farroupilha.

² Professora Daiane Bandeira de Assunção Marin – Licenciada em Letras pela UCS (Caxias do Sul – RS). Professora da área das Linguagens do Colégio Mutirão Farroupilha e Tutora da Educação de Jovens e Adultos na mesma unidade de ensino.

Referências

 AMARAL, Sérgio Ferreira. Internet: novos valores, novos comportamentos. São Paulo: Cortez, 2003.

Interdisciplinar. Dicionário Aurélio. Disponível em: https://dicionariodoaurelio.com/interdisciplinar, acesso: 25/10/2016

GOODMAN, Kenneth. Unidade na leitura: um modelo psicolinguístico transacional. Letras de Hoje, Porto Alegre: Edipucrs, 1991.

PEREIRA, A.P.M.S.; MOURA, M. Z. da S. A produção discursiva nas salas de bate-papo: formas e características processuais. Belo   Horizonte: Autentica, 2005.

 

O aprender e o ensinar

20161018_185044

*Por ¹  Andréia Lovatto

² Fabiane Menegotto

A antiga ideia de que “a Educação prepara para a vida” é substituída por “a Educação é vida” e a escola deve ser um laboratório e não um auditório.

Como os professores devem agir com seus alunos diante dos desafios encontrados em diversos espaços educativos? Não existe fórmula mágica, não  existem receitas, e sim, atitudes!

 Ser e estar congruente

Falar verdadeiramente, ser autêntico com o aluno, expor sentimentos, desejos e medos. Dessa forma o professor passa a ser visto pelo aluno como alguém genuíno, passível de errar, com sentimentos reais, e assim, há grande probabilidade de o aluno mudar atitudes e também tornar-se autêntico em seu comportamento.

Conforme pondera Rogers (1985), o professor que assume atitudes e compartilha sua autoridade pode conduzir a turma a um clima propício à aprendizagem significativa.

 Aceitação ou consideração positiva

Aceitar o sujeito como ele é, respeitá-lo e valorizar aquilo que traz como experiência. Substituir o clima autoritário por um clima de confiança, de segurança, sem deixar que a autoridade do professor desapareça.

 Empatia

Quando o professor tem a capacidade de compreender internamente as reações do estudante, tem uma consciência sensível da maneira pela qual o processo de educação e aprendizagem se apresenta ao estudante, e assim, mais uma vez, aumentam as probabilidades de uma aprendizagem significativa.

Motivação – Ação e entusiasmo diante da aprendizagem

É o processo que mobiliza o organismo para a ação, a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente, a necessidade e o objeto de satisfação. Motivar passa a ser, também, um trabalho de atrair, encantar, seduzir o aluno, utilizando o que é do interesse dele, como forma de engajá-lo no ensino. Nas situações escolares, o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento.

Hoje, mais do que nunca, torna-se tarefa primordial do professor conhecer, aceitar e privilegiar os interesses de seus alunos, segundo Paulo Freire (1999): “A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.”

Para que a aprendizagem seja significativa ao aluno é preciso levar em consideração a sua experiência, relacionando o conteúdo trabalhado em sala de aula com seu cotidiano, proporcionando um desenvolvimento não só intelectual, mas também emocional, para que o educando sinta-se motivado a buscar novos conhecimentos.

O papel do educador é ser um facilitador, tornando o aluno livre e interessado nas discussões e reflexões da sociedade. Estimulando o seu senso crítico e de agregação de valores dentro do processo de construção da aprendizagem.

¹  Professora Andréia Lovatto – Licenciada em Matemática e Física – UCS (Caxias do Sul/RS), Especialista em Educação Permanente – Ênfase em Apoio Pedagógico – UCS (Caxias do Sul). Professora de Matemática e Física do Colégio Mutirão Farroupilha.

² Professora Fabiane Menegotto – Licenciada em Ciências Biológicas – UCS (Caxias do Sul/RS). Professora de Biologia e Química do Colégio Mutirão Farroupilha;

Referências

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 23ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.

ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

Mutirão entrevista: Volnei Flávio Soldatelli

portugal-e-espanha-cinara-2014-199

Bacharel em Oceanologia pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Volnei Flávio Soldatelli dedica 29  anos de sua trajetória ao ensino. Mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), atua como Professor Universitário, de Pré-Vestibular e Ensino Médio. No Colégio Mutirão Objetivo, leciona a disciplina de Biologia.

Nascido em São Marcos (RS), o discípulo de Jacques Costeau é autor das obras  “A Amazônia que conheci com  Jacques-Yves Cousteau”, “Vida, amor, educação, seus caminhos….”, “Vida, amor, educação e seus novos caminhos”, “A Vida no Planeta Azul”, “Operação Amazônia” e “A Amazônia que Conheci a Bordo do Calypso de Cousteau”. 

Nesta entrevista, vamos conhecer a trajetória deste dedicado professor que em 2007 foi eleito um dos 20 melhores professores da Universidade de Caxias do Sul. “Como professor educador, devo supor que o currículo que prescrevo para  os jovens os prepara, não só para um mundo mecânico, técnico, complexo e em constante mudança, mas também para seu bom relacionamento com outros seres humanos e com a vida que os cerca” destaca Volnei.

 Como foi sua “escolha” pela Oceanologia? Sabemos que é uma profissão que ainda hoje não é tão comentada, mas de extrema importância para a manutenção e sobrevivência das espécies marinhas em um planeta onde a interferência do homem nos sistemas é cada vez maior e mais prejudicial.

 Desde criança, sabia que queria estudar algo que se referisse à natureza, pois ela é a grande fonte de harmonia, equilíbrio, paz, sabedoria e inspiração. Quando ouvi a voz de meu coração sabia que esses fatores norteariam a minha vida, e que neles encontraria um significado maior para a minha vida.

O senhor “embarcou” direto, no Calypso de Cousteau, na “Operação Amazônia”, ou passou um tempo se preparando? Após a conclusão do curso superior, quais foram suas experiências profissionais? Conte-nos um pouquinho da sua trajetória de vida.

Na verdade, minha história, começa, assim: “Num certo dia dos meus 15 anos de idade, ao assistir na TV ao “O mundo submarino de Jacques Cousteau”, disse para a minha mãe: “Sabe, mãe, um dia trabalharei a bordo desse navio de pesquisas (Calypso) junto com esse pesquisador (Jacques-Yves Cousteau)”. Ao ouvir isso, minha mãe disse: “Ah é, meu filho?! Que bom!”. Afinal de contas, o que poderia a mãe de um garoto de 15 anos dizer a seu filho, que afirmara querer trabalhar a bordo do principal navio oceanográfico do mundo, com nada mais nada menos do que o Comandante Cousteau? Pois, sete anos mais tarde, para aquele garoto do interior o que era apenas um sonho tornou-se realidade. Meu projeto científico denominado “Levantamento Preliminar do Microfitoplâncton das Águas Claras do rio Tapajós, Pará, Brasil”, seria um dos cinco projetos brasileiros a serem aprovados pela Cousteau Society e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) para participar da “Operação Amazônia” junto à equipe de Cousteau.

No dia 5 de dezembro de 1982, partíamos num zodíac de Cousteau, desde o porto de Santarém, eu e meu colega Adalto Bianchini, em direção ao Calypso. Começava, assim, a nossa grande e inesquecível aventura a bordo daquele verdadeiro “símbolo dos mares”. Quando chegamos ao Calypso, fomos recebidos pela família Cousteau: Jacques-Yves, sua mulher, Simone, e seu filho, Jean-Michel.

Ao cumprimentar-me, Cousteau questionou-me sobre a presença do plâncton – organismos de natureza animal ou vegetal que flutuam passivamente ao sabor das águas– no rio Tapajós. Então, apontei em direção à popa do Calypso e mostrei-lhe as imensas manchas verdes formadas pelo fitoplâncton (microalgas) que coloriam as águas claras daquele rio. Ao olhar novamente para aquele fenômeno, Cousteau impressionou-se, pois estava acostumado a presenciar esse fenômeno nos mares e não nas águas de rios. Nosso fascínio por aquele fenômeno era comum e, com isso, o rio Tapajós começava a mostrar-nos por que é considerado o mais belo rio amazônico e um dos mais exuberantes do Brasil e do mundo.”

Em julho de 1986, fomos convidados para proferir uma palestra, na Universidade de Caxias do Sul (UCS), sobre nossa experiência na “Operação Amazônia”. Ela foi comovedora e inesquecível, o que me rendeu um convite, em outubro, para que, assim que me formasse, lecionasse para o Curso de Biologia dessa Universidade. Em março de 1987, comecei a trabalhar na UCS, e em outubro, do mesmo ano, surgiu o convite para dar aula no antigo Supletivo do Mutirão. A partir daí, fiz parte de, praticamente, todas as unidades do grupo.

Que lição o senhor tirou do trabalho realizado na “Operação Amazônia” a bordo do Calypso, de Jacques Cousteau? Quanto tempo o senhor ficou embarcado?

Que todo grande sonho pode tornar-se realidade, desde que tenhamos coração e coragem para torná-lo realizável. Que se eu quiser que o mundo mude primeiro tenho que mudar a mim mesmo. Que não podemos nos calar perante o caos que o homem provoca junto a natureza  e que a grita em prol da vida se faz necessário por parte de cada um de nós. Que a ciência deve servir para promover um progresso que traga felicidade e bem-estar ao homem. Era para termos ficado quatorze dias embarcados, porém ficamos seis dias, uma vez que o nível do rio Tapajós estava muito baixo e havia perigo de encalhe do Calypso. Durante esses seis dias, faríamos seis coletas do plâncton desde a confluência do rio Tapajós com o rio Amazonas até a localidade de Alter do Chão.

Qual a maior lição que teve da convivência com Jacques Costeau?

Jacques Cousteau era um homem programado, pois sua agenda diária estava sempre tomada. Durante o tempo que convivemos juntos, deixou-nos transparecer um homem sereno, atencioso, simples, cordial, gentil e bem-humorado.

Todas as manhãs, vestindo uma camisa azul, com quatro canetas num bolso da manga esquerda e com seu gorro vermelho na cabeça, Cousteau entrava no Carré para o seu desjejum: geleia de laranja e torrada. Enquanto tomava café, comentava com seus homens os trabalhos que seriam desenvolvidos naquele dia. Como um verdadeiro comandante, tinha a atenção irrestrita de toda a tripulação.

Certa noite, Jacques Cousteau, tendo ao seu lado madame Cousteau e seu filho Jean-Michel, disse-nos: “Não me considero um cientista. Não me interessa quantas escamas tem um peixe, mas sim sua importância para a manutenção do equilíbrio ecológico do meio onde ele está inserido”. E, mais tarde, num tom de sobriedade, afirmou: “Revelar a Amazônia através de sua beleza, nada mais é que a constatação de sua mais pura realidade”. Também disse: “O motor solar dos trópicos, acelerado pelo líquido da vida, a água, determina essa exuberância de vida”.

Confesso que partilhar dessas informações e comentários junto àquele homem, contestado por uns e amado por outros, mas, sobretudo, soberano no desejo de preservar a vida em nosso planeta, foi um imenso privilégio.

Fazer parte da equipe científica do comandante Cousteau e representar o Brasil na “Operação Amazônia” foi, sem dúvida, um motivo de profundo orgulho e felicidade, não apenas por desfrutar de todo aquele aparato tecnológico, que nos permitia coletar com precisão os dados físico-químicos do meio aquático ou do material e equipamento para a coleta do plâncton, mas também por desfrutar da companhia daquele que era uma verdadeira lenda viva dos mares.

A maior lição que eu tive, durante minha estada com Cousteau, é de que a simplicidade e a humildade são próprias dos grandes homens que fazem diferença a favor da vida.

ferias-2012-2013-140

Sendo professor do ensino médio na disciplina de Biologia, professor universitário nos Cursos de Biologia e Engenharia Ambiental, e mestre em Ecologia, como o senhor vê a situação atual de nossos ecossistemas?

Acredito que o Universo é regido por uma grande lei, que é a “Lei do Caos e do Cosmos”. Sendo assim, a desordem e a ordem andam lado a lado. Por um lado, vemos muitos homens poluindo e contaminando o meio, exercendo atividades predatórias, não só de recursos bióticos (vivos), mas também de recurso abióticos (não vivos), além de continuarem violando, constantemente, princípios básicos de equilíbrio ecológico, através de monoculturas, uso de agrotóxicos e transgênicos.

Por outro lado, vemos muitas instituições de pesquisa, de educação, orgãos não governamentais, governantes de países e grupos civis que, cada vez mais, estão voltados ao cuidado com a preservação dos recursos naturais, bem como o exercício de uma espiritualidade como base para a construção de uma sociedade ecologicamente sustentável. Entre a escolha do “Armagedon” e da “Utopia”, prefiro dar uma chance a “Utopia” e me abraçar nela. Afinal de contas, como professor, sou arquiteto de sonhos, e o que desejo a todos é que criemos, através de nossos jovens, sonhos e não pesadelos.

Para que possamos melhorar como pessoas e contribuir com a natureza, o que podemos efetivamente fazer como cidadãos comuns? Pequenas ações podem humanizar nossa relação com o meio ambiente? 

Acredito que os itens abaixo são ações que visam a humanizar mais a nossa relação com o meio ambiente.

Reduzir o consumo: reduzir os supérfluos;  pôr no prato apenas aquilo que se vai comer; reformar e conservas as coisas, no lugar de substituí-las por outras; doar os objetos e roupas que não são mais necessários para quem precisa; desligar a TV se não estiver assistindo e a luz do lugar onde não houver alguém; evitar o desperdício de água.

 Reutilizar produtos: reaproveitar os potes de sorvete para guardar comida; reaproveitar vidros que podem servir para armazenar alimentos ou outros objetos; utilizar garrafas PET para fazer sofás, puffs, camas; utilizar a frente e o verso do papel para escrever.

Reciclar materiais: reciclar metal, plástico, papel e vidro.

Nos momentos de lazer, o senhor mantém contato in loco com a diversidade marítima? 

Sempre que possível faço uma caminhada na praia, realizo flutuação, embarco em alguma embarcação para contemplar e aprender com a diversidade marinha. Ele me ajuda a compreender e a respeitar a diversidade humana.

Quando entra em sala de aula, qual sua meta como professor? O que o senhor vislumbra ensinar, deixar de legado aos alunos?

Como professor educador, devo supor que o currículo que prescrevo para  os jovens os prepara, não só para um mundo mecânico, técnico, complexo e em constante mudança, mas também para seu bom relacionamento com outros seres humanos e com a vida que os cerca.

Entendo que, numa escola, terei sido justo se preparei excelentes médicos, advogados, oceanólogos, administradores, engenheiros… . Mas, terei sido completo na arte de educar se deixar para meus aprendizes, também, um pouco de autoestima, autoconfiança, autorrespeito e autodisciplina. Se deixar um pouco de coragem para mudar, arriscar e vencer o medo. Se deixar um pouco de felicidade, alegria e prazer de viver. Se deixar a esperança no futuro e o desejo de fazer do mundo um lugar melhor de se viver.

“Sei que a esperança e a apreensão pelo futuro estão sempre coexistindo lado a lado. No entanto, acredito que novos caminhos repletos de alegria, sabedoria e maravilhas estão ainda para serem abertos em todos os campos da atividade humana.Quero crer que, enquanto tivermos a vida, gerarmos a vida e quisermos participar, com amor, de sua teia, haverá esperança para a construção de um mundo melhor”.

Costumo dizer, aos meus companheiros de viagem, que os melhores legados que  podemos deixar para aqueles que vem depois, são: “sabedoria e amor”.

img_6327

Volnei autografando sua obra na Feira do Livro de Caxias do Sul – 2016

Confira as obras já publicadas por Volnei Flávio Soldatelli:

“Vida, amor, educação, seus caminhos….” e “Vida, amor, educação e seus novos caminhos”: duas obras que fazem uma leitura  e releitura do que considero mais sagrado sobre a arte de viver, amar e educar, através de uma visão holística.

“A Vida no Planeta Azul”: um passeio de forma didática por toda a  ecologia do planeta.

“A Amazônia que conheci com Jacques-Yves Cousteau” e “A Amazônia que Conheci a Bordo do Calypso de Cousteau”: narram a experiência da convivência e aprendizado junto a Cousteau.

“Operação Amazônia”: narra a participação nessa “Operação”, bem como toda a ecologia da Amazônia.

O Professor frente às Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação

anablog

*  Por Ana Cristina Pütten

 Indiscutivelmente a tecnologia já faz parte do nosso quotidiano. Isto significa que precisamos observar, rever e analisar os atuais ambientes educacionais e inseri-la neste espaço explorando as possibilidades que nos oferece. Não podemos aceitar em pleno século XXI uma escola com características do século passado, precisamos inová-la e trilhar para as constantes mudanças. Moran (2013, p. 27) alerta: “As mudanças que estão acontecendo na sociedade, mediadas pelas tecnologias, são de tal magnitude que implicam em reinventar a Educação como um todo, em todos os níveis e de todas as formas”.

No entanto, sabemos que as Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC´s são ferramentas preciosas e influenciam a vida das pessoas em diversas esferas, sejam elas no profissional, social e familiar. A questão é a seguinte: Por que seria diferente com a Educação? É evidente que precisamos reinventá-la, pois se continuarmos com status quo estaremos caminhando a passos largos para a manutenção do insucesso escolar.

A maioria das escolas em nosso país mantém o ensino tradicional. A intensa utilização de recursos como: textos, folhas de exercícios, a utilização de quadros negros e giz, livros, aulas expositivas, “decoreba” de conteúdos, temas e provas faz com que diariamente este processo se repita na maioria dos espaços educativos. Afinal, como pode uma escola que carrega consigo os nativos digitais¹ se manter atrativa, desafiadora se as velhas práticas e metodologias antiquadas já não são suficientes para atender a realidade dos nossos educandos?

Para responder este questionamento, inicialmente podemos analisar o papel do professor e avaliação permanente de sua prática pedagógica. Existe naturalmente uma resistência velada por parte de alguns docentes, principalmente para os imigrantes digitais². Moran (2013, p.89) em seus estudos com as TIC´s na Educação, observa a cultura escolar tradicional com dificuldades de aceitar este novo contexto de inovações tecnológicas, enfrentando com lentidão este processo e principalmente com os receios, limitações e objeções por parte de alguns docentes. Segundo ele:

Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora.

 

Desta forma, o educador não pode ser aquele que apenas desvenda causas de problemas no processo de ensino e aprendizagem dos alunos. Tão pouco ser aquele que cria práticas e métodos para a solução de tais problemas, mas sim, aquele que sugere formas de minimizar as dificuldades surgidas a cada dia, buscando novas práticas de ensino, e aqui, é essencial agregar o uso das novas tecnologias.

Existe um forte debate e “murmurinhos” por aí que os computadores e internet substituirão o professor. Calma pessoal! Isto nunca irá acontecer, pois ensinar é um ato de subjetividade, de orientação, de despertar potencialidades, de amor. O Educador é aquele profissional insubstituível, responsável pela formação social, intelectual e cultural de cada um de nós, características estas, inexistentes em máquinas, softwares, hardwares e aplicativos!

Assim, não precisamos, por exemplo, supervalorizar as tecnologias, ou na contramão, subestimá-las. Precisamos sim, integra-las e equilibrar o seu uso em nossa prática pedagógica, caso contrário, em ambas as situações serão imprecisas.

Na realidade o professor precisa permanentemente colocar-se no papel de aprendiz. Pois é neste contexto de renovar, reavaliar, (re)encantar a sua prática pedagógica que se torna um grande mestre. Segundo Demo (2004, p.54) em relação ao professor do século XXI:

Os novos tempos acarretam novos reptos, entre eles saber desconstruir-se de maneira permanente, para ressuscitar todos os dias. Professor acabado é algo fútil. Manter-se aprendendo sempre é sua glória, mais que sua sina. Tem o compromisso de trazer para o aluno o que há de melhor no mundo do conhecimento e da tecnologia, para poder aprimorar sempre as oportunidades de aprender.

Desta forma, precisamos continuar sendo pesquisadores, permanecer estudando, se especializando, nada é mais significativo e brilhante que o jardim do conhecimento. Somente assim, iremos motivar e inspirar nossos alunos. Para Rubem Alves (1999, p.24):

O que é que se encontra no início? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujos sonhos estão cheios de jardins. O que faz um jardim são os sonhos do jardineiro.

Para finalizar, sejamos professores jardineiros, cujos pensamentos estejam cheios de jardins. Vamos florir a vida dos nossos alunos, eis o nosso grande compromisso e missão!

¹ O conceito de nativos digitais foi cunhado pelo educador e pesquisador Marc Prensky (2001) para descrever a geração de jovens nascidos a partir da disponibilidade de informações rápidas e acessíveis na grande rede de computadores – a Web.

²Imigrante Digital: conceito utilizado pelo educador e pesquisador Marc Prensky (2001) para as pessoas que não nasceram no mundo digital e que estão se adaptando e/ou agregando em suas vidas os aspectos das novas tecnologias.

 

Profª Ana Cristina Pütten – Licenciada em História pela Universidade Luterana do Brasil – ULBRA; Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM; Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG; Especialista em Tecnologias da Informação e Comunicação na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande – FURG. Coordenadora Pedagógica do Mutirão Máster e Professora das Ciências Humanas e suas tecnologias na mesma unidade escolar.  

Referências

ALVES, Rubem. Entre a ciência e a sapiência: o dilema da Educação. Loyola. SP, 1999.

DEMO, Pedro. Revista Brasileira de Docência, Ensino e Pesquisa em Educação Física – ISSN 2175-8093 – Vol. 1, n. 1, p.53-75, Agosto/2009. Disponível: http://www.pucrs.br/famat/viali/tic_literatura/artigos/tics/80-388-1-PB.pdf. Acesso: 13/10/2016.

MORAN, José. Novas Tecnologias e Mediação Pedagógica. 21ª ed, Papirus, São Paulo: 2013

___________. A Educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. 5ª Ed. Campinas: Papirus, 2013

A leitura como reflexão

20161006_194903

* Por ¹ Marcia Elisa Soprana Silvestrin

²Patrícia de Cássia Parti

A leitura vem sendo alvo de estudos por diversas áreas do saber, esta deve ser vista como uma atividade interativa, prazerosa e de enriquecimento cultural. Com a atualidade verifica-se que o aluno  não  gosta de ler  na escola, já que o mundo da comunicação propõe novas vertentes midiáticas.

Relacionar a escola com o fracasso do aluno leitor tem sido prática constante, desde críticas feitas pelo senso comum até aquelas elaboradas por formulações teóricas. O MEC, se referindo a uma política de formação do leitor, nos diz:

A leitura, como prática sociocultural, deve estar inserida em um conjunto de ações sociais e culturais e não exclusivamente escolarizadas, entendida como prática restrita ao ambiente escolar. Portanto, pensar políticas de leitura extrapola o âmbito da escola – como locus e como função -, mas sem dúvida não pode prescindir dela, inclusive por ser a instituição pública das mais democratizadas. (Berenblum, 2006, p.23)

Quando se fala em leitura, o que nos vem à mente é a decodificação da linguagem escrita. Sabe-se que atualmente o conceito de leitura vai muito além dessa visão tradicional “(…) aprender a ler significa também aprender a ler o mundo, dar sentido a ele e a nós próprios, o que, mal ou bem, fazemos mesmo sem ser ensinados.” (Martins, 1982, p. 34).

Segundo Maria Helena Martins, existem muitas concepções de leitura e estas podem restringir-se a duas caracterizações, são elas:

1) (…) Como uma decodificação mecânica de signos linguísticos, por meio de aprendizado estabelecido a partir do condicionamento estímulo-resposta (perspectiva behavorista-skinneriana);

2) “Como um processo de compreensão abrangente, cuja dinâmica envolve componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos, bem como culturais, econômicos e políticos (perspectiva cognitivo-sociológica)”. (Martins, 1982, p. 31)

A leitura é um processo de diálogo entre leitor e texto, em que o primeiro modifica-se e modifica o texto através da reconstrução do significado por ele veiculado. Dessa interação, múltiplos significados podem ser elaborados, já que esse processo não é dominado unicamente pelo autor, mas depende dos objetivos e conhecimentos prévios do indivíduo que está lendo o texto, surgindo às várias leituras possíveis de um texto.

O leitor atribui significados, e deixa aflorar, no contato com o texto, todo seu conhecimento de mundo, suas crenças, interesses, opiniões pessoais, enfim, seu universo individual, o que naturalmente difere de um indivíduo para outro. Todos esses elementos, que estão centrados no leitor, seguramente interferem no seu diálogo com o texto de maneira a determinar o tipo de leitura que ele vai fazer num determinado momento.

O professor deve considerar a importância da experiência pessoal do aluno para a construção do sentido do texto, encorajando o desenvolvimento da criticidade e da autonomia. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.” (Freire: 1997, p. 11).

A leitura nos passa a ideia de interatividade estabelecida entre o leitor e o texto, pois, nessa visão interacionista, ler é produzir sentidos, é interagir, é compreender e interpretar. Cabe ao professor estabelecer esta ponte entre a leitura e o aluno, para que este sinta prazer e vivencie o real significado de mundo.

¹ Professora Márcia Elisa Soprana Silvestrin. Licenciada em Língua Portuguesa e Literatura pela UCS; Especialista em Literatura Infanto-Juvenil pela UCS; Especialista em Metodologia do Ensino pelo CESF-Farroupilha. Professora de Língua Portuguesa, Literatura e Sociologia do Colégio Mutirão Farroupilha e Professora das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias na Rede Estadual de Ensino de Farroupilha.

² Professora Patrícia de Cássia Prati. Licenciada em Língua Portuguesa e Literatura pela UCS; Especialista em Leitura e Produção de Texto pela UCS. Professora das Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Colégio Mutirão Farroupilha e Rede Estadual de Ensino de Farroupilha.

Referências 

Berenblum, Andréa. Por uma política de formação de leitores. Brasília: Ministério da Educação – MEC, Secretaria de Educação Básica, 2006. Disponível: http://www.bibliotecapublica.mg.gov.br/files/Por_uma_poltica_de_formao_de_leitores.pdf Acesso: 12/10/2016.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 33º ed. São Paulo: Cortez, 1997.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1982.

A verticalidade da reforma do Ensino Médio

20161004_215008

*Por Lúcia Caroline Jahn Cornely

A Medida Provisória 746/2016 que propõe a reforma do Ensino Médio foi publicada na sexta-feira 23 de setembro de 2016 e encontra-se atualmente em processo de apreciação por uma Comissão Mista de Medida Provisória ainda não instituída.

Neste momento de análise é possível entrar no site do senado e exercer sua cidadania votando contra ou a favor a MP neste link: http://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaomateria?id=126992

O texto da MP aponta mudanças na carga horária, no currículo, nas disciplinas ofertadas e na formação dos professores, todas igualmente preocupantes por não acompanhar um estudo de viabilidade técnica e econômica, apenas propõe-se a mudança e as instituições de ensino que se adequem.

Os maiores detalhes do MP podem ser acessados em seu texto completo no link:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-018/2016/Mpv/mpv746.htm

Aqui não procuro discutir o texto da MP ou as mudanças que ela propõe e sim a forma como todo este processo está acontecendo, de forma vertical, de cima para baixo, impondo às escolas e suas profissionais reformas impraticáveis ou impossíveis, feitas por engravatados que nunca entraram em sala de aula ou trabalharam com os adolescentes do ensino médio.

É comum vermos reportagens e artigos desmerecendo o profissional de sala de aula e dizendo que este precisa de qualificação, na MP uma das propostas é incorporar o profissional de “notório saber” e entre as 567 propostas de emenda ao texto da MP uma foi de equiparar o profissional licenciado e o de notório saber, sem realmente definir o que é esse. Isto remete a um projeto já muito antigo de não reconhecer o professor como um profissional e sim como um complemento dos pais que gerencia o “depósito de crianças e adolescentes” que se tornaram as instituições de ensino. É este projeto que não dá voz aos professores quando propõe-se mudanças educacionais.

Esta verticalidade demonstra que a nossa sociedade ainda não reconheceu a importância da educação possível e coesa, determinismos superiores tornam a escola um desastre como é o caso do Seminário Integrado proposto e implementado aqui no Rio Grande do Sul. É esta falta de reflexão e escuta que está nos levando a um Ensino Médio impositivo, maçante e deseducativo.

Nesta verticalidade imposta percebemos a incapacidade de ver o todo do complexo educacional, em nenhum momento ouvimos falar de como irá ficar o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) no caso de alguém optar por se aprofundar em qualquer uma das áreas, e o vestibular como vai ficar? E na faculdade? Posso mudar de área no meio do terceiro ano? E os alunos da Educação de Jovens e Adultos, vão optar por uma área ou fazer todas?

De minha parte proponho seminários e propostas da classe educadora de como modificar o Ensino Médio para ser mais cativante, educativo e principalmente preparar seres humanos pensantes, críticos e capazes ao invés de reprodutores de conteúdo.

*Bacharelado e Licenciatura em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS). Professora do Mutirão Farroupilha na área das Humanas, e professora da rede estadual de ensino.

Referências:

Site do senado: http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/126992

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/09/29/acaba-nesta-quinta-prazo-para-emendas-a-mp-do-ensino-medio.-conheca-algumas-mudancas-ja-propostas

Uma Proposta Engajadora

20160929_125144-1

*Por Rafael Tiago Debastiani

A constatação das mudanças no mundo em que vivemos e a velocidade em que elas ocorrem não assombra nem mesmo as crianças no momento em que escrevo este texto. Por não indagarmos, não refletirmos, talvez não damos a devida dimensão dos envolvidos e dos processos que acusam essas mudanças.

O processo ensino e aprendizagem na educação atravessa momentos de muitas mudanças. A existência de metodologias antigas utilizadas em salas de aula hoje, mostram-se ultrapassadas pelas novas exigências mundiais. O uso cada vez maior de tecnologias que disseminam uma vasta gama de informações sobre quase tudo que se possa imaginar redistribui novos papeis de ação que se envolvem na relação ensino e aprendizagem, colocando o professor como um mediador na caminhada do aprendizado e não mais como detentor e provedor de informações para gerar conhecimento.

Nesta extrema rapidez com que a sociedade se apodera e faz uso de meios tecnológicos ressurgem as metodologias ou abordagens ativas para aproximar tanto o aluno quanto o professor de um conteúdo mais palpável ao mesmo tempo que dinâmico, tornando os assuntos significativos e passiveis de comparação à realidade vivida pelos alunos. Nas metodologias ativas tanto professor quanto aluno são ativos na produção e responsáveis pela construção do conhecimento. O professor passa a ter um papel de designer de problemas e desafios que visam transformar o aluno em um investigador ou pesquisador em meio às inúmeras fontes e tecnologias disponíveis, aproximando os conteúdos de sala de aula da realidade vivida pelo aluno e por que não, de uma realidade futura.

Neste contexto de informação, tecnologia e educação é importante que o professor agora no papel de tutor de seus alunos encontre a melhor forma para que os mesmos possam aprender, equilibrando informações, atividades e desafios sempre focando na significância dos conteúdos, ou seja, da aproximação com a vida.

Alguns componentes são fundamentais para o sucesso das práticas das metodologias ativas dentro e fora da sala de aula: a criação de desafios, atividades, jogos que realmente tragam as competências necessárias para cada etapa, que solicitem informações pertinentes, que ofereçam recompensas estimulantes, que combinem processos de avaliação individual com participação significativa em grupos, que se inserem em plataformas digitais, que reconheçam o quanto o aluno aprende sozinho e em grupo.

Professores e alunos precisam chegar a elementos comuns no tocante à aprendizagem e à consciência de que precisamos afinar neste mesmo tom tem necessariamente que partir do professor, o propositor do conhecimento e o definidor do método e das técnicas a serem utilizadas.

As metodologias ativas ressurgem como peça que preenche esta lacuna que existe entre o que é ensinado em sala de aula e o que faz parte do mundo, das experiências e fenômenos vivenciados por ambos (professor-aluno) fora dela.

É preciso acreditar no aprender fazendo, de que a sala de aula é feita para testar, para errar, para acertar e para aprender. Quanto mais alunos e professores estiverem ocupados destas rotinas mais bem preparados estarão.

É preciso desejar que cada vez mais professores passem a utilizar métodos que possibilitem aos alunos significado e entendimento e não simples memorização.

É preciso investir em métodos que avaliem o desempenho dos alunos frente aos problemas de fato, dimensionando à educação a altura que ela merece, como necessidade vital para entendermos o mundo e as relações ao nosso redor. As metodologias ativas proporcionam esse significado de maneira muito evidente, satisfatória e realizadora.

  • Rafael Tiago Debastiani é licenciado em História – UCS (Caxias do Sul/RS), especialista em Metodologia do Ensino de História e Geografia – Uninter e graduando em Sociologia  e Filosofia  também pela Uninter (Polo Caxias do Sul/RS). Professor do colégio Mutirão Máster.

Ler mais